Luís Piçarra, cantor, de Moura
Músicos naturais do Concelho de Moura

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Luís Piçarra (cantor, 1918-1999)
  • Maria do Carmo “Alta” (cantora, 1895-1964)

Luís Piçarra

Luís Piçarra, cantor, de Moura

Luís Piçarra, cantor, de Moura

Luís Piçarra foi um dos mais populares e cosmopolitas cantores portugueses de meados do século XX. Nasceu em Moura, em 1917, e morreu em Lisboa, na Casa do Artista, em 1999. Com atributos vocais de tenor e formação em canto lírico, participou em diversas óperas e operetas mas foi na música ligeira que se notabilizou.

É ele o intérprete do hino do Benfica, Ser benfiquista. Foi vedeta de projeção internacional nas décadas de 40 e 50, tendo passado cerca de um ano como cantor de corte privativo do Rei do Egito. Pisou palcos de grandes salas e de teatros de ínfima ordem, conheceu a fortuna e a privação. Perdeu a voz em 1971, numa emboscada de guerra, quando viajava no interior de Angola para fazer uma série de espetáculos dirigidos aos soldados portugueses.

Fonte: Alberto Franco

Maria do Carmo “Alta”

Maria do Carmo Fontes Páscoa Bernardo nasceu em Moura em 1885 e faleceu em Lisboa em 1964.

Maria do Carmo “Alta”

Maria do Carmo "Alta", cantora, de Moura

Maria do Carmo “Alta”, cantora, de Moura

Foi a eleva­da estatura que lhe proporcionou a alcunha que a celebrizou, imposta também para a distinguir da sua contemporânea Maria do Carmo Torres. Filha de lavradores, deixou Moura com 3 anos e mudou-se para Lisboa com a família. Na capital foi aprendiza de camiseira na casa Ramiro Leão e mais tarde costureira com atelier próprio. Teófilo Braga, que morava na residência frente à sua, es­timulou-a a cantar canções populares. Com apenas 11 anos, foi uma das primeiras fadistas a cantar em retiros fora de portas. A partir de 1918 dedicou-se mais ao fado, nunca abandonando a sua profissão.

O prestígio como cantadeira ligado à sua personalidade orga­nizada e empreendedora, levou-a a fundar o res­taurante Ferro de Engomar que geriu em conjun­to com Alberto Costa. Foi talvez o primeiro restaurante com elenco privativo, onde se cantava o Fado e onde acorriam figuras importantes de Lisboa. Por vezes acompanhava-se à guitarra, instru­mento que aprendera a tocar com um tio. Apre­sentou-se praticamente em todos os recintos de Fado de Lisboa (Águia Roxa, Caliça, Pedralvas, Nova Cintra, Magrinho, Manuel dos Passarinhos, Bacalhau, Perna de Pau, Quebra-Bilhas, Tia Ele­na, Montanha, Charquinho, José dos Pacatos).

Fez digressões ao Brasil, no­meadamente em 1920, onde permaneceu dois anos e meio. De regresso a Lisboa, preocupou-se em reorganizar o seu atelier, não descurando o fado. Voltou ao Brasil em 1926 e apresentou-se no Cinema Central do Rio de Janeiro. Em 1931 integrou o elenco da opereta História do Fado, apresentada pela companhia Maria das Neves, no Teatro Maria Vitória, juntamente com Ercília Costa, Maria Alice, Maria Albertina e Al­berto Costa. Com esta companhia, desem­penhou o papel de Cesária na opereta Mouraria, no Coliseu dos Recreios. Fez várias parcerias com Alfredo Marceneiro. Maria do Carmo fez parte de uma “troupe” cómi­ca tauromáquica de nome Charlot, Max e D. José, com a qual cantou durante três anos em muitas das praças de toiros do país.

Embarcou novamente para o Brasil em 1934, como figura principal da Embaixada do Fado, que integrava nomes como o guitarrista Armando Freire (Armandinho) o violista Santos Moreira, Maria do Carmo Torres, Filipe Pinto e Joaquim Pimentel. Formou o Grupo Artístico de Fados Maria do Carmo, que integrava Manuel Cascais, Cecília ‘Almeida, José Marques e Armando Machado. Alguns dos Fados do seu repertório mais conhecidos foram, Fado Maria do Carmo, Beijos Venenosos, sendo uma das suas criações o bonito poema de João Linhares Barbosa, “É Tão Bom Ser Pequenino”.

Fonte: Portal do Fado

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