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Grupo Recreativo Mirandense
Filarmónicas de Miranda do Corvo

Bandas de Música, História e Atividades no Concelho

  • Grupo Recreativo Mirandense
Grupo Recreativo Mirandense

No início da década de 1910, a antiga “Filarmónica Euterpe Mirandense” dissolveu-se. Graças a uma comissão organizadora constituída por José Camilo, Henrique Fernandes Bastos, Alexandre Ribeiro São Miguel, Jaime Cordeiro, Isaac de Almeida e Augusto dos Santos – em conjunto com outros mirandenses que também estiveram ligados ao projeto desde início na qualidade de sócios, foi fundado em 27 de julho de 1931, o Grupo Recreativo Mirandense. Esta coletividade recreativa, cultural, democrática e progressista é uma das associações mais representativas em termos culturais do Concelho de Miranda do Corvo. A filarmónica viria a atuar solenemente a 1 de janeiro de 1933.

GRM

Grupo Recreativo Mirandense

Grupo Recreativo Mirandense

Os objetivos que estiveram na origem do Grupo Recreativo Mirandense mantêm-se atuais, visando essencialmente a promoção, divulgação, fomento e prática de atividades musicais as quais contemplam a existência de uma Escola de Música e da Banda Filarmónica. Tem participado em diversas atividades musicais relevantes como concertos a nível nacional e internacional, encontros de bandas, concursos, eventos de caráter popular e religioso. Na última década, veerificou-se uma grande afluência de jovens com valor que têm partilhado o gosto e interesse pela prática musical.

A Escola de Música do Grupo Recreativo Mirandense funciona há mais de 20 anos. Ensinou e preparou mais de 90% dos músicos da banda. Desenvolve atividades regulares como por exemplo as audições finais de período, bem como algumas classes de aperfeiçoamento de instrumento. Acolhe alunos de todas idades. Tem disponível atualmente, para além de aulas de Formação Musical, aulas de Flauta Transversal, Clarinete, Saxofone, Trompete, Trompa, Trombone, Eufónio, Tuba, Bombardino, Percussão, Canto, Guitarra e Piano. Conta presentemente com cerca de 90 alunos.

Em 1999, o GRM realizou o primeiro Encontro de Bandas. Desde então, todos os anos em julho, no âmbito das comemorações do aniversário do Grupo Recreativo, a Praça José Falcão torna-se no palco de acolhimento de filarmónicas dos mais variados pontos do país, num momento musical que atrai inúmeros espetadores.

Grupo Etnográfico “As Tecedeiras dos Moinhos”, Janeiras
Folclore de Miranda do Corvo

Grupos etnográficos, tradições e atividades no Concelho

  • Beira Litoral (Gândara, Bairrada e Mondego)
  • Distrito: Coimbra
  • Concelho: Miranda do Corvo

03 grupos

  • Grupo Etnográfico “As Tecedeiras dos Moinhos”
  • Grupo Etnográfico “Rouxinóis Dueça” de Godinhela
  • Rancho Etnográfico Flores das Cortes
Grupo Etnográfico “As Tecedeiras dos Moinhos”

Constituído em 1974, o Grupo Etnográfico “As Tecedeiras dos Moinhos” assume como valores representativos a defesa dos valores tradicionais do Concelho de Miranda do Corvo. São objetivos do grupo defender, preservar, promover e divulgar os usos e costumes, a gastronomia, os modos de trabalho, as danças e cantares da região.

O nome do grupo sustenta-se nas inúmeras tecedeiras que pontificavam nos Moinhos e que passavam longos serões à volta dos teares, dimensão que apesar de se ter reduzido ainda é emblemática desta localidade. Nas danças e cantares das Tecedeiras dos Moinhos destacam-se as tradições, os hábitos, usos e costumes dos seus antepassados. Nos trajos de trabalho, nos domingueiros e de cerimónia, vemos a expressão do povo nas labutas diárias. O barbeiro, o resineiro, o pastor, o serrador, a romeira e a tecedeira adquirem todo o seu significado quando sobem à cena.

Nas descamisadas, nas desgarradas, no amanho das terras, nos teares, à volta da dobadoira, a guardar o gado, nas festas e romarias, nas missas e orações, o grupo é o garante de que a tradição, mais do que um valor do passado, se afirma como uma garantia de futuro.

Mas as Tecedeiras, nome de origem árabe, não cantam e dançam somente. Dedicam-se a divulgar os saberes e experiências dos seus antepassados através de quadros vivos que os seus elementos recriam o mais fielmente possível: o “Ciclo do Linho”, a “Barrela da Roupa Suja no Rio”, a “Descamisada”, a “Matança Típica do Porco”, o “Cantar das Almas”, o “Cantar das Janeiras”, a “Apanha da Azeitona”, o “Casamento à Moda Antiga”, o “Apanhar da Azeitona”,  “a Recolha da Resina”.

O grupo vem mantendo intensa atividade com múltiplas atuações de Norte a Sul de Portugal Continental, mas também nas ilhas da Madeira e dos Açores. Fez digressões na Europa, em Espanha, França, Luxemburgo, Bélgica e Alemanha, particularmente junto das diversas comunidades portuguesas.

Desde 1985, o Grupo organiza todos os anos, salvo raras exceções, o seu encontro anual de folclore e etnografia, na aldeia dos Moinhos.

GETM

Grupo Etnográfico “As Tecedeiras dos Moinhos”

Grupo Etnográfico “As Tecedeiras dos Moinhos”

GETM

Grupo Etnográfico “As Tecedeiras dos Moinhos”, Canta à almas

Grupo Etnográfico “As Tecedeiras dos Moinhos”, Cantar às Almas

GETM

Grupo Etnográfico “As Tecedeiras dos Moinhos”, Janeiras

Grupo Etnográfico “As Tecedeiras dos Moinhos”, Janeiras

Rancho Etnográfico Flores das Cortes

O Rancho Etnográfico Flores das Cortes foi fundado em 1977, em Cortes de Semide, aldeia de tradições e saberes intemporais. Criado inicialmente para preencher um vazio regional a nível de entretenimento e diversão, o rancho tem vindo, ao longo da sua existência, a desempenhar um papel importante na divulgação da cultura e tradições desta região do centro de Portugal, que estão bem patentes nos trajes, danças, cantares e representações que o rancho apresenta, com o objetivo de preservar e reviver os usos, costumes e tradições das gentes simples, sofredoras e sábias da freguesia de Semide e arredores, nos finais do séc. XIX e início do séc. XX.

Provenientes de uma freguesia onde predominam os trabalhos agrícolas, os componentes do rancho apresentam trajes, reproduções fiéis localmente recolhidas de carvoeiros, resineiros, moleiros, carreiro, ceifeiros, viveiristas, vendedora de hortaliça, entrega do arroz-doce, feirantes e gaiato, quanto aos trajes de cerimónia temos a beata, noivos ricos e domingueiros.

O Rancho Etnográfico Flores das Cortes está inscrito no INATEL e filiado na Associação de Folclore e Etnografia da Região do Mondego (AFERM), sendo atualmente um dos ranchos mais antigos do Concelho, em permanente atividade desde a sua fundação.

Além de já ter percorrido o país, conta com atuações em Espanha, França e Áustria.

Augusto Camacho, fadista, de Miranda do Corvo
Músicos naturais do Concelho de Miranda do Corvo
  • Augusto Camacho (cantor, 1924-2018)

Augusto Camacho

Augusto Camacho, fadista, de Miranda do Corvo

Augusto Camacho, fadista, de Miranda do Corvo

Augusto Camacho Vieira, médico que se notabilizou ao serviço das equipas do Belenenses e das seleções nacionais e ligado ao fado de Coimbra desde os tempos de estudante, nasceu em Godinhela, Miranda do Corvo e faleceu a 13 de março de 2018, em Carnaxide (Oeiras), aos 92 anos. Viveu a sua juventude entre Coimbra, onde se formou em Medicina em 1953, e a Figueira da Foz, onde passou a infância e a adolescência.

Igreja Matriz de Semide
Órgãos de tubos do concelho de Miranda do Corvo

De acordo com a informação disponível, o órgão da igreja do mosteiro de Santa Maria de Semide é o único existente no concelho de Mirando do Corvo.

Igreja de Santa Maria de Semide

Igreja Matriz de Semide

Igreja Matriz de Semide

Imóvel de Interesse Público, o Convento ou Mosteiro de Santa Maria de Semide foi fundado em 1154 por Martim Anaia. Inicialmente era ocupado por monges beneditinos. Mais tarde tornou-se num convento de freiras para receber as descendentes do seu fundador. A parte mais antiga ainda existente data do século XVI. Em 1664 um incêndio devorou a maior parte do edifício que foi reconstruído e inaugurado, com a atual igreja, em 1697. Em 1964 o mosteiro sofreu novo incêndio tendo sido devorada a ala poente. Em 1990, um novo incêndio destruiu o claustro velho, a casa do capítulo e a sacristia. Do conjunto ainda existente salienta-se a Igreja, com um retábulo e cadeiral em madeira, dos finais do séc. XVII, azulejos do séc. XVIII, esculturas do séc. XVII e séc. XVIII e altar-mor também do séc. XVII. O órgão de tubos, do séc. XVIII, foi recentemente recuperado. Na igreja, que é igualmente a Igreja Paroquial de Semide, destacam-se um retábulo e cadeiral em madeira dos finais do séc. XVII, azulejos do séc. XVIII, esculturas do séc. XVII e séc. XVIII e altar-mor também do séc. XVII.

Fonte: JFS

A Igreja Paroquial de Santa Maria, Igreja do antigo Convento ou Mosteiro, possui um órgão histórico da autoria de António Xavier Machado e Cerveira, opus s./n.º, construído em 1796, restaurado em 2007 por Dinarte Machado – Atelier Português de Organaria.

Coro alto à entrada e órgão

Órgão da Igreja de Santa Maria de Semide

Órgão da Igreja de Santa Maria de Semide

Montra do órgão

Órgão da Igreja de Santa Maria de Semide

Órgão da Igreja de Santa Maria de Semide

«Depois de quase um século sem tocar, o órgão de tubos da igreja do Mosteiro de Semide, já restaurado, voltou a ouvir-se de novo no passado dia 15 de Agosto – noticiou o Diário das Beiras, a 24 de julho de 2007.

O órgão de tubos da igreja do Mosteiro de Semide, datado do século XVIII, ouviu-se de novo em Agosto, depois de quase um século de inactividade, de acordo com o pároco local, Pedro dos Santos. Segundo afirmou o padre Pedro dos Santos à agência Lusa, «trata-se de um instrumento valiosíssimo para as cerimónias religiosas e para a valorização da igreja e da cultura».

«Depois da morte da última monja, no final do século XIX, assistiu-se à deterioração do órgão, que durante o século XX praticamente não tocou», explicou Pedro dos Santos, que há vários anos «lutava» pelo seu restauro.

O órgão de tubos voltou a ouvir-se no dia 15 de Agosto, às 10h00, numa eucaristia presidida pelo pró-vigário-geral da diocese de Coimbra, João Lavrador, com a actuação do organista e professor de música Paulo Bernardino, da Nova de Coimbra. Acompanhado pelos coros da Nova e da paróquia de Semide, que foram orientados pelo padre Manuel Frade.

Desde Julho de 2002, que o órgão se encontrava a restaurar, nos Açores, no âmbito de um protocolo celebrado entre o Instituto Português do Património Arqueológico, Fábrica da Igreja de Semide e Câmara Municipal de Miranda do Corvo, que garantiram o financiamento da intervenção, no montante de 128 000 euros.

Fundado no século XII, antes do ano 1154, o Mosteiro de Semide é o único monumento do concelho de Miranda do corvo classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 45/93 de 30 de Novembro, sendo constituído pela parte conventual, propriedade do Estado, e pela igreja, pertencente à paróquia.

A parte mais antiga que resta do mosteiro primitivo é o claustro do século XVI, que se encontra parcialmente destruído. Um grande incêndio, em 1664, destruiu grande parte do edifício, que foi reconstruído já com a actual igreja, sendo inaugurado em 1697. Na segunda metade do século XVIII foi instalado um órgão de tubos, que se presume (não existindo confirmação) ter sido construído por Machado de Cerveira, considerado um dos melhores organeiros portugueses da época.”

FONTE

Diário As Beiras, de 24 de Julho de 2007

Mosteiro de Santa Maria de Semide

O Mosteiro de Santa Maria de Semide, que também aparece designado como convento, era feminino, pertencia à Ordem de São Bento e estava sob jurisdição diocesana. Era também conhecido como Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção. Antes de 1154, ano em que está documentado na carta de couto foi fundado em Semide, por iniciativa do bispo D. João Anaia e de seu irmão Martinho. Estava destinado a monges, não sendo conhecida a Regra. Em meados de 1183, passou para as monjas de São Bento.

Em 1610, o bispo de Coimbra D. Afonso de Castelo Branco quis transferir as monjas para o Mosteiro de Santa Ana de Coimbra, construído por ele para Cónegas Regrantes de Santo Agostinho, obtendo para isso a devida autorização pontifícia. A comunidade foi deslocada para Coimbra. Pouco tempo depois, por decisão da maioria e com autorização do bispo, a comunidade regressou a Semide no mesmo ano. A partir desta data, as abadessas passaram a ser eleitas por três anos.

Em 1833, foi fechado o noviciado. Em 1834, no âmbito da “Reforma geral eclesiástica” empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30 de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respetivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo. Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional. Em 1896, o Mosteiro foi encerrado por morte da última monja.

FONTE

Arquivo Nacional da Torre do Tombo