Deolinda Bernardo, fadista, da Marinha Grande
Músicos naturais do Concelho da Marinha Grande

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Deolinda Bernardo (fadista)
Deolinda Bernardo

A fadista Deolinda Bernardo nasceu na Marinha Grande. Iniciou-se no fado em 1992. Em 1996 ficou em 3.º lugar na Grande Noite do Fado, em Lisboa. No ano seguinte venceu a edição do Porto do mesmo certame. Em 1998 lançou o seu disco de estreia chamado “Desafios”. Foi convidada por Rão Kyao a participar na gravação do álbum “Fado Virado A Nascente”, editado em 2001, e na digressão que se seguiu. O seu marido, José Pires, foi o autor da letra da canção “Fado Nascente”. Colaborou com o grupo Quinteto de Coimbra no DVD “a cappella” de 2004. Em 2005 formou com José Pires o grupo Alma Lusa.

O primeiro disco, com temas originais, foi editado em 2006. Deolinda Bernardo participou em “Adriano Sempre”, disco de tributo a Adriano Correia de Oliveira. Em 2008 lançou, com o nome artístico de Deo, o álbum “Voando sobre o Fado” composto de versões de temas do grupo Madredeus. Em 2010 foi editado o CD “Rota dos Sentidos” com vários clássicos da música portuguesa. No ano de 2011 participou no Festival Crizantema de Aur em Targoviste – Roménia. Em 2012 foi cartaz da exposição “Fado – Longas Noites” do fotógrafo francês Tristan Jeanne-Valés, realizado em Cannes.

Deolinda Bernardo, fadista, da Marinha Grande

Deolinda Bernardo, fadista, da Marinha Grande

Bruno Julião

No 20 de setembro, Dia do Baterista, o jornal Região de Leiria deu destaque a Bruno Julião, baterista que, por passatempo, fabrica baterias “como quem cria peças de arte.” Bruno Julião fabrica as baterias Brutt Custom Drums desde 2015 numa garagem na Marinha Grande. Bruno começou em 2015 quando encontrou no Youtube alguém dos Estados Unidos da América e da Suíça a explicar como fazê-las. Desenhador de moldes e com gosto pelos trabalhos manuais, lançou mãos à obra. Preparou ferramentas, aventurou-se nuns esboços e cortou ripas de madeira. Digeriu frustações e saboreou entusiasmos.

O músico, que tem no currículo 8 Rockin Shoes, Monomonkey, Us The Bear, entre diversas outras bandas, diz ser indescritível a sensação de tocar uma bateria construída por si próprio.  Com o primeiro bombo pronto, havia que o “batizar”. Bruno lembrou-se que lhe chamavam “Brutal” no secundário, pelo estilo alternativo: calças justas, cabelo comprido, t-shirt dos Nirvana. “Alguém me chamou ‘Brutal’ e pegou”. Daí, e da vontade de fazer baterias com “um nome potente e grave, como eu gosto de tocar”, surgiu Brutt Custom Drums, projeto que desenvolve nos tempos livres numa garagem da Marinha Grande.

Bruno Julião cria baterias a partir da técnica stave shell, que consiste em colar ripas e dar-lhes forma, como as aduelas dos barris de vinho. As baterias convencionais são habitualmente de laminado de madeira. A ideia inicial era apenas fazer baterias para uso próprio. Mas Bruno Julião não resistiu aos apelos dos amigos músicos. Já fez meia dúzia de tarolas e bombos e prepara-se para construir dois timbalões, outro dos elementos de uma bateria.

Tempos houve em que a Marinha Grande era “o sítio onde havia mais bandas por metro quadrado”. “De duas em duas casas havia uma banda a ensaiar, algumas à mesma hora”, recordou Bruno Julião com uma réstia de saudade. Ele começou a tocar bateria aos 13 anos e viveu por dentro essa época frenética. “Cheguei a tocar em quatro bandas ao mesmo tempo, porque não havia bateristas suficientes”. Hoje o panorama mudou. “Ainda há alguns e acho que não estamos em extinção, mas somos uma espécie rara” e preciosa, até pelo papel vital que desempenham: “Se o baterista for mau, a banda até pode ser muito boa, mas vai soar sempre mal.”

Apesar de haver diversas escolas de música na região onde muitos jovens aprendem bateria, a maioria fica pelo caminho, seja por falta de motivação ou de sítios para tocar. “Já não é como antes. Não há o ‘movimento’ que havia”, reforçou Bruno, assumindo, contudo, que se antes havia mais bateristas, “também havia pseudo-bateristas”.

Hoje, além de poucos bateristas, também existem menos bandas e músicos. A Marinha Grande, reconhece Bruno Julião, “perdeu um bocadinho”. “Há mais atividade musical em Leiria, com a Omnichord [Records]”, admite, destacando os First Breath After Coma: “Adoro, neste momento é a melhor banda da zona e, no estilo deles, não há melhor em Portugal”.

Bruno viu-os tocar há vários anos, ainda enquanto Kafka Dog, no Beat Club. “Eram putos a tocar bué de bem! Fiquei de boca aberta”. Elogia ainda “a Surma e o Nuno Rancho”, muitas vezes ignorado: “Não percebo como é que ele não é muito mais reconhecido”. Pela Marinha Grande, alguns músicos alguns da “velha guarda” ainda ensaiam, mas mais para “consumo interno”. “Com Monomonkey, antigamente, íamos ensaiar duas ou três por semana”. Mas, como tantas outras bandas, uns foram para Lisboa trabalhar, outros tiveram filhos… “ A oportunidade para ensaiar já não é tanta, porque se trabalha até tarde, à noite estamos cansados…. A banda acaba por ficar em suspenso”.

Bruno Julião

Bruno Julião, baterista, da Marinha Grande

Bruno Julião, baterista, da Marinha Grande

Fonte: Região de Leiria, Manuel Leiria, 20 de setembro de 2019

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