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Museu da Música Filarmónica

MÚSICA À VISTA

Sugestões de património edificado

para uma rota musicoturística no Concelho de Almada

Museu da Música Filarmónica

Situado no coração de Almada Velha, concelho de Almada, distrito de Setúbal, o Museu da Música Filarmónica é um espaço museológico inaugurado pela Câmara Municipal de Almada a 25 de novembro de 2012. Retrata a história da atividade filarmónica associada às coletividades do Concelho e presta homenagem ao maestro e compositor Leonel Duarte Ferreira (1894-1959), referência e protagonista transversal à dinâmica musical associativa no concelho e na região metropolitana.

A Câmara Municipal de Almada adquiriu a casa em ruínas onde nasceu o maestro Leonel Duarte Ferreira, promovendo a sua refuncionalização como espaço de memória e fruição pública no âmbito da candidatura Almada Velha de Novo Centro, com o apoio de fundos comunitários. O investimento ascendeu a 460 mil euros. De arquitetura contemporânea, em diálogo com a malha urbana, o novo museu, erguido no local onde nasceu o Maestro Leonel Duarte Ferreira, integra uma área expositiva de 97 m2.

Fotografias, documentação, instrumentos, pautas, batutas, entre outras peças, do espólio municipal e cedidas, especificamente para esta exposição, pelas quatro bandas filarmónicas centenárias do concelho em atividade – Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense (AIRFA), que interpretará o hino da cidade de Almada, composto pelo maestro Leonel Duarte Ferreira, a Sociedade Filarmónica Incrível Almadense (SFIA), a Sociedade Filarmónica União Artística Piedense (SFUAP), a Sociedade Recreativa Musical Trafariense (SRMT) – e por particulares, evocam a presença da música na cidade.

Um dispositivo sonoro existente na sala de exposições permite uma melhor compreensão da tipologia de instrumentos que tradicionalmente associamos à sonoridade e imagem de uma banda filarmónica.

Dedicado especificamente ao maestro Leonel Duarte Ferreira, o museu integra ainda um dispositivo de multivisão que permite a ilusão do discurso direto do compositor, integrando a sua biografia no contexto de época, sublinhado por uma banda sonora que integra trechos de algumas das suas composições e peças do reportório tocado por bandas de Almada.

Museu da Música Filarmónica

Museu da Música Filarmónica

Museu da Música Filarmónica

Antigo Cinema da Incrível Almadense

Em 2020, a Câmara Municipal de Almada aprovou a classificação do edifício do Cinema da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense (SFIA) e dos edifícios do Cineteatro e Cinema da Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense (AIRFA) como Imóveis de Interesse Municipal. Um reconhecimento da importância destas coletividades centenárias na história do concelho. O edifício do Cinema da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense (SFIA) foi classificado como Imóvel de Interesse Municipal a 14 de dezembro de 2020.
Este reconhecimento justifica-se por o edifício do Cinema da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense (SFIA) constituir uma importante referência para a comunidade, enquanto testemunho da história e das vivências da cidade, contribuindo para a afirmação da identidade do concelho de Almada e para o reforço dos laços de coesão social e de memória coletiva, em particular para o
núcleo antigo de Almada.

O antigo cinema da centenária Incrível Almadense inaugurou em 1926. Com uma fachada caracterizada pela estética modernista, o Cine Incrível foi o primeiro edifício do concelho para projeção de cinema, com salão e plateia. Além do interesse arquitetónico do edifício, este representa um testemunho importante para a história do cinema em Portugal e, em particular, dos cineteatros e do seu processo de edificação ao nível regional, tipologia de edifícios que se afirma na década de 40 do século XX.

«O inquestionável valor deste imóvel ocorre não só pela sua arquitetura, mas pelo que representa na memória coletiva de todos os almadenses. Esta efetiva classificação como Imóvel de Interesse Municipal é também o reconhecimento da relevância da própria Incrível Almadense na história do nosso concelho e expressão do carinho que une todos os Almadenses à “mãe” de todas as nossas coletividades centenária assim como da importância da sua ação social, política e cultural», reconheceu a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros.

Erguido entre 1939 e 1942, o edifício sede da Academia Almadense também faz parte do património histórico de Almada. Repositório de memórias da intensa e diversificada vida cultural do concelho, do cinema ao teatro, da música à dança, foi também palco de comícios históricos que marcaram a resistência durante o Estado Novo.

Reconhecendo o interesse do Cineteatro e do Cinema da Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense (AIRFA), por constituírem, à semelhança da SFIA, uma importante referência para o concelho, ao qual se alia o interesse arquitetónico e o valor patrimonial ao nível da estética ou originalidade, a Câmara Municipal de Almada deliberou também, a 28 de agosto de 2020, a classificação dos referidos imóveis como de Interesse Municipal.

Fonte: Município de Almada

SFIA

Edifício da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense

Edifício da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense

Fórum Municipal

Forum Municipal Romeu Correia, em Almada

Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada

Sociedade Filarmónica Incrível Almadense

Filarmónicas de Almada

História, bandas e atividades no Concelho

[ No que se refere às filarmónicas, o projeto Musorbis está apenas a começar, sendo previsível que até ao final do ano todas as bandas possam estar na plataforma. O processo pode ser acelerado com a cooperação dos interessados no que se refere a historiais e fotografias em falta. ]

  • Banda dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas
  • Banda Filarmónica da Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense
  • Sociedade Filarmónica Incrível Almadense (SFIA)
  • Sociedade Filarmónica União Artística Piedense (SFUAP)
  • Sociedade Recreativa Musical Trafariense (SRMT)
Banda dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas

Para comemorar o 100º aniversário da associação fundada em 15 de Janeiro de 1890, o Comandante Serra tomou a iniciativa de formar uma banda de música. A escola de música teve inicio em 1980, com cerca de 45 alunos com idades entre 7 e os 25 anos, com instrumentos oferecidos por um grande benemérito da Associação, António Xavier de Lima. A primeira atuação realizou-se na inauguração do novo quartel dos B.V.C, a 9 de dezembro de 1990,sob a regência do Maestro Hernâni Nabeiro.

BAHBVC

Banda dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas

Banda dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas

Durante os primeiros anos de atividade, até 1997, fez vários serviços por diversas partes do País como festivais de bandas e intercâmbios culturais, concertos e guardas de honra a entidades governamentais. Em 1994 participou no programa 123 da R T P. Em 1995 participou no programa dos Santos Populares em direto para a RTP 1 e RTP Internacional.

Em 1998, após um período de estagnação, a banda foi reorganizada devido ao empenho do Comandante Clemente Mitra, que confiou essas tarefas ao Maestro Jorge Pereira, assim como todo o funcionamento da escola de música. Em 2000, a banda deslocou-se a Ponta Delgada,  Açores, num intercâmbio cultural, organizado pelo INATEL.

Em 2001, por motivos de saúde, o Maestro Luís Ramalho regeu a banda durante cerca de 6 meses, tendo no final de 2001 integrado a banda o Maestro Vítor Cravo Lopes, atual diretor artístico e professor da escola de música. A banda tem como professor de percussão Luís de Freitas, professor e regente de banda.

Banda Filarmónica da Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense

A Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense nasceu a 27 de março de 1895. José Maria de Oliveira, comerciante e músico amador, que tinha sido tanoeiro de profissão, com um grupo de amigos, fundou a Academia. Foi criada uma Escola de Música sob a direção de Artur Ferreira, primeiro Maestro, ao lado de uma escola primária. Passado um ano surgiu a primeira apresentação da Banda composta por 22 figuras.

Septimino Feminino de Saxofones

Septimino Feminino de Saxofones

Septimino Feminino de Saxofones

A atividade musical dividiu-se em vários ramos: Banda Filarmónica, Orfeão, Coro Infantil, Teatro/Revista, agrupamentos musicais, dando-se destaque à Orquestra de Saxofones e à Orquestra de Jazz e ainda o famoso Septimino Feminino de Saxofones constituído por 7 jovens, que no seu tempo foram o orgulho desta Casa. A extraordinária atividade musical vivida nas décadas de 1920 a 1960, deve-se a uma plêiade de bons músicos, mas sobretudo ao Maestro Leonel Duarte Ferreira, expoente máximo da vida musical desta coletividade e ao seu irmão o dedicado e fidelíssimo Maestro Hilário dos Santos Ferreira.

A Banda foi dirigida por Artur Ferreira de Paiva, Castro Vieira, Manuel Inácio da Encarnação, José Lourenço, Francisco Matos, Leonel Duarte Ferreira, Hilário Santos Ferreira, Filipe Sabino da Conceição, António das Neves Ramalho, Manuel Jerónimo e desde 2011 pelo Maestro Francisco Pinto.

Grande parte da história da coletividade pertence à atividade musical, sendo a Banda a embaixadora por excelência e o pólo do seu crescimento sustentado durante os 125 anos da sua vida. A ela estão ligados os mais belos momentos de sempre da identidade musical da AIRFA e das suas atuações mais recentes podemos dizer orgulhosamente que mereceu os aplausos e cumprimentos públicos de entidades como o ex-Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio, o Prémio Nobel da Literatura José Saramago e o ex-Presidente da República de Timor-Leste, Xanana Gusmão e atuou em palco, em 2012, com o cantor português António Calvário e, em 2018, com a cantora Rita Guerra. A Banda tem como diretor das Atividades Musicais o músico César Melo.

Sociedade Filarmónica Incrível Almadense

A Sociedade Filarmónica Incrível Almadense foi fundada a 1 de outubro de 1848. Com ela foi criada a Banda Filarmónica, a mais antiga do concelho, na sua origem composta maioritariamente por tanoeiros. Visando a formação humana integral,  a Incrível viu inúmeras vezes reconhecido o seu trabalho em prol da cultura, do recreio e do desporto, tendo recebido o Grau de Oficial da Ordem de Benemerência (1940); a Medalha de Ouro de Instrução e Arte, pela Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio (1954), da qual é o sócio n.º 280; o estatuto de Coletividade de Utilidade Pública (1980); a Medalha de Ouro da Cidade de Almada (1989); Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique (1993); Membro Honorário da Ordem da Liberdade (1998).

SFIA

Sociedade Filarmónica Incrível Almadense

Sociedade Filarmónica Incrível Almadense

Com a Banda em atividade ininterrupta desde 1848, nela se formaram centenas de músicos. Conta no seu historial com a regência de 25 maestros. Foi inicialmente dirigida pelo maestro Pavia (até 1872). Foi dirigida por ilustres maestros como os de Amadeu Stoffel, José António Gonçalves, Manuel da Silva Dionísio ou António Gonçalves.

Contando com inúmeras atuações de carácter diverso e com um vasto repertório, a banda da Incrível foi muitas vezes noticiada na imprensa. Após reestruturação, a banda é atualmente composta por 40 músicos e tem a funcionar uma escola com cerca de 30 alunos. É dirigida pelo Maestro David Correia desde 2000.

Sociedade Filarmónica União Artística Piedense (SFUAP)

A Sociedade Filarmónica União Artística Piedense foi fundada a 23 de outubro de 1889.

Em 2020, a União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas dirigiu “uma viva, calorosa e fraternal saudação à Sociedade Filarmónica União Artística Piedense pelo seu 131º Aniversário, assim como aos seus Dirigentes, Trabalhadores e Associados”.

Saudamos o vosso empenho e dedicação, os quais dão vida ao Movimento Associativo Popular, que se traduz numa expressão da acção social das populações nas áreas da cultura, do desporto, do recreio, da educação, do património, uma expressão da consciência cívica, da criatividade e do talento das massas populares, assumindo-se como elemento valioso da qualidade de vida da nossa população!

Sociedade Recreativa Musical Trafariense

A Sociedade Recreativa Musical Trafariense é um clube fundado em 8 de maio de 1900, na freguesia da Trafaria, concelho de Almada, distrito de Setúbal. Foi fundada por um grupo de trafarienses com prestígio e influência social. Com o nome inicial de Sociedade Musical Trafariense, a sua principal finalidade era promover a cultura musical através da Banda de Música, bem como estabelecer convívios sãos entre a população, principalmente através do abrilhantamento das festas populares tradicionais, de carácter religioso ou profano.

SRMT

Sociedade Recreativa Musical Trafariense

Sociedade Recreativa Musical Trafariense

Em 1903, o rei D. Carlos I visitou a Trafaria para proceder à cerimónia da colocação da 1ª pedra para a construção do quartel onde se encontra hoje o BISM, que foi anteriormente sede do Regimento de Artilharia de Costa nº. 1. Foi a Fanfarra da Sociedade Musical Trafariense que marcou o ponto alto na brilhante receção ao monarca. Florêncio José Martins, que encabeçava a Direcção e era das principais figuras que tinham preparado a receção, aproveitou a ocasião e pediu ao Rei o título de Real para a sua Sociedade, o que foi concedido, passando a denominar-se Real Sociedade Musical Trafariense.

A coletividade manteve esse nome até à implantação da República, em 1910. Com o advento do novo regime, e talvez por outras razões, passou o “R” de Real ao de Recreativa, passando a chamar-se Sociedade Recreativa Musical Trafariense, designação que mantém. Respeitando os objetivos e fins da sua criação, ensino e divulgação da música, mantém-se em funcionamento a Escola e a Banda de Música.

Aproveitando as recentes instalações, alargaram-se as atividades ao Desporto e ao Lazer, com aulas de Artes Marciais e Danças de Salão. Ainda dentro do objetivo principal da fundação, desde o ano letivo 2003/2004, acolheram-se nas suas instalações a Academia de Música de Almada, Conservatório Regional de Música, com paralelismo pedagógico e autorização definitiva de funcionamento.

A Banda atuou em concertos dos arraiais, procissões e romarias, e festas dos arredores. Durante a época balnear, no tempo em que a Trafaria tinha uma das mais frequentadas praias dos arredores de Lisboa, abrilhantava festas náuticas e de regatas de vela. Em meados dos anos 40, a Banda desorganizou-se e quase desapareceu e, a partir de 1967, um grupo de trafarienses restaurou-a.

A Banda é composta por músicos maioritariamente preparados na Escola de Música da Coletividade. Participa em vários concertos anuais, encontros de bandas, procissões e outros eventos, tanto na Trafaria como em outras localidades. É dirigida pelo Maestro Carlos Reinaldo dos Santos Antunes Guerreiro. Jazz, Latino & Rock é o título do trabalho que a Banda (com a participação de alguns músicos convidados) gravou, produziu e editou, em CD e Cassete, em 2003.

Grupo de Danças e Cantares do Clube Recreativo de Vale Flores
Folclore em Almada

Tradições, grupos e festivais de folclore no Concelho

  • Associação Cultural do Rancho Folclórico de Vale Flores
  • Grupo Etnográfico de Cova da Piedade
Associação Cultural do Rancho Folclórico de Vale Flores

Em 1995 alguém por brincadeira resolveu juntar um grupo de crianças e adultos de forma a animar a festa do aniversário do Clube. As crianças tinham entre os quatro e os doze anos de idade e a pessoa que os convidou decidiu ensinar-lhes o que ela aprendeu quando era da idade delas. Terminada a festa, que toda a gente adorou, foi pedido que aquele grupo fosse em frente e não terminasse por ali. Desde aí o Grupo começou a ser convidado por outras coletividades amigas de Norte a Sul do País.

Por altura do aniversário do Clube é realizado o Festival de Folclore havendo intercâmbio com outros Grupos. As roupas do nosso Grupo foram inspiradas nas cores do nosso Clube onde predomina o Azul e o Branco, sendo o lenço e o avental tradição do povo português. As músicas e danças são populares mas os versos são inéditos e escritos pela D. Emília, ensaiadora e fundadora do Grupo.

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Grupo de Danças e Cantares do Clube Recreativo de Vale Flores

Grupo de Danças e Cantares do Clube Recreativo de Vale Flores

FESTIVAIS

Festival Danças do Mundo – Festival Internacional de Folclore

O Parque Multiusos da Sobreda, em Almada, recebeu na noite de 22 de julho o Festival Danças do Mundo – Festival Internacional de Folclore e conta com 8 nacionalidades diferentes. Promovido pela Casa da Gaia – Centro de Cultura, Desporto e Recreio de Argoncilhe, o festival que celebra as canções e as danças populares de cada país acolhe o grupo Danzart Bolivia, da Bolívia, Altan Bulag, da Buriácia, o Folk Ensemble “preporod” Dugo Selo, da Croácia, Identidad Peru Taller de Danzas, do Peru, Nairobi Dancers, do Quénia e ainda Kud “Ljubomir Ivanovich” – Gedza, da Sériva. Representando Portugal, estará o Rancho Folclórico de Vale Flores, de Almada.

Festival Nacional de Folclore de Almada

Em 2011 realizou-se mais uma edição do Festival Nacional de Folclore de Almada organizado pela Associação Cultural do Rancho Folclórico de Vale Flores,  Em 2011, o Rancho Folclórico de Vale Flores organizou o 11º Festival Nacional de Folclore de Almada. No Complexo Municipal dos Desportos “Cidade de Almada”, Feijó, com o apoio da Câmara Municipal de Almada e Junta de Freguesia do Feijó. Atuaram vários ranchos e grupos folclóricos que retratam a diversidade e riqueza etnográfica do país: Rancho Folclórico Rosas de Coja (Arganil), Rancho Folclórico de Santo André – Sobrado (Valongo), Rancho Etnográfico Os Camponeses de Arraiolos, Grupo Etnográfico Raízes de Sobral Gordo, Rancho Folclórico de Vale Flores (rancho anfitrião)

Destaque o seu grupo!

Destaque Musorbis

Destaque Musorbis

Para inserir um grupo ou historial em falta, envie para meloteca@meloteca.com: será inserido gratuitamente. A fotografia em destaque neste momento é aleatória. Para ter foto destaque, contactos atualizados e estar no topo durante um ano opte pelo “Destaque Musorbis” (10€).

Coretos do Concelho de Almada

Coretos e histórias de música

Almada . Jardim do Castelo

O centenário coreto do Jardim do Castelo de Almada, recuperado, já deu muita música aos almadenses e visitantes, especialmente quando as bandas filarmónicas eram um dos principais meios de difusão musical nas vilas e cidades do país. Foi palco de concertos onde esteve patente a grande rivalidade associativa entre a Incrível e a Academia Almadense, como nas festas de S. João de 1921. Nesse ano a Incrível resolveu ensaiar a zarzuela “A Campanone”, para fechar o espetáculo. O eco chegou à Academia que como, atuaria primeiro, resolveu ensaiar a mesma, estragando a surpresa Incrível. A afronta irritou os Incríveis. O maestro Alfredo Reis de Carvalho não se deu por vencido e, depois de colocar a sua banda a tocar a bonita “Campanone”, saiu do coreto e deixou os músicos a tocarem sem a sua regência, para espanto de toda a gente. Esta prova de confiança do maestro deixou toda a gente maravilhada, especialmente os Incríveis. (Fonte: Luís Milheiro, Casario do Ginjal)

Coreto do Jardim do Castelo, Almada

Coreto do Jardim do Castelo, créditos Luís Milheiro

Cova da Piedade . Jardim do Largo 5 de Outubro

Coreto da Cava da Piedade, Jardim do Largo 5 de Outubro, créditos José Matos, 2010

Coreto da Cova da Piedade, Jardim do Largo 5 de Outubro, créditos José Matos, 2010

Cúpula

Coreto da Cava da Piedade, Jardim do Largo 5 de Outubro, créditos José Matos, 2010

Coreto da Cava da Piedade, Jardim do Largo 5 de Outubro, créditos José Matos, 2010

Pormenor

Coreto da Cava da Piedade, Jardim do Largo 5 de Outubro, créditos José Matos, 2010

Coreto da Cava da Piedade, Jardim do Largo 5 de Outubro, créditos José Matos, 2010

Data de construção

Coreto da Cava da Piedade, Jardim do Largo 5 de Outubro, créditos José Matos, 2010

Coreto da Cava da Piedade, Jardim do Largo 5 de Outubro, créditos José Matos, 2010

Trafaria . Rua Gomes Freire de Andrade

Coreto

Coreto da Trafaria, Rua Gomes Freire de Andrade, créditos José Matos 2010

Coreto da Trafaria, Rua Gomes Freire de Andrade, créditos José Matos 2010

Coreto

Coreto da Trafaria, Rua Gomes Freire de Andrade, créditos José Matos 2010

Coreto da Trafaria, Rua Gomes Freire de Andrade, créditos José Matos 2010

Ercília Costa, fadista, de Almada
Músicos naturais do concelho de Almada

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis tem como objetivo aproximar dos munícipes os músicos e o património musical.

Ercília Costa

Ercília Costa, fadista, de Almada

Ercília Costa, fadista, de Almada

Vasco Morgado

Vasco Morgado, promotor, de Almada

Vasco Morgado, promotor, de Almada

BANDAS ROCK

FOI NOTÍCIA

“Quando chegou a Portugal em 1963, vindo de Moçambique e Angola, Victor Gomes procurava uma banda de rock’n’roll para o acompanhar. Foi logo à Trafaria encontrar-se com os Gatos Negros, sobre os quais o músico e apresentador João Maria Tudela lhe tinha falado. Não foi à toa que um dos reis do rock português, um fenómeno que passou pela rádio, pelos palcos, tanto da música quanto da revista, e pelo cinema, rumou à Margem Sul do Tejo.

A cidade de Almada tem sido, ao longo dos anos, pródiga em bandas rock.

Em 2019 esteve patente no Museu da Cidade de Almada, na Cova da Piedade, Na Margem: Uma história do rock. Dividida em dois pisos e centrada em três períodos diferentes — de 1961 a 1977, de 1978 a 1989, e de 1990 a 2004 —, a exposição reunia artefactos de cinco décadas de rock ali nascido, dos tempos do Gatos Negros, dos bailes, das festas associativas e das influências dos Shadows, até ao hardcore, com psicadelismo e punk pelo meio.

A divisão acontece porque “são três períodos distintos, mesmo em contextos sociais, económicos e políticos”, explicou ao Público Ana Costa, coordenadora-geral da exposição, garantindo que se tratava de uma das mais visitadas deste museu inaugurado em 2003.

Puderam ver-se em Na Margem discos, sejam da música da terra ou de inspiração, revistas, posters, bilhetes, guitarras — muitas da marca italiana Eko ou réplicas, algumas artesanais —, roupa, maquetas, cadernos de poemas, bonecos, fotografias e até um documentário de uma hora com depoimentos de alguns notáveis da cena musical almadense.

A preparação da exposição começou em 2017. Ana Costa trabalhou em parceria com Ângela Luzia e Margarida Nunes neste projeto em que estiveram envolvidas ao todo 130 pessoas. Ela própria almadense, teve uma adolescência que passou pelo Ponto de Encontro, um lugar-chave da cena musical da cidade nos anos 1990. “O rock é um fenómeno muito associado a Almada. Noutras exposições que temos preparado, era recorrente haver referências a isso ou a algum músico que pertenceu a uma banda.” Como o Museu da Cidade traça a história da localidade, acharam “interessante tentar perceber onde é que isto começou em Almada” e explorar “a ideia que as pessoas de fora têm de uma certa especificidade suburbana, com um som mais escuro e pesado”.

Para preparar tudo, fizeram entrevistas propectivas sobre histórias que já conheciam, como a de Victor Gomes na Trafaria. “Os Gatos Negros foram a banda que, com o som que se fazia e que era muito consumido aqui, conseguiu fazer a passagem de banda de baile para um conjunto de rock’n’roll. Nos jornais da época, a primeira vez que é apresentada uma banda de rock’n’roll são eles.”

Feitas essas primeiras entrevistas, começam a procurar mais material na imprensa e nos “arquivos de colectividades, que é onde as bandas acabavam por se apresentar”, e a falar com pessoas para encontrarem testemunhos orais. “As próprias pessoas foram-nos dando folhetos, documentos, contratos com editoras”, disse. Fizeram 64 entrevistas a músicos de várias gerações, entre os quais Filipe Mendes, ou seja Phil Mendrix, que morreu recentemente. Também estão incluídos, entre outros, Tim, dos Xutos & Pontapés, Carlão, de Da Weasel, António Manuel Ribeiro, dos UHF, João Miguel Fonseca, de Bizarra Locomotiva, Thormentor, Plastica ou Mofo.

Em termos das fontes, afiançou, tentaram “ter um equilíbrio entre mulheres e homens e também entre gerações. A pessoa mais nova, Sara Cunha, dos SpeedCristal, tem 24 anos”. Esse tal equilíbrio de género começa a surgir mais, conta, “nos anos 1990”, dando o exemplo das Black Widows, banda de metal gótico feminina formada nessa década. Na exposição é mencionado o exemplo de Nela Ribeiro, dos Atlantes, que também cantou com os Falcões em algumas actuações e, até à década de 1980, era a única mulher proeminente na música da cidade.

A ideia era perceber as mudanças pelas quais o rock tinha passado ao longo dos anos. “A cultura juvenil mudou, hoje é tão diferente”, comenta a organizadora. Foram 507 as bandas de originais identificadas durante a pesquisa. Dessas 507, 277 foram formadas nos anos 1990. Hoje existem 100 em actividade, “a maior parte projectos efémeros e maioritariamente masculinos”, sintetizava uma das legendas da exposição.

No presente, em Almada, existem também mais locais para aprender música, facilidade de acesso a instrumentos, a espaços de ensaio e a estruturas técnicas. Ainda assim, resumia Ana Costa, “a expressão colectiva, territorializada e com mais impacto, é o hip-hop”. E isso daria facilmente outra exposição. Por enquanto, ainda não há planos formalizados para isso avançar, mas, garante, a equipa foi-se cruzando com muito material sobre o assunto.”

Fonte: Rodrigo Nogueira, Público,  27 de Fevereiro de 2019