Jorge Salgueiro, compositor, de Palmela
Músicos naturais do Concelho de Palmela

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis tem como objetivo aproximar dos munícipes os músicos e o património musical.

Armando Martins

Armando Martins, trompa, de Palmela

Armando Martins, trompa, de Palmela

Jorge Salgueiro

Jorge Salgueiro, compositor, de Palmela

Jorge Salgueiro, compositor, de Palmela

Jorge Salgueiro

Jorge Salgueiro, natural de Palmela, compõe desde os 14 anos e conta com uma obra vastíssima, onde se contam óperas, sinfonias, música para orquestra, banda, coro, teatro e cinema. Compositor residente da Banda da Armada Portuguesa entre 2000 e 2010, é, atualmente, compositor residente da Foco Musical e membro da direção artística do Teatro O Bando.

FOI NOTÍCIA

Em 2016, no âmbito das comemorações do Dia do Concelho, o Cine-teatro S. João foi palco, a 4 de junho, às 22 horas, da “Sinfonia Palmela”, obra musical da autoria de Jorge Salgueiro. Além de procurar refletir a identidade do território, o compositor encontrou, também, inspiração na realidade musical do concelho, marcada pelo grande dinamismo das filarmónicas, e nas características únicas da sala de espetáculos.

Depois de, em 2015, terem sido apresentados os quatro primeiros andamentos – “Do mar até cá”, “Os sinos de Santiago”, “O lugar dos anjos” e “A viagem da máquina de ferro” – este ano, junta-se-lhes o 5.º andamento, dedicado à freguesia de Poceirão. Participaram as bandas da Sociedade Filarmónica Humanitária, da Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros”, da Sociedade Filarmónica União Agrícola e da Sociedade de Instrução Musical, a Orquestra Nova de Guitarras e a Orquestra de Cordas do Conservatório Regional de Palmela.

No total, seriam 150 músicos em palco, acompanhados pelas sopranos Isabel Biu e Lucina Morais. O projeto fica concluído em 2017, com a inclusão de coros e a estreia do andamento final. A organização foi da responsabilidade do Município de Palmela, com o apoio das empresas Casa Ermelinda Freitas, Vinhos, lda. e SLEM – Sociedade Luso Espanhola de Metais, Lda., ao abrigo do programa “Mecenas de Palmela”, e da Associação da Rota de Vinhos da Península de Setúbal/Costa Azul.

BANDAS FILARMÓNICAS

Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária de Palmela

A Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária foi fundada em 1864. Do seu palmarés destaca-se o 1º prémio no Concurso das Bandas Civis de Portugal (1947); a participação no Dia de Portugal na EXPO’92 em Sevilha; a conquista do 2º e do 3º Prémio no Certame Internacional de Bandas de Música de Valência (1992 e 1993); a participação no 3º Concurso Bandístico Internacional Fliscorne D’Oro em Riva Del Garda (1995), em Itália; a atuação na EXPO’98 em Lisboa na semana do seu encerramento; o 3º Prémio da 2ª Categoria no 3º Concurso de Bandas do Ateneu Artístico Vilafranquense; e inúmeras participações em encontros de bandas civis e atuações por todo o país.

A Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária continua a ter uma ação preponderante na vida cultural de Palmela, representando a sociedade e o concelho nos mais diversos pontos do país e da Europa. Conta com cerca de 75 elementos, sob a direção artística de João Quítalo.

BSFHP

Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária de Palmela

Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária de Palmela

Sociedade Filarmónica Palmelense (Loureiros)

Fundada em 1852, com a finalidade de criar uma “Phylarmonica Marcial”, a Sociedade Filarmónica Palmelense tomou desde logo o epítote de Sociedade dos Morgados em virtude de os seus fundadores serem pessoas gradas em Palmela. Em 1864, em consequência de divergências internas de natureza política, alguns elementos fundaram uma outra coletividade. Os sócios que ficaram na sociedade velha passaram a ser conhecidos por “Loureiros” devido ao facto de terem erigido um arco triunfal de louro para receberem um candidato a deputado que em campanha eleitoral visitou Palmela em busca de Votos, cuja cor politica não era a mesma dos dissidentes. Devido a estes acontecimentos a Sociedade dos Loureiros suspendeu a sua atividade musical, retomada 1867.

Apesar de ter atividades diversas (teatro declamado e musical, atividades de natureza desportiva e outras de âmbito cultural), a Música, quer pela Banda e agrupamentos derivados e, mais modernamente, pelos Grupos Corais, constituiu desde sempre a atividade principal dos Loureiros de Palmela. No seu todo, a atividade da Sociedade foi compilada no livro “S.F.P. Loureiros 150 anos de história”.

A banda marcial constituída pelos fundadores da Sociedade apresentou-se pela primeira vez em 29 de Junho de 1853, isto é, cerca de oito meses depois da sua criação, desfilando a tocar uma marcha do seu maestro, José Cipriano Arronches (também um dos fundadores) até à Igreja de S, Pedro de Palmela onde estreou o seu Hino, também da autoria do seu maestro; este hino, revisto em 1935 pelo tenente chefe de banda Francisco Vila Nova, então o regente da Banda da Sociedade, continua a ser um dos símbolos musicais dos Loureiros. Foram 21 os amadores que iniciaram a atividade musical da Sociedade a que, um pouco mais tarde, se juntaram outros 12. Não se conhece, todavia, a constituição instrumental deste grupo de 33 músicos, embora se possa referir que o seu repertório seria constituído por marchas de desfile e de procissão, trechos de carácter ligeiro como polcas, mazurkas e Valsas e, também, músicas para acompanhar as missas.

A atividade da banda era, pois obviamente lúdica. Por volta de 1923 estava já consolidada a formação instrumental da Banda que correspondia ao agrupamento musical que, modernamente, se designa por “pequena banda” cujo instrumento mais agudo era a requinta e o mais grave a tuba em si b, passando pelo quarteto de saxofones, pelos fliscornes e trompetes, pelos saxtrompas, trombones de pistons e barítonos; a percussão a que se chamava “bateria”, era bastante básica: caixa, bombo e pratos (por volta dos anos 50 a Banda passou a dispor de um par de tímpanos).

SFPL

Sociedade Filarmónica Palmelense (Loureiros)

Sociedade Filarmónica Palmelense (Loureiros)

A atividade da Banda, na primeira metade do século XX, revestia pois a forma comum às outras bandas do nosso País: abrilhantar festas e romarias com concertos procissões, arruadas e peditórios, sendo o repertório dos concertos constituído quase exclusivamente por transcrições orquestrais e uma ou outra peça original para banda o que demonstra já uma preocupação de ordem cultural.

Em 1960 a Banda dos Loureiros participou na 1ª eliminatória do 1° Concurso Nacional de Bandas Civis, organizado pela FNAT, tendo ascendido à 2ª eliminatória que se realizou em Maio daquele ano. A injusta exclusão da Banda dos Loureiros (bem como de outras duas bandas, sendo uma de Palmela e outra do Montijo) da fase final, a realizar em Lisboa, levantou grande celeuma, tendo a imprensa da época comentado indignadamente as arbitrariedades cometidas pela organização. Em jeito de consolação, refletindo a sua má consciência, a entidade organizadora convidou as três bandas injustiçadas a participarem num troféu especialmente instituído para o efeito, Claro que as três sociedades recusaram participar. Em 1968 a FNAT levou a efeito novo Concurso, tendo a Banda dos Loureiros, em vista dos antecedentes, decidido não participar.

A atividade da Banda dos Loureiros entrou em declínio no inicio dos anos 70, chegando-se a temer a sua suspensão (na decorrência deste sentimento foi criado o Grupo Coral dos Loureiros tendo como objetivo, além de outros, manter a atividade musical na Sociedade). Tal, porém, não aconteceu mantendo-se a atividade embora com algumas deficiências, nomeadamente o número reduzido de elementos, alguns de idade bastante avançada. Em consequência, a Banda marchou pela última Vez em 25 de Outubro de 1972 assumindo-se a partir dessa data, apenas como banda de concerto. O ambiente social da época em 1974 propiciou uma aprofundada reflexão sobre o papel das banda de música em geral e da Banda dos Loureiros em particular, que conduziu à tomada de disposições necessárias à continuidade desta. Assim foi crida a Escola de Música da Banda sob a direção do maestro José Eduardo Ferreira com a colaboração de vários elementos da Banda. Nos primeiros anos da democracia a Banda colaborou em sessões de esclarecimento levadas a cabo pelo MFA com um espetáculo diversificado em que se apresentava completa e com uma Orquestra ligeira, com o Grupo Coral e com conjuntos de música de câmara. Na vida da Banda, a reflexão atrás mencionada assumiu elevada relevância na forma de “ser” banda.

Assim, nos objetivos a que se devia propor, assente que a Banda dos Loureiros deveria servir primordialmente os associados, contribuindo para a sua educação permanente. O principal significado deste objetivo foi o de assumir o papel de “banda de concerto” determinando-se não aceitar convites para atuações em festas e romarias se não fossem asseguradas boas condições de audição, iluminação e ambiente que conferissem dignidade artística à apresentação da Banda No que se referia ao repertório, dever-se-ia insistir na sua modernização, com preferência por obras compostas originalmente para Banda, sem, não obstante, repudiar as transcrições que constituíam a anterior base de música para banda. Com estas medidas a banda ganhou novo alento e assegurou a sua continuidade, tornando-se no organismo cheio de vitalidade que ainda é, anotando-se que faz em média, em Palmela, no mínimo 4 concertos por ano sempre com repertório renovado. Releva-se a participação no 1° Festival de Música Popular organizado pelo INATEL, em 1979.

A década de 80 foi de grande atividade. O seu instrumental antiquado e de fraca qualidade foi substituído por instrumental novo e mais completo com apoio da Secretaria de Estado da Cultura.

Em 1981, a Banda dos Loureiros apresentou-se no Teatro da Trindade, em Lisboa, convidada pelo INATEL, realizando um concerto dirigido pelo Maestro Alves Amorim integrado no Festival para proclamação dos premiados do Certame de Composições Musicais para Bandas e Coros, organizado por aquela Instituição. Ainda a convite do INATEL a Banda participou, em 1983, no II Festival de Música Popular efetuando um concerto no Teatro da Trindade.

Em 1984, a Fundação Gulbenkian convidou a Banda a inaugurar a 1ª temporada de concertos no seu Auditório ao Ar Livre, em Lisboa. A Banda dos Loureiros foi, portanto, a primeira Banda portuguesa a apresentar-se na Gulbenkian. Ainda neste ano, deu-se a participação na lª fase (a nível de Centros de Distribuição) do Festival EDP de Bandas de Música (Grupo A). O mérito da sua atuação permitiu-lhe ser convidada para se exibir na 2ª fase (a nível de Regiões de Distribuição), o que ocorreu em Julho de 1985. No decurso de 1986 foi completada a troca de instrumentos com a Secretaria de Estado da Cultura, sendo ainda de anotar que, mais uma vez a convite do INATEL, a Banda realizou, em Dezembro, um concerto no Teatro da Trindade, em Lisboa, integrado nos concertos dominicais daquela Instituição.

Nesta década, deslocou-se a Viena de Áustria, a convite do INATEL para participar na 10ª Festa da Música de Conjuntos Instrumentais de Sopro em representação de Portugal. O programa desta Festa incluía, além de concertos – em que a Banda apresentou, música portuguesa- um desfile em conjunto com restantes participantes oriundas dos Estados Unidos da América, de França, da Alemanha, da Dinamarca, do Luxemburgo, da Hungria, além de 29 bandas austríacas. Na ocasião a Televisão Austríaca (ORF) gravou uma das peças portuguesas que foi incluída num documentário sobre Palmela que na altura transmitiu.

Na década seguinte, em Julho de 1994, importa referir a participação no Certamen de Música de Valência, onde a Banda concorrendo na categoria de “até 70 músicos”, obteve um honroso terceiro prémio. Esta deslocação foi antecedida por um concerto no Centro Cultural de Belém, por convite do Banco de Fomento Nacional (banco, mais tarde, absorvido pelo BPI); em 1997, houve uma deslocação a Madrid (Espanha) onde a Banda realizou um concerto oferecido pela delegação local do Banco Espírito Santo aos seus clientes espanhóis. Questão importante para a Sociedade, foi o reconhecimento e a atribuição pelo Governo do Estatuto de Utilidade Pública, em 1990, ostentando ainda a Sociedade a comenda da Ordem de Benemerência que lhe foi atribuída a quando do centenário em 1952. Já no ano 2000 a Banda deslocou-se a Badajoz (Espanha) onde realizou um concerto integrado no XVII Festival Ibérico de Música. Em 2002 realizaram-se as comemorações do 150º Aniversário da Sociedade, tendo a Banda realizado um concerto cujo programa incluiu a estreia absoluta da Cantata “Ode a Euterpe”, para banda, coro e solista vocal que foi dirigida pelo autor, Jorge Salgueiro.

Neste séc. XXI manteve-se o nível habitual de atividades com conceitos regulares quer em Palmela (no mínimo 4), quer acedendo a convites de outras Instituições congéneres portuguesas e de Espanha. Em 2008 a Sociedade começou a organizar ”estágios” com base na nossa banda para os quais são convidadas outras bandas a enviarem jovens músicos formando-se uma banda de grandes dimensões que, depois de trabalhar durante alguns dias repertório normalmente muito exigente, sob a direção de prestigiados maestros convidados, se apresenta em concerto público. Em 2012, realizar-se-ia o 5° Estágio dirigido  por Felix Hauswirth; o 4° Estágio, com uma banda de 130 músicos, foi orientado por Mark Heron, maestro inglês, que preparou e dirigiu um programa e música de compositores ingleses e por Pedro Ferreira, maestro dos Loureiros que dirigiu uma peça portuguesa (Primavera, de Jorge Salgueiro); os anteriores estágios foram dirigidos por Fernando Palacino (o 1°), Alberto Roque (o 2°) e Paulo Martins (o 3°) sempre coadjuvados pelo maestro da Banda dos Loureiros. Neste ano de 2012, além da participação no 5° Estágio que organiza, releva-se como atividades de mérito quer a participação no Concurso de Bandas do Ateneu Vilafranquense, quer a comemoração do 160“ aniversario da Sociedade a ocorrer em 25 de Outubro.

A Sociedade ostenta as seguintes condecorações: Cavaleiro da Ordem da Benemerência outorgada pelo Presidente da República em 1952, Medalha de Reconhecimento e homenagem da Federação das Coletividades de Educação e Recreio, em 1852. Medalha de Instrução e Arte da Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio, em 1957. Medalha de Honra da Câmara Municipal de Palmela em 2005. Desde 1990, é Pessoa Coletiva de Utilidade Pública.

 

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