Grupo Folclórico de Palmeira de Faro e Ronda de Vila Chã
Folclore no Concelho de Esposende

Grupos etnográficos, tradições e atividades no Concelho

  • Grupo Associativo de Divulgação Tradicional de Forjães
  • Grupo de Cantares e Dançares de S. Paio de Antas
  • Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia
  • Grupo Folclórico de Palmeira de Faro e Ronda de Vila Chã
  • Rancho Folclórico “As Moleirinhas” de Marinhas
  • Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Marinhas
  • Rancho Folclórico de Fonte Boa
Grupo Associativo de Divulgação Tradicional de Forjães

O Grupo Associativo de Divulgação Tradicional de Forjães foi fundado em 1995, com o objetivo de pesquisar, preservar e divulgar os costumes etnográficos e tradições do Vale do Neiva, região onde a localidade de Forjães se situa. O grupo tem já um vasto trabalho desenvolvido no campo da revitalização e divulgação do folclore da sua região, tendo atuado já em numerosos festivais, festas e romarias, um pouco por todo o nosso País, e no estrangeiro,  em Itália, Bulgária, e, mais amiudadamente, em França e Espanha, contribuindo para que outros povos entrem em contacto com os costumes e tradições da sua região.

GADTF

Grupo Associativo de Divulgação Tradicional de Forjães

Grupo Associativo de Divulgação Tradicional de Forjães

São suas danças tradicionais o Malhão, Chula, Viras, Cana Verde, entre outras. Entre os usos e costumes, destacam-se as Janeiras, Cantares e danças de romaria. Entre os trajes, refiram-se o dos noivos, mordomas, meia-senhora, lavradeira rica e pobre, padrinhos de casamento, criadas ricas, traje de domingar, traje de romaria, traje de feira, podador, regatão de gado, camponês, lavadeira.

Grupo de Cantares e Dançares de S. Paio de Antas

S. Paio de Antas é, desde há longos anos, uma terra onde a música é parte integrante do dia a dia das suas gentes. Face à inexistência de um Rancho Folclórico que divulgasse para além do canto, as danças e as roupas ligadas aos usos e costumes antigos da freguesia, um grupo de pessoas, resolveu colmatar essa lacuna e nos finais do ano de 2008, a semente foi lançada. A primeira atuação aconteceu no dia 28 de junho de 2009, nas Festas de S. Paio e Senhora das Vitórias. O grupo já realizou várias digressões, de norte a sul do País e à Ilha da Madeira.

GCDSPA

Grupo de Cantares e Dançares de S. Paio de Antas

Grupo de Cantares e Dançares de S. Paio de Antas

Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia

Fundado em 1934, o Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia é um representante ímpar do folclore da Região do Baixo-Minho. Ligado ao mar e ao sargaço, o folclore, em Apúlia, assume características muito específicas e únicas no litoral português. Aqui, o agricultor-sargaceiro, sempre que o movimento das marés prenuncia a aproximação de uma boa “mareada”, larga toda a sua atividade nos campos e vai para a praia. Mas, por vezes, a espera pelo “assejo” – o momento exato em que o mar arroja a terra as primeiras algas dando lugar, então, ao início da “mareada” – pode ser longa, e há que preencher esses tempos mortos.

A expectativa de mais um dia grande e enriquecedor, torna as pessoas alegres e folgazãs, e todos dão largas à ansiedade que os possui. Logo aparece alguém a tocar concertina, outros cavaquinho, viola, ferrinhos, bombo, reque-reque, e a festa acontece. Homens e mulheres, principalmente os mais novos, juntando-se aos pares, ou em roda, cantam e dançam com a alegria bem característica das gentes da beira-mar. Decorrido algum tempo é necessário prestar atenção ao mar, não vá o lençol de sargaço ter-se já aproximado de terra, e o “assejo” estar iminente. Pára a dança. As mulheres sentam-se, languidamente, na areia da praia; os homens, de pé, observam atentamente o comportamento do mar. Se o lençol de sargaço que se vai formando ao longe ainda demora a aproximar-se da costa, a dança recomeça com a mesma alegria e vigor. Até que, a determinado momento, alguém grita a plenos pulmões “Argaço” – e a festa acaba ali para dar lugar à “mareada” – quatro horas de labuta constante, no afã de ser arrecadado todo o sargaço possível.

Cada homem, munido do “galhapão” ou da “graveta” corre para o mar, enfrenta as vagas, até onde lhe for possível, sem colocar em risco a sua segurança, e vai arrecadando as algas nelas envoltas. A mulher retira o xaile e o chapéu, coloca-os em lugar resguardado, sobre a areia, e aguarda na borda do mar o momento de ajudar o sargaceiro que vem a terra com cada carga de sargaço.

A apanha do sargaço que, como se diz antes, assume em Apúlia características únicas, fez com que o sargaceiro fosse considerado, há longos anos, o ex-líbris do concelho de Esposende.

Em 1934 realizava-se no Palácio de Cristal, no Porto, a “Grande Exposição do Mundo Português”, onde deveriam fazer-se representar as províncias ultramarinas portuguesas e todos os concelhos do País. O concelho de Esposende enviou uma delegação composta por sessenta sargaceiros – trinta homens e trinta mulheres – por considerar a originalidade e autenticidade do traje que, tudo o indica, parece remontar ao período da ocupação da Península pelos romanos, e ainda pela atividade agro-marítima que representava: a apanha do sargaço. E a delegação do concelho de Esposende a todos surpreendeu e encantou, pelo garbo dos homens e pela beleza das mulheres. António Torres, responsável por aquela delegação, decidiu, então, dar-lhe continuidade. E assim foi fundado o “Grupo dos Sargaceiros de Apúlia”.

GSCPA

Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia

Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia

António Torres, à época Presidente da Junta de Freguesia, era um homem dotado para as letras e para a música e, por isso, amante e cioso da cultura tradicional da sua terra, lançou-se com entusiasmo na pesquisa e recolha das danças e cantares ligados a Apúlia e à apanha do sargaço, organizando, assim, o repertório do Grupo Folclórico, e que se mantém até aos dias de hoje, sem alterações nem plágios. Contou, para tal, com a ajuda do Conde de Villas Boas, então comandante do porto de Leixões, e do escritor e etnógrafo esposendense Manuel de Boaventura, dois grandes admiradores de Apúlia e dos Sargaceiros.

Em 1940 foi também fundada por aquele apuliense a Casa do Povo local, onde o Grupo Folclórico foi integrado e passou a designar-se “Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia”. O Grupo é membro efetivo da Federação do Folclore Português e do INATEL.

Para assegurar, na população jovem, o gosto e orgulho por esta cultura própria, existe desde o início do século XXI o Grupo Infantil, com cerca de sessenta crianças, de idades entre quatro e doze anos, e que, em sessões semanais, vão aprendendo, a brincar, os usos e costumes tradicionais ligados à faina do sargaço, as danças e os cantares dos sargaceiros.

Sendo a povoação mais a sul da província do Minho e limite desta com o Douro Litoral, as danças detêm características de transição e revelam afinidades com as terras maiatas. Adotam, aqui, os nomes tradicionais Malhão, Chula, Cana-Verde, Vira, Vareira, Regadinho. Mas nenhuma destas danças se identifica com outras de igual nome dançadas no Minho, no Douro ou nas Beiras. Aqui, os passos de dança dos sargaceiros assemelham-se aos movimentos das ondas do mar, ora rápidas e alterosas, ora calmas e deslizando suavemente. Assim, todas têm dois momentos: enquanto o cantador faz ouvir a sua voz, os dançadores movem-se devagar, em passos suaves, braços ao longo do corpo; quando o cantador se cala, para dar lugar ao coro, ou à música mais intensa, logo os braços se levantam e todos imprimem, então, à dança, celeridade e vigor, tal como o vaivém das ondas do mar em maré viva.

O mar e o sargaço, o amor e a saudade, são uma constante nos cantares dos sargaceiros. Na execução musical predomina o som da concertina, acompanhada dos cavaquinhos, viola braguesa e viola-baixo, ferrinhos, reque-reque e bombo.

Tem-se apresentado por todo o Portugal Continental, Açores e Madeira, e pelo estrangeiro (Brasil, Bélgica, Espanha, França, Luxemburgo e Suíça). É um representante ímpar do folclore do litoral da Região do Baixo-Minho, quer pelas suas danças, quer pelo traje característico. É considerado, quer pelos etnógrafos, quer pela Federação do Folclore Português, um dos grupos de maior autenticidade, pelo que a sua presença se torna requisitada nos maiores festivais de folclore do País.

Manuel de Boaventura, escritor esposendense, escreveu:

“…quando o “assejo” é abondo e o sargaço gordo e reluzente é no árduo trabalho da recolha, o bailado na praia veludinosa, é ainda mais variado, mais álacre, mais movimentado … dançam o Vira do Mar Virado, o Malhão das Ondas Bravas, a Chula da Beira D’água ou o Regadinho Salgadinho, em passes coreográficos – ora suaves como a valsa, ora galopantes e guerreadores, em tremenhos de combate – e a fadiga não é com eles! Trabalham a bailar – bailam e cantam, tal qual os pais e avós cantaram, há dezenas e centenas de anos na salsugem belicheira das águas, as branquetas ensopadas, os suestes a pingar… Mas o corrupio da dança bárbara só pára quando pára o “assejo” porque a fadiga não é com eles!”

Rancho Infantil

Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia, Rancho Infantil

Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia, Rancho Infantil

Grupo Folclórico de Palmeira de Faro e Ronda de Vila Chã

GFPFRVC

Grupo Folclórico de Palmeira de Faro e Ronda de Vila Chã

Grupo Folclórico de Palmeira de Faro e Ronda de Vila Chã

Rancho Folclórico das Moleirinhas de Marinhas

GFMM

Rancho Folclórico das Moleirinhas de Marinhas

Rancho Folclórico das Moleirinhas de Marinhas

Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Marinhas

RFDCM

Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Marinhas

Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Marinhas

Rancho Folclórico de Fonte Boa

O Rancho Infantil de Fonte Boa foi fundado em julho de 1995, pelos professores da Escola Básica do 1º ciclo de Fonte Boa com a colaboração da Associação de Pais Encarregados de Educação. Atuou pela primeira vez em 2 julho de 1995 e tem atuado em diversos eventos e festividades. A partir de 2002, passou para a tutela do Centro de Apoio à Família de Fonte Boa, passando desde então a Rancho Folclórico de Fonte Boa. Atualmente, a direção do Rancho é da responsabilidade de Centro Social Paroquial de Fonte Boa. O Rancho gravou no ano de 2004 o seu primeiro CD, “As Cantigas da Nossa Terra”.

Pertence à região etnográfica do Baixo Minho. São suas danças tradicionais o Vira, Chula, Malhão e Vareira. A tocata inclui concertina, viola, cavaquinho, tambor, reque-reque, ferrinhos. Apresenta os trajes: de noivos (em preto), traje domingueiro, traje de cerimónia, do campo, da viúva com o seu filho, traje dos sargaceiros (porque em Fonte Boa também havia sargaceiros), traje de ferreiro, do camponês pastor e de feira (em castanho). Estes trajes são cópias do que se usava há 150 anos em Fonte Boa. A nível de usos e costumes, apresentam utensílios utilizados no cultivo do milho, centeio e linho, corte da “taborra” e apanha do sargaço. Em termos de representações nacionais, atuou em diversos festivais e festividades de folclore e em Espanha.

RFFB

Rancho Folclórico de Fonte Boa

Rancho Folclórico de Fonte Boa

FOI NOTÍCIA

No Auditório Municipal de Esposende, o Município procedeu, a 11 de junho de 2017, à apresentação do DVD “Esposende e o seu folclore”, trabalho audiovisual que conta com a participação dos oito grupos folclóricos do concelho. Para além de uma representação etnográfica, o DVD inclui danças com o Grupo de Cantares e Dançares de S. Paio de Antas, Grupo dos Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia, Rancho Folclórico de Fonte Boa, Grupo Associativo de Divulgação Tradicional de Forjães, Rancho Folclórico de Danças e Cantares de Marinhas, Rancho Folclórico “As Moleirinhas” de Marinhas, Grupo Folclórico de Palmeira de Faro e Ronda de Vila Chã.

A apresentação decorreu no Auditório Municipal de Esposende, com o espetáculo “Esposende, Minha terra, Meu encanto, Meu eterno amor…”, concebido por Carlos Couto, uma pequena encenação do trabalho produzido com pequenas demostrações do dia-a-dia das gerações de outrora, no campo, nos rios, no monte, no serão, entre outras. De realçar que este espetáculo foi a súmula de todo um trabalho de parceria e partilha de todos os grupos.

Este trabalho surge na sequência da edição, há alguns anos, de um CD com três temas dos grupos folclóricos do concelho então em atividade, visando promover as raízes e tradições concelhias e dar visibilidade ao trabalho dos grupos folclóricos.

Assinalando que “o folclore simboliza a cultura popular e apresenta grande importância na identidade de um povo, de uma nação”, o Presidente da Câmara Municipal, Benjamim Pereira, salientou que “para não se perder a tradição folclórica, é importante que as manifestações culturais sejam transmitidas através das gerações”.

“Por forma a não esquecer a herança que nos foi atribuída por todos os que valorizam a nossa cultura, o Município de Esposende abraçou um projeto de registo de costumes esquecidos tornando-os em memórias vivas, através não só do apoio que tem atribuído a todos os grupos folclóricos do concelho, mas também da edição do DVD ‘Esposende e o seu folclore’”, refere Benjamim Pereira, acrescentando que “de uma forma singela, este trabalho apresenta uma parte do património cultural imaterial que queremos preservar, desde as danças, às atividades, algumas esquecidas e desconhecidas por muitos, como o ciclo do pão, a mareada (apanha do sargaço), as vindimas, as desfolhadas/malhadas, o trabalho na pedra, as lavadeiras do rio e as vivências dominicais”.

O autarca referiu que o Município iá proceder à edição de mais mil exemplares do DVD para oferta aos grupos concelhios, por forma a que a sua venda reverta a favor dos mesmos. A par da apresentação do DVD, realizou-se a exposição “O nosso traje”, resultado da Prova de Aptidão profissional de duas alunas da Escola Profissional de Esposende.

Fonte: Carlos Gomes, Blogue do Minho

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