Banda Filarmónica de S. Mamede de Ribatua
Bandas Filarmónicas do Concelho de Alijó

História e atividade filarmónica no Concelho

[ No que se refere às filarmónicas, o projeto Musorbis está apenas a começar, sendo previsível que até ao final do ano todas as bandas possam estar na plataforma. O processo pode ser acelerado com a cooperação dos interessados no que se refere a historiais e fotografias em falta. ]

Banda Filarmónica de S. Mamede de Ribatua

Em 1999, no programa da RTP (Horizontes da Memória),  José Hermano Saraiva proferiu: “Esta é, sem sombra de dúvidas, uma das bandas mais antigas do país e talvez mesmo a mais antiga em atividade ininterrupta”. A pesquisa documental nos arquivos da Banda e noutras fontes importantes, leva-nos só até à segunda metade do século XIX.  El-Rei D. Luís reinou entre 1861 e 1889. Certo dia, foi recebido e homenageado em Vila Real, onde decorreu um desfile de bandas em sua honra. Todos os músicos da Banda puseram em prática o seu habitual capricho e usaram especialmente calças brancas, casaco azul-marinho e um chapéu preto de aba larga, virado para cima no lado esquerdo. D. Luís, empoleirado no seu palanque, ao ver a Banda a desfilar com o seu abastado perfil, de aprumo militar, executando de forma soberba, perguntou aos seus acompanhantes que banda era aquela, mas ninguém lhe soube responder. O Rei arranjou imediatamente uma solução: De seguida e com enorme entusiasmo, D. Luís grita: “Viva a Banda dos chapéus”! A partir desse dia, a Banda ficou “batizada” com esse nome e manteve-o durante anos.

As datas encontradas nas muitas partituras para a Banda, copiadas e assinadas pelo maestro Joaquim Alfredo Botelho (espólio da família) que terá dirigido a banda pelo menos entre 1897 e 1920, comprovam também a longa história da banda. Em 1916, a Banda tinha a designação de Filarmónica de S. Mamede de Ribatua. Pela documentação encontrada, crê-se que esse nome venha já da fundação, tendo-se mantido até à data da filiação na Associação dos Bombeiros Voluntários de S. Mamede de Ribatua, em 1934. Surgiu nessa altura a designação de “Banda dos Bombeiros Voluntários de S. Mamede de Ribatua”.

Em 1977, deu-se inicio à construção da casa própria da Banda que entrou em funcionamento em 1979. Orlando Gaspar cedeu gentilmente o projeto. A Câmara Municipal de Alijó, juntamente com a Secretaria de Estado da Cultura, disponibilizaram o apoio financeiro. Os músicos e a população da aldeia construíram o edifício.

Joaquim Alfredo Botelho, simultaneamente professor da Escola do Primeiro Ciclo e maestro, terá dirigido a Banda pelo menos entre 1897 e 1920. Adriano Guedes, 1º Sargento Músico e natural de S. Mamede, homem extremamente competente e organizado, ensaiava quatro vezes por semana, não admitia qualquer falta de disciplina e dirigiu a Banda em três períodos distintos: o primeiro possivelmente a partir de 1925.

Foi também maestro um tal Vítor, de quem apenas se sabe que “tinha uma caligrafia musical muito bonita”, um tal Gomes, e mais outros dois maestros que morreram em S. Mamede e cujo nome se desconhece. Joaquim da Costa Chicória só esteve um ano à frente da Banda, possivelmente na época de 1935 (ou 36), tempo suficiente para deixar as marcas do seu talento de compositor: devem-se-lhe as músicas do drama “A vida de Cristo”, tantas vezes levado à cena pelo grupo de teatro de S. Mamede. De 1937 (ou 38) a 46 foi o 2º período de Adriano Guedes.

Seguiu-se o maestro Sampaio, que escreveu a rapsódia “Romarias em S. Mamede de Ribatua”. O 3º período de Adriano Guedes vai de 1948 ou 49, até pelo menos 1955, completando quase 40 anos ao serviço da Banda e ter-lhe-á sucedido um filho de Joaquim Chicória. Também o maestro Lemos passou por esta Banda, mas só por um ano. Veio depois o maestro Pinto de Almeida, que teve também uma passagem curta pela Banda. No final da década de 50 (1958?) a Banda foi dirigida, durante uns cinco ou seis anos, pelo maestro Alberto Carneiro, natural de S. Gens de Calvos (Póvoa de Lanhoso).

Por volta de 1964 veio o maestro e compositor António Pedro, que escreveu para a Banda as marchas fúnebres “Almas do Purgatório” e “Passeio Macabro”. Em 1967 António Pedro foi substituído pelo maestro Bastos. O jovem António Cartageno, que viria a ser padre e compositor, então estudante no Seminário dos Olivais, foi chamado a dirigir a Banda nesse Verão. Mais tarde voltou António Pedro, que se repartia também com a Banda do Felgar (Moncorvo), pelo que António Cartageno continuou a dirigir a Banda por mais três Verões. Joaquim Lima, natural de S. Mamede, faz também uma breve passagem pela regência da Banda(1970?). António Pedro regressa de novo por algum tempo.

O ribatuense João Vieira Lopes regeu a Banda por pouco tempo. Aquando do acidente da Banda em 1983, era ele o maestro e foi um dos feridos mais graves, ficando a Banda sem maestro. Em 1984 entrou em funções o maestro Carlos Lopes, natural de Custóias
(Matosinhos), até 1987. Sucedeu-lhe novamente o maestro António Pedro. Manuel Ferreira, um excelente fliscorne da banda, acabou por substituir António Pedro como maestro no final dos anos 80, até 1993.

Carlos Lopes, foi maestro de 1994 até 2001. Em 2001 ingressou como maestro Hélder Coelho, natural de Lousada. Manuel Monteiro, natural do Porto, entrou em funções em 2004. José Coelho, natural de S. Mamede de Ribatua, é maestro desde setembro de 2005 e assegura também funções na escola de música.

A Banda atuou, ao longo dos tempos, em inúmeras localidades do país. Destacam-se as atuações no festival de bandas da RTP (Sol de Verão). Da EDP em 1984 na cidade de Lamego e do INATEL em 1988 na cidade de Coimbra. Tocou em Lisboa, Amadora, Sintra, Coimbra, Beja, Porto, Matosinhos, Viana do Castelo, Braga, Vila do Conde, entre outras. Em 25 de Abril de 1984 recebeu a “Medalha de Prata de Mérito Municipal” e em 1996 a “Medalha de Ouro de Mérito Municipal”. Em Setembro de 1999, a banda festejou o seu Bicentenário. Estiveram presentes a Banda da Força Aérea Portuguesa, a Banda de Música da Portela, a Banda de Música de Nogueira, e a Banda de Música e Rancho Folclórico de Carlão. Foi também inaugurado um “Relevo Escultórico à Banda”, da autoria do escultor Laureano Ribatua. Em setembro de 2001 gravou o seu primeiro CD.

No dia 08 de dezembro de 2004, a propósito da comemoração dos 205 anos da Banda, esteve uma equipa da RTP em S. Mamede de Ribatua, a fazer um direto para o programa Praça da Alegria. Em  2006 gravou o seu primeiro DVD no Auditório Municipal de Alijó, no qual se encontra, entre outras peças, a marcha de concerto Ribatua, composta por Mário Nascimento, dedicada à Banda e às gentes de S. Mamede de Ribatua.

Em 2006, a convite dos emigrantes conterrâneos, realizou uma digressão aos Estados Unidos da América para participar nas comemorações do 10 de junho da Comunidade de Emigrantes Portugueses de Ossining no Estado de Nova York e Newark no estado de New Jersey. Com cerca de 50 músicos, a Banda tem escola de música com algumas dezenas de alunos, das localidades vizinhas, Castedo, Alijó, Sanfins, Granja, Cheires Pinhão e Tua. Comemora o seu aniversário a 08 de dezembro. Em 2003 foi formada a Orquestra Ligeira da banda, que interromperia a atividade.

BFSMR

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