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Academia de Música de Arouca
Escolas de Música em Arouca

Estabelecimentos do ensino de música no Concelho. Em geral, as bandas filarmónicas também possuem a sua escola de música: veja ao fundo informação sobre as bandas de música do Concelho.

Academia de Música de Arouca

Avenida 25 de Abril (EN 326)
4540-102 Arouca
Tel. (+00 351) 256 943 970
Sítio: www.amarouca.com

A atividade da Academia de Música de Arouca centra-se essencialmente na sua oferta formativa, a partir da qual surge a generalidade das outras atividades e eventos. A sua divulgação dar a conhecer as aprendizagens realizadas e o desenvolvimento dos alunos, promover o enriquecimento cultural local, realizar animações culturais para diferentes públicos, contribuir para a educação cívica e cultural de alunos e comunidade, formar os alunos na execução musical pública e apresentar a oferta formativa da própria academia.

Procuramos descentralizar as atividades e iniciativas em diferentes locais e para diferentes públicos, dentro do concelho de Arouca, tendência que se pretende acentuar.

Grande parte dos alunos participa ativamente e enriquece as bandas de música do concelho. Muitos prosseguem os seus estudos no curso secundário de música, não só na Academia de Música de Arouca, como também em outras academias, ou mesmo em cursos profissionais de música. Uma tendência que tem vindo a aumentar é o prosseguimento de estudos no ensino superior.

Academia de Música de Arouca

Academia de Música de Arouca

Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermêdo e Mato
Folclore de Arouca

Grupos etnográficos, tradições e atividades no Concelho

  • Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses
  • Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermêdo e Mato
  • Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca
Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses

O Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses – Rancho de Moldes é uma associação de natureza etnográfica sediada no Lugar de Santo Estevão, freguesia de Moldes, Concelho de Arouca, constituída a 26 de setembro de 1986.

Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermedo e Mato

O Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermedo e Mato é uma associação de natureza etnográfica que pesquisa, representa e preserva com a sua simplicidade e genuinidade, os costumes das gentes de antanho da região.

GEDCFM

Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermêdo e Mato

Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermêdo e Mato

Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca

O Rancho foi fundado em 1972, com o nome de Rancho Folclórico de Arouca. Em 1973 foi integrado na secção cultural da Casa do Povo de Arouca, adotando a designação atual.

Tem como missão preservar as suas memórias e o legado dos seus antepassados.

No traje encontra-se a variada forma de estar da referida comunidade.

O Cancioneiro de Arouca, de Virgílio Pereira, tem na sua base as recolhas de cantares das melodiosas vozes de Arouca, transportando-nos para a ruralidade do povo arouquense.

O grupo tem marcado a sua presença em diversos festivais nacionais e internacionais de folclore. Organiza anualmente o Arraial de Folclore e o Festival de Folclore da Vila de Arouca.

É membro efetivo da Federação do Folclore Português e filiado no INATEL.

Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca

Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, créditos Abel Cunha

BIBLIOGRAFIA

Cancioneiro de Arouca

Cancioneiro de Arouca, de Vergílio Pereira, Edição Fac-Similada. Notas monográficas de Dr. Manuel Rodrigues Simões Júnior. Porto, Edição da Junta de Província do Douro-Litoral. 1960- In. 4º de 904 páginas, brochado. Foi feita uma edição fac-similada, segundo o original, pela Associação para a Defesa da Cultura Arouquense. Ilustrado, com pautas e letras de música.

Vergílio Pereira

Quem foi Virgílio Pereira, o etnomusicólogo que organizou o Cancioneiro de Arouca e fez a sua recolha?…

Uma das riquezas patrimoniais de Arouca é a sua música tradicional, onde se destacam os seus corais femininos tradicionais, que são milenares, muitíssimo anteriores à música da Igreja e que, como bem sublinhava o etnógrafo arouquense Albano Ferreira, não derivam da música da Igreja nem do Convento de Arouca.

Na realidade, estes belos corais femininos polifónicos, a duas vozes ou a três vozes, paralelas ou sobrepostas, típicos do ‘Espaço Cultural do Mundo Mediterrânico’, têm milénios e são endógenos, autóctones, possuindo uma tonalidade muitíssimo peculiar que não se enquadra na canonicidade das escalas musicais comuns do Ocidente.

Arouca tem um acervo significativo de cerca de 531 espécies musicais desses corais tradicionais antiquíssimos, que foram recolhidos e estudados pelo etnomusicólogo Virgílio Pereira e publicados no célebre Cancioneiro de Arouca, editado, em 1959, pela Junta de Província do Douro Litoral – Comissão Provincial de Etnografia e História, sediada no Porto, com Notas Monográficas Introdutórias do Dr. Simões Júnior. A Associação de Defesa do Património Arouquense reeditou o Cancioneiro de Arouca no ano de 1990.

Este texto de Alda Neto (apesar de ter uma lacuna grave, visto que, por paradoxo, não menciona o Cancioneiro de Arouca, que é, para Virgílio Pereira, o mais rico e significativo de todo o país) descreve, em termos gerais, o perfil biográfico deste etnomusicólogo, natural do concelho de Paredes, que passou uma parte considerável da sua vida no território arouquense, a recolher, a estudar e a transpor, para a pauta musical, os belíssimos corais femininos polifónicos milenares de Arouca:

“Virgílio Pereira, etnomusicólogo, nasceu na freguesia de Vilela a 7 de Outubro de 1900. De seu nome completo Virgílio José Gaspar Pereira, era filho do prof. António Gaspar Pereira e de Francisca Romana Coelho Pereira. O seu pai tinha já uma tradição cultural na freguesia, tendo sido o fundador da mais antiga Associação de Paredes, e uma das mais prestigiadas – a Banda Musical de Vilela. Desde criança, Virgílio Pereira foi atraído pela música, até porque tinha um ambiente familiar favorável nesse campo. Frequentou o Conservatório do Porto e a extinta Academia Mozart.

O etnomusicólogo Virgílio Pereira (1900-1965)

Com apenas 19 anos, já era professor do ensino primário e Director da Escola Anexa à Normal do Porto. É nessa altura que funda o Orfeão Infantil do Porto. Em 1924, regressou a Paredes, a sua terra-natal, desta vez para Lordelo, onde leccionou durante dez anos, fundou e dirigiu o “Orfeão Castro Araújo”, formado exclusivamente por trabalhadores rurais. Um Orfeão amador que, no entanto, obteve a Medalha de Ouro do 1º Concurso Orfeónico de Portugal, realizado no Porto em 1932. Neste mesmo ano, e até 1934, Virgílio Pereira continuou a “semear” a arte e a cultura pelos seus conterrâneos. Fundou um novo agrupamento musical, o “Orfeão Oliveira Martins”, formado por alunos da escola técnica do mesmo nome. No ano seguinte, formou e dirigiu o Coro Infantil do Porto, constituído por 1600 jovens das escolas oficiais da cidade.

Entre 1941 e 1953, dirigiu o grupo coral “Pequenas cantoras de Portugal”, mais conhecido como “Pequenas Cantoras do Postigo do Sol”. Um grupo que realizou perto de 250 concertos, em Portugal e no estrangeiro, ao longo dos seus doze anos de existência e que atingiu a fama, pela qualidade demonstrada. Conquistou, mesmo, os favores dos mais exigentes críticos da especialidade.

O Maestro italiano Ino Savini, quando esteve em Portugal, referiu: “Conheci grande número de coros polifónicos, mas nenhum assim de tanta coesão, de tanta homogeneidade, de tal volume de som, que brota surpreendentemente apenas de quinze meninas”. Fernando Lopes Graça considerou-o mesmo um artista, “um pedagogo de notável mérito, um exemplo de constância e dedicação”.

A partir de 1951, e até 1958, Virgílio Pereira foi Director do Orfeão do Porto. Neste período, o grupo do Orfeão desempenhou a parte coral da Nona Sinfonia de Beethoven. Uma vida preenchida e integralmente dedicada à música. O nosso etnomusicólogo não parava e respondia com o máximo empenho a todas as solicitações. Nos últimos anos da sua carreira, teve a seu cargo o Conservatório, o Orfeão e o Coro Etnográfico da Covilhã, onde se deslocava semanalmente.

Mas Virgílio Pereira não se limitou a transmitir os seus conhecimentos práticos aos mais novos. Fez também um importante trabalho de recolha e de investigação do Cancioneiro no interior do país. Publicou, no “Douro Litoral”, duas Colectâneas: os “Corais Geresianos” e os “Corais Mirandeses”. Quando morreu, tinha então 64 anos de idade, preparava a publicação de todo o conjunto de materiais que recolhera – encarregado pela Fundação Gulbenkian – na Beira Baixa, na Guarda e nos concelhos de Felgueiras e de Baião.

Colaborara, pouco tempo antes, na constituição do volume “Cancioneiro de Santo Tirso”. Além de tudo isto, foi colaborador de “O Tripeiro”, do “Jornal de Notícias” e de algumas revistas periódicas. Foi membro correspondente da Federação Musical Francesa, sócio efectivo da Sociedade Portuguesa de Escritores, da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e da Sociedade de Autores e Compositores Teatrais Portugueses.

A 1 de Junho de 1957, como reconhecimento pelo extraordinário trabalho que desenvolveu ao longo da sua carreira e pelo muito que deu à música portuguesa, foi agraciado com o Grau de Cavaleiro da Ordem da Instrução Pública. Um homem brilhante, um autêntico génio nascido e criado em Paredes. “

Escrito por Miguel Quaresma Brandão, Defesa de Arouca, 3 de fevereiro de 2019

Albano Ferreira, etnógrafo arouquense

Para além da sua colaboração assídua no jornal «Defesa de Arouca», o insigne etnógrafo arouquense Albano Ferreira é autor de vários outros textos etnográficos e etnológicos sobre Arouca publicados em revistas da especialidade.

Um deles, bastante relevante, é o texto «Onde mora o folclore?», que surge de um pequeno ensaio que Albano Ferreira apresentou, na década de 60 do século XX (era comum), ao Colóquio Portuense de Arqueologia, onde defendeu vários factos óbvios, mas inovadores para a maioria dos estudos daquela altura sobre o assunto:

  • que as danças tradicionais de Arouca têm uma origem milenar, muito remota, na dita ‘civilização castreja’ do noroeste da Península Ibérica;
  • que as danças tradicionais de Arouca se enquadram, se inserem e pertencem ao território identitário e endógeno do Douro Litoral, protagonizado pela cidade do Porto:
  • que os corais polifónicos femininos de Arouca são endógenos e autóctones e, portanto, têm, de igual modo, como é óbvio, origem nessa civilização muita remota dos castros e das citânias e não derivam, de modo algum, da música da Igreja Católica ou dos conventos, visto que têm uma estrutura sonora e musical muitíssimo distinta da música da Igreja Católica e são, portanto, muitíssimo mais antigos, em milénios.

Miguel Quaresma Brandão

Fontes do Musorbis Folclore:

No Musorbis foram revistos todos os historiais de grupos etnográficos. Para facilitar a leitura, foram retirados pormenores redundantes e subjetivos, e foram corrigidos erros de português.

Banda Musical de Arouca
Filarmónicas de Arouca

Bandas de Música, história e atividades no Concelho

  • Associação da Banda Musical do Burgo
  • Banda Musical de Arouca
  • Banda Musical de Figueiredo
  • Sociedade Filarmónica Santa Cruz de Alvarenga
Associação da Banda Musical do Burgo

Na monografia dedicada ao concelho de Arouca, Simões Júnior refere que “… em 1898, dentro desta sociedade (Música da Vila), começou a haver uma certa efervescência nos elementos do Burgo, que orientados por Joaquim Fernandes Quintas, que já tinha pertencido à Banda de Figueiredo, fundaram uma nova Banda, com Sede no Burgo, que depois foi regida por Manuel Costa (“o Teto”), estabelecendo-se partidos entre as duas populações…”

A escritura da filarmónica data de 1901. O seu primeiro regente e fundador terá sido Manuel da Costa Oliveira, que terá recebido o apoio de seus irmãos. Manuel da Costa Oliveira era profundo conhecedor da música e chegou a compor algumas obras para a sua Banda que, ainda recentemente, foram executadas pela Banda Musical de Figueiredo.

A Banda Musical do Burgo viria a atingir o seu auge, a nível artístico, sob a regência de Adriano de Sousa Cavadinha. Como regente, revelou-se extremamente rigoroso e disciplinador o que fez com que o fruto do seu trabalho fosse, merecidamente, reconhecido na altura. Mais tarde, a Banda Musical do Burgo entrou numa fase de declínio. A emigração, a inexistência de uma escola de música e a falta de meios financeiros mostraram-se fatores decisivos para o seu desaparecimento na década de 1960.Foram ainda seus regentes Ardino Moreira de Sousa, Manuel de Sousa Fontes e Alberto Gomes dos Santos.

Renasceu como Associação da Banda Musical do Burgo Arouca (ABMBA) no dia 09 de outubro de 2008 no Cartório Notarial de Arouca. O impulso veio de António Manuel Brandão da Costa Oliveira (descendente dos fundadores da Banda Musical do Burgo).

A grande aposta da Banda Musical do Burgo – Arouca, centra-se na área pedagógica e do ensino da música, mas com a preocupação de chegar a todo o concelho, mesmo aos locais mais remotos. A grande inovação estará na versatilidade e variedade de instrumentos a ensinar que não se centrará apenas nos instrumentos de Banda, mas também nos instrumentos tradicionais e populares. Para este projeto a associação conta com uma equipa especializada e habilitada no ensino da música. Com importância similar, surge o trabalho de recriação da Banda de Música.

Banda Musical de Arouca

Banda Musical de Arouca, Associação Cultural e Artística, foi fundada no primeiro quartel do século XIX, por Bernardino Joaquim Soares, que também foi o seu primeiro regente, em data que não se pode precisar. Todavia, o ano de 1825 é o que se considera correcto, segundo consta em documentos existentes no Arquivo Distrital de Aveiro. Supõe-se que terá começado na condição de orquestra destinada a abrilhantar festividades religiosas nesta região, por influência das directrizes emanadas do Mosteiro de Santa Maria de Arouca. Este Mosteiro, aliás, afirmou-se como um enorme foco de religiosidade, onde se exercitava a música gregoriana, com acompanhamento do monumental órgão conventual, desde o século XVIII. Em Abril de 1877, com o então regente Miguel António Valente, músicos e associados, é celebrada uma escritura de reforma de outra, de obrigação e contrato, o que se pressupõe tratar-se de uma renovação da escritura anterior, pouco mais se sabendo sobre esse passado remoto. Por mais de um século passaram diversos mestres/regentes pela Banda Musical de Arouca, que emprestaram à nobre arte da interpretação musical elevada qualidade, gerando, em consequência, excelentes gerações de músicos executantes e solistas.

BMA

Banda Musical de Arouca

Banda Musical de Arouca

A implantação da Primeira República teve consequências generosas na renovação instrumentista e de conteúdo musical da Banda, fomentando um desenvolvimento na constituição da mesma, formando-se novos músicos e novas mentalidades de desenvolvimento cultural. Em 1980 foi renovada a Escola de Música, não só para dar resposta inequívoca ao desejo de muitos jovens, mas também para acorrer às necessidades de formação de novos músicos para a Banda. As necessidades educacionais de uma sociedade que se formava em consequência da dinâmica impulsionada pela revolução de Abril de 1974, levou a Banda Musical de Arouca a repensar as suas expectativas, adequando-as também às de uma juventude carente de civilidade adequada. Desta Escola, em contínuo movimento e de considerado nível de aproveitamento, têm saído muitos jovens, alguns deles hoje integrados em diversas instituições musicais do país. Actualmente, são cerca de 40 os alunos da Escola.

A 25 de Junho de 1985 foi a Banda Musical de Arouca oficializada juridicamente, através da outorga de escritura pública, que se acha registada nos organismos competentes. Foi-lhe também conferido, por Sua Excelência o Senhor Primeiro Ministro, o grau de Utilidade Pública, pelo muito que esta instituição tem feito em prol da causa musical. Também a Câmara Municipal de Arouca distinguiu esta Banda com a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro. A 24 de Agosto de 1991 foi criada a Orquestra Ligeira da Banda, que conquistou grande sucesso entre a juventude componente e apreciadora, tendo esta terminado por falta de apoios. São, aliás, os jovens os que mais se têm empenhado nas várias iniciativas levadas a cabo pela Direcção da Banda Musical de Arouca. Em consequência directa do labor dos seus componentes, esta Banda conquistou o primeiro lugar no Concurso de Bandas Civis “Terras de Cambra”, em 19 de Setembro de 1993.

No ano de 2000, o Maestro Aristides Noites, depois de ter sido músico dos mais diversos instrumentos pelo período de 20 anos (1949/1969) e 30 anos como regente/maestro, entregou o cargo ao seu filho, Valdemar António Santos Pinho Noites, que em 2007 este passou a ser executante de clarinete ficando a Maestro, João Dias. Em 2000, a Banda Musical de Arouca festejou os seus 175 anos, tendo-se a Direção empenhado na organização de um pequeno encontro de bandas.

A Banda Musical de Arouca é composta por cerca de 77 elementos. Alguns dos elementos encontram-se integrados em bandas militares e orquestras do país.

Banda Musical de Figueiredo

Fundada em 1741, a Banda Musical de Figueiredo é a segunda mais antiga do Distrito de Aveiro, e uma das mais antigas do País. No lugar de Figueiredo existe uma capela onde se realizava e realiza uma festa dedicada ao Senhor da Boa Morte. Foi então que em 1741 o então padre da freguesia, Padre Mendes de Sousa , que era natural do lugar de Figueiredo, mais propriamente da “casa da fonte”, decidiu juntar um grupo de homens com habilidade para tocar alguns instrumentos, para abrilhantar a festa da terra. A este grupo de homens foi dado o nome de “Capela da Música”, que mais tarde deu origem a Banda Musical de Figueiredo.

A Banda chamou para si durante vários anos muitos músicos de toda a região de Arouca, e esteve em atividade constante abrilhantando festividades em todo o concelho de Arouca e concelhos vizinhos. O seu primeiro maestro foi o Padre Mendes, seguindo-se o Velho do Cabo, Vicente da Nogueira, Pato de Moldes, Vitorino da Nogueira, António do Paulo, Américo da Nogueira, Américo Fontes, Almerindo Pinheiro, Júlio Moreira, Fernando Araújo e sendo atualmente Fernando Alves.

Os elementos que compunham a Banda eram maioritariamente homens de Figueiredo, fazendo também parte alguns indivíduos da vila de Arouca, entre eles Miguel António Valente, mestre sapateiro, que com outros dissidentes da banda de Figueiredo fundaram no ano de 1820 a Banda Musical de Arouca.

BMF

Banda Musical de Figueiredo

Banda Musical de Figueiredo

Em 1910, um grupo de homens do Burgo abandonaram a banda de Figueiredo e formaram outra banda no Burgo que ficou a chamar-se Banda Musical do Burgo. A Banda de Figueiredo esteve sempre em atividade durante todos estes anos, até 1987, ano em que, por falta de dinheiro e músicos, parou a sua atividade. Em 1994 um grupo de jovens formou uma associação com fim a formar uma escola de música e mais tarde pôr de pé a Banda Musical de Figueiredo. Foi assim que em 1995 a escola de música com o professor e músico Almerindo Pinheiro e o maestro Américo Fontes, retomaram a atividade da Banda de Figueiredo.

Sociedade Filarmónica Santa Cruz de Alvarenga

A Sociedade Filarmónica Santa Cruz de Alvarenga foi fundada em 1902, com o nome de “Philarmonica Alvarenguense” com cerca de 20 elementos, por Adriano Telles, natural de Alvarenga. Conta atualmente com cerca de 50 elementos, dos quais 12 são do sexo feminino, que além dos seus empregos e/ou vida académica, se dedicam à música.

É regida desde 1996 pelo 1º Sargento António Manuel Barbosa da Silva. Através de uma Escola de música dirigida por ele, que conta também com auxílio de alguns jovens elementos que a par da sua vida académica, apoiam no ensino da música os cerca de 35 aprendizes. A Banda fez duas gravações, uma em 1997 e outra em 2003.

SFSCA

Sociedade Filarmónica Santa Cruz de Alvarenga

Sociedade Filarmónica Santa Cruz de Alvarenga

Rui Correia, flautista, de Arouca
Músicos naturais do Concelho de Arouca

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis tem como objetivo aproximar dos munícipes os músicos e o património musical.

Rui Correia

Rui Correia nasceu em Arouca. É professor convidado do I.S.E.I.T-Viseu, Instituto Piaget (Portugal), da Universidade Federal de Alagoas (Brasil) e docente do quadro do Ministério da Educação (Portugal). É profissionalizado em Ensino da Música pela Universidade de Aveiro em 2005. Concluiu o Master of Arte in Music, em 2007.

Estudou com os professores, Valdemar Noites, Maurício Noites, Estvan Matuz,Patrick Gallois ,Estvan Matuz, Felix Rengli, Iwone Saiotte, Olavo Barros, Jorge Correia, Angelina Rodrigues, Luis Meireles, Jorge Caryevschi. Possui o Certificado Profissional de Formador nas áreas de música e formação de professores, acreditado pelo conselho científico da Universidade do Minho.

Como instrumentista tem-se apresentado em várias formações orquestrais em Portugal, Espanha, França e Brasil.

É Fundador da (APF) Associação Portuguesa de Flauta.

Desempenhou funções de Coordenador da Área da Música no Ministério da Cultura do XVII e XVIII, Governo Constitucional de Portugal.

Leia AQUI a biografia completa.

Rui Correia

Rui Correia, flautista, de Arouca

Rui Correia, flautista, de Arouca

HISTÓRIA

Frei Manuel de São Bento

Filho da terra é o organeiro Frei Manuel de São Bento (1683 – 1757). “Foi irmão donato beneditino, natural de Fermelo (Arouca) e veio a falecer no mosteiro de Paço de Sousa (Penafiel), em 1757.

Entrou para a Ordem de São Bento pela “prenda de fazer órgãos”, como consta a sua memória necrológica. Manuel Valença identifica-o como morador na rua dos Biscainhos (Braga), em 1709, com o nome de Manuel da Costa Pinto, nascido em 1683, tendo depois ingressado na Ordem Beneditina. Não podemos precisar que se trate da mesma pessoa.

Exerceu o ofício de organeiro, embora nos Estados da Congregação se refiram a ele como “organista”. Trabalhou no órgão de São Bento da Vitória (Porto), entre 1716 e 1719, e fez outros órgãos “em diversas partes deste Reino, para onde era chamado pelo bom nome”. A Braga, desloca-se a casa-mãe da Ordem (Tibães), em 1729, para fazer o “concerto dos foles do orgam”, onde se refere que se deu “ao Irmão Fr. Manuel organista que veio do Porto para consertar os foles e afinar o órgão: pera seis peles de carneira”.

Em 1732, a Irmandade da Misericórdia do Porto decide mandar fazer um novo órgão, entregando a obra a Frei Manuel, por 280$000. Atribuídos a este religioso beneditino são também os órgãos do Mosteiro de Santo André de Rendufe (Amares), dourados em 1755, que substituíram um anterior ao qual o Abade Geral, na visita que fez ao mosteiro, afirma ser o melhor de toda a Ordem. Também lhe é atribuído o órgão da Colegiada de Barcelos, de 1725, profundamente alterado e deslocado para uma capela lateral do corpo da igreja.”

(José Alberto Rodrigues)

Organista e foleira, mosteiro de Arouca

MÚSICA À VISTA

Iconografia Musical no Concelho de Arouca

Mosteiro de Arouca

Organista e foleira, mosteiro de Arouca

Organista e foleira, créditos Sónia Duarte

Foleira

Foleira, Mosteiro de Arouca

Foleira, órgão do mosteiro de Arouca

Foleira, Igreja do Mosteiro de Arouca, créditos Sónia Duarte

Anjo flautista, mosteiro de Arouca, foto Sónia Duarte

Anjo flautista, foto Sónia Duarte

Anjo flautista, mosteiro de Arouca, foto Sónia Duarte

Trombeta, Arouca

Trombeta reta, Museu de Arte Sacra de Arouca

“Encontra-se exposto no Museu de Arte Sacra de Arouca um conjunto de oito tábuas desmembradas e apeadas, obra de um ignoto mestre provincial (escola portuguesa) ativo por volta de 1470 cuja obra denuncia um forte esquematismo anacrónico, fragilidades na composição ao nível do desenho sumário e das modelações. Representa-se, ao centro e em primeiro plano, a figura de Cristo com a cruz às costas, coroado de espinhos e aureolado, acompanhado no cortejo por três figuras, primeiramente, Simão de Cirene (retrato do doador?) que O auxilia na cruz aliviando-Lhe o peso, seguido por um carrasco cujo rosto terçado denuncia uma expressão rude e, por último, precedendo o carrasco outra figura do povo que executa uma trombeta reta de perfil cónico geralmente associada à representação cerimonial régia ou a situações de cariz bélico. Saliente-se que à lupa é visível uma espécie de relevo no tubo cilíndrico, semelhante a uma fontanela, imediatamente a seguir ao bocal e que julgamos ser invenção do pintor ou repinte criativo posterior. Nas crónicas da época são dezenas as referências às trombetas, em diferentes situações, reveladoras de um instrumento musical da época.” (Sónia Duarte)

Igreja do Mosteiro de Arouca
Órgãos de tubos do concelho de Arouca [2]

Pelas informações disponíveis, no concelho de Arouca existem órgãos no Mosteiro de Arouca, um na Igreja, outro no Museu, em más condições.

Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Arouca

[ São Pedro e São Paulo ] [ mosteiro cisterciense feminino ]

Igreja do Mosteiro de Arouca

Igreja do Mosteiro de Arouca

De fundação pré-românica (século X), o Mosteiro recebeu Carta de Couto no século XII, momento que definiu o carácter de centralidade do cenóbio na vida política e administrativa da região. A sua importância revigorou-se com o padroado de D. Mafalda, filha de Sancho I e efémera rainha de Castela.

Foram muitas as dádivas do seu erário que transitaram para o domínio do convento e terá sido por sua vontade que a comunidade monástica adotou a regra de São Bernardo, já no século XIII, sendo como mosteiro cisterciense da ala feminina que se registaram os principais passos da sua história. A casa viveu períodos de grande desafogo económico que, de algum modo, se refletiram na procura de peças artísticas de grande qualidade, boa parte das quais ainda se mantêm.

Na época moderna o conjunto foi reconstruído e ampliado, desde o final do século XVII aos últimos anos do século XVIII, contando-se Diogo Teixeira, Carlos Gimac e Miguel Francisco da Silva entre os artistas que trabalharam nesta fase. Em 1886, com a morte da última freira, o Mosteiro foi extinto e todos os seus bens transitaram para a Fazenda Pública. Abriu-se, então, uma era de utilizações diversas para este amplo conjunto edificado, mantendo-se, contudo, o espólio artístico, recolhido no Museu de Arte Sacra, entretanto, aí instalado.

Fonte, DGPC, PAF

Órgão Manoel Benito Gomez

Órgão do Mosteiro de Arouca

Órgão do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca, trombetas

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca, teclas

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Mosteiro de Arouca

Cadeiral do Mosteiro de Arouca

Cadeiral do Mosteiro de Arouca

Cadeiral do Mosteiro de Arouca, Sónia Duarte

Positivo do Museu

Órgão do Mosteiro de Arouca (Museu)

Órgão do Mosteiro de Arouca (Museu)

Órgão ibérico

Segundo informação da Oficina e Escola de Organaria de Pedro Guimarães e Beate von Rohden, trata-se de um órgão com 1 manual (45 notas) construído por Don Manoel Benito Gomes entre 1739-1741.

A 30 de dezembro de 2006, a Câmara Municipal de Arouca noticiava:

“Depois da intervenção na talha dourada que o envolve, a máquina do Órgão de Tubos do Mosteiro de Arouca, um dos mais importantes da primeira metade do século XVIII em todo o mundo, vai ser alvo de um restauro. O investimento ronda os 380 mil euros, contando com 75% de comparticipação por parte do FEDER e 25% por parte da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda e do IPPAR. De salientar também o envolvimento da Câmara Municipal neste processo. A autarquia fez todos os esforços para que a comparticipação europeia fosse efectivamente investida nesta intervenção. Este restauro dará ao Órgão as suas características originais, contando para isso com uma intervenção minuciosa, sobretudo no que diz respeito aos tubos, que serão restaurados individualmente e com recurso ao material original.

O órgão de tubos do Mosteiro de Arouca data de 1743, construído pelo organeiro Manuel Bento Gomes. Tem 1352 vozes, alimentadas por 24 registos. Trata-se de um órgão ibérico, um instrumento muito apreciado pelos especialistas, que o consideram um dos mais importantes exemplares da organaria deste tipo no mundo. Concluído o restauro, a Real Irmandade planeia a organização de eventos musicais e publicações, que dêem a conhecer mais aprofundadamente o Órgão e a sua história. (Câmara Municipal de Arouca, 30 dezembro 2006

Segundo o Jornal de Arouca (30 de maio de 2009),  “Nicolas Roger, organista titular dos órgãos de tubos do Santuário de Fátima, esteve em Arouca para dar um Concerto, assinalando assim o último restauro do órgão de tubos do Mosteiro de Arouca, orçado em 380 mil euros.”

Uma peça excepcional

Exibindo a data de 1743 na sua fachada barroca, este órgão foi fabricado por Manuel Benito Gomez, e possui 1352 vozes, alimentadas por 24 registos, sendo considerado pelos especialistas um dos instrumentos mais importantes da escola de organaria ibérica em todo o mundo.

Tendo sido já objecto de obras de restauro há cerca de duas décadas, esta última intervenção foi feita em Barcelona, durante um ano e esteve a cargo da empresa Gerhard Grenzing, considerada líder na recuperação de órgãos. Graças a um cuidadoso trabalho foi possível recuperar-se a sonoridade original deste órgão, uma vez que restauros anteriores lhe haviam adulterado a sua identidade sonora. (…)

À noite, antes do concerto, teve lugar na sala do capítulo, uma sessão solene presidida pela Directora Regional de Cultura do Norte, aberta a convidados da Câmara e aos irmãos da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda. No final do concerto a Câmara ofereceu aos convidados, um porto de honra, no lado norte dos claustros.

O concerto

O concerto foi aberto com uma peça do séc. XVI de António Carreira interpretada por Ivo Brandão, arouquense e aluno de órgão do prof. Nicolas Roger.

Coube a este organista francês todo o restante programa do concerto, durante o qual foram interpretadas várias peças dos séculos XVI, XVII e XVIII.

Interpretadas num cenário magnífico, emoldurado por uma riquíssima talha dourada barroca, estas peças foram escutadas num religioso silêncio pelos numerosos ouvintes que enchiam, não só o coro baixo, como ainda o corpo da igreja conventual, espaços esses que se encheram com as múltiplas sonoridades que Nicolas Roger conseguiu fazer ecoar através dos tubos do órgão agora finalmente restaurado.

Refira-se que no dia seguinte, na Missa das 11.15h, a celebração dominical da Paróquia iniciou e terminou com a interpretação de uma peça de órgão, tocada por Nicolas Roger, para assinalar que, a partir desse dia, assumiria também o cargo de organista titular do órgão de tubos do Mosteiro de Arouca, em conjunto com os órgãos de tubos do Santuário de Fátima.

Ao serviço do culto religiosa e da cultura

Com o cuidadoso e dispendioso restauro desta rara peça de organaria, Arouca possui agora condições excepcionais para promover eventos culturais dedicados a este tipo de instrumentos.

Efectivamente, seria contraproducente e de consequências maléficas para esta peça, agora restaurada, se ela fosse abandonada ao esquecimento.

Construído essencialmente para o serviço do culto da comunidade religiosa do Mosteiro, este órgão, pelo valor artístico e histórico que detém, será certamente rentabilizado também ao serviço de eventos culturais de grande qualidade.

Fazendo Arouca agora parte da rede europeia de Geoparques, este tipo de eventos musicais terá não só grande oportunidade, como também um extraordinário interesse para o desenvolvimento cultural e turístico de Arouca.

José Cerca
Jornal de Arouca, nº 742, 30 de Maio 2009