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Nome Novo, Sinfonia nº. 6 de Jorge Salgueiro
Música dedicada a Palmela

O Nome Novo

É Palmela o Nome Novo.
Podia ser Mar,
Pinhal ou Anjo;
Fraternidade, Liberdade, Chuva, Sol ou Beijo.
Nos seus dedos nasceu a música.
Do pó das terras jorrou o vinho.
As serras pariram ovelhas,
o céu um castelo
e o pintor as maçãs.
Máquinas de ferro voam do Pinhal ao firmamento.
Nascem naves novas nas nascentes digitais do Anjo.
Vamos partir
Rumo ao futuro
A nave é
Palmela.

Nome Novo, Sinfonia nº. 6 de Jorge Salgueiro

Nome Novo, Sinfonia nº. 6 de Jorge Salgueiro

Em Palmela, a cultura, e em particular a música, é parte significativa da estratégia do município para o desenvolvimento sustentável do território.

O Município entende a música como lugar de encontro, fator de diferenciação e de afirmação das identidades culturais vigentes. É pela diversidade de expressões musicais e pela dimensão que o ensino e a prática da música têm neste território, que se afina, mas é também na música que encontra a substância que lhe permite criar percursos, gerar relações e caminhar.

Os recursos culturais, como a música, são elementos distintivos numa cidade: qualificam-na, geram emprego, reforçam a cidadania e a coesão social, (re)afirmam as identidades coletivas.

A criatividade, internacionalmente reconhecida como alavanca essencial para o desenvolvimento urbano sustentável, a par com a inovação e com o conhecimento, é um fator de desenvolvimento sustentável no território, que está presente na estratégia de desenvolvimento do município ao longo das últimas décadas. A música tem no território de Palmela um fantástico ecossistema, que tem gerado gerações de músicos. É um concelho com 62.000 habitantes e com 4 filarmónicas centenárias, o que atesta a vocação musical da nossa população, que não se fica pela filarmonia. São muitos os agrupamentos musicais e associações que fazem da música o seu dia-a-dia, do folclore ao jazz, da música popular à mais erudita.

As escolas de música mais informais, acompanham o notável trabalho desenvolvido pelas escolas das filarmónicas que culminam no conservatório regional, onde as aprendizagens se apuram sob a direção de especialistas dos vários instrumentos.

Em Palmela, o ensino da música é de tal forma transversal, que não se fica pelos tradicionais solfejos do ensino clássico e dá lugar às aprendizagens compassadas dos ritmos das percussões tradicionais, ou dos sons seculares das gaitas de fole. A música é razão e pretexto para encontros e festivais, complementa, ilustra e anima romarias e festas populares e cria momentos únicos quando se liga com os vinhos que também caracterizam esta terra.

Palmela é território onde habita o único Museu da Música Mecânica do país.

A cultura viva de Palmela é o seu ponto de equilíbrio. O seu trabalho é criar oportunidades para revelar, desenvolver e potenciar os talentos existentes. É este o desafio que persegue: potenciar a criatividade local, desenvolvendo o ambiente propício à transformação dessa criatividade em produtos culturais.

Fonte: C.M. Palmela

Rancho Folclórico da Casa do Povo de Pinhal Novo
Folclore em Palmela

Grupos etnográficos, tradições e atividades

  • Rancho Folclórico da Casa do Povo de Pinhal Novo
  • Grupo Folclórico Danças e Cânticos Olhos de Água
  • Rancho Folclórico Os Fazendeiros das Lagameças
  • Rancho Folclórico Os Rurais Lagoa da Palha e Arredores
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Pinhal Novo

O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Pinhal Novo foi fundado a 15 de dezembro de 1986, com crianças. Dois anos depois foi formado o rancho adulto. Teve entre os fundadores, José Pedro Mestre, músico da SFUA, Sociedade Filarmónica União Agrícola do Pinhal Novo, Rosa Ricardo, Deolinda Polido (ensaiadora, era nesses anos um dos elementos do Rancho Folclórico da Palhota e Venda do Alcaide), o pai Francisco Polido e a própria Elsa Pires, como acordeonista. Contaram posteriormente com o ensaiador Acácio Guerreiro, do Rancho das Praias do Sado. Nesses anos os ensaios realizavam-se na Casa do Povo.

CFCPPN

Rancho Folclórico da Casa do Povo de Pinhal Novo

Rancho Folclórico da Casa do Povo de Pinhal Novo

O rancho tem uma sede e conta com apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia.  É membro da Federação do Folclore Português e sócio da Fundação INATEL. Desde 2019 é ensaiado por Chico da Cana e tem cerca de 35 elementos, divididos pelo grupo de dança, pela tocata (acordeão, bilha, cana, ferrinhos, matráculas e pinhas) e cantadores. Participa anualmente no Mercado Caramelo, em maio e nas Festas Populares de Pinhal Novo, organiza o Encontro de gaita de beiços, o Festival de Folclore (adulto) em Julho ao longo de três dias (sendo o festival ao sábado), organizando nesse âmbito no Polidesportivo de Pinhal Novo “noites de fado” ou “encontros de corais” e o Festival de Folclore Infantil. Com exceção dos convites feitos aos fadistas, em que têm despesas com o guitarrista e o “viola”, os grupos convidados participam nas iniciativas do Rancho em regime de permuta. Predominam os elementos femininos.

Grupo Folclórico Danças e Cânticos de Olhos de Água

O Grupo Folclórico Danças e Cânticos de Olhos de Água foi fundado por Salvador Paulino a 13 de agosto de 1983, em Olhos de Água, Quinta do Anjo – Palmela. É ensaiado por Vera Fontes e tem cerca de 32 elementos, divididos pelo grupo de dança (11 pares), pela tocata (2 acordeões, 2 reco-reco, bilha, ferrinhos e cana) e duas cantadeiras (Francília Brinca e Maria Saloio Ratinho) e um cantor (Manuel Gomes Tavares Ratinho). Canta e baila “Valsa Marcada”, “Chora ó Linda”, “Moda do Pezinho”, “Dança da Estremadura”, e outras modas. Organiza anualmente o Festival Nacional de Folclore, no mês de julho e tem como Presidente Casimiro Severino Tavares.

(2019)

GFDCOA

Grupo Folclórico Danças e Cânticos de Olhos de Água

Grupo Folclórico Danças e Cânticos de Olhos de Água

Rancho Folclórico Os Fazendeiros das Lagameças

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Rancho Folclórico Os Fazendeiros das Lagameças

Rancho Folclórico Os Fazendeiros das Lagameças

Rancho Folclórico Os Rurais Lagoa da Palha e Arredores

Rancho Folclórico Os Rurais Lagoa da Palha e Arredores

Rancho Folclórico Os Rurais Lagoa da Palha e Arredores

Rancho Folclórico Os Rurais Lagoa da Palha e Arredores

Museu da Música Mecânica
Museus de Música em Palmela

Espaços museológicos em torno da Música, no Concelho

Museu da Música Mecânica

O Museu da Música Mecânica, com a área de 1.020 m2, consiste numa caixa totalmente fechada, que estabelece certo paralelismo com uma caixa de música. O alçado principal apresenta uma concavidade que traz à memória as campânulas dos fonógrafos e dos gramofones e assinala a entrada do edifício. O visitante terá a oportunidade de entrar nessa grande “caixa de música”, viajar no tempo, explorar e ouvir com grande curiosidade centenas de instrumentos mecânicos, distribuídos por cinco galerias expositivas, dispostas em redor de um pátio central. Uma escadaria e o elevador conduzem-nos à sala documental, ao auditório com 70 lugares ou à sala multiusos.

MMM

Museu da Música Mecânica

Museu da Música Mecânica

Localizado em Palmela, o Museu da Música Mecânica é um projeto do arquiteto Miguel Marcelino. Foi inaugurado a 4 de outubro de 2016 e é um museu privado.

A Câmara Municipal de Palmela aprovou, por unanimidade, na reunião pública de 18 de janeiro de 2017, o Protocolo de Colaboração entre a autarquia e o Museu da Música Mecânica, com o objetivo de dinamizar o seu importante espólio junto da comunidade local e da região, nomeadamente, através de grupos organizados pelo Serviço Educativo do Museu Municipal, e das áreas do Turismo e da Intervenção Social.

Este protocolo reconhece o interesse público municipal do museu e estabelece as condições de acesso da comunidade ao referido equipamento cultural, nomeadamente, com ações didático-pedagógicas para o público escolar sem quaisquer custos para os visitantes ou acessos beneficiados, nomeadamente, no Dia Mundial da Criança e no Dia Internacional do Idoso, apesentando ainda descontos para os portadores do Cartão Municipal Idade Maior e do Palmela Tourist Card.

Inaugurado em outubro de 2016, o Museu da Música Mecânica – instalado em Arraiados, freguesia de Pinhal Novo – constitui a concretização de uma aspiração do seu proprietário, Luís Cangueiro, que remonta a 2005, quando o Município recebeu a exposição “Sons para ver, ouvir e sentir – instrumentos de música mecânica”, na Igreja de Santiago, Castelo de Palmela, iniciativa que constituiu um êxito.

Galeria Nascente

Museu da Música Mecânica, créditos P. Nunes

Museu da Música Mecânica, créditos P. Nunes

Galeria Sul

Museu da Música Mecânica, galeria Sul

Museu da Música Mecânica, galeria Sul

Auditório

Museu da Música Mecânica, auditório

Museu da Música Mecânica, auditório

Coreto da Sociedade Filarmónica União Agrícola de Pinhal Novo
Coretos de Palmela

Pinhal Novo

A primeira pedra, para o coreto, foi lançada a 10 de outubro de 1926, com projeto da autoria de Januário Melícias Corrêa. De formato octogonal, o coreto assenta numa plataforma de pedra lioz (calcário), com as faces almofadadas em mármore e acesso por uma escadaria dupla, cujo patamar apresenta na frente, gravada, a data inaugural «19-6-927». A proteção da escada e do recinto é feita por um gradeamento de ferro forjado que, no remate da escada, apresenta uma lira também em ferro.

Sociedade Filarmónica União Agrícola de Pinhal Novo

Sociedade Filarmónica União Agrícola de Pinhal Novo

Nos ângulos da plataforma, a estrutura é completada por oito colunas de ferro fundido, sobre as quais assenta a cobertura em forma de chapéu arqueado, rematada por uma grelha de ferro fundido com motivos neogóticos, e termina num vértice decorado com enrolamentos de ferro forjado.

A inauguração ocorreu na altura dos santos populares e mobilizou várias entidades e personalidades locais e da região. O imóvel foi apadrinhado pela Sociedade União Setubalense – sendo maestro Ariovisto José Valério -, e fez-se neste contexto uma das primeiras experiências de luz elétrica no concelho de Palmela, facto que suscitou grande curiosidade. Oficialmente, só se inaugurou a iluminação pública elétrica em Pinhal Novo em 1938.

Sociedade Filarmónica Humanitária
Filarmónicas de Palmela

Bandas de Música, história e atividades no Concelho

  • Sociedade Filarmónica União Agrícola de Pinhal Novo
  • Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros”
  • Sociedade Filarmónica Humanitária
  • Sociedade de Instrução Musical da Quinta do Anjo
Sociedade Filarmónica União Agrícola de Pinhal Novo

A Sociedade Filarmónica União Agrícola de Pinhal Novo (S.F.U.A.) foi fundada a 6 de dezembro de 1896.Teve, como primeiro regente, o músico de Palmela Henrique Isidoro da Costa. Nessa época já existiam duas Bandas em Palmela e Moita. Não há documentos sobre a fundação, o que se deve a acontecimentos políticos, com mudanças, reparações e ampliações da sede ou, ainda, com cisões e desentendimentos que empobreceram os arquivos. Entre 1914 e 1917, a vida da coletividade se confunde com a de outra, chamada “Grupo Dramático 1º de Julho”, havendo mesmo um relato de uma fusão em 07/01/1917, de que teria resultado uma nova agremiação chamada “Grupo Dramático União Agrícola”.

Em 16/07/1922, foi estreado um estandarte onde aparece a designação “Sociedade União Agrícola”, designação que subsistiu durante algum tempo. Em 1923, realizou-se uma Assembleia Geral, onde ficam aprovados, provavelmente, os primeiros estatutos e onde surge já a atual denominação “Sociedade Filarmónica União Agrícola”. Os estatutos, ou melhor, esse Regulamento Geral – só seriam, no entanto, aprovados pelo Governo Civil de Lisboa, que na altura tinha autoridade sobre a região, em 1925. Em 1924 deu-se uma cisão de que resultaria uma nova coletividade, a “Sociedade Musical Capricho Popular Pinhalnovense”, que desapareceria poucos anos mais tarde.

Foi convidada pela Sociedade Filarmónica Estrela Moitense para abrilhantar uma corrida de touros em 1925. Consta-se que muitos dos primeiros executantes já seriam músicos experimentados nas bandas dos arredores, e que o seu primeiro Maestro vinha de Palmela a pé, para fazer os ensaios. Um testemunho curioso de um dos mais prestigiados membros da nossa coletividade, Benardino da Cruz Curado, falecido em 1982, garantia que o primeiro instrumental da Banda teria sido oferecido pelo Conde de Burnay a troco de apoio político em eleições que se teriam realizado.

A SFUA foi diplomada pela Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio em 1956, e condecorada com a medalha de prata por esta instituição. Foi ainda declarada instituição de utilidade pública. A Banda têm cerca de 47 elementos com idades entre os 12 e os 70 anos, sendo a maioria abaixo dos trinta. Para dar continuidade a esta Banda existe a Escola de Música com uma regularidade de 20 a 25 alunos, sendo administradas aulas por sete professores, incluindo o seu maestro. Com uma média de 20 a 30 serviços por ano, têm levado o nome da SFUA, da Freguesia do Pinhal Novo, do Concelho de Palmela, e de Portugal, a tantos e tantos locais do estrangeiro, Continente e Ilhas.

Em 1985, com o maestro Juvenal Loureiro Marques, conquistou o maior galardão do seu historial: o 1º lugar no concurso da EDP – Grupo B – Zona Sul. Entre as inúmeras atuações, regista-se, em 1979 em Ayamonte (Espanha) e, em 1999, uma digressão ao Açores. Foram seus maestros, (outros houve sem registo): Henrique Isidoro da Costa (principal organizador da Banda), Cipriano, António Maria de Almeida, Eugénio dos Santos Castro, Dias Montesinho, António Félix Cavaco, Pinto de Sousa, Juvenal Loureiro Marques, José Marquês, Manuel Pancão Cola. É seu maestro, desde 2018, Pedro Almeida.

Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros”

A Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros” nasceu em 1852.  Os Loureiros têm-se apresentado na região e por todo o País e, por vezes, no estrangeiro (Espanha, França, Áustria, Holanda, Bélgica).

SFPL

Sociedade Filarmónica Palmelense "Loureiros"

Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros”

SFPL

Sociedade Filarmónica Palmelense "Loureiros"

Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros”

Sociedade Filarmónica Humanitária

A Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária, sediada em Palmela, foi fundada em 1864. Tem-se apresentado em Portugal e no estrangeiro. Do seu palmarés destaca-se o 1º prémio no Concurso das Banda Civis de Portugal (1947); a participação no Dia de Portugal na EXPO’92 em Sevilha; a conquista do 2º e do 3º Prémio no Certame Internacional de Bandas de Música de Valência (1992 e 1993); a participação no 3º Concurso Bandístico Internacional Fliscorne D’Oro em Riva Del Garda (1995), em Itália; a atuação na EXPO’98 em Lisboa na semana do encerramento; o 3º Prémio da 2ª Categoria no 3º Concurso de Bandas do Ateneu Artístico Vilafranquense; e inúmeras participações em encontros de bandas civis e atuações por todo o País. A Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária continua a ter uma ação preponderante na vida cultural de Palmela, representando a sociedade e o concelho nos mais diversos pontos do país e da Europa. Conta com cerca de 75 elementos, com a direção artística de João Quítalo.

SFH

Sociedade Filarmónica Humanitária

Sociedade Filarmónica Humanitária

(2015)

Sociedade de Instrução Musical da Quinta do Anjo

A Banda da Sociedade de Instrução Musical (SIM) da Quinta do Anjo, Concelho de Palmela, teve origem num grupo de jovens músicos daquela localidade (Quinta do Anjo), que formaram, em data anterior à implantação da República (1910), um agrupamento musical com instrumentos de cordas, designado de “Solidó”. Com o envolvimento de Portugal na 1ª Guerra Mundial (1914-1918), vários elementos do grupo musical foram mobilizados e o “Solidó” sucumbiu, mas após a 1ª Grande Guerra, uma nova onda de entusiasmo levou à formação em 1919 de um novo grupo, desta vez designado de “Grupo de Instrução Musical” que já dispunha de instrumentos de sopro e de uma vistosa farda.

Em 1921, foi organizada formalmente a coletividade, no dia 24 de junho, com a designação de Sociedade de Instrução Musical, que se mantém. Da atividade da Banda Filarmónica, além das atuações realizadas de Norte a Sul de Portugal, destaca-se a sua participação nos concursos de Bandas Filarmónicas organizados pela FNAT (atual INATEL), onde, sob a batuta do Capitão Pinto Rodrigues, conquistou nos anos de 1960 e 1971, o 1º prémio na 2ª categoria.

Ao longo da sua história, a Sociedade manteve várias atividades recreativas e culturais, paralelamente à Banda Filarmónica, à Orquestra Ligeira e à Banda juvenil designada carinhosamente de “Bandinha” que foi criada no inicio da década de 1980 e que serve de escola de música da Banda.

SIM

Sociedade de Instrução Musical da Quinta do Anjo

Sociedade de Instrução Musical da Quinta do Anjo

Desde o ano 2000, a Banda da SIM é dirigida pelo Maestro Joaquim Fragoso da Silva, que é também o responsável pela escola de música da Sociedade. Em 2001, a Banda deslocou-se ao estrangeiro onde realizou, em Estrasburgo, diversas atuações em representação de Portugal.

Jorge Salgueiro, compositor, de Palmela
Músicos naturais do Concelho de Palmela

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis tem como objetivo aproximar dos munícipes os músicos e o património musical.

Armando Martins

Armando Martins, trompa, de Palmela

Armando Martins, trompa, de Palmela

Jorge Salgueiro

Jorge Salgueiro, compositor, de Palmela

Jorge Salgueiro, compositor, de Palmela

Jorge Salgueiro

Jorge Salgueiro, natural de Palmela, compõe desde os 14 anos e conta com uma obra vastíssima, onde se contam óperas, sinfonias, música para orquestra, banda, coro, teatro e cinema. Compositor residente da Banda da Armada Portuguesa entre 2000 e 2010, é, atualmente, compositor residente da Foco Musical e membro da direção artística do Teatro O Bando.

FOI NOTÍCIA

Em 2016, no âmbito das comemorações do Dia do Concelho, o Cine-teatro S. João foi palco, a 4 de junho, às 22 horas, da “Sinfonia Palmela”, obra musical da autoria de Jorge Salgueiro. Além de procurar refletir a identidade do território, o compositor encontrou, também, inspiração na realidade musical do concelho, marcada pelo grande dinamismo das filarmónicas, e nas características únicas da sala de espetáculos.

Depois de, em 2015, terem sido apresentados os quatro primeiros andamentos – “Do mar até cá”, “Os sinos de Santiago”, “O lugar dos anjos” e “A viagem da máquina de ferro” – este ano, junta-se-lhes o 5.º andamento, dedicado à freguesia de Poceirão. Participaram as bandas da Sociedade Filarmónica Humanitária, da Sociedade Filarmónica Palmelense “Loureiros”, da Sociedade Filarmónica União Agrícola e da Sociedade de Instrução Musical, a Orquestra Nova de Guitarras e a Orquestra de Cordas do Conservatório Regional de Palmela.

No total, seriam 150 músicos em palco, acompanhados pelas sopranos Isabel Biu e Lucina Morais. O projeto fica concluído em 2017, com a inclusão de coros e a estreia do andamento final. A organização foi da responsabilidade do Município de Palmela, com o apoio das empresas Casa Ermelinda Freitas, Vinhos, lda. e SLEM – Sociedade Luso Espanhola de Metais, Lda., ao abrigo do programa “Mecenas de Palmela”, e da Associação da Rota de Vinhos da Península de Setúbal/Costa Azul.

BANDAS FILARMÓNICAS

Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária de Palmela

A Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária foi fundada em 1864. Do seu palmarés destaca-se o 1º prémio no Concurso das Bandas Civis de Portugal (1947); a participação no Dia de Portugal na EXPO’92 em Sevilha; a conquista do 2º e do 3º Prémio no Certame Internacional de Bandas de Música de Valência (1992 e 1993); a participação no 3º Concurso Bandístico Internacional Fliscorne D’Oro em Riva Del Garda (1995), em Itália; a atuação na EXPO’98 em Lisboa na semana do seu encerramento; o 3º Prémio da 2ª Categoria no 3º Concurso de Bandas do Ateneu Artístico Vilafranquense; e inúmeras participações em encontros de bandas civis e atuações por todo o país.

A Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária continua a ter uma ação preponderante na vida cultural de Palmela, representando a sociedade e o concelho nos mais diversos pontos do país e da Europa. Conta com cerca de 75 elementos, sob a direção artística de João Quítalo.

BSFHP

Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária de Palmela

Banda da Sociedade Filarmónica Humanitária de Palmela

Sociedade Filarmónica Palmelense (Loureiros)

Fundada em 1852, com a finalidade de criar uma “Phylarmonica Marcial”, a Sociedade Filarmónica Palmelense tomou desde logo o epítote de Sociedade dos Morgados em virtude de os seus fundadores serem pessoas gradas em Palmela. Em 1864, em consequência de divergências internas de natureza política, alguns elementos fundaram uma outra coletividade. Os sócios que ficaram na sociedade velha passaram a ser conhecidos por “Loureiros” devido ao facto de terem erigido um arco triunfal de louro para receberem um candidato a deputado que em campanha eleitoral visitou Palmela em busca de Votos, cuja cor politica não era a mesma dos dissidentes. Devido a estes acontecimentos a Sociedade dos Loureiros suspendeu a sua atividade musical, retomada 1867.

Apesar de ter atividades diversas (teatro declamado e musical, atividades de natureza desportiva e outras de âmbito cultural), a Música, quer pela Banda e agrupamentos derivados e, mais modernamente, pelos Grupos Corais, constituiu desde sempre a atividade principal dos Loureiros de Palmela. No seu todo, a atividade da Sociedade foi compilada no livro “S.F.P. Loureiros 150 anos de história”.

A banda marcial constituída pelos fundadores da Sociedade apresentou-se pela primeira vez em 29 de Junho de 1853, isto é, cerca de oito meses depois da sua criação, desfilando a tocar uma marcha do seu maestro, José Cipriano Arronches (também um dos fundadores) até à Igreja de S, Pedro de Palmela onde estreou o seu Hino, também da autoria do seu maestro; este hino, revisto em 1935 pelo tenente chefe de banda Francisco Vila Nova, então o regente da Banda da Sociedade, continua a ser um dos símbolos musicais dos Loureiros. Foram 21 os amadores que iniciaram a atividade musical da Sociedade a que, um pouco mais tarde, se juntaram outros 12. Não se conhece, todavia, a constituição instrumental deste grupo de 33 músicos, embora se possa referir que o seu repertório seria constituído por marchas de desfile e de procissão, trechos de carácter ligeiro como polcas, mazurkas e Valsas e, também, músicas para acompanhar as missas.

A atividade da banda era, pois obviamente lúdica. Por volta de 1923 estava já consolidada a formação instrumental da Banda que correspondia ao agrupamento musical que, modernamente, se designa por “pequena banda” cujo instrumento mais agudo era a requinta e o mais grave a tuba em si b, passando pelo quarteto de saxofones, pelos fliscornes e trompetes, pelos saxtrompas, trombones de pistons e barítonos; a percussão a que se chamava “bateria”, era bastante básica: caixa, bombo e pratos (por volta dos anos 50 a Banda passou a dispor de um par de tímpanos).

SFPL

Sociedade Filarmónica Palmelense (Loureiros)

Sociedade Filarmónica Palmelense (Loureiros)

A atividade da Banda, na primeira metade do século XX, revestia pois a forma comum às outras bandas do nosso País: abrilhantar festas e romarias com concertos procissões, arruadas e peditórios, sendo o repertório dos concertos constituído quase exclusivamente por transcrições orquestrais e uma ou outra peça original para banda o que demonstra já uma preocupação de ordem cultural.

Em 1960 a Banda dos Loureiros participou na 1ª eliminatória do 1° Concurso Nacional de Bandas Civis, organizado pela FNAT, tendo ascendido à 2ª eliminatória que se realizou em Maio daquele ano. A injusta exclusão da Banda dos Loureiros (bem como de outras duas bandas, sendo uma de Palmela e outra do Montijo) da fase final, a realizar em Lisboa, levantou grande celeuma, tendo a imprensa da época comentado indignadamente as arbitrariedades cometidas pela organização. Em jeito de consolação, refletindo a sua má consciência, a entidade organizadora convidou as três bandas injustiçadas a participarem num troféu especialmente instituído para o efeito, Claro que as três sociedades recusaram participar. Em 1968 a FNAT levou a efeito novo Concurso, tendo a Banda dos Loureiros, em vista dos antecedentes, decidido não participar.

A atividade da Banda dos Loureiros entrou em declínio no inicio dos anos 70, chegando-se a temer a sua suspensão (na decorrência deste sentimento foi criado o Grupo Coral dos Loureiros tendo como objetivo, além de outros, manter a atividade musical na Sociedade). Tal, porém, não aconteceu mantendo-se a atividade embora com algumas deficiências, nomeadamente o número reduzido de elementos, alguns de idade bastante avançada. Em consequência, a Banda marchou pela última Vez em 25 de Outubro de 1972 assumindo-se a partir dessa data, apenas como banda de concerto. O ambiente social da época em 1974 propiciou uma aprofundada reflexão sobre o papel das banda de música em geral e da Banda dos Loureiros em particular, que conduziu à tomada de disposições necessárias à continuidade desta. Assim foi crida a Escola de Música da Banda sob a direção do maestro José Eduardo Ferreira com a colaboração de vários elementos da Banda. Nos primeiros anos da democracia a Banda colaborou em sessões de esclarecimento levadas a cabo pelo MFA com um espetáculo diversificado em que se apresentava completa e com uma Orquestra ligeira, com o Grupo Coral e com conjuntos de música de câmara. Na vida da Banda, a reflexão atrás mencionada assumiu elevada relevância na forma de “ser” banda.

Assim, nos objetivos a que se devia propor, assente que a Banda dos Loureiros deveria servir primordialmente os associados, contribuindo para a sua educação permanente. O principal significado deste objetivo foi o de assumir o papel de “banda de concerto” determinando-se não aceitar convites para atuações em festas e romarias se não fossem asseguradas boas condições de audição, iluminação e ambiente que conferissem dignidade artística à apresentação da Banda No que se referia ao repertório, dever-se-ia insistir na sua modernização, com preferência por obras compostas originalmente para Banda, sem, não obstante, repudiar as transcrições que constituíam a anterior base de música para banda. Com estas medidas a banda ganhou novo alento e assegurou a sua continuidade, tornando-se no organismo cheio de vitalidade que ainda é, anotando-se que faz em média, em Palmela, no mínimo 4 concertos por ano sempre com repertório renovado. Releva-se a participação no 1° Festival de Música Popular organizado pelo INATEL, em 1979.

A década de 80 foi de grande atividade. O seu instrumental antiquado e de fraca qualidade foi substituído por instrumental novo e mais completo com apoio da Secretaria de Estado da Cultura.

Em 1981, a Banda dos Loureiros apresentou-se no Teatro da Trindade, em Lisboa, convidada pelo INATEL, realizando um concerto dirigido pelo Maestro Alves Amorim integrado no Festival para proclamação dos premiados do Certame de Composições Musicais para Bandas e Coros, organizado por aquela Instituição. Ainda a convite do INATEL a Banda participou, em 1983, no II Festival de Música Popular efetuando um concerto no Teatro da Trindade.

Em 1984, a Fundação Gulbenkian convidou a Banda a inaugurar a 1ª temporada de concertos no seu Auditório ao Ar Livre, em Lisboa. A Banda dos Loureiros foi, portanto, a primeira Banda portuguesa a apresentar-se na Gulbenkian. Ainda neste ano, deu-se a participação na lª fase (a nível de Centros de Distribuição) do Festival EDP de Bandas de Música (Grupo A). O mérito da sua atuação permitiu-lhe ser convidada para se exibir na 2ª fase (a nível de Regiões de Distribuição), o que ocorreu em Julho de 1985. No decurso de 1986 foi completada a troca de instrumentos com a Secretaria de Estado da Cultura, sendo ainda de anotar que, mais uma vez a convite do INATEL, a Banda realizou, em Dezembro, um concerto no Teatro da Trindade, em Lisboa, integrado nos concertos dominicais daquela Instituição.

Nesta década, deslocou-se a Viena de Áustria, a convite do INATEL para participar na 10ª Festa da Música de Conjuntos Instrumentais de Sopro em representação de Portugal. O programa desta Festa incluía, além de concertos – em que a Banda apresentou, música portuguesa- um desfile em conjunto com restantes participantes oriundas dos Estados Unidos da América, de França, da Alemanha, da Dinamarca, do Luxemburgo, da Hungria, além de 29 bandas austríacas. Na ocasião a Televisão Austríaca (ORF) gravou uma das peças portuguesas que foi incluída num documentário sobre Palmela que na altura transmitiu.

Na década seguinte, em Julho de 1994, importa referir a participação no Certamen de Música de Valência, onde a Banda concorrendo na categoria de “até 70 músicos”, obteve um honroso terceiro prémio. Esta deslocação foi antecedida por um concerto no Centro Cultural de Belém, por convite do Banco de Fomento Nacional (banco, mais tarde, absorvido pelo BPI); em 1997, houve uma deslocação a Madrid (Espanha) onde a Banda realizou um concerto oferecido pela delegação local do Banco Espírito Santo aos seus clientes espanhóis. Questão importante para a Sociedade, foi o reconhecimento e a atribuição pelo Governo do Estatuto de Utilidade Pública, em 1990, ostentando ainda a Sociedade a comenda da Ordem de Benemerência que lhe foi atribuída a quando do centenário em 1952. Já no ano 2000 a Banda deslocou-se a Badajoz (Espanha) onde realizou um concerto integrado no XVII Festival Ibérico de Música. Em 2002 realizaram-se as comemorações do 150º Aniversário da Sociedade, tendo a Banda realizado um concerto cujo programa incluiu a estreia absoluta da Cantata “Ode a Euterpe”, para banda, coro e solista vocal que foi dirigida pelo autor, Jorge Salgueiro.

Neste séc. XXI manteve-se o nível habitual de atividades com conceitos regulares quer em Palmela (no mínimo 4), quer acedendo a convites de outras Instituições congéneres portuguesas e de Espanha. Em 2008 a Sociedade começou a organizar ”estágios” com base na nossa banda para os quais são convidadas outras bandas a enviarem jovens músicos formando-se uma banda de grandes dimensões que, depois de trabalhar durante alguns dias repertório normalmente muito exigente, sob a direção de prestigiados maestros convidados, se apresenta em concerto público. Em 2012, realizar-se-ia o 5° Estágio dirigido  por Felix Hauswirth; o 4° Estágio, com uma banda de 130 músicos, foi orientado por Mark Heron, maestro inglês, que preparou e dirigiu um programa e música de compositores ingleses e por Pedro Ferreira, maestro dos Loureiros que dirigiu uma peça portuguesa (Primavera, de Jorge Salgueiro); os anteriores estágios foram dirigidos por Fernando Palacino (o 1°), Alberto Roque (o 2°) e Paulo Martins (o 3°) sempre coadjuvados pelo maestro da Banda dos Loureiros. Neste ano de 2012, além da participação no 5° Estágio que organiza, releva-se como atividades de mérito quer a participação no Concurso de Bandas do Ateneu Vilafranquense, quer a comemoração do 160“ aniversario da Sociedade a ocorrer em 25 de Outubro.

A Sociedade ostenta as seguintes condecorações: Cavaleiro da Ordem da Benemerência outorgada pelo Presidente da República em 1952, Medalha de Reconhecimento e homenagem da Federação das Coletividades de Educação e Recreio, em 1852. Medalha de Instrução e Arte da Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio, em 1957. Medalha de Honra da Câmara Municipal de Palmela em 2005. Desde 1990, é Pessoa Coletiva de Utilidade Pública.