Manuel dos Passos de Freitas, músico, da Calheta (Açores)
Músicos naturais do Concelho da Calheta (Madeira)

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Manuel dos Passos de Freitas (instrumentista, 1872-1952)
Manuel dos Passos de Freitas, músico, da Calheta (Açores)

Manuel dos Passos de Freitas, músico, da Calheta (Açores)

Manuel dos Passos de Freitas

Fundador e regente do grupo musical Dr. Passos Freitas e do Orfeão Madeirense, Manuel Passos de Freitas introduziu no Funchal um repertório musical clássico que se distinguia da música praticada na sua época. Natural do concelho da Calheta, Manuel dos Passos Freitas foi um advogado ilustre que se destacou no domínio musical pelo seu poder de liderança, espírito de iniciativa e capacidade de organização.

Fundou e regeu dois grupos musicais com uma longevidade pouco habitual na Madeira: o grupo musical Dr. Passos Freitas (tuna de bandolins), com atividade de 1906 a 1960; e o grupo de canto coral Orfeão Madeirense, instituição que se apresentou pela primeira vez em público nos dias 7 de Julho de 1921 e que ainda hoje subsiste. A inspiração para a criação destes agrupamentos surgiu a partir da temporada em que o músico frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se formou.

Segundo Luiz Peter Clode no livro “Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses nos séculos XIX e XX”, neste período da sua vida académica Passos Freitas integrou a Tuna Académica e o Orfeão da Universidade de Coimbra. Experiências musicais que serviram de referência para o trabalho desenvolvido na Madeira. A criação do grupo musical Dr. Passos Freitas e do Orfeão Madeirense conduziu a uma das ideias mais difundidas sobre o “músico-advogado”: Passos Freitas foi o “precursor do verdadeiro movimento musical” na Madeira. No entanto, tendo em consideração que a música já era uma arte muito praticada e difundida no Funchal no início do século XIX e início do século XX, a designação de “pioneiro musical” deve ser entendida tendo em conta o tipo de repertório clássico interpretado pelos que grupos que regia.

Na publicação trimestral “Ilustração Madeirense” de Outubro de 1930, periódico dirigido pelo Visconde do Porto da Cruz, o articulista Fonseca Duarte defendeu que apesar de “não haver rua [no Funchal] onde não se ouça piano [..], o repertório escolhido era acentuadamente caracterizado pelo mau gosto”. Perante este cenário negativo, Fonseca Duarte destacava o “heroico esforço do Dr. Passos Freitas”. A qualidade musical dos grupos liderados pelo Dr. Passos Freitas não foi apenas constatada por Fonseca Duarte.

No Elucidário Madeirense está patente a referência que entre “os vários grupos musicais [do Funchal] destaca-se o que é dirigido pelo Dr. Manuel dos Passos Freitas, advogado e músico distintíssimo”. O grupo musical Dr. Passos Freitas alcançou também enorme sucesso nas ilhas Canárias, com duas digressões. Na segunda deslocação ao arquipélago espanhol o grupo foi acompanhado pelo Orfeão Madeirense a apresentou-se em Tenerife com vários concertos.

Autoria:

Esteireiro, Paulo (2008). “Manuel dos Passos Freitas”. In 50 Histórias de Músicos na Madeira. Funchal: Associação de Amigos do Gabinete Coordenador de Educação Artística, pp. 38-39.

Atualização:

Ventura, Ana (2011). “FREITAS, Manuel dos Passos”. Dicionário Online de Músicos na Madeira. Funchal: Divisão de Investigação e Documentação, Gabinete Coordenador de Educação Artística, atualizado em 23/09/2011

BANDAS FILARMÓNICAS

Banda Municipal Paulense

A 4 de setembro de 1874, nasceu na freguesia do Paul do Mar, uma banda de música denominada Filarmónica Paulense, chamada, a partir de 1991 Banda Municipal Paulense. Todos os membros fundadores pertenciam à mesma família. O primeiro Presidente e também primeiro Maestro da Banda foi Arsénio Santana, que depois passou o testemunho para Arseninho (seu filho). Depois a responsabilidade da Banda ficou a cargo dos Coitos. Assim, o terceiro Maestro foi António Coito, o quarto Manuel Bernardo Coito Andrade e o quinto novamente, António Coito.

Mais recentemente foi Maestro Manuel Patrício Balelo de 1982 a 1992 e atualmente, João Pedro Gomes Fernandes, que se mantém nestas funções desde Janeiro de 1993. Segundo Luíza Clode, muitos instrumentos foram oferecidos por um Príncipe russo. os fundos para a manutenção da Banda eram provenientes dos Amadores da Banda, que tinham uma quota fixa (2$50 em 1950). Em caso de necessidade, eles davam mais dinheiro e em contrapartida a Banda tinha de ir à casa destes, na primeira oitava de Santo Amaro e aos serviços fúnebres, destes ou pessoa da família. De salientar, que no dia 1 de dezembro (dia da Restauração) e no 1º dia do Ano, a Banda saía às ruas da freguesia para assinalar esses dias festivos.

A Banda tinha muitas atuações, tanto em arraiais como em cerimónias fúnebres, casamentos, aniversários, entre outros. As deslocações eram feitas com muitas dificuldades, pois tinham de se deslocar a pé pelas veredas, quando se tratava de atuações no Concelho da Calheta ou nos concelhos vizinhos e de barco, para lugares como Porto Moniz, Seixal, Funchal, Câmara de Lobos e Porto Santo. A Banda Municipal Paulense tem dificuldade e esteve algumas vezes em perigo de extinção devido à emigração. À procura de melhores condições de vida, quase todos os elementos da Banda emigram. A Banda está em constante renovação e tem sempre uma média de idades muito nova. É seu diretor Artístico João Pedro Fernandes.

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