Praia da Vitória e os seus músicos

Emiliano Toste, editor e produtor, natural de Praia da Vitória
Músicos do Concelho da Praia da Vitória

Ilha Terceira, Açores

[ Serviço público sem financiamento público, o Musorbis é um projeto em desenvolvimento lançado em 2020.

  • Emiliano Toste
  • Gualter Silva
Emiliano Toste

Editor e produtor, Emiliano Toste nasceu a 24 de outubro de 1958 em Cabo da Praia, Concelho de Praia da Vitória, ilha Terceira, Açores. Iniciou os estudos musicais na sua terra natal, no Conservatório de Música de Angra do Heroísmo, onde frequentou a Classe de Canto de Luísa Alcobia Leal. Prosseguiu os estudos no Conservatório de Música do Porto, onde efetuou o Curso Geral de Canto na Classe de Isabel Mallaguerra.

Concluiu o Curso Superior de Canto, com distinção, no Conservatório de Música de Gaia, na Classe de Mário Mateus. Frequentou a Classe de Canto de Palmira Troufa em regime livre. Estudou, ainda, Violino, Piano e Clarinete.

É licenciado em Educação Musical pela Universidade do Minho.

Efetuou uma recolha de espécimes musicais tradicionais nas 9 ilhas do arquipélago dos Açores, com o objetivo de proceder a uma publicação subordinada ao tema: A Música Regional Açoriana. O espólio, resultante desta recolha efetuada entre 1978 e 2017, é composto por 51 CD que contêm espécimes musicais e entrevistas às fontes de informação. Foi doado à Direção Regional de Cultura dos Açores, no dia 12 de junho de 2017.

É autor de Missa Atlântica, obra para Coro e Órgão, dedicada ao Orfeão de Gondomar e de Flauta Básica, publicação composta por livro e CD áudio, tendo como função didática o ensino básico da Flauta de Bisel. É autor, ainda, de alguns temas musicais autónomos, entre os quais, os que se integram no projeto em CD áudio Andanças do Mar, em parceria com o letrista Victor Rui Dores.

É produtor e editor desde 1996, sendo de destacar as seguintes coletâneas:

  • Folclore Português
  • Bandas Filarmónicas Portuguesas
  • Música Tradicional da Madeira
  • Música Tradicional dos Açores

Emiliano Toste é editou ainda outros trabalhos de música tradicional açoriana. Possui, ainda, no seu catálogo de edições em CD áudio, outros trabalhos de música tradicional do continente português, de música para Banda Filarmónica, Coral, Clássica, Jazz, Pop/Rock, Fado, de Expressão atlântica e de Poesia.

A partir de 2005, desenvolveu também a sua atividade na área da edição de DVD musicais.

Possui estúdio próprio de produção e pós-produção de áudio e vídeo: Estúdio Toste, no qual realiza trabalhos para a sua editora e para outras editoras fonográficas. Possui, ainda, estúdio móvel, com o qual realiza projetos na área do áudio e do vídeo, para edição de CD áudio, DVD vídeo e projetos em alta definição (Full HD e 4K).

É portador da Medalha de Prata de Valor Cultural atribuída pela Câmara Municipal de Praia da Vitória.

Clique AQUI para ler a biografia completa.

Emiliano Toste, editor e produtor, natural de Praia da Vitória

Emiliano Toste, editor e produtor, natural de Praia da Vitória

Gualter Silva

Gualter Silva nasceu na freguesia de Santa Cruz, concelho da Praia da Vitória, em 1999. De acordo com o Praia Expresso, de 14 de fevereiro de 2021, Gualter Silva cursa composição musical na Escola Superior de Música de Lisboa. Desde junho de 2020, o jovem praiense é também o compositor responsável pela banda sonora de uma nova série documental de produção independente a passar brevemente na RTP. Este projeto, que lhe permite experienciar algo de absolutamente novo no âmbito da composição musical e, simultaneamente, trabalhar e aprender com grandes nomes da cinematografia portuguesa, surge na sequência de um rumo há muito trilhado e que alicerçado numa forte paixão, aposta na composição musical como forma de vida.

Ainda muito novo e pelas mãos do pai – músico amador – Gualter Silva ingressou na escola de música da Filarmónica União Praiense. A partir desta altura a música começou a fazer parte integrante da sua vida e a determinar muitas das suas opções de vida, nomeadamente no que diz respeito aos estudos. Depois de frequentar o Conservatório na Praia da Vitória, em 2016, rumou até ao Continente, para estudar na Escola Profissional de Música da JOBRA. Embora estudando trompete, a composição musical sempre o fascinou. Em 2019, prestou provas em composição musical para ingresso na Escola Superior de Música de Lisboa, onde, frequenta o 2.º ano de licenciatura.

Gualter Silva, compositor, Praia da Vitória

Gualter Silva, compositor, Praia da Vitória

Na Capital que esta oportunidade para compor a banda sonora de uma série surgiu.

“É na Capital que se situam grande número de produtoras e é também na Capital onde estão as estações de televisão, sendo por isso natural e inevitável, que seja por ali que as produtoras procurem parceiros para os seus projetos”.

Os produtores das editoras LX Filmes e Ocidental Filmes — responsáveis pela série — falaram com o professor Jaime Reis, que lhes indicou o nome do seu aluno Gualter Silva. “Depois, acabei por conhecer os diretores, e penso que houve uma grande coordenação e também uma grande empatia das duas partes, que fez com que conseguíssemos nos entender e trabalhar muito bem”, explica o jovem compositor.

Embora já com diversos trabalhos de composição, este projeto apresenta-se como algo completamente novo e absolutamente desafiante, levando-lhe a desenvolver novas competências no processo de composição.

“Destaco que este é o meu primeiro trabalho cinematográfico ou de música para imagem. O processo de composição é totalmente diferente do que estava habituado. Sempre fui um compositor livre de escrever no tempo e na forma que pretendia, mas na música para imagem não é assim. Apesar de a imagem já nos dar muitas ideias do que podemos fazer a nível melódico e rítmico, o tempo dos takes podem tornar-se limitadores para a ideia, até mesmo o simples facto de naquele preciso segundo ter que haver um som, torna-se uma barreira para a criação livre que estava habituado. Mas é um tipo de trabalho que há muito tinha curiosidade e estou contente com os resultados obtidos”, salienta.

De facto, entre a ideia musical inicial, a música gravada e a edição final, muitos são os passos e as pessoas envolvidas, num processo em que tudo é trabalhado aos mais ínfimo pormenor.

“Neste trabalho eu começo por compor as músicas que depois envio para o sonoplasta as utilizar no take. De seguida, trabalhamos os ajustamentos ao nível dos timing’s, pois nem sempre a música se ajusta ao tempo do take, pelo que é necessário garantir este equilíbrio. Feito este trabalho gravamos com os músicos, e depois, a música é novamente enviada para os diretores do projeto que fazem uma última edição, antes de a música ser definitivamente lançada”, descreveu Gualter Silva.

Trabalham com Gualter Silva neste projeto uma equipa de cerca de 30 pessoas, o que na realidade dos tempos atuais tem constituído uma dificuldade face à necessidade do tão propalado “distanciamento físico”. Ainda assim, as gravações sem conhecerem a celeridade que seria desejável tem corrido a bom ritmo, cumprindo os prazos previstos.

“Terminei as músicas do episódio piloto em meados de setembro, mas devido à pandemia só em janeiro é que as conseguimos gravar. Nesta gravação éramos uma equipa de 30 pessoas, embora não estivéssemos todos juntos ao mesmo tempo, o que dificulta um pouco mais o trabalho. A Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco proporcionou-nos excelentes condições, ao disponibilizar-nos diversas salas para que reduzíssemos ao máximo o risco de contágio”, explicou.

A série espelha a passagem da Monarquia para a República. Retrata a vida e época do último conde de Mafra, Thomas de Mello Breyner (1866 — 1933), baseando-se nos seus diários pessoais, é constituída por três episódios, dos quais um já se encontra com a banda sonora concluída.

“As influências da Terceira estão presentes não só neste projeto como em todas as minhas criações”, diz Gualter Silva, para de seguida complementar: “Não tem necessariamente que ser sonoridades de música tradicional, mas ela acaba sempre por estar presente, por constituir uma das minhas fontes de inspiração melódica. Procuro sempre incorporar os sons da natureza, o mar, o ar, o vento nas árvores, e isto vem do meu ser ilhéu, pois fui criado com estes sons ambientes, que incorporei nesta banda sonora como em quase todas as minhas criações musicais”.

Ainda sem dada definida para a estreia nacional, estima-se que a série possa estrear no final do corrente ano. Naturalmente, Gualter Silva aguarda com expectativa essa estreia e as janelas de oportunidades que a mesma possa abrir.

“Já há na ideia novos projetos, mas para já não passam disso mesmo — ideias, o que me deixa, por um lado, orgulhoso porque o meu trabalho cumpriu com as expectativas, mas por outro, com a responsabilidade de fazer mais e melhor”.

“Quero continuar a trilhar o meu caminho, orgulhando sempre a minha terra e as minhas gentes, pois isso é algo que também me deixa muito orgulhoso!”, concluiu Gualter Silva.