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Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração
Folclore em Moura

Grupos Etnográficos, Tradições e Atividades no Concelho

  • Região: Alentejo (Baixo Alentejo)
  • Distrito: Beja
  • Concelho: Moura
Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração

O Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração foi fundado em 1934. Inicialmente composto por 20 elementos, quase todos trabalhadores rurais, conta presentemente com 25 elementos.

Em 1962, o grupo passou a ser dirigido e ensaiado por Francisco de Almeida Candeias, seu grande dinamizador ao longo de várias décadas.

Tem realizado, desde 1940, diversas gravações em fita magnética, vinil e CD. Participou também em diversos programas televisivos, nomeadamente “O Povo que Canta”, de Michel Giacometti (1970).

Ao longo dos anos, o Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração tem participado em vários eventos culturais, desenvolvendo um trabalho na preservação do cante alentejano digno do mais forte elogio.

O traje do Grupo Coral nunca foi alterado: lenço garrido ao pescoço, caindo sobre os ombros, camisa branca, chapéu, colete, calças pretas, botas ou sapatos.

Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração

Grupo Coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração

Banda da Sociedade Filarmónica União Mourense “Os Amarelos”
Filarmónicas de Moura

Bandas de Música, História e Atividades no Concelho

  • Banda Filarmónica do Círculo Artístico Musical Safarense
  • Centro Recreativo Amadores de Música “Os Leões”
  • Sociedade Filarmónica Amarelejense SFUMA
  • Sociedade Filarmónica União Mourense
Centro Recreativo Amadores de Música “Os Leões”

O Centro Recreativo Amadores de Música “Os Leões” foi fundado em 1926. Mantém, desde então, uma Escola de Música e uma Banda Filarmónica. Esta tem mantido um bom nível de atuações em que atuou pelo País e se a Espanha. Conta com 36 elementos e é dirigida por José Faustino Peralta.

CRAM

Centro Recreativo Amadores de Música “Os Leões”

Centro Recreativo Amadores de Música “Os Leões”

A Coletividade tem varias condecorações, entre elas a Medalha de Ouro da Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio.

CRAM

Centro Recreativo Amadores de Música “Os Leões”

Centro Recreativo Amadores de Música “Os Leões”

Sociedade Filarmónica Amarelejense SFUMA

Foi a 10 de junho de 1858 que a banda desta coletividade deu os primeiros passos pela mão de um italiano, de nome desconhecido que, trabalhando em Espanha por aqui apareceu e formou os primeiros músicos. Só a 15 de janeiro de 1932, com a constituição da Sociedade Filarmónica União Musical Amarelejense, a banda se instalou em sede própria, num imóvel cedido por uma família da localidade.

Dos muitos regentes que dirigiram esta filarmónica, destacam-se Domingos Monteiro Filipe, Mestre “Paróla” e, mais recentemente, Manuel Cipriano Ramalho.

Sociedade Filarmónica Amarelejense SFUMA

Sociedade Filarmónica Amarelejense SFUMA

A Banda Filarmónica de Amareleja tem-se apresentado desde o Centro até ao Sul de Portugal e em algumas povoações espanholas. Entre encontros de bandas, serviços contratuais ou outros de carácter prestativo, a banda esteve sempre em atividade. É constituída por cerca de 45 elementos sendo a grande maioria amadores saídos da Escola de Música, escola frequentada por mais de 25 alunos.

Banda Filarmónica do Círculo Artístico Musical Safarense

Banda centenária, a Banda Filarmónica do Círculo Artístico Musical Safarense esteve na origem do Círculo Artístico Musical Safarense, fundado em 13 de maio de 1920, onde foi integrada e tendo como objetivo “O Ensino e Cultivo da Música”. Durante décadas, registou intensa atividade e participou de modo particular nas cerimônias da tradicional Semana Santa em Safara. Devido ao êxodo rural e à guerra colonial, a Banda iria ter, nos anos 1960-70, um período de inatividade.

Reorganizada em 1980, com significativa participação da juventude e sob a ativa orientação, prestada a titulo gracioso do seu regente Joaquim Bicho Gonçalves, coadjuvado por alguns músicos, a Banda Filarmónica de Safara tem desempenhado uma função relevante a nível local e na difusão da cultura musical, realizada através de centenas de atuações em mais de cinquenta localidades de Portugal e de Espanha.

Participou em 1991, como representante do distrito de Beja no 1° Festival Nacional de Bandas Filarmónicas da Feira Popular de Lisboa. Tocou, a convite do Governo Civil de Beja, nas cerimónias do início da presidência Portuguesa no Conselho das Comunidades Europeias realizadas em Beja em 01 de janeiro de 1992.

Banda Filarmónica do Círculo Artístico Musical Safarense

Banda Filarmónica do Círculo Artístico Musical Safarense

Composta por quarenta elementos oriundos da sua escola de música, esteve igualmente na base da criação, em 1986, da Escola de Samba de Safara, que regista diversas atuações na região, em Loulé, Évora, Mealhada, Montijo, e pela sétima vez em Torres Vedras.

Sociedade Filarmónica União Mourense “Os Amarelos”

A Sociedade Filarmónica União Mourense foi fundada a 16 de Agosto de 1921 e, com ela, a sua Banda. Em 1926, um incidente de carácter político conduziu à divisão dos elementos da Banda e à criação imediata de outra Banda em Moura. A Sociedade Filarmónica União Mourense iniciou desde logo uma reorganização a partir dos cinco músicos restantes e oito meses depois, a 1 de Maio de 1927 a Banda saiu à rua, recebendo da população a alcunha de “Amarelos”.

A Banda de Música é uma das principais atividades da Sociedade, tendo sido distinguida várias vezes. Foi 1ª classificada num certame realizado em Beja em 1933. Venceu a Taça “O Clube mais Querido de Moura”, instituído pelo Jornal “A Planície” em 1953. Obteve a Medalha de Ouro de Instrução e Arte em 1962. Participou no Grande Festival de Bandas Civis organizado pela F.N.A.T. em 1974.  Representou o Distrito de Beja no programa da RTP “25 Milhões de Portugueses” em 1974. Recebeu a Medalha de Mérito Associativo, diploma de 01-05-1977. Participou no Festival da EDP de Bandas de Música Civis (Grupo A), em 1984. Apresentou-se em inúmeros festivais de bandas, concertos, festas populares, romarias, inaugurações e desfiles ao longo dos últimos anos.

Banda da Sociedade Filarmónica União Mourense “Os Amarelos”

Banda da Sociedade Filarmónica União Mourense “Os Amarelos”

Por ordem cronológica que foram seus regentes, desde a  fundação: Joel Carraça, António Maria Valente, Januário Augusto, António Malcato, António Lopes da Fonseca, Fausto, Martinho Mariano Ganhão, Joaquim António Ramos, Alberto Galanducho, José Pires Florindo, Idália Caeiro, Francisco Rolo, Carlos Amarelinho e Marisa Caraça.

A Banda da S.F.U.M. “Os Amarelos” é composta por cerca de 40 elementos, de idades entre os 12 e 40 anos.

Tamborileiro António Oliveira Lopes, “Guinapo”
Instrumentos musicais de Moura

Flauta e tamboril

Memórias e práticas musicais – o tamborileiro em Santo Aleixo da Restauração (Baixo Alentejo)

A cultura expressiva na fronteira luso-espanhola: continuidade histórica e processos de transformação socioculturais, agentes e repertórios na construção de identidades (Concurso de Bolsa de Pós Doutoramento FCT/2012)

As fontes históricas e iconográficas portuguesas mostram-nos, desde a Idade Média, a presença do tamborileiro em contextos festivos e cerimoniais. O conjunto flauta e tamboril está ainda localizado nas zonas fronteiriças das Terras de Miranda (Trás-os-Montes) e no Baixo Alentejo, na Marguem Esquerda do Guadiana. A partir da segunda metade do século XX, esta prática musical sofreu um significativo decréscimo quantitativo e qualitativo, comparativamente a décadas anteriores. O seu estudo também mereceu pouca atenção académica, e deve-se a Ernesto Veiga de Oliveira e a Benjamim Pereira a recolha e gravações realizadas na década de 1960, a Michel Giacometti os registos da década de 1970, e à Associação Pé de Xumbo os estudos no site “Flauta do tamborileiro no Alentejo”.

Este site mereceu a atenção de Cyril Isnart (2013) que o caracterizou como o resultado “da pesquisa documental de um tocador de tipo revivalista”, Diogo Leal, que reuniu um conjunto de documentos originais, de fotografias, vídeos, arquivos, partituras e textos analíticos. A pesquisa apresentada, segundo a trama das monografias etnomusicológicas clássicas, e das indicações habituais das páginas de internet, transformou o tamborileiro em algo patrimonial, ou seja, “inscrito num regime de valor coletivo da música popular antiga e atual, a um nível bem mais elevado do que antes da sua exposição patrimonial” (Isnart 2013: 10).

No Baixo Alentejo, as funções do tamborileiro permanecem vinculadas às festas religioso-populares e aos peditórios das Comissões de Festa. Em Santo Aleixo da Restauração o tamborileiro está associado às festas de Santo António e da Tomina, assim como aos peditórios de Santo António e Santa Maria, com uma função cerimonial que perdeu ao longo do tempo a sua componente musical.

António Maria Cuco (1901-1976), conhecido por “O Estragado” foi o primeiro tamborileiro a ser fotografado e gravado por Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira, em 1961, para a obra Instrumentos Musicais Populares Portugueses. Em 1965 o tamborileiro António Oliveira Lopes (1915-1984), conhecido por “Guinapo”, foi gravado por Michel Giacometti para o 6º episódio da série documental “Povo que Canta”, dedicado aos tamborileiros do Baixo Alentejo.

Na obra Instrumentos Musicais Populares Portugueses, Benjamim Pereira assinala a sua experiência de terreno ao recordar António Maria Cuco nos seguintes termos.

“Recordo a visita à casa do tamborileiro António Maria Cuco, de Santo Aleixo da Restauração, a sua extrema modéstia e esmero, de uma só divisão, com chão de xisto límpido e paredes contrastantes na brancura da cal, a cozinha na superação rara dos sinais do fogo, a um dos lados e, no oposto, a cama num arranjo de dia festivo. Neste cenário da maior simplicidade destacava-se uma pequena arca de pinho que o António Maria abriu pondo a descoberto a dignidade da sua pobreza, o cheiro das ervas que perfumavam as roupas e, num escaninho, como um bem precioso, o pífaro que agora integra esta colecção”.

Na actualidade os tamborileiros de Santo Aleixo da Restauração são recordados em diferentes grupos familiares. Em Agosto de 2014, na mesma casa modesta citada no texto de Benjamim Pereira conversei com Maria Eugénia, filha de António Maria Cuco, residente nos arredores de Lisboa desde a década de 1970, que em Agosto regressa sempre à terra onde nasceu para assistir à Festa da Tomina.

Nasci no dia de Santa Maria, que era o dia do peditório, e então ele, sempre ouvi dizer que foi com a bebedeira de eu ter nascido que comprou o tambor. Lembro-me sempre dele em chegando a este dia, começava logo a arranjar o tambor. Porque ele quando chegava a casa, o tambor tinha umas cordas à volta e assim que chegava a este dia ele começava a apertá-lo, a apertá-lo e a experimentá-lo, e ele é que fazia as gaitas. Arranjava madeira e fazia as gaitas, e tocava muito bem, não há ninguém que toque como ele tocava, não há ninguém. E dava uma organização, não é por ser meu pai, mas dava uma organização muito grande na festa, dizia aos rapazes “vocês fazem, assim e assim” e agora cada um faz, agora já não é nada. Era uma coisa que ele fazia com gosto. Ganhava, parece que eram 20 escudos que ganhava, tocava dois dias, porque na altura a festa não eram tantos dias. Ele fazia assim, agora quem dá a Alvorada é a música, o meu pai saía daqui tocando o tambor de madrugada, toda a gente já sabia que ia ali o tamborileiro, tocando tum tum, tum tum, mas ele tocava muito bem. (…) Sei que vieram uns senhores aí a gravar, veio aqui o senhor Arlindo, levou-o para aí e estiveram a gravar. O meu irmão ainda tocou, tocava bem, mas não tocava como ele, mas tocava melhor que o Guinapo. O meu irmão ficou com o tambor, depois é que passou para esse senhor que era o Guinapo (Maria Eugénia, filha do tamborileiro António Cuco, irmã do tamborileiro Joaquim Grilo).

O “Toque do tamborileiro” executado por António Maria Cuco faz parte da colecção dos Arquivos Sonoros, que serviu de base à obra Instrumentos Musicais Populares Portugueses, e permanece ainda na memória dos mais idosos, como testemunhou o mestre Bento Figueira:

Antigamente havia um homem que se chamava tio António “Estragado” que era o tamborileiro, que esse é que era um homem, um profissional naquilo. Tinha uma música mesmo adequada aquilo, e o compasso, de forma que aquilo tocava bem e é sempre o que vai á frente da festa, tocando tambor e dando aquela coisa com aquele apitosinho, com uma gaita, uma gaita de madeira. Tinha aquele toque, dava-lhe duas ou três partes, mas era sempre a mesma coisa (Bento Figueira, à data mestre do grupo coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração).

A sonoridade dos toques dos tamborileiros transcende a componente musical, ou seja, está principalmente associada a significados e práticas rituais que organizam o pensamento e a ação dos indivíduos para o tempo festivo, como testemunharam as pessoas com quem conversei:

O tamborileiro faz falta, é o anúncio da Festa. Porque nós quando ouvimos aquele toque do tambor tum, tum tum, aquela coisa, olha já ai vem a festa, já aí vem a procissão, já aí vem o guião do peditório de Santo António, ou o peditório da Santa Maria, e é pelo tum tum do tambor, e quando era o ti António “Estragado” ouvia-se tanto o tum tum do tambor como o apito da gaita. O tamborileiro é isso, para ir à frente da Festa sempre. Esse tem que saberás ruas todas por onde a Festa tem de passar (Bento Figueira, mestre do grupo coral da Casa do Povo de Santo Aleixo da Restauração).

Gostava de ver o meu pai nisso. O meu pai vinha na sexta-feira, tal como no dia de amanhã, começava já amanhã. O tambor estava na igreja, e o meu pai vinha sexta-feira à tarde par ir buscar o tambor à igreja para ir buscar os guiões à casa dos festeiros, para depois vir com os guiões para a igreja. E depois à tarde, quando vestem a Santinha (N. Srª. das Necessidades), o meu pai ficava na igreja a guardar a Santa, toda a noite, com os Festeiros e com a Guarda (GNR). Sexta toda a noite, sábado todo o dia até à hora da procissão, o meu pai não descansava, porque tinha de apanhar o tambor e ir na procissão. Depois, quando recolhia a procissão, sábado à noite, o meu pai ficava a guardar a Santa, porque a igreja estava aberta, até domingo à tarde que acabasse a outra procissão, mas nós gostávamos. O meu pai tinha muito gosto nisto, depois já começou com a idade, e a minha mãe já nem queria que ele andasse, já era muito cansativo para ele, e depois deixou, deixou a outro. (…) Chama as pessoas à porta, porque a gente ouve o tambor vai à porta, se já se ouve o tambor já aí vem o guião, como no dia da procissão. Gosto de ouvir, significa muito para mim, porque foi uma coisa que passou pelo meu pai, gosto de ouvir (Maria Castro Lopes, filha do tamborileiro Manuel Fialho Lopes).

Isto geralmente é para dar o alarme ao Povo, para as pessoas saberem que anda o guião, que andam as procissões pela rua., porque isto, ninguém vai aprender a fazer nada disto (Mariana Felícia Limpo, filha do tamborileiro António Oliveira Lopes, “Guinapo”).

Tamborileiro António Oliveira Lopes, “Guinapo”

Tamborileiro António Oliveira Lopes, “Guinapo”

Na festa da Tomina de 2014, António Grilo (Santo Aleixo da Restauração, 1975), neto de António Maria Cuco e filho do tamborileiro Joaquim Grilo “o Ficalheiro” desempenhou pela primeira vez a função de tamborileiro, para manter a tradição.

É um trabalho que eu nunca fiz, de tamborileiro. Apesar do meu pai e do meu avô fazerem eu nunca fiz, mas todos os anos trabalho para a Tomina, todos os anos tenho o meu ordenado e eles todos os anos me vão chamar e agora pediram-me “- É pá Grilo, podes desenrascar a gente? Foi o que eu disse ali dentro: “-Não tens mais ninguém, não te preocupes, eu vou!” (António Grilo, neto de António Cuco e filho de Joaquim Grilo).

As festas associadas a uma sociedade rural que se transformou, modernizaram-se, e são concebidas cada vez mais em função de práticas e consumos urbanos, na abordagem religiosa/profana e nas sonoridades musicais que se mesclam, mas ainda preservam componentes rituais que permitem ler o contexto rural. As funções do tamborileiro estabelecem uma narrativa tradicionalmente definida, independentemente do esvaziamento das funções rituais e da formação musical dos executantes. Como afirmou mestre Bento Figueira: “o tamborileiro faz falta, é o anúncio da Festa”, e desta forma cumpre a função de reordenar o tempo festivo e restabelecer, simbolicamente, a relação dos homens e das mulheres com os ciclos da natureza, como herança cultural preservada.

Aceda AQUI ao artigo completo.

Luís Piçarra, cantor, de Moura
Músicos naturais do Concelho de Moura

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Luís Piçarra (cantor, 1918-1999)
  • Maria do Carmo “Alta” (cantora, 1895-1964)

Luís Piçarra

Luís Piçarra, cantor, de Moura

Luís Piçarra, cantor, de Moura

Luís Piçarra foi um dos mais populares e cosmopolitas cantores portugueses de meados do século XX. Nasceu em Moura, em 1917, e morreu em Lisboa, na Casa do Artista, em 1999. Com atributos vocais de tenor e formação em canto lírico, participou em diversas óperas e operetas mas foi na música ligeira que se notabilizou.

É ele o intérprete do hino do Benfica, Ser benfiquista. Foi vedeta de projeção internacional nas décadas de 40 e 50, tendo passado cerca de um ano como cantor de corte privativo do Rei do Egito. Pisou palcos de grandes salas e de teatros de ínfima ordem, conheceu a fortuna e a privação. Perdeu a voz em 1971, numa emboscada de guerra, quando viajava no interior de Angola para fazer uma série de espetáculos dirigidos aos soldados portugueses.

Fonte: Alberto Franco

Maria do Carmo “Alta”

Maria do Carmo Fontes Páscoa Bernardo nasceu em Moura em 1885 e faleceu em Lisboa em 1964.

Maria do Carmo “Alta”

Maria do Carmo "Alta", cantora, de Moura

Maria do Carmo “Alta”, cantora, de Moura

Foi a eleva­da estatura que lhe proporcionou a alcunha que a celebrizou, imposta também para a distinguir da sua contemporânea Maria do Carmo Torres. Filha de lavradores, deixou Moura com 3 anos e mudou-se para Lisboa com a família. Na capital foi aprendiza de camiseira na casa Ramiro Leão e mais tarde costureira com atelier próprio. Teófilo Braga, que morava na residência frente à sua, es­timulou-a a cantar canções populares. Com apenas 11 anos, foi uma das primeiras fadistas a cantar em retiros fora de portas. A partir de 1918 dedicou-se mais ao fado, nunca abandonando a sua profissão.

O prestígio como cantadeira ligado à sua personalidade orga­nizada e empreendedora, levou-a a fundar o res­taurante Ferro de Engomar que geriu em conjun­to com Alberto Costa. Foi talvez o primeiro restaurante com elenco privativo, onde se cantava o Fado e onde acorriam figuras importantes de Lisboa. Por vezes acompanhava-se à guitarra, instru­mento que aprendera a tocar com um tio. Apre­sentou-se praticamente em todos os recintos de Fado de Lisboa (Águia Roxa, Caliça, Pedralvas, Nova Cintra, Magrinho, Manuel dos Passarinhos, Bacalhau, Perna de Pau, Quebra-Bilhas, Tia Ele­na, Montanha, Charquinho, José dos Pacatos).

Fez digressões ao Brasil, no­meadamente em 1920, onde permaneceu dois anos e meio. De regresso a Lisboa, preocupou-se em reorganizar o seu atelier, não descurando o fado. Voltou ao Brasil em 1926 e apresentou-se no Cinema Central do Rio de Janeiro. Em 1931 integrou o elenco da opereta História do Fado, apresentada pela companhia Maria das Neves, no Teatro Maria Vitória, juntamente com Ercília Costa, Maria Alice, Maria Albertina e Al­berto Costa. Com esta companhia, desem­penhou o papel de Cesária na opereta Mouraria, no Coliseu dos Recreios. Fez várias parcerias com Alfredo Marceneiro. Maria do Carmo fez parte de uma “troupe” cómi­ca tauromáquica de nome Charlot, Max e D. José, com a qual cantou durante três anos em muitas das praças de toiros do país.

Embarcou novamente para o Brasil em 1934, como figura principal da Embaixada do Fado, que integrava nomes como o guitarrista Armando Freire (Armandinho) o violista Santos Moreira, Maria do Carmo Torres, Filipe Pinto e Joaquim Pimentel. Formou o Grupo Artístico de Fados Maria do Carmo, que integrava Manuel Cascais, Cecília ‘Almeida, José Marques e Armando Machado. Alguns dos Fados do seu repertório mais conhecidos foram, Fado Maria do Carmo, Beijos Venenosos, sendo uma das suas criações o bonito poema de João Linhares Barbosa, “É Tão Bom Ser Pequenino”.

Fonte: Portal do Fado

Igreja matriz de Moura

Órgãos de tubos do concelho de Moura [2]

De acordo com as informações disponíveis, existem órgãos de tubos nas seguintes igrejas do Concelho:

Igreja Matriz de Moura

[ de São João Baptista de Moura [ Paroquial ]

Igreja matriz de Moura

Igreja matriz de Moura

A primitiva matriz de Moura era a Igreja de Santa Maria do Castelo, situada dentro do perímetro das muralhas, sendo até meados do século XV a única sede paroquial da povoação. No entanto, devido ao crescimento populacional da vila alentejana na centúria de Quatrocentos, a matriz foi transferida em 1455, por ordem de D. Afonso V, para a Capela de São João Baptista, situada fora das muralhas. Embora se situasse numa área mais ampla do que a igreja de Santa Maria, a original Capela de São João Baptista, existente já no início do século XIV, não apresentava um espaço interior muito maior do que a primitiva matriz. Como tal foi necessário transformar a Capela das Almas, edificada contiguamente a São João Baptista, na sacristia da nova matriz, alargando assim o corpo da capela. A questão do espaço exíguo da nova matriz só viria a solucionar-se no início do século XVI, quando cerca de 1502 D. Manuel mandou edificar de raiz um novo templo, de feição manuelina, cuja planimetria obedece ao modelo utilizado na época em todo o país. A autoria do projeto permanece em aberto, sabendo-se que a direção da fábrica de obras foi entregue ao mestre Cristóvão de Almeida. O templo, de planta retangular disposta longitudinalmente, apresenta um espaço interior dividido em três naves abobadadas, separadas entre si por pilares oitavados, que serão o “primeiro exemplo de pilares desse tipo a ser usado no tardo-gótico português”. A capela-mor, também de planta quadrada, é coberta por abóbada de nervuras e as paredes laterais são decoradas com azulejos polícromos de manufatura seiscentista. Junto à capela-mor foram edificadas duas capelas colaterais cobertas por abóbada de berço. A do lado do Evangelho, dedicada a Santa Catarina, ocupa o espaço da primitiva Capela de São João Baptista e foi instituída por Calvo Pacheco do Pino, tendo sido sepultados neste espaço D. Filipa de Moura e Frei Diogo Vaz Pascoal. A capela do lado da Epístola, que corresponde ao espaço da antiga Capela das Almas, foi fundada em 1650 e doada por alvará régio a Rui Lourenço da Silva, fidalgo da casa de D. João IV que patrocinou a execução do revestimento azulejar da capela-mor e de ambas as capelas colaterais. Na fachada foi rasgado ao centro o portal principal, que “apresenta uma feição do tardo-gótico internacional, embora com tratamento português”. O conjunto apresenta um rico programa decorativo, formado por relevos de folhagens, boleados, colunas torsas e espiraladas, enquadrando ao centro o escudo de Portugal ladeado por duas esferas armilares, emblemas de D. Manuel. Do lado direito da fachada foi construída a torre sineira, que apresenta no segundo registo um balcão alpendrado com altar de gosto maneirista e inspiração serliana, mandado edificar no terceiro quartel do século XVI por Frei Luís Lopes, um dos curas da igreja. Embora tenha sido planeado no terceiro quartel do século XVI, este varandim foi construído apenas em 1610, tendo como finalidade servir de espaço à realização de celebrações eucarísticas destinadas aos presos da cadeia local, situada em frente à matriz. O seu modelo apresenta evidentes semelhanças com as torres das matrizes de Azurara e Vila do Conde, embora estas não possuam mesa de altar.

Fonte: Catarina Oliveira, IPPAR/2005

Existe na Igreja Matriz de Moura um órgão histórico da autoria de Pascoal Caetano Oldovino, executado em 1755.

Museu Municipal de Arte Sacra de Moura

[ antiga Igreja-Colegiada de São Pedro ]

Museu Municipal de Arte Sacra de Moura

Museu Municipal de Arte Sacra de Moura

A Igreja de São Pedro foi fundada cerca de 1600 pela Colegiada dos Padres de São Pedro, que algumas décadas antes se haviam instalado na vila de Moura. Depois de obtidas as autorizações real e papal, deu-se início à edificação da igreja. A fábrica de obras arrastou-se pela segunda metade do século XVII, sendo concluída em 1674, segundo atesta a data inscrita no portal. O templo apresenta um modelo de gosto maneirista erudito, de linhas sóbrias e clássicas, atribuído ao arquiteto João de Morais. De planta retangular disposta longitudinalmente, é composto pelos volumes da nave e da capela-mor, justapostos, e da sacristia, adossada do lado do Evangelho. A fachada principal, de pano único dividido em dois registos, apresenta ao centro portal de moldura retangular, encimado por frontão interrompido com nicho, que alberga a imagem de São Pedro. Sobre este foi rasgada uma janela de moldura retangular. O conjunto da fachada é rematado em empena. As fachadas laterais denunciam a disposição dos tramos da igreja, que correspondem à disposição dos contrafortes. O espaço interior do templo é de nave única, marcada por três tramos que assentam sobre pilastras toscanas e coberta por abóbada de arestas. As paredes laterais são revestidas com painéis de azulejo policromos de padrão seiscentistas, sendo este conjunto considerado “um dos mais notáveis exemplares do Alentejo”. O coro-alto assenta sobre uma abóbada rebaixada, ocupando o espaço do primeiro tramo da nave. O espaço do sub-coro é decorado com pintura policroma de motivos de brutesco , com anjos, cartelas, e folhas de acanto que integram ao centro um medalhão com a representação da Pesca Miraculosa . Este programa decorativo é da autoria de Pedro Figueira, pintor local considerado na época “um verdadeiro especialista de decorações brutescas”, que o terá executado nos últimos anos de Seiscentos. Em 2004 a Igreja de São Pedro, que durante a década de 90 do século XX funcionou exclusivamente como capela mortuária, passou a albergar o Museu de Arte Sacra de Moura.

Fonte: Catarina Oliveira, IPPAR/2005