Artigos

João Gentil, acordeonista, de Cantanhede
Músicos naturais do Concelho de Cantanhede

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • António Fragoso (pianista, compositor, 1897-1918)
  • Ausenda de Oliveira (atriz cantora, 1888-1960)
  • João Gentil (acordeonista, 1980)
  • José Cascão (violinista)

António Fragoso

António Fragoso, pianista e compositor, de Cantanhede

António Fragoso, pianista e compositor, de Cantanhede

Filho de Viriato de Sá Fragoso e de Maria Isabel de Sá Lima Fragoso, António Fragoso nasceu em 17 de Junho de 1897, na freguesia da Pocariça, concelho de Cantanhede, onde viria a falecer, a 13 de outubro de 1918, vitimado pela gripe pneumónica que nessa época se abateu sobre toda a Europa. A sua vocação para a música foi evidenciada logo aos seis anos, quando começou a aprender a ler pautas e a tocar piano com António dos Santos Tovim, seu tio e médico em Cantanhede, figura com vasta cultura musical que teve uma influência marcante nesses primeiros anos da sua formação musical.

Entre 1907 e 1914 concluiu na cidade do Porto o curso geral dos liceus e os dois primeiros anos do Curso Superior de Comércio, sem nunca ter deixado de aprofundar os seus estudos de piano, agora sob a orientação do Prof. Ernesto Maia.

António Fragoso

António Fragoso, pianista e compositor, de Cantanhede

António Fragoso, pianista e compositor, de Cantanhede

Aos 16 anos publicou e deu a primeira audição da sua primeira composição – “Toadas da Minha Aldeia” – muito aplaudida pela crítica musical. Algumas notas biográficas referem que teve que vencer uma certa resistência dos Pais para se matricular no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, que viria a frequentar até 1918, ano em que obteve o diploma do Curso Superior de Piano com 20 valores, a classificação máxima. Ainda como estudante iniciou um percurso artístico amplamente reconhecido nos círculos culturais do País, não apenas como exímio pianista, mas também como compositor, ao ponto de ser considerado pelos críticos da época como “um dos mais poderosos talentos da sua geração”.

Em 2009, os Herdeiros de António Fragoso constituíram a Associação António Fragoso que tem por principal objetivo deixar para as gerações vindouras todo o seu legado, musical e literário, ministrar o ensino musical por todos os meios ao seu alcance e tendo comemorado o “In Memorian de António Fragoso – no Centenário da sua morte” com a dignidade que ele merece.

Ausenda de Oliveira

Ausenda de Oliveira

Ausenda de Oliveira, atriz cantora, de Cantanhede

Ausenda de Oliveira, atriz cantora, de Cantanhede

Ausenda de Oliveira (Pocariça, Cantanhede, 20 de março de 1888 — 1960) foi uma do teatro musicado. A sua estreia realizou-se na cidade de Beja, em 1902. Em junho de 1904, Ausenda fazia a sua estreia oficial no Teatro Avenida, na Companhia Sousa Bastos, com a opereta A Boneca, seguindo-se outras peças. Com a junção da Companhia Sousa Bastos com a do D. Amélia (S. Luís Braga), surgiu um grande reportório de operetas em que Ausenda trabalhou.

Ausenda de Oliveira

Ausenda de Oliveira, atriz cantora, de Cantanhede

Ausenda de Oliveira, atriz cantora, de Cantanhede

Passou depois para o Teatro Avenida (Companhia José Ricardo), entrando nas revistas ABC, Favas Contadas e outras. Contratada pelo empresário Luís Galhardo, seguiu para o Porto tendo desempenhado papéis importantes nas operetas: Viúva Alegre, Sonho de Valsa, Princesa dos Dólares, Conde de Luxemburgo, Casta Susana, Vendedor de Pássaros, Bocáccio, O Rei Danado, O Rei dos Sovietes, Paganini, O Soldado de Chocolate, Enfim, Sós!, Gueisha e nas revistas Dia de Juízo, Ovo de Colombo e Verdades e Mentiras. Na Companhia Armando de Vasconcelos era a estrela, tendo criado papéis nas peças A Leiteira de Entre-Arroios, O Príncipe Orlof, O Milagre da Aldeia, Baiadeira, Benamor, Moreninha e Prima Inglesa.

Todo este repertório representou-o no Brasil durante quatro épocas. Regressando a Portugal, foi contratada pelo empresário Taveira, tendo feito: Amores de Príncipe, O Rei das Montanhas, Eva, Dama Roxa, Sibill, A Lenda das Tarlatanas, J.P.C., Frasquita, Rainha do Cinema, Os Sinos de Corneville, Os Maridos Alegres, Duquesa de Bal Tabarin, As Meninas do Music-Hall, O Posto na Rua e A Rapioca. E assim cantou as óperas Cavalaria Rusticana e Boémia. No Teatro Politeama (empresa Luís Pereira) trabalhou, com Palmira Bastos e Maria Matos, em numerosas peças, entre as quais se destacaram A Rainha de Biarritz e Mamã. Motivos de saúde e a desaparição do género opereta dos palcos portugueses, causaram o brusco eclipse total da actriz.”

Ausenda de Oliveira

Ausenda de Oliveira, atriz cantora, de Cantanhede

Ausenda de Oliveira, atriz cantora, de Cantanhede

Isabel Tainha, a mãe de Ausenda de Oliveira, foi uma popular actriz, nascida na Pocariça (Cantanhede) em 5 de abril de 1867, e morta em Lisboa, em 6 de abril de 1915. Do seu casamento com o ator Henrique de Oliveira, nasceram as atrizes Auzenda, Carmen e Egídia de Oliveira e o violinista Raul de Oliveira. Foram agregados o ator José Vítor, e a cunhada Carmen de Oliveira que, além do teatro, se dedicara a trabalhos de acrobacia. Trabalhou nos Teatros Príncipe Real e Rua dos Condes, nas peças Pera de Satanás e João José. Passando para o Teatro Avenida, contratada por Salvador Marques, trabalhou em revistas, seguindo em várias digressões pela província.

Afastando-se do teatro durante um longo período, reapareceu no palco do Teatro São Luís, com a revista ABC, onde se encontrava, sua filha Auzenda. Convidada pelo actor Artur Duarte, foi à Alemanha gravar discos, mas tendo eclodido a Grande Guerra, viu-se forçada a regressar a Portugal. Henrique de Oliveira, pai de Ausenda de Oliveira, foi ator e empresário, nascido a 30 de abril de 1865 e morto a 4 de fevereiro de 1935. Era filho do empresário Joaquim de Oliveira, palhaço e diretor de um circo ambulante.

Monumento ao Músico, Covões, Cantanhede
MÚSICA À VISTA
Sugestões para uma rota musicoturística no Concelho de Cantanhede

Largo de Santo António, Covões

Monumento ao Músico, Covões, Cantanhede

Monumento ao Músico, Covões, Cantanhede

A 13 de junho de 1993, aquando dos 125 anos da Banda Filarmónica de Covões, foi inaugurado no Largo de Santo António, o Monumento ao Músico. Retrata um saxofonista adulto que tem à frente uma criança a segurar-lhe a pauta. A escultura em bronze, de José Berardo, presta homenagem aos músicos e a todos aqueles que estão ligados à Sociedade Filarmónica de Covões.

Monumento ao Músico, Covões, Cantanhede

Monumento ao Músico, Covões, Cantanhede

Igreja Matriz de Ançã
Órgãos de tubos do concelho de Cantanhede [4]

De acordo com as informações de que dispomos, os órgãos de tubos existentes no concelho são os seguintes:

Igreja Matriz da Pocariça

A Igreja Matriz da Pocariça foi construída em 1618, dedicada a S. Tiago. Admite-se que a primitiva construção terá ocorrido em meados do século XVII (1674), tendo depois conhecido profundas obras de remodelação em 1786 e no século XX. O corpo da igreja é particularmente valioso em termos patrimoniais, destacando-se a cobertura apainelada pintada com motivos rococó, o teto da capela-mor com uma abóbada de pedra decorada com quartões octogonais ornamentados, as capelas colaterais, o retábulo principal e os dois anjos barrocos de grandes dimensões.

Igreja Matriz da Pocariça

Igreja Matriz da Pocariça

A Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição da Pocariça possui um órgão de tubos.

Igreja Matriz de Ançã

Igreja Matriz de Ançã

Igreja Matriz de Ançã

Dedicada a Nossa Senhora do Ó ou da Expectação, a Igreja Matriz de Ançã possui uma fachada de grande imponência, datada de 1812, e rica pelo aspeto arquitetónico e enquadramento paisagístico; arcos de entrada das capelas laterais de grande beleza arquitetónica e decorativa; retábulo principal em pedra de Ançã, raro no seu tempo. Seiscentista é também o corpo da igreja, com três naves separadas por duas arcadas com colunas de ordem dórica. Um coro-alto ocupa o primeiro dos tramos. A cabeceira é formada por capela-mor com abóboda às quartelas e possui um rico retábulo concheado, em pedra, no qual foram colocadas esculturas mais antigas.  No alto do camarim, vê-se uma belíssima imagem da Senhora com o Menino, do século XV, e nos intercolúnios, um S. Pedro e um S. Paulo quinhentistas, estilisticamente próximos das obras de João de Ruão, em meados do século XVI. Possui a igreja um conjunto notável de capelas, quer as colaterais quer as que se abrem nos flancos das naves, obras cujas construções decorreram entre os séculos XVI e XVIII. Abrigam retábulos maneiristas e barrocos. Da imaginária, para além das já citadas, há a salientar um grande calvário seiscentista.

Fonte: CMC

A Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Ó de Ançã possui um órgão de tubos. Esteve incluída no Ciclo Jovens Organistas, promovido pela Associação Musical Pro Organo (AMPO), nas Igrejas da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, Aradas, Vagos, Albergaria-à-Velha, Mafra, Ançã e Museu de Santa Joana de Aveiro.

Igreja Matriz de Murtede

Igreja Matriz de Murtede

Igreja Matriz de Murtede

A Igreja Matriz de Murtede é um edifício de arquitetura religiosa de tipo neoclássico rural com poucos adornos. O interior possui retábulos e esculturas de pedra, e o pavimento é composto por grandes blocos de calcário. Pinturas a fresco representam santos e almas no purgatório. A igreja tem belos vitrais que representam a Cruz Divina, e cinco altares com várias imagens como a de São Martinho, século XVI, Santo António XV, Nossa Senhora da Piedade, século XV, Santo Amaro, São Sebastião, a Virgem com o Menino, Nossa senhora do Rosário, São Francisco, São Martinho Bispo, o menino Jesus de Praga, Sagrado Coração de Jesus, São Jorge e a Rainha Santa Isabel. A Igreja tem um retábulo simples onde se encontra uma glória solar, um importante elemento decorativo do ponto de vista iconográfico.

Fonte: CMC

A Igreja Paroquial de São Martinho de Murtede possui um órgão de tubos.

Igreja Matriz de Covões

Igreja Matriz de Covões

Igreja Matriz de Covões

A Igreja Matriz de Covões é uma construção do século XVIII que substituiu uma anterior edificada na centúria de Quinhentos. No exterior, só o portal e a torre sineira quebram a monotonia das linhas direitas. No interior, destacam-se o colorido e movimento do barroco. Os retábulos seguem o tipo setecentista, embora sejam já do século XIX. No principal, à esquerda, vê-se a magnífica escultura de Santo António, padroeiro, executada por João de Ruão, em 1558. Conserva este templo outras imagens de interesse, nomeadamente as que evocam S. Brás, S. Sebastião e S. João, todas quinhentistas. Do século seguinte, é o retábulo de pedra que foi colocado na capela do flanco esquerdo, com vários quadros alusivos à Vida e Paixão de Cristo.

Fonte: CMC

A Igreja Paroquial de Santo António possui um órgão António Xavier Machado e Cerveira, de um manual [ I; (6+8)], construído em 1795, opus 47, restaurado pela Oficina e Escola de Organaria em 2016, opus 69.

FOI NOTÍCIA

Texto AACCC – Associação de Arte e Cultura do Concelho de Cantanhede, Portal da Freguesia de Covões

O órgão de tubos existente na Paróquia de Covões foi construído pelo organeiro António Xavier Machado e Cerveira, no ano de 1795 e com o número de ordem #46.

O mais notável organeiro português e que maior quantidade de trabalho produziu. Era irmão consanguíneo do grande escultor em madeira, Manuel Machado de Castro e filho de outro organeiro e escultor em madeira, Manuel Machado Teixeira ou Manuel Machado Teixeira de Miranda.

Órgão de armário com as portadas abertas

Órgão da Igreja Matriz de Covões

Órgão da Igreja Matriz de Covões

Placa do organeiro

Órgão da Igreja Matriz de Covões

Órgão da Igreja Matriz de Covões