Igreja de São João Baptista
Órgãos de tubos do concelho de Abrantes [4]

De acordo com as informações disponíveis, existem órgãos de tubos nas seguintes igrejas do Concelho:

Igreja da Misericórdia de Abrantes

Igreja da Misericórdia

Igreja da Misericórdia de Abrantes

Erguida no século XVI, por iniciativa do Infante D. Fernando, a Igreja da Misericórdia em Abrantes é constituída por uma única nave, sem transepto, mas com alto-coro sustentado por colunas dóricas. Destacam-se as tábuas quinhentistas da autoria do Mestre de Abrantes, as quais representam as várias fases da vida de Cristo, e o exuberante altar-mor em talha dourada, colocado em 1729, após o restauro da igreja.

Órgão de armário

Órgão da Igreja da Misericórdia de Abrantes

Órgão da Igreja da Misericórdia de Abrantes

Igreja de São João Baptista

Igreja de São João Baptista

Igreja de São João Baptista

A primitiva Igreja de São João Baptista de Abrantes foi fundada pela Rainha Santa Isabel em 1300, em memória da celebração de paz entre D. Dinis e o infante D. Afonso, tornando-se sede de paróquia no ano de 1326. Em 1588 Filipe I mandou fazer o templo de raiz, uma vez que este se encontrava arruinado, começando as obras no ano seguinte, a expensas dos moradores e das Confrarias da igreja. A construção deste segundo templo arrastou-se até 1633, havendo uma nova campanha de obras entre 1660 e 1674, para a edificação dos retábulos das capelas das naves. Apesar de em 1680 o coro ter sido concluído, a igreja ficou inacabada, uma vez que as torres da fachada nunca foram terminadas. De planta composta, com corpo principal retangular e capela-mor quadrangular articulada com absidíolos e sacristia, o espaço interior da Igreja de São João Baptista é dividido em três naves com quatro tramos, definidos por colunas jónicas, e cobertas por teto de madeira. O coro-alto, assente sobre abóbada rebaixada de cruzaria de ogivas, abre para a nave por uma janela de modelo serliano. A capela-mor, atribuída à escola de Jerónimo de Ruão, é iluminada por diversas janelas rasgadas no registo superior, e coberta por abóbada de pedra em caixotões decorados por cartelas com florões, com ábside em meia-laranja no topo coberta por abóbada de canhão. O espaço é revestido por azulejos enxaquetados azuis e brancos, possuindo ao centro retábulo de talha dourada com imagens de São João Baptista e da Rainha Santa Isabel. É ainda decorada por cadeiral de madeira, e do lado da Epístola possui órgão. A fachada do templo, que denuncia influências da arquitetura de São Vicente de Fora, é dividida em três registos, de três panos, separados entre si por pilastras emparelhadas. No primeiro, ao centro, foi rasgado o pórtico, rematado por frontão triangular e delineado lateralmente por pilastras almofadadas. Os panos laterais possuem janelas retangulares. Um friso separa este registo do superior. No segundo registo foram abertas diversas fenestrações retangulares, as do pano murário central encimadas por frontão curvo, ladeando um nicho, a do pano murário direito com frontão triangular. À esquerda foi rasgado uma arco volta perfeita que serve de sineira. No último registo foi colocada uma sineira.

Fonte: DGPC, Catarina Oliveira

Órgão da Igreja de São João

Órgão da Igreja de São João

Igreja de São Vicente

Igreja de São Vicente

Igreja de São Vicente

A Igreja de São Vicente de Abrantes é um edifício de arquitetura religiosa. O atual aspeto da Igreja resulta da reconstrução quase total, no século XVI, de um edifício religioso que já existia em 1224, mas do qual não se conhece a data original da edificação. A fachada principal é maneirista, sendo este também o estilo seguido no interior, constituído por três naves, tetos de abóbada de berço em caixotões, nove altares e revestimento a azulejo padrão azul e amarelo do século XVIII. São dignos de nota os painéis de azulejos com a nau de S. Vicente, a valiosa arte sacra, alguns retábulos seiscentistas e a varanda de balaústres simples.

No lado do Evangelho, a Igreja de São Vicente possui um órgão histórico da autoria de António Xavier Machado e Cerveira, opus 25, construído em 1790, restaurado em 1989 por António Simões a expensas do IPPC (Instituto Português do Património Cultural)

Montra

Órgão da Igreja de São Vicente

Órgão da Igreja de São Vicente

Tribuna

Órgão da Igreja de São Vicente

Órgão da Igreja de São Vicente

N coro alto a Igreja de São Vicente possui um positivo de armário da autoria de Joaquim António Peres Fontanes, construído no século XVIII, restaurado em 1987 por António Simões a expensas do IPPC (Instituto Português do Património Cultural)

Órgão de armário

Órgão da Igreja de São Vicente

Órgão da Igreja de São Vicente

FOI NOTÍCIA

Sobre os órgãos de Abrantes, cito o Jornal de Alferrarede, em maio 2007, num texto de José Manuel d’Oliveira Vieira.

“Em tantos anos, foi a primeira pessoa a interessar-se por isto…” Carlos Barata Gil – 22/3/07

“Órgão de tubos” – Instrumento musical de teclado, sopro e foles, usado principalmente nas igrejas (com a pressão exercida no teclado os foles comprimem o ar, que, passando por tubos, produz sons).

O encontro inesperado com Carlos Barata Gil, na papelaria “Papirus” em Abrantes, levou a fazer a pergunta que andava para ser feita há muitos meses e que só ele me poderia responder: “Órgão de tubos”.

Pela forma como sorriu e espontaneamente me levou para sua casa, sem saber quem era, fiquei logo a saber que Carlos Barata Gil não me deixaria sair de lá sem saber tudo o que pretendia.

Para que tão importantes e valiosos instrumentos viessem a ser restaurados e postos ao serviço da comunidade e da cultura em Abrantes, Carlos Barata Gil, fez um levantamento dos órgãos de tubos existentes nas paróquias de S. Vicente e S. João Batista, posteriormente utilizado em 1983 pelo Padre Lúcio Alves Nunes, para responder a um Oficio do “Departamento de Musicologia do Instituto do Património Cultural”.

Muito falados na imprensa, mas depressa esquecidos, o dia 23 de Setembro de 1989 trouxe para Abrantes a esperança de um dia todos os órgãos de tubos existentes nesta cidade virem a ser restaurados, como foram os da Igreja de S. Vicente.

Dos apontamentos de Barata Gil, antigo “bibliotecário” da C.M.A. e “organista”, retirei o mais importante que se conhece deste património histórico, de valor incalculável que são os “órgãos de tubos” existentes em Abrantes.

A Igreja de S. Vicente possui dois órgãos de tubos: um fixo, “Grande Órgão” e um outro no coro do Igreja denominado de “Positivo” em forma de “armário amovível”.

Órgão positivo da Igreja de São Vicente, Abrantes

Do órgão fixo que se encontra instalado na capela-mor (lado esquerdo), conhecem-se as características: teclado de 4 oitavas e meia, 18 registos (9 do lado direito e 9 do lado esquerdo). Na parte inferior destinada ao lugar do organista tem pintado a tinta preta os dizeres: “Feito em 26 de Maio de 1791” e “Reedificado em 19-5-1877”. Por cima do teclado tem escrito a lápis o seguinte: “O organista da de Lisboa Júlio Simões tocou cá no dia 3 de Março de 1919 e achou-o em bom estado”.

Este “Grande Órgão” é constituído por cerca de 1.200 tubos e foi o “25º órgão construído pelo mais notável português, fabricante de órgãos, António Xavier Machado e Cerveira”.

Ambos os órgãos (móvel e fixo) da Igreja de S. Vicente foram alvo de reparação pelo “organeiro” de Condeixa-a-Nova, António Simões, nos anos 1987 e 1989 respectivamente. Depois de restaurado, Abrantes assistiu ao concerto inaugural do “Grande Órgão” no dia 23 do mês de Setembro de 1989. O órgão positivo, amovível, do Século XVIII tem como autor Frei Simão (Joaquim António Peres Fontanes).

Na Igreja de S. João, na capela-mor (lado direito), existe um órgão de tubos, com as características: teclado de 4 oitavas, 13 registos (7 do lado esquerdo e 6 do lado direito). Construído por um padre desconhecido, este órgão nunca restaurado e actualmente em muito mau estado, poderá ser o que consta no “livro nº 1 de receita e despesa da fábrica da capela-mor” e do qual se diz: “Despendi com os pedreiros que abriram a parede na capela-mor para se acentar o órgão e cal e área e matereaes 15095 reis” (f. 94 – ano 1747). No entanto, no mesmo livro, ano 1681, aparece uma despesa de cento e setenta reis, referente a: “…e uma macha fêmea (dobradiça) da porta do órgão (f. 12v).

Teria existido um outro órgão na Igreja de S. João em 1681?

Como curiosidade refira-se que alguns tubos de madeira do órgão da Igreja de S. João estão forrados exteriormente com jornais de 1869.

Na Igreja da Misericórdia, encontra-se o quarto órgão de tubos, existente na Cidade de Abrantes. Em muito mau estado, este órgão positivo amovível, singelo, de autor desconhecido, só não foi restaurado em 1989/90 (+ -) pelo organeiro de Condeixa-a-Nova, António Simões, devido aos custos insuportáveis que o mesmo acarretava para a Santa Casa da Misericórdia de Abrantes.

Descritos que foram os órgãos de tubos existentes em Abrantes, sabendo-se a importância que os mesmos representam como património histórico e cultural do Concelho, porque não integrá-los nas actividades culturais da cidade?

(a) Referências fornecidas pelo senhor Barata Gil: Oficio 29 de Abril de 1983 ao Departamento de Musicologia do Instituto do Património Cultura do Arcipreste de Abrantes. Relatório estado órgãos Igrejas S. Vicente e S. João. Informações do livro nº 1 receita e despesa fábrica capela-mor de 1681 a 1747. Elementos retirados do livro nº 1 de Actas da Junta da Paróquia desde 1873 a 1877.

Agradecimentos: Ao Sr. Cónego José da Graça e ao Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, Sr. Capitão Horácio Mourão de Sousa por nos terem autorizado a ver e a fotografar os “órgãos de tubos” existentes em Abrantes.

NOTA

Pelo estado em que os órgãos da Igreja de S. João e da Misericórdia de Abrantes se encontram, restaurá-los torna-se dispendioso para as respectivas congregações. A recuperação destes órgãos só é possível através de uma candidatura como fez o Município de Cabeceiras de Basto. Neste Município, o Ministério da Cultura, apoiou a recuperação dos órgãos de tubos, “que envolve acções materiais e imateriais, estas com a realização de 2007 a 2009, de um Festival de Música Antiga na região”.

E Abrantes?!…

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