Sociedade Artística e Musical da Bajouca (2003)
Filarmónicas de Leiria (11)

Bandas de Música, História e Atividades no Concelho

  • Banda Sinfónica da Associação de Filarmónicas de Leiria
  • Filarmónica de Monte Redondo Senhora da Piedade
  • Filarmónica de S. Tiago de Marrazes
  • Sociedade Artística e Musical 20 de julho de Santa Margarida do Arrabal
  • Sociedade Artística e Musical da Bajouca
  • Sociedade Artística Musical Cortesense
  • Sociedade Artística Musical dos Pousos (SAMP)
  • Sociedade Filarmónica do Sagrado Coração de Jesus e Maria de Chãs
  • Sociedade Filarmónica São Cristóvão da Caranguejeira
  • Sociedade Filarmónica Maceirense
  • Sociedade Filarmónica Senhor dos Aflitos do Soutocico
Banda Sinfónica de Leiria

Banda Sinfónica de Leiria é a banda que junta músicos das 11 filarmónicas do concelho de Leiria.

Filarmónica de Monte Redondo Senhora da Piedade (f. 1872)

Fundada em 1872, a Filarmónica de Monte Redondo é a mais antiga do concelho de Leiria. Nos anos anteriores aos da sua fundação, era hábito os rapazes reunirem-se por altura do Carnaval, tocando pelas ruas, realejos, harmónios, pífaros e outros instrumentos. Ao mesmo tempo visitavam as pessoas mais ilustres da terra.

Ao tocarem um dia em frente ao passal, o pároco da freguesia, Padre Pedrosa, sugeriu, ao ver tão harmonioso conjunto, a fundação de uma Filarmónica, ideia que os rapazes aceitaram. O sacerdote, certificado do ânimo e das qualidades artísticas dos rapazes, foi ter com a família Costa, ilustre e de largos recursos económicos, para lhe solicitar o financiamento da iniciativa, o que lhe foi logo concedido.

Filarmónica de Monte Redondo Senhora da Piedade (f. 1872)

Filarmónica de Monte Redondo Senhora da Piedade (f. 1872)

No ano em que foi fundada, a Filarmónica fez uma visita a todos os fogos do lugar de Monte Redondo e ofereceu o seu primeiro concerto público, dando assim início à sua atividade musical.

Filarmónica de S. Tiago de Marrazes (f. 1880)

Fundada em 1880, a Filarmónica de S. Tiago de Marrazes está sediada em Marrazes na freguesia da União de Freguesias de Marrazes e Barosa, concelho de Leiria. A sua atividade desenvolve-se nas múltiplas festividades religiosas locais e em intercâmbios com outras instituições congéneres. Esteve presente, na Romaria do Senhor dos Milagres e fez intercâmbios nos Açores e na Madeira.

Na sequência da receção pela filarmónica de um maestro argentino, no ano de 2016, surgiu por parte da instituição que o mesmo rege, o convite para realizar três concertos, nas comemorações do 25.º aniversário da Banda Filarmónica da cidade de Pozo del Molle, Córdoba, Argentina, onde esteve em 2018.

Filarmónica de S. Tiago de Marrazes (f. 1880)

Filarmónica de S. Tiago de Marrazes (f. 1880)

A Instituição continua a cumprir o objetivo para o qual está direcionada que é o ensino da música, apostando na formação musical de jovens de todos os extratos sociais, com uma escola de música com cerca de 50 alunos e 14 professores e também a de levar a música a quem a solicite através da sua Banda composta por cerca de 42 executantes de uma diversidade de idades entre os 14 e os 72 anos.

Sociedade Artística Musical 20 de julho de Santa Margarida do Arrabal

A Sociedade Artística Musical 20 de julho de Santa Margarida do Arrabal foi fundada em 1899. Os seus primeiros Estatutos foram aprovados em 1899 pelo Governador Civil do Distrito de Leiria. Foram seus fundadores Luís Lopes Vieira, Presidente da Direção, Padre João Maria D’Assis Gomes, Secretário, que na época era coadjutor do Pároco José da Silva Rosário, o Tesoureiro.

Os executantes eram em número de 25 e há conhecimento de terem existido 18 maestros na Banda, alguns por diversas vezes, sendo o primeiro o Capitão António Fernandes Barbosa, que era regente da Sociedade Artística Musical de Leiria. O maestro atual é Pedro Ricardo Henriques Ferreira e exerce essa função desde 2003.

A Sociedade possui sede própria desde 1956, e em 2006 estava prevista a entrada do projeto da nova sede na Câmara Municipal.

Em 1961, esteve na origem da criação da Associação das Filarmónicas do Concelho de Leiria. Em 1987, foi-lhe atribuída o galardão do Município pela Câmara Municipal de Leiria. Em 1993, foi declarada Pessoa Coletiva de Utilidade Pública. Em 2000 esteve presente no Jubileu dos Músicos.

Ajudou a fundar a Federação das Bandas Filarmónicas do Distrito de Leiria, pertencendo à Comissão Instaladora até à eleição, em julho de 2003.

Desde a sua fundação, a atividade da Banda tem sido ininterrupta. Anualmente participa em dezenas de festas e outros eventos. Possui um Coro que, quando solicitado, participa nos serviços religiosos.

Organiza encontros de bandas e participa regularmente em intercâmbios com outras filarmónicas (Travassô, Junqueira, Castro Verde, Moura, Vila Viçosa, Pombal, Rossio ao Sul do Tejo, Ponte de Rol, Abrunheira e Maiorga).

Em 2001, participou num Intercâmbio com a banda de Santa Bárbara da ilha de São Miguel dos Açores, e realizou digressões ao estrangeiro, França e Espanha.

Além da sua atividade regular, organiza outros eventos, nomeadamente passeios e noite culturais.

O ano de 1999 é o grande marco histórico da Filarmónica com a Comemoração do seu Centenário, rico em eventos culturais e recreativos, destacando-se um Sarau Musical com o Maestro António Vitorino d’Almeida e o grupo Saxofínia, e a publicação do livro Filarmónica do Arrabal – Cem anos de vida, com recolhas efetuadas e que retratam a sua já longa história bem como a emissão de uma medalha comemorativa da efeméride.

O seu reportório é vasto e diversificado. Gravou uma cassete em 1994. Do seu espólio fazem também parte um CD gravado em 2001, ainda no âmbito da Comemoração do seu Centenário que inclui a peça Homenagem ao Centenário da Filarmónica do Arrabal, do seu anterior maestro, Paulo Figueiredo Cordeiro e em 2002 participou na gravação de outro CD intitulado As Melhores Bandas da Região Centro – quarta série .

É composta por 46 elementos. Tem em funcionamento e dá especial atenção à sua Escola de Música, na qual colaboram 10 professores de elevado grau académico e onde estão em fase de aprendizagem muitos alunos que gratuitamente, têm oportunidade de aprender Formação Musical, Música de Câmara e Instrumento. Para além dos instrumentos da banda, a Escola oferece também aulas de Órgão e Viola.

Sociedade Artística e Musical Cortesense

A Sociedade Artística e Musical Cortesense das Cortes, Leiria – Portugal, foi criada por escritura em 31 de Janeiro de 1881, com o nome de “Phylarmonica de Nossa Senhora da Gaiola das Cortes”.

Sociedade Artística e Musical Cortesense

Sociedade Artística e Musical Cortesense

Em 1879 já havia ensaios de solfejo três por semana e o mestre António João Quinta ganhava uma libra por mês. Do que se crê ter sido a primeira ata ressalta: foi necessário recorrer ao pároco Manuel P. Duarte para que as mães deixassem os filhos inscrever-se como músicos (alegando que era melhor frequentarem os ensaios do que as tabernas onde se joga e adquirem maus hábitos, ao passo que a música instrui), tendo-se inscrito 33 executantes.

O primeiro instrumental foi comprado no Porto, da marca Gautrot Paris, comprado com dinheiro emprestado pelo Visconde de S.Sebastião. A nova filarmónica saiu a tocar em público no domingo de Páscoa de 1880 a acompanhar a procissão da Ressurreição. Em 1930, tomou parte, pela primeira vez, num festival de filarmónicas, organizado pelos Bombeiros Municipais de Leiria, saindo dele vencedora e recebendo, como prémio, o seu primeiro estandarte.

Em 1940 passou a designar-se Sociedade Filarmónica Cortesense. Devido a alterações estatutárias, em 1950, passou a ser designada Sociedade Artística e Musical Cortesense. Em 1972 obteve o 3º Prémio no II Concurso – Concerto das Filarmónicas da Região Rota do Sol.

Após sofrer grande remodelação, em pessoal e instrumental, em 1976, passou a atuar como Orquestra Filarmónica de Cortes, composta por 30 executantes, acompanhada por um Grupo Coral misto de 70 elementos, dos quais 32 eram do sexo feminino. Em 1978 comemorou o seu centenário baseado na tradição popular que dizia que a filarmónica teria atuado pelo primeira vez no Domingo de Páscoa de 1878. Ainda neste ano foi 3ª classificada no Concurso de Filarmónicas do Concelho de Leiria e participou na Semana Nacional da Música a Convite da Câmara Municipal de Leiria. Organiza e participa, em 1980 e 1981, na Catedral de Leiria, nos I e II Encontros de Coros de Música Sacra, com a participação dos melhores Grupos Corais de então.

Novamente remodelada, voltou a atuar como filarmónica e a ser designada, como atualmente, Sociedade Artística e Musical Cortesense, passando a integrar elementos do sexo feminino, desde 1981.

Com o prestígio adquirido a Filarmónica de Cortes, participa com regularidade em Encontros de Bandas por todo o país. Em 1989, Encontro de Bandas do Círculo Musical Bombarralense e no VI Festival de Bandas Civis de Lagos. Em 1990, 9º Encontro de Bandas Civis de Alcácer do Sal, por intercâmbio com a Sociedade Filarmónica Amizade Visconde de Alcácer. Em 1993, 13º Convívio de Bandas de Música de Tomar, organizado pela Sociedade Filarmónica Gualdim Pais. Em 1994, IV Festival de Bandas Civis do Concelho de Aljezur. Em 1995, XIII Festival de Bandas Civis de Silves. Em 1996, Encontro de Bandas em Arrabal – Leiria e Festival de Bandas na Caranguejeira – Leiria, organizados pelas Bandas locais.

Em 1998, atuou na Expo 98 no dia oficial da Ordem Soberana e Militar de Malta a convite da mesma; e recebe em intercâmbio a Banda da Ribeira Brava – Madeira, onde se desloca em seguida, sendo a primeira Filarmónica do Continente a participar no XV Encontro Regional de Bandas da Madeira, juntamente com 16 Bandas Filarmónicas daquele arquipélago. Ainda em 1998, Encontro de Bandas da Vila de Febres a convite do Inatel de Coimbra. Em 2000, deslocou-se a S. Miguel – Açores onde onde tocou nas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Em 2001, III Encontro de Bandas Filarmónicas de Miranda do Corvo.

Em 2001 gravou o seu primeiro CD que apresentou ao público em 2002.

Sociedade Artística e Musical da Bajouca (2003)

Em 1996 foi fundada uma Escola de Música na A.B.A.D. (Associação Bajouquense para o Desenvolvimento) que contava com 3 professores que davam aulas de órgão, viola, saxofone e clarinete. Mas a falta de um professor levou a que durante algum tempo se interrompesse o ensino de instrumentos de sopro. Nos finais de 1998, já como departamento musical da A.B.A.D., surgiu a ideia da criação de uma orquestra ligeira, o que implicava uma aposta em novos instrumentos como: clarinete, saxofone, flauta transversal, trompete e bateria.

Em 1999 a Escola deu os primeiros passos no sentido de formar uma orquestra filarmónica e a partir de então o número de alunos não parou aumentar. Em 2002 foi apresentada oficialmente a Orquestra Filarmónica de Santo Aleixo, que contava com 18 elementos da Bajouca e com alguns “reforços” de bandas vizinhas.

Em 2003 foi fundada uma nova associação, com a denominação SAMB – Sociedade Artística e Musical da Bajouca, associação cujo objeto social é: a criação e desenvolvimento de uma Orquestra Filarmónica e a formação de músicos para a mesma; a promoção de outras atividades artísticas e a criação de um espaço onde as pessoas possam descobrir e desenvolver as suas aptidões; a animação cultural e a ocupação dos tempos livres dos jovens e da população em geral.

Sociedade Artística e Musical da Bajouca (2003)

Sociedade Artística e Musical da Bajouca (2003)

De então para cá a SAMB tem vindo a desenvolver a formação de jovens músicos nas suas escolas, que contam já com mais de 85 alunos (considerando que os músicos da orquestra filarmónica se mantêm em formação contínua), sendo as diversas disciplinas lecionadas por 6 professores, e vem desenvolvendo atividades no sentido de fomentar o gosto pela cultura musical na Freguesia da Bajouca. A Banda é dirigida pelo Maestro César Ramos.

Sociedade Artística Musical dos Pousos

A Sociedade Artística Musical dos Pousos (SAMP) é uma instituição de utilidade pública, fundada em 1873, tendo a música como a sua atividade principal.  Entre os diversos departamentos, possui uma Escola de Artes, com ensino oficial numa parceria com o Ministério da Educação.

Sociedade Artística Musical dos Pousos

Sociedade Artística Musical dos Pousos

Alicerçada num projeto educativo que dá prioridade ao ensino artístico na primeira infância, a Escola de Artes SAMP tem vindo a desenvolver desde 2001, em paralelo com múltiplos programas de produção e ensino para bebés, vários projetos no âmbito da musicoterapia. São disso exemplo os programas Novas Primaveras, com idosos, Ópera na Prisão, com reclusos, 100 Limites ao Som, com doentes mentais crónicos do HSA e, Intervenção Precoce, com bebés portadores de deficiência.

Sociedade Artística Musical dos Pousos

Sociedade Artística Musical dos Pousos

Tem vários os projetos desenvolvidos no âmbito da parceria entre o CHL e a SAMP, sob o programa “Saúde com Arte – Música no Hospital”:

  • Consentir o Som, desde 2008, a decorrer na área de agudos do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental.
    100 Limites ao Som, desde 2005, a decorrer na Unidade de Doentes Crónicos do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental, nos Andrinos.
  • Allegro Pediátrico, terapia musical para bebés, a decorrer na UCEP – Unidade de Cuidados Especiais Neonatais e Pediátricos, e no internamento do Serviço de Pediatria, no HSA.
  • Laboratório de Musicoterapia, a decorrer na Unidor – Unidade de Terapêutica da Dor Crónica do CHL.
  • Musicoterapia – Concertos na Consulta Externa, regularmente, e em colaboração com os profissionais da Consulta Externa, acontecem momentos musicais especiais.
Sociedade Filarmónica do Sagrado Coração de Jesus e Maria de Chãs

Fundada em 1896 no lugar de Chãs, Freguesia de Regueira de Pontes, Concelho de Leiria, tem como fundadores António Fonseca e o seu filho Joaquim Vieira, entre outros.

Os primeiros estatutos datam de 1931 e são sócios da Associação 39 músicos que a compõem e assinam a 1ª ata. Ao longo dos anos merecem referência, entre outros, os maestros: Vital, Joaquim Vieira, Joaquim Pedro, Manuel Martins, J. Paio, António Cordeiro, Manuel Amado, Gomes, Jorge Lobo, João Manuel Pinto, Jaime Justo, João Pleno e Carlos Medinas.

De 1994 a 2000 com o Maestro Vítor Santos, a Banda atravessou um ciclo de grandes reformas que se refletiram na qualidade dos músicos e da banda. O atual reportório em arquivo e já apresentado, ascende a mais de 250 obras, está classificado em: Aberturas, Ligeiro, Medley’s, Pasodobles, Solos, Marchas, Hinos, Religioso, Canções, Boleros e Fantasia. O atual Maestro Rolando Ferreira iniciou em 2000 a sua atividade, que acumula com o de professor da escola de música.

  • 1991 – Gravou (cassete) pela primeira vez, na cidade do Porto, com grande aceitação por parte do mercado, e elogios da imprensa e músicos.
  • 1992 – Realização de intercâmbio com a Banda de Câmara de Lobos – Ilha da Madeira, com concertos efectuados em Santa Cruz, Câmara de Lobos e Funchal.
  • 1993 – Vinda da banda de Camara de Lobos a Leiria, facto que se repetiu em 1996.
    1994 – Com a direção pedagógica do Professor Sr. Vítor Santos, foi reestruturada a escola de música, mantendo-se o ensino gratuito.
  • 1995 – 2 Concertos no Teatro José Lúcio da Silva em Leiria, com sala cheia.
  • 1996 – Ano do Centenário com realizações Culturais entre Setembro e Dezembro, onde se incluem 3 concertos no Teatro José Lúcio da Silva em Leiria, e concertos em Chãs com todas as Bandas do Concelho.
    – Edição de publicação comemorativa.
    – Criação da Orquestra de Sopros.
  • 2000 – A Escola de música passa a ter como diretor pedagógico o Maestro Rolando Ferreira. Conta também com os Professores Pinto da Costa e Juliana Gaspar, além de outros convidados.
  • 2001 – Participação no “Mês da Música Cidade de Loulé” onde executou a 3.ª parte de um concerto iniciado pelo Grupo de Metais do Seixal, seguido pela Banda Del Aula Municipal de Bonares – Huelva.
  • 2004 – Início da construção do Auditório/Sede da Associação.
    – Realização do 1.º Colóquio em que foram convidados mais de 100 ex-músicos da Filarmónica e ex-presidentes.
    – Intercâmbio com as Filarmónicas Açorianas: Fundação Brasileira dos Mosteiros na Ilha de S. Miguel e Sociedade Filarmónica de Vila Nova, na Ilha Terceira.
    – Gravação do 1.º CD da Banda.
    – Atribuição do estatuto de Instituição de Utilidade Pública.
  • 2005 – Concerto no Mosteiro de Santa Maria da Vitória na Batalha, Património Mundial, inserido nas Jornadas Europeias do Património, sob o tema “O Património e a Música”.
  • 2006 – Deslocação a França. Participação em Cassis – Marselha (França), nos 30 anos do Grupo Folclórico de Santa Maria de Cassis.
    Participação no 1.º Concurso Internacional de Bandas Filarmónicas de Vila Franca de Xira.
  • 2009 – Recepção à Fanfare Municipale de Nyon – Suíça.
  • 2010 – deslocação à Suíça com 3 concertos em Nyon e Gland.
Sociedade Filarmónica Maceirense

A Sociedade Filarmónica Maceirense foi fundada em 1875, e manteve a sua atividade ininterrupta até à atualidade, sendo a Instituição Cultural mais antiga da Freguesia de Maceira.

Existindo poucos registos da época, sabe-se por testemunhos que passaram de geração em geração que a Sociedade Filarmónica Maceirense nasceu da vontade do Cónego Pereira da Costa, aquando da sua primeira passagem como pároco de Maceira nos anos de 1875 e 1876, e de algumas das pessoas mais ilustres e influentes da freguesia de Maceira.

Os primeiros ensaios da banda tiveram lugar na “Quinta do Paraíso” junto à Igreja Matriz de Maceira. Passaram depois por várias casas particulares até que, em meados dos anos 20 do séc. XX, se alugou uma casa na Calçada de São João, junto à capela do Arnal, pertença da Igreja de Maceira. A renda desta casa era paga com a atuação da Banda na Procissão do Senhor dos Passos, até que em 1957 foi inaugurada a atual sede na Rua Cónego Pereira da Costa – Arnal. A construção desta nova sede foi fruto do esforço de muitos maceirenses e restaurada em 2006.

O primeiro maestro era Oficial do Exército em Leiria e, segundo relatos, sempre que havia ensaios ia de Leiria para a Maceira “a cavalo numa burra”. O primeiro contramestre foi Manuel da Silva e Sousa, natural do Arnal. Desde o ano de 1910 sucederam-se vários regentes. José Bernardo Ramos assumiu a regência da Banda entre 1971 e 1996 sendo também o responsável pela parte litúrgica, função que desempenhou até 2010. Durante o ano de 1989 a regência da Banda esteve a cargo de António Pedro dos Santos. Entre 1996 e 2000 a batuta esteve entregue a Adelino Mota e de 2000 até 2012 foi maestro Luís Filipe Henriques Ferreira. Atualmente é maestro da banda Élio José Fortunato Fróis e responsável pela parte litúrgica Pedro Frade.

Além disso, esta direção tem como objetivo ultrapassar o impasse existente, de modo a se poder continuar a construção da Nova Sede erguida junto à Igreja Matriz, e conclui-la o mais rápido possível, visto a atual sede neste momento ser pequena para a banda filarmónica e para a quantidade de alunos que frequentam as aulas de música.

Ao longo dos 146 anos de existência, recheados de consagrados êxitos artísticos, a Sociedade Filarmónica Maceirense tem realizado numerosas atuações em festas religiosas, desfiles cívicos, concertos públicos, concursos, entre outros, tendo atuado nos mais diversos lugares de Portugal. Organiza ainda Cursos de Direção de Banda e anualmente o Festival de Bandas de Maceira.

Foi-lhe atribuída, pela Câmara Municipal de Leiria, a Medalha de Cobre em Arte & Cultura e é detentora do Galardão do Município pela Acão Cultural e Divulgação da Música. Tem ainda a Medalha de Prata da Região de Turismo de Leiria.

Em 1999 gravou o seu primeiro CD e nesse mesmo ano foi-lhe atribuído o título de Instituição de Utilidade Pública e no ano de 2003 a Banda participou na gravação do CD “As melhores Bandas Filarmónicas da Região de Leiria”.

Em 2004 deu-se início ao projeto “Saltinotas” que consiste no ensino especializado para crianças dos 3 aos 9 anos.

Em 2006 obteve o 3º lugar, 2º categoria, no “1º Concurso Internacional de Bandas do Ateneu Artístico Vilafranquense”e nesse mesmo ano gravou “marchas de procissão” para o catálogo da “Lusitanus Ensemble”.

Em 2010 realizou um intercâmbio com a Filarmónica do Espírito Santo da Casa do Povo de São Bartolomeu de Regatos-Terceira-Açores, tendo atuado pela primeira vez fora de Portugal Continental

Em 2011 realizou um novo trabalho discográfico com o intuito de perpetuar no tempo toda uma qualidade e excelência que a banda alcançou durante toda a sua história, tendo a sua apresentação decorrido no Teatro José Lúcio da Silva-Leiria onde estiveram presentes mais de 700 pessoas.

Em 2012 recebeu em Maceira a banda italiana “Banda Giovanille Città di Budrio-The B-Band” e deu-se início aos projetos “Pequeninotas” e “Maxinotas” e em 2013 atuou pela primeira vez fora de Portugal tendo efetuado concertos em Búdrio, Bagnarola e Bolonha-Itália.

Em 2015 deslocou-se a França, onde participou na celebração da geminação entre a Vila de Maceira- Leiria e Saint-Lys (Toulouse).

Atualmente a Sociedade Filarmónica Maceirense, além da “Banda Filarmónica” constituída por 55 elementos, tem uma “Escola de Música” composta pelos “Pequeninotas” – para bebés/crianças dos 4meses aos 48 meses; os “ Saltinotas” – para crianças dos 4 aos 9 anos; e os “Maxinotas”, que são aulas para adultos, que engloba formação musical, prática vocal e instrumental. A partir dos 9 anos os alunos têm acesso gratuito a aulas de “Formação Musical” e “Classes Instrumentais” , divididas por Percussão, Flauta Transversal, Trompete, Saxofone, Clarinete, Trompa. Bombardino, Tuba e Trombone.

Antes de ingressarem na Banda Filarmónica os alunos são integrados na “Orquestra Juvenil da SFM”, de forma a adquirirem experiência em tocar em conjunto. Existe ainda a classe de conjunto, a “Ensemble 1875”, que permite aos jovens músicos, que já não fazem parte da Orquestra Juvenil e já ingressaram na Banda Filarmónica, possam tocar os mais variados géneros musicais, desde o Clássico, o Pop/Rock, o Jazz, a Música Ligeira e Tradicional.

Sociedade Filarmónica São Cristóvão da Caranguejeira

A Sociedade Filarmónica de São Cristóvão da Caranguejeira, Leiria, foi criada em 1945, por iniciativa de Manuel Antunes Faria.

Em 1945, em data exata desconhecida, Manuel António Faria, que tinha sido músico na Filarmónica do Arrabal, na taberna do “Ti Menezes”, propôs formar uma filarmónica na Caranguejeira, ideia que foi apoiada por várias pessoas. No mesmo ano, dia do jubileu de São Cristóvão, e também dia santo da freguesia, o Pe. Lacerda anunciou no altar após a missa dominical, que havia pessoas com ideia de formar uma filarmónica na Caranguejeira, projeto que ele próprio apoiaria. Todas as pessoas que tivessem interesse em fazer parte dessa coletividade deveriam dirigir-se à residência do Manuel Faria, que ele tomaria nota dos mesmos para receberem as folhas de iniciação musical para as aulas de solfejo.

No dia seguinte, foram muitos rapazes à casa do Sr. Manuel, mas nem todos conseguiram esse privilégio de receber as folhas que eram, na altura, manuscritas. Assim, o 1.º ensaio de solfejo foi realizado no domingo seguinte, na “Casa da Acção Católica” e esses ensaios continuaram até ao final do ano. No final do mês de dezembro, Afonso Dias Vieira, mestre da Filarmónica do Arrabal, veio selecionar os que estavam melhor preparados para formar esta nova coletividade. Aos 8 de dezembro de 1945, em reunião com a primeira direção da filarmónica, com outras pessoas de posses, angariaram as verbas necessárias para aquisição dos vinte nove instrumentos musicais que seriam posteriormente comprados, na cidade do Porto, à firma “Casa Castanheira”.

A “Sociedade Filarmónica de São Cristóvão da Caranguejeira”, foi formalmente criada em 1945, com a aprovação do seus Estatutos em Assembleia Geral tendo sido posteriormente aprovado o seu alvará pelo Governo Civil a quatro junho de 1946. No domingo de Páscoa de 1946,  foi feita a primeira atuação pública (daí que a filarmónica celebre sempre o seu aniversário oficial nesta data). Esta foi à porta do local de residência do Pe. José Lacerda. Logo de seguida, tocaram a primeira marcha na rua, depois acompanharam a missa. Durante toda a manhã andaram a tocar de taberna em taberna e também no exterior de algumas casas.

Nessa altura, só se tocavam as marchas “Farçola” e “Mosquito”, as únicas que tinham aprendido, e não tinham ainda as fardas que só viriam a estrear no Domingo do Espírito Santo desse ano. A partir daí todos os domingos percorriam todos os lugares da freguesia, de casa em casa, porque todos queriam assistir à sua atuação. A primeira festa onde atuaram fora da freguesia foi em Ninho de Águia, da freguesia de Espite. Apenas após dois anos de trabalho, receberam o primeiro ordenado de dezasseis escudos por músico, depois de estarem pagos os instrumentos. O primeiro local de ensaio situava-se no espaço por de baixo do adro da igreja matriz. O primeiro Edifício, sede da Filarmónica, foi construído em 1949, junto à Igreja Paroquial. Nos anos seguintes a Banda realizou diversos eventos musicais e participou em diversas festividades religiosas e populares.

No ano de 1977 foram admitidas as primeiras mulheres na filarmónica.

Deslocou-se a França, em 1991; ao Canadá, em 1993 e 2001; a Itália, em 1998; à Alemanha, em 1999. Em 1996 comemorou e festejou os 50 anos de existência, promovendo diversos eventos culturais, tendo especial relevo a edição de um fascículo com o historial. Organizou festivais de bandas filarmónicas com filarmónicas de várias regiões do País. Participou em diversos festivais em Portugal e venceu concursos.

A Banda criou também a sua própria escola de música garantindo desta forma a continuidade de bons executantes. O seu atual Maestro Jorge Pereira Dias foi ele próprio aluno da escola de música da Filarmónica. O Maestro possui um vasto currículo a destacar a sua Licenciatura em interpretação vertente trompete pela Universidade de Évora e chefiou da Banda Militar da Madeira de 2010 até 2012.

Em 2021, a Filarmónica de São Cristóvão da Caranguejeira, é constituída por 51 executantes, com idades compreendidas entre os 11 e os 65 anos.

Sociedade Filarmónica Senhor dos Aflitos do Soutocico

A Sociedade Filarmónica Senhor dos Aflitos do Soutocico foi fundada em 1946, tendo atuado pela primeira  vez no mesmo ano na festa em honra do Senhor dos Aflitos no Soutocico, sob a regência do maestro fundador, Afonso Diniz Vieira. Durante as duas primeiras décadas desenvolveu a sua atividade nos moldes normais para uma coletividade como esta, ou seja, atuando um pouco por todo o País em festas e romarias.

Nos anos 1960 passou por uma grave crise de funcionamento devido à guerra colonial e à emigração. Em 1984 iniciou-se um novo ciclo com a criação da escola de música, que foi e continua a ser fundamental para o regular funcionamento da filarmónica. Iniciando-se com 24 jovens, entre os 8 e 14 anos, rapidamente gerou uma onda de entusiasmo que levou a que o número aumentasse para 37 logo no segundo ano, o que motivou o aparecimento de uma Orquestra Juvenil. Por iniciativa do então maestro José António Faustino Matias nasceu essa orquestra.

A Filarmónica do Soutocico participou, após ter sido selecionada no programa Bandas em Concerto, numa organização da Direção Regional de Cultura do Centro nos anos de 2008/2009 e 2009/2010.

Tem dois CD gravados em estúdio, quatro DVD e ainda um livro onde se conta toda a sua história. Foi declarada Instituição de Utilidade Pública em 2014.

Durante as duas primeiras décadas a SFSAS desenvolveu a sua atividade atuando um pouco por todo o país em festas e romarias. Além das habituais festas católicas, tem alargado a sua participação a outro tipo de eventos. Com o objetivo de divulgar a música e atingir vários públicos, a SFSAS tem participado em ações musico-culturais, como concertos em parceria com diversas entidades, concertos de solidariedade, audições da escola de música e vários tipos de convívios.

A filarmónica integra 60 executantes, na sua maioria jovens, mantendo-se a Escola de Música a funcionar em pleno com cerca de 40 alunos nos diversos graus de ensino. O ensino é prestado por professores com habilitação suficiente e que são também executantes da banda.