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Rancho Folclórico "Os Fazendeiros" de Montemor-o-Novo
Folclore em Montemor-o-Novo

Grupos Etnográficos, Tradições e Atividades no Concelho

  • Região: Alentejo (Alto Alentejo)
  • Distrito: Évora
  • Concelho: Montemor-o-Novo

02 grupos

  • Rancho Folclórico de Cortiçadas de Lavre
  • Rancho Folclórico dos Fazendeiros de Montemor-o-Novo
Rancho Folclórico “Os Fazendeiros” de Montemor-o-Novo

O Rancho Folclórico “Os Fazendeiros” de Montemor-o-Novo foi fundado em 1958 para manter vivas as danças e cantares que deliciaram os serões, festas, adiafas e outros momentos do quotidiano dos seus antepassados. As fazendas da região foram o berço das modas e cantigas que o Rancho Folclórico Fazendeiros de Montemor-o-Novo tem levado a todo o país e ao estrangeiro. Danças e cantares de outros tempos, quando nas fazendas da região se fixaram alguns agricultores, rendeiros e trabalhadores agrícolas.

Também as mais diversas formas de viver dos antepassados são retratadas pelo agrupamento. Do pastor aos ceifeiros, de fazendeiro abastado ao simples fato domingueiro, da mondadeira ao ganhão. São trajes e retratos da cultura tradicional local preservados e que constituem um bom exemplo da etnografia da região.

O Rancho é membro efetivo da Federação do Folclore Português e Associação de Folcloristas do Alto Alentejo.

RFFM

Rancho Folclórico "Os Fazendeiros" de Montemor-o-Novo

Rancho Folclórico “Os Fazendeiros” de Montemor-o-Novo

Rancho Folclórico de Cortiçadas de Lavre

Fundado em 1983, em Cortiçadas de Lavre, o grupo representa o folclore alentejano, embora influenciado pelo folclore do Ribatejo, porque a freguesia onde está sediado faz fronteira com o concelho de Coruche. Essa proximidade reflete-se, principalmente, nas suas danças e cantares.

Os trajes são resultado de uma longa pesquisa, efetuada em 1994. O Rancho Folclórico de Cortiçadas de Lavre apresenta trajes de trabalho e de festa, respeitantes a vários estratos sociais.

Nos trajes abundam o cotim, a ganga, o riscado, o pano-cru, entre tantos outros tecidos que, harmoniosamente, refletem os trajes de mondina, chaveiro, aguadeira, pastor, feitor, noivos entre tantos outros igualmente característicos da região.

Rancho Folclórico de Cortiçadas de Lavre

Rancho Folclórico de Cortiçadas de Lavre

Sociedade Antiga Filarmónica Montemorense (Carlista)
Filarmónicas de Montemor-o-Novo

Bandas de Música, História e Atividades no Concelho

Banda Filarmónica Simão da Veiga Casa do Povo de Lavre

No 1 de dezembro de 1889 deu-se a primeira aparição pública oficial da Banda da Sociedade Fraternidade Simão da Veiga. Foi seu mentor o distinto lavrense e exímio cavaleiro e pintor animalista, Simão Luís da Veiga. Entretanto enquadrada na Sociedade Filarmónica Simão da Veiga e, em 1995, integrada na Casa do Povo de Lavre, a Banda é a mais emblemática instituição de Lavre e uma das mais antigas e prestigiadas do concelho de Montemor-o-Novo.

Participou em dezenas de encontros de bandas, cerimónias oficiais, corridas de touros, programas de intercâmbio e festividades religiosas e profanas. Deslocou-se, em 1998, à região italiana da Toscana, no âmbito do programa de geminação entre as cidades de Montemor-o-Novo e Pontedera e do Festival luso-italiano de cultura: Sete Sóis, Sete Luas. A segunda deslocação ao estrangeiro teve lugar em 2002, com uma atuação, em concerto, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo (França). O regresso a esta importante instância europeia, desta vez em Bruxelas, viria a acontecer em 2004, com a realização de mais um concerto. A pretexto desta deslocação à capital belga, a Banda de Lavre realizou também um inesquecível espetáculo destinado à comunidade portuguesa radicada naquela cidade.

Organizou, em Lavre, de dois encontros de bandas: em 1989, por ocasião das comemorações do primeiro centenário, e em 1996. Realizou  inúmeros concertos didáticos realizados. Promoveu, nos anos de 1999 a 2006, oito edições do Curso de Aperfeiçoamento para Jovens Músicos, destinado aos jovens das Bandas e Escolas de Música de todo o distrito de Évora. Em 2004, iniciou um interessante projeto de parceria musical com a Brass Band La Marcelline, de Grône (Suíça). O intercâmbio foi inaugurado com a estada do agrupamento suíço em Lavre e com a realização, pelo mesmo, de dois excelentes concertos, em Montemor-o-Novo e em Lavre. Em 2005, a Banda de Lavre retribuiu a visita com uma inesquecível prestação musical repartida por três concertos e pela participação em dois desfiles.

Em 2004, no âmbito das comemorações dos 700 anos do primeiro foral de Lavre e do seu 115º aniversário, a Banda de Lavre, em conjunto com os dois grupos de música de câmara em atividade na Coletividade – Quarteto de Saxofones e Quinteto de Metais –, procedeu ao lançamento da sua primeira edição discográfica: Sons e Memórias – 700 Anos de Júbilo”. Novo trabalho neste âmbito viria a surgir, no ano seguinte, com a participação da Banda de Lavre no projeto: “As Melhores Bandas Filarmónicas do Alentejo”, promovido pela editora Public-art.

Em 2006, a Banda de Lavre participou, em primeira categoria, no Concurso de Bandas Ateneu Artístico Vilafranquense, em Vila Franca de Xira. Alcançou o primeiro lugar no concurso nacional promovido pelo Inatel – Encontrão 2006, na componente musical – Festimúsica, com a apresentação do projeto Sons do Exótico. O Grande Livro da Fantasia foi o título escolhido para igual participação, em 2007, tendo a Banda de Lavre alcançado, uma vez mais, o primeiro lugar. Em 2009, a Banda de Lavre iniciou mais dois projetos de intercâmbio. No âmbito do primeiro deles, desenvolvido com a Harmonie d’Izel (Valónia – Bélgica), o grupo deslocou-se à Bélgica, onde realizou um memorável concerto, para além de ter efectuado a terceira visita ao Parlamento Europeu. Três meses mais tarde, a Banda de Lavre recebeu a Banda da Sociedade Filarmónica Lira Madalense (Pico – Açores). Esta deslocação viria a ser retribuída em Agosto do ano seguinte com uma deslocação a este arquipélago.

Muito relevante tem sido a aposta da Banda de Lavre, em parceria com a Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, na realização, nesta cidade, de espetáculos de nível superior, integrados na programação do Ciclo de Outono. Refira-se o concerto, realizado em 2007, com o Maestro António Victorino d’Almeida, o concerto levado a efeito, no ano seguinte, com o tenor Carlos Guilherme, o espetáculo Sons e Vozes de Outono, realizado em 2009 com a participação de Carlos Guilherme e de Anabela, e, finalmente, o tributo ao compositor norte-americano George Gershwin (Gershwin, a Utopia da Vanguarda e Outras Formas de Ouvir…), que juntou em palco, em 2010, a Banda de Lavre, o pianista Mário Laginha e a cantora Maria João. A Banda de Lavre conta com um quadro efetivo de 57 elementos, dirigido, desde 2001, pelo Maestro Fernando Palacino.

BFSVCPL

Banda Filarmónica Simão da Veiga Casa do Povo de Lavre

Banda Filarmónica Simão da Veiga Casa do Povo de Lavre

Banda Filarmónica da Casa do Povo de Cabrela

A Banda Filarmónica da Casa do Povo de Cabrela foi fundada por Armindo Rosas de Magalhães, um professor do ensino primário oficial. Foi a partir de uma tuna que o professor criara e dirigira, que nasceu o Grémio Musical Recreativo Cabrelense, que também este professor fundou, em conjunto com algumas pessoas influentes da terra e que veio a servir de suporte à criação da Banda Filarmónica de Cabrela, em 1930. No início, a Banda contava com 23 executantes, tendo alguns deles passado da tuna para a banda.

BFCPC

Banda Filarmónica da Casa do Povo de Cabrela

Banda Filarmónica da Casa do Povo de Cabrela

Segismundo dos Santos Lucas foi seu primeiro regente. Em 1939 com a fundação da Casa do Povo foi declarado extinto o Grémio Musical, e a Banda integrada na Casa do Povo , mas só em 1951 a entrega oficial dos instrumentos foi feita à Casa do Povo. Deste então, a Banda tem animado festas e romarias. Na década de 60, sob a regência de Francisco de Oliveira Veiga, que durante mais de 42 anos foi regente, participou em inúmeros concursos nacionais, tendo por vezes conseguido boas classificações, como no concurso de Bandas do Alentejo, no Teatro Garcia de Resende em Évora, em 1957, em que ficou em 3ª posição.

Desde 1999, a Direção da Casa do Povo de Cabrela tem vindo a organizar Encontros de Banda Filarmónicas anuais, que se servem de base aos inúmeros intercâmbios que a Banda tem efetuado.  A Banda conta com 41 executantes, sendo a maioria fruto da escola de música que funciona a par da Banda. O atual regente é desde 1995, Inácio Feliciano Vieira Alfaiate, e o Presidente é desde, 1999, José Herculano Mémé. No dia 29 de janeiro 2005 – dia em que a Banda comemorou o 75º aniversário, foi lançado o seu primeiro CD. A convite da Pulic –Art, a Banda gravou o CD duplo “As melhores Bandas do Alentejo” a 16 de julho de 2005, publicado a 18 de novembro do mesmo ano.

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Banda da Escola de Música da Casa do Povo de Cabrela

Banda da Escola de Música da Casa do Povo de Cabrela

Sociedade Antiga Filarmónica Montemorense (Carlista)

A Sociedade Antiga Filarmónica Montemorense “Carlista” é oriunda de um grupo de filarmónicos que teria sido organizado em 1830 sob a regência de Carlos Simões. Conhecido simplesmente pelo grupo do “Mestre Carlos”, foi progredindo, até que em 1861, vários elementos de posição social acharam oportuno fazer do grupo uma Sociedade. Ficou denominada Antiga Sociedade Filarmónica – a “Carlista”. De 1862 data a carta régia que aprova o seu primeiro estatuto.

Vivia a “Carlista” em modesta sede alugada, mas dentro da sua casa a única divisa era somente a politica musical. Regeneradores, progressistas, republicanos e socialistas esqueciam as convicções políticas e partidárias e atuavam no campo da nova associação musical a sua Sociedade Filarmónica. Poucos meses decorridos do ano de 1862, os grandes partidos dividiam-se e os respetivos cabecilhas afastam-se. Os regeneradores ficam a alimentar a “Carlista” e os progressistas saíram e fundaram uma nova Banda, a que deram o nome de «Circulo Montemorense». Regeneradores e progressistas começaram por se odiar, procurando cada um dos dois partidos fazer extinguir a Banda adversária. A luta tomou proporções inquietantes. A nova Sociedade, por meio de ações, conseguiu construir um edifício para a sua sede, uma afronta para a “Carlista” cuja sede continuava a ser casa de aluguer.

Ficara na “Carlista” o chefe político local, regenerador, Visconde da Amoreira da Torre. Popular, humanitário, bondoso e de grande prestigio; dir-se-á que nunca pensou fazer para a sua querida “Carlista” qualquer pomposa sede. Mas a ação do «Circulo Montemorense», (mais tarde denominada de Pedrista) o seu desafio, a sua enorme influência associativa, feria a carolice do Visconde, preparando um plano de desforra começa por comprar grandes quantidades de ações da “Pedrista”. Para isso servia-se de amigos, dispusera do seu prestígio e de dinheiro, e quando chegou a possuir o maior número, distribuiu essas ações pelos sócios da Sociedade de que era presidente e promoveu uma disputa e célebre assembleia de acionistas. Poder-se-á ainda hoje fazer uma ideia do que foi essa aguerrida assembleia cujo fim era expulsar da sua casa a entidade que, com tanto sacrifício a construíra. A razão defendida pelos “Carlistas” era que o edifício da “Pedrista” lhes pertencia, pois possuíam a maioria das ações. O resultado da assembleia foi-lhes favorável. E quando notificaram a direção da “Pedrista” que tinha de sair da sua sede, a intimativa não é aceite. O caso foi entregue ao poder judicial, que fez respeitar a resolução da assembleia dos acionistas.

À margem da renhida luta da casa a Banda faz progressos, em 1885 na cidade de Évora, por ocasião de grandes festas promovidas em honra da visita do Rei D. Luís I, distinguiu-se a “Carlista”. De todas as Bandas em causa, era a que melhor cornetista apresentava. E essa distinção mereceu-a o jovem montemorense e filho da Sociedade, Adelino Augusto da Silva, o grande Adelino, como popularmente ficou conhecido. Em 1888 a “Carlista” abandonou de vez a sua casa de aluguer e ficou com uma sede, cumpridas as determinações do poder judicial.

Depois do ciclone de 15 de fevereiro de 1941 a sede ficou em ruínas mas surtidos apelos e extraordinárias dedicações acorreram a dar-lhe novamente vida e entusiasmo.  Foram seus regentes: Amaro Augusto Romão, gastrónomo famoso e artista exímio de basta fama; maestro da Banda da Sociedade “Carlista” mais de 30 anos e autor do Hino da Sociedade; Adelino Augusto da Silva, “o grande cornetista Montemorense”; José Pires da Cruz, capitão, maestro da Banda da Sociedade “Carlista” perto de 20 anos.

José Pedro Barreiros foi professor da escola de música da Banda, clarinetista e maestro (1997/2002). Enquanto responsável pela escola de música da Banda desenvolveu inúmeros projetos, o de maior destaque foi alargar a Escola de Música, não só aos alunos da Banda mas também a outros, com o objetivo de captar para a coletividade o maior numero possível de alunos que pretendessem aprender outro tipo de instrumentos, nomeadamente teclas e cordas. Conseguiu o apoio da Academia de Música Eborense e este novo projeto começou a funcionar, como pólo daquela instituição em 1990. Passou a haver uma escola de música oficial em Montemor-o-Novo, foi um grande passo para o desenvolvimento cultural desta cidade. Divergências entre as duas direções (Academia de Música Eborense/Sociedade Carlista) levaram a que em 1993 este pólo terminasse. Manteve-se a escola de música da Banda só com instrumentos de sopro e percussão os alunos frequentavam aulas de instrumento e Formação Musical, dada por músicos da Banda.

Quando foi convidado a dirigir esta Banda, Sérgio Frazão, atual maestro desde 2002, sabia que tinha pela frente uma tarefa complicada. Músicos que já haviam saído começaram a mostrar interesse pelo trabalho desenvolvido, voltando assim a fazer parte desta antiga mas remodelada banda, que conseguiu adquirir novos instrumentos e desenvolver novos projetos.

A Banda da Sociedade “Carlista” com 35 elementos é um dos principais locais de cultura da Cidade de Montemor-o-Novo, durante este longo percurso, efetuou concertos um pouco por todo o país e em Espanha. Em 2003 deslocou-se aos Açores num intercâmbio com a banda Filarmónica Liberdade do Cais do Pico da ilha do Pico. Efetuou concertos em conjunto com as duas bandas do concelho, (Lavre e Cabrela) realçando o dia Mundial da Música 1 de Outubro, organizado pela sociedade “Carlista”  em 2004, no Cine teatro Curvo Semedo em Montemor-o-Novo. Em ocasiões mais solenes realiza concertos em conjunto com o Coral São Domingos, da mesma cidade e de grande importância cultural. Conta com uma escola de música e um Ensemble de Clarinetes. A escola realiza duas audições por ano e promove intercâmbios com outras escolas de instituições semelhantes. O Ensemble de Clarinetes realiza concertos junto da população mais jovem, nas escolas ou em concertos de animação cultural.

Igreja matriz e igreja da Misericórdia de Montemor-o-Novo
Órgãos de tubos do concelho de Montemor-o-Novo [2]

De acordo com as informações disponíveis, existem órgãos de tubos nas seguintes igrejas do Concelho:

Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Novo

Igreja da Misericórdia de Montemor-o-Novo

Igreja da Misericórdia de Montemor-o-Novo

A Igreja da Misericórdia de Montemor-o-Novo faz parte de um conjunto composto pela igreja e pelos edifícios adjacentes onde se encontra um importante arquivo da Misericórdia. A igreja foi construída em 1532 e é famosa pelo seu magnífico portal de estilo manuelino, enquanto que os restantes edifícios datam do século XVII.

Órgão histórico é da autoria de Pascoal Caetano Oldovini (Oldoni, Oldovino ou Olduvini), executado em 1752.

Igreja Matriz de Montemor-o-Novo

[ Igreja Paroquial ]

Igreja matriz de Montemor-o-Novo

Igreja Matriz de Montemor-o-Novo

A Igreja Matriz de Montemor-o-Novo é um edifício de arquitetura religiosa do século XVII, ladeada por duas torres com cúpulas piramidais revestidas a azulejos. Tem uma só nave, com abóbadas decoradas com pinturas murais do século XVIII. Possui seis capelas laterais abrindo para a nave por arcos de volta perfeita, unidos entre si ao nível das mísulas por cornija. Por baixo da capela-mor encontra-se a cripta de São João de Deus onde, segundo a tradição, se localiza a casa da Rua Verde onde nasceu, em 1495, João Cidade (São João de Deus).

Fonte: All about Portugal