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Maria Albertina, cantadeira, de Ovar
Músicos naturais do Concelho de Ovar

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Ângela Lopes (compositora)
  • Ascendino Silva (maestro)
  • Manuel Carvalho (clarinete)
  • Maria Albertina (cantora, 1909-1985)

Maria Albertina

Maria Albertina, cantadeira, de Ovar

Maria Albertina, cantadeira, de Ovar

Ascendino Silva

Ascendino Silva nasceu em Ovar a 16 de outubro de 1980. Iniciou os estudos musicais aos 8 anos, na Banda Filarmónica Ovarense, em clarinete, passando a integrar o corpo musical em dezembro de 1989. Em 1993 ingressou no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Aveiro, na Classe de Clarinete, tendo prosseguido os estudos na Academia de Música do Orfeão de Ovar, e posteriormente no Conservatório de Música de Vila Nova de Gaia, tendo trabalhado com os professores Nelson Aguiar, Fernando Rainho, Arménio Pinto, Isabel Silva, Manuel Carvalho e Luís Silva. No âmbito do sistema de ensino Yamaha Classband, do qual é Professor Certificado desde 2012, a convite da Junta de Freguesia de Maceda, implementou o referido sistema de ensino, o qual deu origem à atual Orquestra de Sopros de Maceda, da qual é Diretor Artístico e Maestro. Frequentou diversos estágios, workshops e classes de aperfeiçoamento, onde teve a possibilidade de trabalhar com vários professores e maestros. Destaca-se o Curso Internacional para Jovens Músicos promovido pelo INATEL em 1997 na cidade de Viseu, onde trabalhou com José Monteiro, Agostinho Caineta, Tristão Nogueira, Fátima Juvandes, Luís Rego e Paulo Lameiro, entre outros.

Em 2000 foi um dos fundadores da Orquestra Ligeira da Banda Ovarense, desempenhando desde então as funções de Maestro. Em 2003 ingressou na Policia de Segurança Pública, tendo posteriormente integrado a Banda da PSP do Comando Metropolitano do Porto, onde desempenhou as funções de clarinetista até 2014. Por convite da Direção, em agosto de 2011, iniciou as funções de Diretor Artístico e Maestro da Banda Filarmónica Ovarense (BFO), tendo dirigido várias performances musicais, onde se destacam “Filarmónica Extravagante”, com os UXU KALHUS, as aberturas do carnaval de Ovar de 2014 a 2017, com o Maestro Tim Steiner e Ricardo Batista, numa coprodução Onda Amarela e Câmara Municipal de Ovar; e com a ACERT – Associação Cultural e Recreativa de Tondela, sob a Direção Artística do Ator Pompeu José. Ainda na qualidade de Diretor Artístico e Maestro da BFO, destaca-se o projeto artístico D’Ovar Pr’Ovar, do qual foi o mentor, tendo assumido todo o processo criativo e produtivo, resultando em varridíssimas parcerias com músicos, artistas e Associações, numa fusão com a Banda, sendo de realçar as participações do Tenor Sérgio Sousa Martins, o Pianista Miguel Silva, os Trompetistas Manuel Luís Azevedo e Jorge Almeida, a Fadista Patrícia Costa.

Em 2015, foi o mentor do projeto BASS PHILHARMONIC OWARENSE, numa fusão BFO e o coletivo de DJ’s Owar Bass Warriors, tendo tido a sua apresentação em 24 de julho de 2015. Foi ainda mentor de produções como “Despique”, numa fusão entre a BFO e o agrupamento “Pevides de Cabaça”, numa performance construída de raiz em parceria com o Compositor e Arranjador Rui Lima. Foi diretor pedagógico da Escola de Música da Banda Filarmónica Ovarense de 2010 a 2018, tendo sido responsável pela implementação de todo o processo administrativo, inexistentes até então, bem como pela criação de conteúdos programáticos no âmbito das classes lecionadas. Na área financeira, entre 2015 e 2018, foi responsável pela autossustentabilidade da Escola, invertendo os consecutivos resultados negativos até então. Além de professor, é diretor Artístico e maestro da Banda Sinfónica de Ovar e da Orquestra de Sopros de Maceda, acumulando com as funções de diretor pedagógico da Fusa – Academia de Música e da Classband Maceda.

Manuel Carvalho

Manuel Augusto da Silva Carvalho nasceu em Ovar. Iniciou os estudos musicais com seu pai, Fausto Carvalho, prosseguindo-os no Conservatório Nacional de Lisboa na classe de Vladimir Stoyanov, Jaime Carriço e Rui Martins. Admitido na ESMAE, na classe de António Saiote, trabalhou com Luís Silva e Carlos Alves, concluindo o Curso Superior de Clarinete, com o grau de Bacharel, apresentando-se no recital final com obras de Pierné, Schumann, Penderecki e Weber. Em 1999 concluiu a Licenciatura em Clarinete na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Instituto Politécnico do Porto, na Classe de António Saiote.

Manuel Carvalho

Manuel Carvalho, clarinete, de Ovar

Manuel Carvalho, clarinete, de Ovar

Em 2003 foi admitido na Universidade de Aveiro no Mestrado em Música, Área de Performance Investigação em Clarinete, tendo como professor de clarinete Alain Damiens. Em 2006, defendeu a Tese de Mestrado na Universidade de Aveiro, subordinada ao tema: “A ópera como paradigma no Grande Duo Concertante de Weber”, sendo-lhe conferido o grau de Mestre em Música.

Fez seminários, cursos livres e classes de aperfeiçoamento de Clarinete, na Escola Superior de Música do Porto, no Conservatório Regional de Setúbal, no Conservatório Nacional de Lisboa, no Conservatório do Porto e na Universidade de Aveiro, com António Saiote, Alain Damiens, Guy Deplus, Howard Klug, Henri Bok, Kalio Miulberg, Luís Silva, Manuel Jerónimo, Michel Arrignon, Paul Meyer, Philippe Cuper e Walter Boeykens, de Anatomia e Fisiologia da Respiração para cantores e instrumentistas, pelo Prof. Doutor Diogo Pais (docente da Faculdade de Ciências Médicas da U.N. de Lisboa), sobre a respiração diafragmática com Hugues Kestman na ESMAE e, sobre palhetas e boquilhas, com Jean Paul Gauvin (Vandoren). Fez Curso Livre de Música Electrónica com Eduardo Patriarca e de Direcção de Banda com Jacinto Montezo.

Como solista atuou na Orquestra Ligeira do Exército, Bandas de Música da ex-Guarda Fiscal e da Guarda Nacional Republicana, bem como nas Orquestras do Conservatório Nacional e da ESMAE, Conservatório de Fornos e de Jovens do Concelho da Feira. Colaborou com algumas das orquestras portuguesas, bandas militares e filarmónicas como instrumentista convidado, bem como com agrupamentos de música de câmara. Foi membro fundador da Orquestra Invicta, sob a direção de António Saiote.

Interpretou em público grande parte do repertório escrito para Clarinete, abrangendo as obras mais significativas até ao século XX, com acompanhamento de Orquestra, Banda Militar, Piano, ou a Solo, nos mais importantes palcos e salas do País, onde se destacam as atuações em Lisboa, nos Teatros de S. Carlos, Trindade e S. Luís, os Cine-Teatros de Vila Franca de Xira, Ovar, Conservatórios e Academias de Almada, Conservatório Nacional de Lisboa, Porto, Coimbra, Castelo Branco, Espinho, Castelo de Paiva, Fornos, Feira, Paços de Brandão, Ovar, Conservatório Calouste Gulbenkian; Coliseus de Lisboa e Porto, Casinos da Figueira da Foz, Espinho e Póvoa do Varzim. Concertos em Igrejas de norte a sul do país, Convento dos Lóios em Santa Maria da Feira, Europarque, Claustros do Mosteiro de S. Bento da Vitória, Fórum da Maia, Café Concerto da ESMAE e Casa Jardim, Aula Magna da UTAD, Fundações Engenheiro António de Almeida, Cupertino de Miranda, Casa do médico, Museu do Carro Eléctrico, Auditório de Velas, nos Açores.

Gravou para a RTP e RDP e participou em gravações com alguns dos mais reputados cantores e instrumentistas portugueses.

Foi Professor de Clarinete na Escola de Música do Grupo Musical Estrela de Argoncilhe, no Conservatório de Coimbra e foi Professor de Clarinete, Música de Câmara e Classe de Conjunto no Conservatório de Música de Fornos. Foi Regente da Banda Velha Sanjoanense e Banda de Mateus e Maestro da Orquestra Clássica do Conservatório de Música de Fornos.

Exerceu funções de Direcção Pedagógica e Delegado Coordenador de instrumentos de sopro, respetivamente no Conservatório de Música de Fornos e na Academia de Música de Santa Maria da Feira. É o Mandatário da Associação Portuguesa do Clarinete no Concelho da Feira e Professor de Clarinete, Música de Câmara e Classe de Conjunto nas Academias de Música de Sta Maria da Feira e do Orfeão de Ovar. A sua atividade docente estende-se ao trabalho com Bandas Filarmónicas, através de Master Classes, fazendo chegar a todos os escalões etários a motivação para o estudo deste instrumento. Apresenta-se em público como solista na Banda de Música da GNR, bem como em orquestras e diversas formações de Música de Câmara, tendo vindo a realizar concertos, recitais e classes de aperfeiçoamento, um pouco por todo o País.

Maria Albertina

Nascida em Ovar, Maria Albertina começou por cantar o fado de Coimbra, estreando-se em 1931 como cantadeira no Teatro Maria Vitória na peça História do Fado. Em 1932 obteve o prémio “Guitarra de Ouro” um concurso organizado pelos jornais Diário de Notícias e O Século. Maria Albertina cantou canções regionais na revista Viva a folia!, no Teatro Ginmásio, em 1933, ano em que filmou pela primeira vez, cantando no filme Canção de Lisboa o tema Fado dos beijos quentes, obtendo um enorme sucesso. Inaugurou o “Retiro da Severa” no Luna Parque e em  1934 fez a sua estreia como atriz na revista Vista Alegre, encenando com Carlos Ramos o célebre quadro de Malhoa O Fado.

No decorrer do seu percurso artístico Maria Albertina cantou nos teatros Ginmásio, Maria Vitória, em esperas de touros em Vila Franca de Xira, no Grémio Alentejano e no Maxim’s, no “Solar da Alegria” e no Salão de Chá do “Café Chave d’Ouro”. Atuou também em casas particulares como a da Duquesa de Palmela, do banqueiro Ricardo Espírito Santo e nos palácios do Conde da Torre e de Fontalva. Estes locais foram conciliados com passagens na rádio, casos da Emissora Nacional e Rádio Clube Português. Maria Albertina partiu em digressão pelo Brasil, Argentina, Espanha, E.U.A. e Canadá, apresentando-se em inúmeros palcos, com destaque para a deslocação a Paris, onde, na Exposição Internacional, representou o folclore português, com enorme sucesso e que se traduziu em convites para atuações em duas rádios de Paris.

Como atriz representou, sempre com grande sucesso, para além das revistas já citadas, Viva a folia!, Bola de neve (1935), O Rapa (1935), Sardinha assada (1935), A vara larga (1936), «Feira de Agosto» (1936), «Coração de Alfama» (uma opereta), «Há festa na Mouraria»(1936), «Maria Rita» (1936) e Água vai (1937). Posteriormente entrou no filme Bocage (1936) cantando Bailarico saloio. Em 1941, entrou na Grande Marcha de Lisboa. Na década de 60 foi contratada para cantar no restaurante típico “O Faia” onde permaneceu durante 20 anos. É mãe de Cândido Mota, locutor da Rádio e Televisão. O seu espólio está depositado no Museu Nacional do Teatro

Fonte: Museu do Fado

Igreja Matriz de Ovar
Órgãos de tubos do concelho de Ovar [4]

Além dos 4 órgãos de tubos existentes no Concelho, Ovar merece destaque pelo facto de em Esmoriz ter sede a Oficina e Escola de Organaria, de Pedro Guimarães e Beate von Rohden, que além da construção de pequenos órgãos já fez dezenas de restauros de órgãos históricos por todo o País. De acordo com as informações de que dispomos, os órgãos de tubos existentes no Concelho são os seguintes:

Igreja Matriz de Esmoriz

Igreja Matriz de Ovar

Igreja Matriz de Esmoriz

Edificada em 1892, Igreja Matriz de Esmoriz foi construída sobre as fundações do anterior templo e tem como atributo Nossa Senhora da Assunção. O seu estilo arquitectónico é semelhante às igrejas locais de linhas simples, com uma torre sineira à direita. No interior podemos encontrar o altar-mor com 4 colunas em espiral.

No coro alto, está situado um órgão de tubos da autoria de Augusto Joaquim Claro, executado em 1907, restaurado por António Simões, em 1991.

A Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção de Esmoriz possui um órgão de tubos  da autoria de Augusto Joaquim Claro construído por volta de 1890, restaurado em 1991 por António Simões.

Igreja Matriz de Ovar

Igreja Matriz de Ovar

Igreja Matriz de Ovar

Com origens quinhentistas, a Igreja Matriz de Ovar é o único templo com três naves no concelho de Ovar e o mais antigo, seguindo uma tipologia medieval. Pertenceu ao Cabide da do Porto, o que justifica a interferência de artistas portuenses na elaboração do património artístico. No seu interior existem sete retábulos datáveis entre o século XVII e o século XX, destacando-se os dois colaterais de origens maneiristas e o imponente retábulo-mor de estilo rococó.

Fonte: CMO

A Igreja Paroquial de São Cristóvão de Ovar possui um órgão Bischop & Starr.

Órgão da Igreja Matriz de Ovar

Órgão da Igreja Matriz de Ovar

FOI NOTÍCIA

Uma das peças que mais dignificam o património artístico da Igreja Matriz de Ovar é o pequeno órgão de tubos que se encontra ao centro do coro alto, voltado para a nave central e que foi oferecido à Paróquia, em 1862, por António Ferreira Meneres (filho), um benemérito vareiro que viveu no Porto, onde se dedicava à exportação de vinhos generosos.

Para conhecimento dos nossos leitores e dos curiosos de antiguidades e de assuntos musicais, aqui registamos alguns pormenores históricos e técnicos desse órgão, fornecidos pelo Mestre-Organeiro Pedro Guimarães, de Esmoriz.

Trata-se de um instrumento inglês de meados do séc. XIX, da autoria de Bischop & Starr, como indica uma placa por cima do teclado e outra dentro da caixa de vento. Esta oficina de organaria construía também instrumentos para a Casa Real inglesa. O órgão sofreu, pelo menos, duas intervenções no século XX: em 1944, por Waldemar Ferreira Alves Moreira, e outra nos fins da década de 70, por Mário Santos, um antigo técnico organeiro de Braga então a residir em Ovar (na Ponte Nova).

Neste momento, o instrumento encontra-se ainda totalmente montado, não faltando nenhuma peça significativa. Olhando-o de relance, ressalta à nossa vista um conjunto de tubos denominado Principal de 8 pés, a partir de C2. O sistema de foles, original, encontra-se, em parte, por debaixo do banco do organista, sem ter sofrido alterações.

O órgão possui 1 manual com 54 notas e 6 puxadores (na caixa, frente ao banco), correspondendo 1+2 a M.D.+ M.E. e 3 registos inteiros, tendo como base um Flautado Principal de 12 (na fachada). Encontram-se 2 pisantes na consola para actuar os puxadores dos 4 e 2 pés.

De referir que este instrumento possui um registo inventado por esta oficina: Clarabella 8 pés, que é uma flauta de madeira em que a câmara-de-ar no lábio inferior não se encontra no pé do tubo mas na tampa do próprio lábio inferior.

Os materiais utilizados neste instrumento são pinho fino na caixa e nas partes da mecânica das notas, e mogno no Someiro; os tubos de metal são de uma liga de estanho e chumbo.

O sistema de vento é constituído por 1 fole paralelo com 2 pregas (interior e exterior) e 2 contrafoles, no seu estado original, faltando os pesos do fole. É accionado manualmente por uma alavanca (visível na gravura).

Pensa o referido técnico que este instrumento forma uma unidade e que não deverá ser alterado.

Para a sua recuperação deverão ser efectuados os seguintes trabalhos: Desmontagem, limpeza geral de todas as partes, colocação de peles novas nos foles e montagem de um ventilador eléctrico, reparação de toda a tubaria de forma a que se possa afinar e tenha estabilidade suficiente, e restauro do someiro e mecânica das notas e registos.

Tratando-se de um instrumento de construção sólida, bastante interessante, e que possui muitas características típicas do seu período de construção, vale a pena recuperá-lo.

Não haverá um ou vários mecenas que queiram dar vida a este órgão histórico, continuando a obra benemérita de António Ferreira Meneres (filho)?

ADENDA

Antes deste órgão, oferecido por António Ferreira Meneres e inaugurado em 14/10/1862, houve um outro órgão de tubos que, segundo o Padre Manuel Lírio, em “Monumentos e Instituições Religiosas de Ovar”, estava desmantelado nos meados do século XIX.

Manuel Pires Bastos, Jornal João Semana, 15 agosto 2000

Oficina e Escola de Organaria

órgão positivo  de um teclado manual [ I; (4+5) ] construído pela Oficina e Escola de Organaria, em 1995, opus 12.

órgão positivo de um teclado manual [ I; (4+5) ] construído pela Escola e Oficina de Organaria, em 1999, opus 29.