David de Souza, compositor, da Figueira da Foz
Músicos naturais do Concelho da Figueira da Foz

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Alexandra Curado (maestrina)
  • David de Sousa (compositor, 1880-1918)
  • Elisabete Adão (saxofonista, 1993)
  • Joaquim Simões Pleno (compositor, 1908-2001)
  • João Bagão (guitarrista, 1921-1992)
  • Madalena Azeredo Perdigão (gestora musical, 1923-1989)
  • Manuel Pleno (regente, 1888/1889-1962)
  • Maria Alice (cantora, 1904-1996)
  • Pedro Fernandes Tomás (etnógrafo, 1853-1927)
Alexandra Curado

Alexandra Curado nasceu na Figueira da Foz, onde reside. Iniciou estudos musicais aos 6 anos, na escola de música criada pelo avô na Marinha das Ondas. Em 1983 ingressou no Conservatório Regional de Coimbra, nas classes de Piano, Acordeão e Canto.

Durante o percurso académico participou em vários eventos culturais. Em 1991, concluiu o curso complementar de Piano no Conservatório Regional de Coimbra como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e em 1996 concluiu licenciatura nas áreas de Piano e Formação Musical. Fez pós-graduação em Psicologia da Música, na Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto.

Desenvolveu atividade de concertista a solo e em música de câmara no país e no estrangeiro. Lecionou piano, formação musical, classe de conjunto e iniciação musical no Conservatório de Música David de Sousa, na Figueira da Foz, participou em cursos intensivos de piano, pedagogia e educação musical e de direção coral.

Em 2010 iniciou o projeto de criação de um coro infantojuvenil, que permitiu retomar a Gala dos Pequenos Cantores da Figueira da Foz. Este Coro levou à criação da Escola de Artes do CAE, que contempla as valências de Ensino de Instrumentos, Dança Clássica e Contemporânea, Teatro e Orquestra de Jazz.

É docente do Conservatório de Música de Coimbra, diretora pedagógica da Escola de Artes do Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz, professora na Escola de Artes de Penacova e Maestrina do Coro Pequenas Vozes da Figueira da Foz e do Coro Canticus Camerae.

Alexandra Curado

Alexandra Curado, professora e maestrina, da Figueira da Foz

Alexandra Curado, professora e maestrina, da Figueira da Foz

Elisabete Adão

Elisabete Silva Adão nasceu na Figueira da Foz a 20 de Outubro de 1993. Iniciou os estudos musicais aos 9 anos, na Sociedade Artística e Musical Carvalhense. Em 2004 ingressou no Conservatório de Música de Coimbra, onde concluiu o 8º grau (2011) em Saxofone na classe de António Madeira Alves. 

Em 2014 concluiu a Licenciatura em Música – Execução – Saxofone na classe de José Massarrão na Escola Superior de Música de Lisboa

Participou em classes de aperfeiçoamento com os saxofonistas Jean-Yves Formeau, Manuel Miján, Alexandre Madeira, Artur Mendes, Helder Alves, Ricardo Pires, James Houlik, Kenneth Tse, Rafael Yebra e Alfonso Padilla.  Em 2012 foi laureada no concurso “Prémio Jovens Músicos” com o 2º lugar ex-aequo (Saxofone, nível médio). Obteve o 1º lugar em 2013, 2014 e 2015 no concurso “Sons d’Cabral” em Belmonte. 

Leia AQUI a biografia completa.

HISTÓRIA

David de Sousa

David de Souza nasceu a 6 de maio de 1880 na Figueira da Foz, tendo realizado os estudos musicais no Conservatório Nacional em Lisboa onde frequentou a classe de violoncelo de Eduardo Wagner e de Cunha e Silva e a de teoria musical de Freitas Gazul. Em 1904, como bolseiro do estado português parte para a Alemanha, onde no Conservatório de Leipzig vai estudar com um dos mais famosos violoncelistas da época: Julius Klengel.

De regresso a Portugal, David de Souza estreia-se como chefe de orquestra em 1913 num concerto realizado no Teatro Nacional. Pouco depois é contratado para Maestro Titular da Orquestra Sinfónica de Lisboa, formada nessa altura e instalada no Politiema.

Com temperamento fogoso, dotes histriónicos e grande poder de comunicação com o público, David de Souza conquistou vários admiradores.

Do seu vasto reportório destacam-se as inúmeras obras modernas que interpretou pela primeira vez em Portugal, como por exemplo: a segunda Sinfonia de Vincent D’Indy, as “Valsas Nobres e Sentimentais” de Maurice Ravel ou o Poema Sinfónico de Luís de Freitas Branco “Depois de uma leitura de Antero de Quental”.

Apaixonado pela música russa, revelou igualmente ao público português, inúmeras obras de compositores daquele país.

Leia AQUI a biografia completa.

David de Souza

David de Souza, compositor, da Figueira da Foz

David de Souza, compositor, da Figueira da Foz

David de Souza

David de Souza, compositor, da Figueira da Foz

David de Souza, compositor, da Figueira da Foz

João Bagão

João Carlos Bagão Moisés, guitarrista e compositor, nasceu na Figueira da Foz, a 14-07-1921, e faleceu em Lisboa, a 09-12-1992. Iniciou a sua aprendizagem da guitarra com o seu tio António da Silva Bagão. Tocou ainda outros instrumentos como piano, bandolim e viola. Completou o Curso dos Liceus em Coimbra e frequentou a Faculdade de Ciências durante três anos. Em 1948 abandonou Coimbra e os estudos e fixou residência em Lisboa, tendo trabalhado como agente de propaganda médica. Amante de música, tocou bandolim, viola, piano e guitarra.

Após a passagem por Coimbra, radicou-se em Lisboa em 1948, actuando em Casas de Fado, acompanhado por Paquito (viola baixo), o que nem sempre foi bem recebido no meio musical e académico conimbricense. Definitivamente atraído para guitarra, tornou-se num dos melhores guitarrista de Coimbra do seu tempo. João Bagão sofreu notória influência do estilo revolucionário e inovador de Artur Paredes, tocava com invulgar virtuosismo e foi, em certa medida, um renovador, quer a compor, quer a fazer os acompanhamentos.

Acompanhou à guitarra cantores activos em Coimbra nos anos 40 e 50 (Manuel Martins Catarino, conhecido como Manuel Julião; Napoleão Amorim; Augusto Camacho; António Dias Gomes; Luiz Goes, Fernando Rolim, entre outros. Integrou o Orfeão Académico de Coimbra e a Tuna Académica de Coimbra, participando em digressões e espectáculos no País e no estrangeiro.

Em Lisboa, manteve um grupo de fados e de guitarradas (juntamente com António Toscano, João Gomes, entre outros), que cessou actividade após a sua morte, tendo esta formação sido a principal responsável pela prática da canção de Coimbra em Lisboa. Um dos principais dinamizadores deste colectivo era o autor de letras Leonel Neves. Foi ainda este grupo que acompanhou Luiz Goes em vários dos seus fonogramas, assim como o Cantor Alexandre Herculano. Também com este Grupo, participou em digressões ao estrangeiro (África do Sul, Áustria, Brasil, EUA e Suíça).

Da sua obra musical destacam-se as guitarradas, tendo ainda musicado os poemas de Edmundo Bettencourt e de Leonel Neves (Balada da Torre d’Anto; Balada de Evocação à Velha, 1951; Toada do Penedo da Saudade, 1953).

O seu nome faz parte da toponímia da Figueira da Foz (Rua Doutor João Bagão).

Fonte: Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX, dir.  Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, pág. 96 e 97.

João Bagão

João Bagão, guitarra, da Figueira da Foz

João Bagão, guitarra, da Figueira da Foz

João Bagão

João Bagão, guitarra, da Figueira da Foz

João Bagão, guitarra, da Figueira da Foz

Joaquim Pleno

Joaquim Maria Simões Pleno nasceu a 15 de Outubro de 1908 em Ferreira-a-Nova, no concelho da Figueira da Foz. Iniciou os estudos musicais com o pai, Manuel Maria Pleno, e integrou a Filarmónica Santanense (dirigida pelo pai) como instrumentista de flautim, aos oito anos de idade. Iniciou-se como regente de banda com apenas 17 anos de idade, em 1925, sucedendo a Carlos Pleno, seu tio, na regência da Banda de Liceia.

Em 1926 sucedeu ao pai como regente da Filarmónica Pampilhosense, na Pampilhosa, localidade onde fixou residência por volta de 1935, após o seu casamento. Dirigiu a Filarmónica Pampilhosense durante 64 anos, sendo substituído em 1990 pelo seu filho Manuel Lindo Pleno. Dirigiu, para além das bandas referidas, a Filarmónica Arazedense (Arazede), a Filarmónica Fraternidade Poiarense (Vila Nova de Poiares), a Associação Filarmónica Lyra Barcoucense 10 d’Agosto (Barcouço) e a Sociedade Filarmónica Fraternidade de S. João de Areias, bem como a Tuna de Souselas (Coimbra) e a Tuna de Franciscas (Cantanhede). Desenvolveu atividade enquanto ensaiador e instrumentista em orquestras denominadas “jazzes”. A partir do final da década de 1930 dirigiu a Orquestra-Jazz Danúbio Azul, sediada em Souselas e constituída por instrumentistas da Tuna Souselense e da Filarmónica Pampilhosense.

Joaquim Pleno destacou-se também como compositor. Entre 1936 e meados da década de 1960 trabalhou como compositor e arranjador ao serviço da Casa Olímpio Medina, sediada em Coimbra. Após a sua desvinculação desta casa comercial continuou a compor (por encomenda) para bandas, tunas, ranchos folclóricos, orquestras típicas, orquestras ligeiras e agrupamentos de teatro e de revista da região da Pampilhosa e concelhos limítrofes. Em 1991 foi distinguido com a medalha de Mérito Cultural pela Câmara Municipal da Mealhada. Em 1999 o seu nome foi atribuído ao coreto da vila da Pampilhosa, numa homenagem da população local. Faleceu a 29 de junho de 2001, com 92 anos de idade.

Fonte: A Nossa Música, Universidade de Aveiro

Madalena Azeredo Perdigão

Maria Madalena Bagão da Silva Biscaia (Farinha) de Azeredo Perdigão (Figueira da Foz, 28 de Abril de 1923 – Lisboa, 5 de Dezembro de 1989) foi, sem dúvida, uma das figuras que maior influência exerceu na vida artística do país no longo período em que desenvolveu atividade na Fundação Gulbenkian e, de igual modo, fora dela. A sua figura parece ter surgido no momento certo (para a Dança e para a Música) na vida da jovem Fundação e, aparentemente, também na do seu Presidente do Conselho de Administração.

A Dr.ª Madalena era vista essencialmente como uma figura tutelar e, em simultâneo, uma mulher elegante, requintada, de fina inteligência e muito poderosa, que marcava presença, frequentemente, ao lado do seu marido, nos eventos da Fundação.

Em relação aos artistas do Ballet Gulbenkian, ainda antes de se ter retirado da direção do Serviço de Música, era tida como uma figura semi-invisível. Mesmo quando administrava a companhia raramente descia aos estúdios e espaços ocupados pela dança. Quanto muito, espreitava com extrema discrição, algum ensaio de palco do camarote presidencial atrás das cortinas e aparecia nas estreias com o marido. Pode-se, mesmo, dizer que havia um certo mistério à sua volta. Após a sua saída da Fundação a sua influência nos destinos do Ballet Gulbenkian não era nada clara.

Nos anos a seguir ao 25 de Abril, em que a companhia começou a renovar-se devido a uma política artística que parecia passar pelo fomento de uma geração de bailarinos portugueses – enérgicos e muito empenhados no seu trabalho – e alguns coreógrafos de uma nova safra, ela continuava (fora) a ser a mulher do presidente vitalício e (dentro), a ter pessoas da sua confiança a trabalhar na instituição.

Foi com ela que o nosso País, nesses anos de grande isolamento, apesar de tudo, foi podendo ver alguns dos maiores vultos mundiais no campo da música e da dança. A criação do Ballet Gulbenkian, da Orquestra e do Coro e, duas décadas depois, do Serviço ACARTE, com os espectáculos de vanguarda na Sala Polivalente do CAM, conferência e oficinas artísticas, concertos à hora de almoço e toda uma panóplia de eventos avulsos e ciclos de programas culturais (dos quais, naturalmente, se destacavam os estivais Encontros ACARTE) só podiam ter partido de uma mulher multifacetada cuja formação académica estava ligada às ciências exactas mas que, inteligentemente, soube alargar os seus horizontes para uma área que igualmente dominava na perfeição: a Música.

António Laginha Lisboa, 2009 (excerto)

Pedro Fernandes Tomás

Pedro Fernandes Tomás (Figueira da Foz, 1852-1927) distinguiu-se em diversas áreas da cultura e do património etnográfico, arqueológico e musical.  Era sobrinho-neto do jurisconsulto e político liberal Fernandes Tomás, tendo-se notabilizado por mérito próprio. Filho de João Pedro Fernandes Tomás e de Maria José Baptista Fernandes Tomás, nasceu na Figueira da Foz a 30 de abril de 1852. Viria a falecer na terra natal, vítima de doença, a 4 de agosto de 1927. Passou pelo liceu e pelo seminário de Coimbra, não tendo seguido estudos superiores. Além de Coimbra, residiu alguns anos na Lousã. A partir de 1875 habitou e trabalhou regularmente na Figueira da Foz. Foi professor do ensino particular, professor e diretor da Escola Industrial Bernardino Machado, da Figueira da Foz, jornalista, recoletor musical, estudioso e temas de arqueologia, epigrafia, história e etnografia.

Foi sócio do Instituto de Coimbra e um dos fundadores da Sociedade Arqueológica da Figueira da Foz, a que também pertenceu o Dr. António dos Santos Rocha. Como autor deixou vasta obra dispersa em páginas de jornais e escreveu monografias e memórias, algumas das quais ainda hoje trabalhos de referência que podem ser consultados através do catálogo da Biblioteca Pública Municipal da Figueira da Foz (BPMPFT). Interessado pela música popular, iniciou na década de 1890 a publicação de recolhas realizadas em diversas localidades de Portugal e de repertório que lhe foi sendo enviado por amigos e colaboradores.

PFT procurou notar as melodias como eram interpretadas pelas comunidades de prática, sem recorrer à moda burguesa das harmonizações para piano. Deixou vasta obra no âmbito da música popular e foi um dos poucos musicólogos que não hesitou em incluir a Beira Litoral e Coimbra no mapa musical de Portugal.

Pedro Fernandes Tomás

Pedro Fernandes Tomás, etnógrafo, da Figueira da Foz

Pedro Fernandes Tomás, etnógrafo, da Figueira da Foz

Obras:

Pedro Fernandes Tomás, Canções populares da Beira acompanhadas de 58 melodias recolhidas diretamente da tradição oral. 2.ª edição. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1923 (1.ª edição, 1896), 254 pp. Prefácio do Prof. José Leite de Vasconcelos. Contém descantes e cantigas de roda.

Pedro Fernandes Tomás, Cantares do povo (poesia e música). Coimbra: França Amado Editor, 1919, 124 pp. Com prefácio do musicólogo António Arroyo. Contém romances populares, canções religiosas, danças de roda e cantigas das ruas.

Pedro Fernandes Tomás, Canções portuguesas (do século XVIII à actualidade). Coimbra: Imprensa da Universidade, 1934, 169 pp. Edição póstuma, revista pelo Dr. Salinas Calado e assegurada pelo Prof. Doutor Joaquim de Vasconcelos. Contém romances, canções religiosas, descantes velhos e de rua e danças de roda.

0 comentários

Deixe um comentário

Quer participar?
Deixe a sua opinião!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *