Painéis de azulejo de Alberto Cedrón, Funchal, créditos Glosas
MÚSICA À VISTA

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Além das igrejas com órgão de tubos, o Musorbis pretende realçar no Concelho outros elementos que permitam aos turistas observar a arte com uma perspetiva musical mais rica.

Jardins da Fundação Berardo

Na Glosas, Música Entre Artes, de 11 de agosto de 2021, um artigo de Luzia Rocha destaca pormenores de iconografia musical do painel do argentino Alberto Cedrón (1937-2007) “considerado um dos maiores artistas plásticos do seu país e também um dos mais abrangentes, já que a sua obra abarca desenho, ilustração, pintura, escultura, arte mural, gravura, entre outros.

De 1994 a 1996 Cedrón realizou uma série de quarenta painéis de azulejo (2,20 x 1,60 m) que compõem a “História de Portugal”, desde a sua fundação até à adesão do país à antiga CEE, actual União Europeia. Estão os referidos painéis nos Jardins da Fundação Berardo, no Funchal, ilha da Madeira.

Luzia Rocha estudou a iconografia musical nos cinco painéis referentes a cinco reinados.

“D. Dinis foi um reconhecido trovador medieval, também ele compositor de várias Cantigas de Amor. Era neto de Alfonso X de Castela (o Sábio). Foi na corte do seu avô que se compôs (ou recolheu) a poesia e a música que integram as Cantigas de Santa Maria, uma gigantesca colecção de canções devocionais louvando a Virgem Maria ou narrando milagres a ela atribuídos.”

Painéis de azulejo de Alberto Cedrón, Funchal, créditos Glosas

Painéis de azulejo de Alberto Cedrón, Funchal, créditos Glosas

“Nesta imagem de Cedrón vemos um trovador que canta e toca um cordofone dedilhado, com formato periforme. Parece ser um instrumento do tipo do alaúde mas o cravelhame não é o correcto para tal instrumento. Assume-se que foi intenção do artista representar mais o tipo de acompanhamento dos trovadores do que um instrumento em particular. Acompanham-no duas mulheres, uma cantando e a outra não cantando. Talvez o artista pretendesse uma evocação da presença feminina nas Cantigas de Amigo.”

O segundo painel refere-se ao reinado de D. Fernando I (1345-1382). Nele “vemos vários populares aglomerados em descontente manifestação, identificando-se, em primeiro plano, um mendigo, coxo, que leva um instrumento cordofone. A prática musical estava bastante aliada à mendicidade e às esmolas, nas classes baixas. O cordofone, mais uma vez, não é exacto no que concerne à organologia. Quiçá uma sanfona e um cego pudessem melhor representar a visão do artista referente às classes populares mendicantes (conforme nos atestam outras fontes iconográfico-musicais), mas tal não foi a opção de Cedrón.”

Painéis de azulejo de Alberto Cedrón, Funchal, créditos Glosas

Painéis de azulejo de Alberto Cedrón, Funchal, créditos Glosas

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