Dina, cantora, de Carregal do Sal
Músicos naturais do Concelho de Carregal do Sal

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Dina (cantora, Carregal do Sal, 18 de junho de 1956 – Lisboa, 11 de abril de 2019)

Dina

Dina, cantora, de Carregal do Sal

Dina, cantora, de Carregal do Sal

Dina, nome artístico de Ondina Maria Farias Veloso, foi uma cantora portuguesa nascida em Carregal do Sal. Ficou especialmente conhecida por ser uma das vozes portuguesas que venceram o Festival RTP da Canção, com a música “Amor de Água Fresca”. Representou ainda Portugal no Festival Eurovisão da Canção em 1992.

Ao longo da carreira, teve vários temas de destaque, como “Há sempre música entre nós” e “Amor de Água Fresca”. Lançou seis álbuns de originais, e foi responsável por compor temas de telenovelas como “Sonhos Traídos” e “Filha do Mar”. Começou com o Quinteto Angola, uma banda cujo nome era o mais natural possível: “Os músicos tinham tocado todos juntos em Angola”, recordava em entrevista ao Observador em 2016. Já cantava pop-rock, já tocava guitarra em palco, o que na altura não era nada habitual, mas em meados dos anos 70 deixa o quinteto e acredita na possibilidade de um percurso a solo. Estreou-se no programa “Nicolau no País das Maravilhas”, de Nicolau Breyner, interpretando um poema de António Gedeão, “Forma de Inocência”, musicado pela própria. Mais tarde, haveria de convencer Tózé Brito, responsável então pela editora Polygram em Portugal. Daí até à primeira participação no Festival da Canção de 1980, onde ganhou o Prémio Revelação, não foi preciso muito. Dois anos depois lançava Dinamite, o álbum que acabou por não conseguir alcançar o sucesso esperado mas que deu a Dina a melhor plataforma de lançamento definitivo. Seguiram-se temas como “Pérola, Rosa, Verde, Limão, Marfim” ou o dueto que assinou com Carlos Paião, em “Quando as Nuvens Chorarem”. Mudou de editora, lançou um álbum em 1991 e no ano seguinte regressava ao Festival da Canção para a interpretação que a deixaria na história, com “Amor D’Água Fresca”. No entanto, na participação na Eurovisão, na Suécia, ficou em 17.º lugar, em 23. A canção, ainda assim, transformou-se num enorme sucesso, que hoje continua a ser reconhecido e a conquistar novos fãs. Nos anos 90, continuou a editar discos, escreveu um hino para o CDS, “Para a Voz de Portugal Ser Maior” e começou a compor temas para telenovelas. Em 2006 foi-lhe diagnosticada a fibrose pulmonar que haveria de condicionar-lhe o futuro da carreira enquanto cantora.

Em 2016, para celebrar os quase 40 anos de carreira, cerca de 15 músicos portugueses como Ana Bacalhau, B Fachada e Samuel Úria, juntaram-se no Teatro São Luiz, em Lisboa.

“É muito difícil falar agora da Dina, porque tive a felicidade de me ter tornado amigo dela”, diz-nos Samuel Úria, cantor e compositor. “Ou se calhar é mais fácil (pelos mesmos motivos) e porque a melhor memória que tenho da Dina não é estritamente musical.” “Há um momento em que ela tira os tubos do nariz que ajudavam a respirar, vai ao palco cantar a canção ‘Carregal do Sal’, e eu estava nesse palco a cantar com ela. A alegria sobrepôs-se à doença, e quando digo que cantámos a ‘plenos pulmões’, não estou a exagerar. A Dina parecia uma criança da Beira-Alta a falar sobre a sua terra beirã, e ‘criança da Beira Alta a falar sobre a sua terra beirã’ define grande parte da minha carreira”, disse Samuel Úria.

Fonte: Observador, 12 de abril de 2019