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Escola de Artes do Norte Alentejano - Conservatório de Portalegre
Escolas de Música em Portalegre

Estabelecimentos do ensino especializado de música no Concelho. Em geral, as bandas filarmónicas também possuem a sua escola de música: veja ao fundo informação sobre as bandas de música do Concelho.

Escola de Artes do Norte Alentejano – Conservatório de Portalegre

7300-092 Portalegre
Sítio: www.eanap.com.pt

O Conservatório de Portalegre foi criado em 1987, inicialmente sediado no Palácio Amarelo e posteriormente, na igreja da Misericórdia, ambos em Portalegre, local onde se encontra atualmente. É uma instituição de natureza privada, de serviço público, que tem como principal atividade o Ensino Artístico Especializado da Música.

Escola de Artes do Norte Alentejano - Conservatório de Portalegre

Escola de Artes do Norte Alentejano – Conservatório de Portalegre

Escola de Música da Banda Euterpe

Sociedade Musical Euterpe de Portalegre
Rua Bairro Ferreira Raínho
Antiga Escola Primária
7300-077 Portalegre
Correio eletrónico: euterpe@euterpeportalegre.pt
Correio eletrónico: trupeeuterpe@euterpeportalegre.pt
Correio eletrónico: escola@euterpeportalegre.pt
Correio eletrónico: producaocomunicacao@euterpeportalegre.pt

Às bandas filarmónicas está geralmente associada uma escola de música. Estes espaços foram ao longo de décadas a única forma de aprender música e ter a possibilidade de atuar e colocar em prática todo o conhecimento adquirido. A Euterpe conta desde 1894 com a sua própria escola, de onde saíram centenas de músicos.

Garantir, de um modo acessível, um ensino mais completo e de maior qualidade, bem como promover a entrada de novos músicos para a Banda, são os grandes objetivos que levaram a Escola de Música a sofrer várias mudanças ao longo dos anos. A última ocorreu em 2014, com a reorganização da estrutura de trabalho e criação de novas modalidades de ensino.

Tal como a Banda, a Escola de Música conta com a direção do maestro Carlos Almeida e tem atualmente cerca de 40 alunos. A oferta é variada, possibilitando a integração de alunos de qualquer faixa etária numa das modalidades disponíveis.

Para além da audição anual e da progressiva integração dos alunos nas diferentes classes de conjunto e na Banda Euterpe, o planeamento anual prevê ainda a participação dos alunos em atividades conjuntas com os restantes grupos de trabalho da Euterpe.

Grupo Académico de Serenatas de Portalegre
Tunas de Portalegre

História, grupos e atividade tunística no Concelho

  • Grupo Académico de Serenatas de Portalegre
  • T.A.P. – Tuna Académica de Portalegre
  • Tunapapasmisto
Grupo Académico de Serenatas de Portalegre

Tlm. (+00 351) 927 943 775

Correio eletrónico: serenatasemportalegre@hotmail.com

Grupo Académico de Serenatas de Portalegre

Grupo Académico de Serenatas de Portalegre

T.A.P.

Tuna Académica de Portalegre

Tuna Académica de Portalegre

Tuna Académica de Portalegre

Tunapapasmisto

Tuna do Instituo Politécnico de Portalegre

Correio eletrónico: tunapapasmisto@hotmail.com

Tunapapasmisto

Tunapapasmisto

Rancho Folclórico de Montargil
Folclore em Portalegre

Grupos etnográficos, tradições e atividades no Concelho

  • Região: Alentejo (Alto Alentejo)
  • Distrito: Portalegre
  • Concelho: Portalegre

03 grupos

  • Rancho Folclórico de Fortios
  • Rancho Folclórico de Montargil
  • Rancho Folclórico e Cultural da Boavista
Rancho Folclórico dos Fortios

O Rancho Folclórico dos Fortios foi fundado em 1981, a esta data ligado à Casa do Povo. A sua autonomia efetiva materializou-se em 1991. No ano de 1984 iniciou uma exaustiva recolha etnofolclórica, junto dos mais idosos, reconstituindo usos e costumes, tradições, danças e cantares dos seus antepassados.

A sua componente etnográfica é composta por trajes de trabalho: Abegão, Ganhão, Pastor, Ceifeira, Mondadeira, Azeitoneira, Alimentador de máquinas, aparecendo também os trajes domingueiros e de festa ricos e pobres, o lavrador de Fortios e os noivos.

De entre o vasto repertório de danças, sobressaem as modas das saias, as danças de roda e as cantigas bailadas. Tem participado em diversas manifestações folclóricas, culturais e etnográficas de Norte a Sul de Portugal Continental, nos Arquipélagos dos Açores e Madeira e também no estrangeiro.

Anualmente e desde o ano de 1986 organiza o Festival Nacional/Internacional de Grupos de Folclore na Freguesia de Fortios.

O Rancho é membro efetivo da Federação do Folclore Português e fundador da Associação de Folcloristas do Alto Alentejo.

Rancho Folclórico de Fortios

Rancho Folclórico de Fortios

Rancho Folclórico de Fortios

Rancho Folclórico de Montargil

Vídeo

Rancho Folclórico e Cultural da Boavista

Fundado em 1967, o Grupo Folclórico e Cultural da Boavista apareceu como uma necessidade absoluta de salvaguarda e divulgação dos usos, costumes e tradições das gentes serranas de São Mamede, do povo do Alto Alentejo e de Portalegre.

Da pesquisa que vem efetuando, possui no seu reportório, preciosos exemplares do modo de trajar, de cantar, de tocar e de balhar no início do século XX. O Pastor, o Semeador, o Tirador de Cortiça, o Lavrador, a Ceifeira, a Mondadeira, a Apanhadeira de Azeitona, os Trajos Domingueiros e de Festa de Alagoa, Alegrete, Fortios, Reguengo, Ribeira de Nisa, São Julião, Urra e da Cidade de Portalegre e Trajos de Casamento são figuras etnográficas que o Grupo representa.

As Modas e os Balhos de Saias, os Balhos de Terreiro ou Campaniços, Viras ou Modas Viradas, as Balhações Populares de Inspiração Palaciana com marcações em roda, coluna ou quadrilha são as danças interpretadas pelo Grupo Folclórico e Cultural da Boavista.

O Rancho já gravou 3 discos, cassetes áudio e vídeo e um CD. Participou em numerosos programas de rádio e televisão. Foi galardoado, pela Câmara Municipal de Portalegre, com a Medalha de Mérito Municipal, Grau Ouro, no ano da Comemoração das Bodas de Prata. É Membro da Federação do Folclore Português, do INATEL, da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto e da Associação dos Folcloristas do Alto Alentejo.

Espanha, Canadá, Geórgia, Rússia, Polónia, França, Alemanha, Áustria, Marrocos, Itália, Bélgica e Roménia são países onde o Grupo Folclórico e Cultural da Boavista já se representou a cor. Realiza o seu festival anual por ocasião do seu aniversário, no ultimo sábado de julho.

Sociedade Musical Banda Euterpe
Filarmónicas de Portalegre

Bandas de Música, História e Atividades no Concelho

  • Banda da Sociedade Recreativa Musical Alegretense
  • Sociedade Musical Euterpe de Portalegre
Banda da Sociedade Recreativa Musical Alegretense

A Banda de Alegrete começou a sua atividade em 1867. Teve inicialmente cerca de 20 elementos e desde então eram as atividades artesanais (sapateiros, alfaiates, carpinteiros, ferreiros) que funcionava como alfobre da Coletividade. A sua primeira sede foi uma pequena sala cedida por um dos executantes e fundador da Filarmónica. Posteriormente conseguiu melhorar a sua situação, ocupando a antiga Capela do Espírito Santo, onde permaneceu até 1981, ano em que se instalou no novo edifício construído com essa finalidade.

Foi seu fundador e primeiro regente José Augusto Servo, natural de Alegrete. Salvo um pequeno interregno de cerca de 2 anos, a sua atividade tem sido constante e permanente, tendo sido reorganizada em 1919, pelo Capitão do Exército Manuel Miranda Branco. Entrou em diversos concursos para bandas civis, destacando-se o 1º lugar alcançado em Évora em 1966, no Concurso de Filarmónicas do Alentejo e o 2º Lugar em Setúbal 1969. Atuou por muitas terras do País, especialmente na zona onde se insere, atuando ainda regularmente em Festas na Espanha.

Ao longo de todos estes anos tem existido uma Escola de Música que tem preparado todos os executantes naturais de Alegrete, daqui tem saído um rol de músicos que enveredaram pelo profissionalismo, alguns deles notáveis, prestaram e prestam serviços em bandas militares, Orquestra Gulbenkian, Orquestra Sinfónica da RDP, Orquestra Ligeira do Exército, Orquestra Sinfónica da Madeira, Banda da Carris, Banda da Guarda Fiscal, Banda da Guarda Nacional Republicana e Banda de Pêro Pinheiro.

Em 1996, a Coletividade arrancou com a Escola de Música dirigida por um professor do ensino oficial que contou com a colaboração de dois jovens profissionais em bandas militares. Participando no referido ano no programa “À Volta do Coreto” transmitido pela RTP 2, sob a regência de Luís José de Jesus Correia. Em 2001 e novamente sob a regência de Luís Correia, no período de 19 a 23 de Julho, efetuou diversas atuações em França, na Cidade de Selles-Sur-Celles. Em 2002 a Coletividade recomeçou novamente com Escola de Música, com 30 alunos sendo o professor, o Regente da Banda, Hugo Guedelha.

Sociedade Recreativa Musical Alegretense

Sociedade Recreativa Musical Alegretense

A Banda Filarmónica da Sociedade Recreativa Musical Alegretense tem neste momento 48 elementos.

Sociedade Musical Euterpe de Portalegre

No dia 1 de dezembro de 1860, foi fundada a Associação de Socorros Mútuos de Montepio Euterpe Portalegrense. Passados seis anos, foram publicados e aprovados os primeiros estatutos pelo Conde de Castro – D. Luís I – Rei de Portugal. Em 1945 foi desfeita a Associação de Socorros Mútuos Montepio Euterpe Portalegrense e foi criada a Escola Musical Euterpe. O nome escolhido foi uma clara homenagem à Musa protetora da música e da poesia lírica.

Mais tarde foi alterado o nome para Sociedade Musical Euterpe. A “Banda Euterpe” assume-se cada vez mais como um verdadeiro polo de dinamização cultural e de formação didático-pedagógica. É a Instituição mais antiga da Cidade, e com uma atividade ininterrupta da sua Banda e Escola de Musica, é o orgulho da Direcção, Músicos e Associados, assim como da própria cidade de Portalegre.

Sociedade Musical Banda Euterpe

Sociedade Musical Banda Euterpe

A Banda conta no seu elenco com cerca de 4 dezenas de elementos. Em 1998, deslocou-se à ilha da Madeira onde efetuou 3 concertos em Santa Cruz. Atua regularmente em Cidades da Extremadura Espanhola (São Vicente, Festival de Bandas em Badajoz, Festas da Nossa Senhora dos Remédios em Valência de Alcântara, Intercâmbio com Banda do Monestério). Participou em vários festivais de Bandas (Bucelas, Catujal, Caneças, Grândola, Cova da Piedade, Aljustrel).

O I Festival de Bandas da Sociedade Musical Euterpe foi em 2004, no Cine-Teatro Crisfal, com a participação das bandas da Sociedade Filarmónica Harmonia Reguenguense, Sociedade Recreativa Musical Alegretense e Banda da Sociedade Recreativa de Bucelas. O II Festival, em 2005, nos Claustros do Convento de Santa Clara, teve as seguintes bandas convidadas: Banda da Sociedade Musical de Instrução e Recreio Aljustrelense e a Banda da Sociedade Filarmónica Amizade Visconde de Alcácer. O III Festival, em 2006, no Centro de Artes do Espetáculo de Portalegre teve a participação da Banda da Associação Recreativa e Musical 1º de Maio do Catujal e Banda Filarmónica Simão da Veiga da Casa do Povo de Lavre.

Em 2005, na Catedral de Portalegre, decorreu o tradicional Concerto de Natal, organizado pela Sociedade Musical Euterpe, sendo que a Banda Euterpe atuou com o Grupo Coral de Mafra (grupo convidado), juntando-se ainda o Orfeão de Portalegre.

É de salientar o musical Estórias de Amor, pela Banda Euterpe e Companhia de Dança de Lisboa, em 2006, realizado no Centro de Artes do Espetáculo.

Sociedade Musical Banda Euterpe

Sociedade Musical Banda Euterpe

Lucília do Carmo, fadista, de Portalegre
Músicos naturais do Concelho de Portalegre

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Carlos Almeida (regente)
  • João Ranita da Nazaré (musicólogo, 1936)
  • Lucília do Carmo (fadista, 1919-1998)

Lucília do Carmo

Lucília do Carmo, fadista, de Portalegre

Lucília do Carmo, fadista, de Portalegre

João Ranita da Nazaré

João Ranita da Nazaré, musicólogo, de Portalegre

João Ranita da Nazaré, musicólogo, de Portalegre

Carlos Almeida

Carlos Almeida, maestro, nasceu em Portalegre, a 13 de junho de 1993. Por ser filho de um músico e conviver com a música todos os dias, desde muito cedo teve um grande interesse pela mesma. Começou a frequentar a escola de música do pai aos 5 anos e aos 11 anos entrou para o Conservatório de Portalegre para iniciar os estudos em Trompete, onde concluiu o 5º Grau.

Com 15 anos realizou provas de trompete para a EPABI (Escola Profissional de Artes da Covilhã), entrando para o 10º ano, para a classe de Rui Borba. De seguida ingressou na ESART (Escola Superior de Artes Aplicadas) em Castelo Branco onde frequentou durante dois anos a classe de trompete. Aí começou a interessar-se também pela composição sendo que, atualmente, conta já com várias obras da sua autoria de vários géneros musicais.

Sentiu a necessidade de alargar o seu caminho na música focando-se no mundo da direção de orquestra. Em 2015, iniciou os estudos na Atlantic Coast International Conductig Academy onde estudou Direção Musical de Orquestra de Sopros e Sinfónica com os maestros Luís Clemente e Colin Metters, Aulas de Orquestração e Análise com Roberto Fiore e José Jordán assim como Formação Auditiva Paulo Maciel e Jaime Branco e Direção Coral com Jaime Branco.

Participou em estágios de Orquestra Nacional de Sopros em Portel como maestro ativo onde dirigiu várias obras e em 2017 foi convidado para ser maestro do Coro e Orquestra da Universidade da Beira Interior. Nesse ano, assumiu também o cargo de maestro titular na Banda da Covilhã. Ao longo de todo o seu percurso como trompetista e maestro, participou em diversas classes de aperfeiçoamento de Trompete e Direção de Orquestra, estágios de Orquestra Sinfónica e Estágios de Orquestra de Sopros, tocou em várias orquestras de sopros, ligeiras e bandas filarmónicas. Em 2018, assumiu a direção artística da Banda da Sociedade Musical Euterpe de Portalegre e do seu projeto educativo.

João Ranita da Nazaré

João Mateus Ranita da Nazaré (Portalegre, 1936) é Professor Catedrático Jubilado da Universidade Nova de Lisboa. Pianista, clavicordista, musicólogo e sociólogo, João Ranita da Nazaré foi o primeiro académico português doutorado em musicologia pela Universidade de Paris-Sorbonne (1971).

Onze anos mais tarde, João R. Nazaré foi o primeiro, senão o único universitário a obter em França, no campo da sociologia da música – um campo de estudos então inexistente nas universidades francesas – o diploma de maior prestígio e exigência académica, o «doctorat d’ État», na Universidade de Paris–Nanterre (1982), dada a sua extinção dois anos depois.

Teve como orientadores desta última tese, os professores Henri Mendras (sociólogo e professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris) e Olivier Revault d’Allonnes, filósofo e esteta da Universidade de Paris-Panthéon, os quais avalizaram com o peso da sua reconhecida competência, um novo quadro epistemológico, interdisciplinar, adentro do vasto leque das Ciências Sociais: o da etnossociologia da música.

Do ponto de vista artístico, João Ranita da Nazaré teve o ensejo de contribuir para a redescoberta pelo público parisiense do clavicórdio – um instrumento antigo que caíra no esquecimento – graças a concertos e gravações efetuados com obras de compositores dos séculos XVII e XVIII.

Em Portugal, um outro aspeto a considerar, não menos relevante, foi o de ter sido indigitado para organizar as atividades curriculares do primeiro Departamento de Musicologia do país, aquando da sua institucionalização em 1974 na Universidade Nova de Lisboa.

João Ranita da Nazaré foi aluno de Santiago Kastner, Jorge Peixinho e Louis Saguer.

João Ranita da Nazaré e Santiago Kastner em concerto no Conservatório Nacional em 1960

João Ranita da Nazaré e Santiago Kastner em concerto no Conservatório Nacional em 1960

Artisticamente, contribuiu para a redescoberta pelo público parisiense do clavicórdio –um instrumento antigo que caíra no esquecimento– graças a concertos e gravações efectuados com obras de compositores dos séculos XVII e XVIII.

Em Portugal, foi indigitado para organizar as atividades curriculares do primeiro Departamento de Musicologia do país, aquando da sua institucionalização em 1974 na Universidade Nova de Lisboa. João Ranita da Nazaré começou a lecionar em 1974, tendo-se reformado em 2006.

“Creio interessante referir, desde já, o vaticínio do muito estimável anuário O Borda d’Água para todos os que partilharam comigo o mesmo ano de nascimento, e que assim o predisse:

“Começa bem o ano de 1936: à quarta-feira, que é dia de bom augúrio, e sob o império do planeta Mercúrio, que, sendo 16 vezes menor que a Terra, é vivo como o azougue que lhe corre nas veias… A sua influência benéfica vai estender-se sobre todos os mortais, auxiliando-os e protegendo-os… Bom ano ainda para os que nele nascerem – serão de agudo engenho, hábeis, diligentes e sábios… 1936 será um ano farto, alegre, bem-disposto… Ninguém dele terá queixas, mas, se algumas houver: natura super omnia”.

Não será então pertinente duvidar de que o arguto vaticínio do popular anuário lisboeta se não cumpriu no começo do serão daquele dia de Primavera, porquanto se o sossego tradicional da vida colectiva da pequena e pacata cidade do Alentejo [Portalegre] não chegou efectivamente a ser perturbado, em contrapartida, o ensaio da sua banda de música, a dita “Banda Popular”, da qual o meu pai era o regente e que momentaneamente o quebrava, esse, segundo consta, terá de súbito e alegremente acabado!

Ao que parece, um vizinho amigo terá acorrido às instalações da instituição musical dando a almejada notícia de que o rapaz tinha nascido – e que era bem um rapaz! –, pelo que o acontecimento valia bem uma longa e merecida pausa. E assim terá sucedido: remetidos os instrumentistas para o silêncio da urbe, o convite persuasivo foi de “todos para casa!”.

A partir desses primeiros instantes do despertar para a vida, dir-se-ia que o caminho do rapaz se encontrava de certa maneira predestinado e o percurso intelectual consubstanciado, como o de qualquer outra criatura humana, na frase recorrente de uso filosófico do “eu e as minhas circunstâncias”. Porque, decididamente, para o bem e para o mal, seria a música a inscrever-se na minha longa vivência intelectual, primeiramente envolvendo-me nos aspectos da actividade artística e, mais tarde, nas complicadas problemáticas da investigação científica.

No que concerne aos primeiros, os meandros da memória relembram que teria apenas oito anos de idade quando o meu pai, um ex-músico militar, decidiu começar a dispensar-me as primeiras lições de piano, ultrapassada a fase inicial de aprendizagem do solfejo. Para tal, a aquisição de um instrumento de estudo recaiu então sobre um piano vertical, francês, armado em madeira e, consequentemente, de qualidade medíocre, dados os parcos recursos do agregado familiar. De tal maneira que o instrumento era afinado pela manhã antes de o meu pai partir para o quartel, mas à tarde, no seu regresso, já se encontrava novamente desafinado. Um autêntico pesadelo!

Ainda assim, fortemente incentivado pelo lado paterno, depressa ultrapassei o nível dos exercícios elementares de mecanismo, bem como o dos estudos de velocidade adoptados na época (Carl Czerny e Muzio Clementi) e cheguei, finalmente, às inolvidáveis valsas de… Ludwig van Beethoven, que acabaram por estabelecer, durante vários anos, um antes e um depois no desenvolvimento da minha técnica pianística.

Assim sendo, comecei a ser convidado para participar em pequenos recitais, concursos e serões culturais que, uma vez por outra, surgiam nos centros urbanos de maior dimensão da região e proporcionavam a exibição da minha pequena destreza. E, independentemente da execução das obras de outros compositores, eram sobretudo algumas das 15 valsas do mestre que acabavam sempre por se impor para serem uma vez mais usufruídas, sobretudo os espécimes intitulados L’espoir, Le désir e La douleur (na edição da Sassetti revista por Campos Coelho).

Concluído o curso do liceu e em razão das limitações de estudar Música na província, a minha formação viria a prosseguir em Lisboa como trabalhador-estudante e passaria pela frequência, durante aproximadamente seis anos, de diversas áreas disciplinares do Conservatório Nacional.

Das valsas à sonata e da sonata ao concerto, durante longos anos detive o privilégio de usufruir do pensamento estético do mestre, bem como de atentar na problemática da sua cientificidade, o que só me seria todavia explicitado anos mais tarde, aquando dos meus longos e complexos estudos na Academia de Paris

Todavia, também a este respeito o muito sagaz vaticínio d’O Borda d’Água não deixaria de se cumprir, na medida em que a minha aceitação nesta instituição se concretizou através da inscrição no Curso de Clavicórdio e Interpretação de Música Antiga, um curso sui generis, mesmo a nível internacional, orientado pelo musicólogo, cravista e clavicordista de nacionalidade inglesa Macario Santiago Kastner.

Com efeito, graças a um acaso de relações pessoais, o conhecimento com este professor viria a dar-se nas instalações do próprio Conservatório Nacional, onde tive a oportunidade de lhe expor a minha pretensão em preparar o exame de ingresso no Curso Superior de Piano desta instituição.

Assim sendo, a fim de avaliar o nível da minha preparação e destreza técnicas, Santiago Kastner solicitou-me a execução de uma obra, ao que prontamente acedi com a interpretação da Sonata op. 13 de… Ludwig van Beethoven, obra conhecida como a Patética (ou “pateta”, recordando com um sorriso a resposta da velha senhora de uma cena de Os Maias) e com a qual, sob a sua orientação, viria a passar o citado exame, no final do ano lectivo.

Contudo, independentemente do meu envolvimento na técnica do clavicórdio e nos meandros da música antiga, Santiago Kastner sempre quis acompanhar de perto a minha evolução no respeitante à superação das dificuldades do Curso Superior de Piano. E dada a obrigatoriedade da execução de um “concerto para piano e orquestra” no exame final deste curso, foi com o seu aval que optei pelo Concerto para Piano n.º 1, op. 15, de… Ludwig van Beethoven.

Em suma: das valsas à sonata e da sonata ao concerto, durante longos anos detive o privilégio de usufruir do pensamento estético do mestre, bem como de atentar na problemática da sua cientificidade, o que só me seria todavia explicitado anos mais tarde, aquando dos meus longos e complexos estudos na Academia de Paris.”

João Ranita da Nazaré

Teatro Portalegrense

AUDITÓRIOS DO CONCELHO

CENTRO DE ARTES DO ESPETÁCULO DE PORTALEGRE

Inaugurado a 19 de maio de 2006, o  Centro de Artes do Espetáculo de Portalegre é a mais emblemática casa de espetáculos do Concelho e Distrito. Tem uma localização privilegiada pela proximidade com outros equipamentos culturais (Espaço Robinson, Casa Museu José Régio e Convento de S. Francisco), criando um eixo e uma nova centralidade, reforçando a complementaridade e a dinâmica entre todos eles. Conta com uma programação cultural diversificada, nas áreas da Música, Dança, Teatro, e Multidisciplinar. Tem boa qualidade arquitetónica, tanto nas áreas publicas como nas áreas de serviço/técnicas, proporcionando a sua utilização tanto pelos espectadores como pelo corpo técnico de forma simples e eficaz. O CAE possui um Grande Auditório com cerca de 500 lugares, um pequeno auditório de cerca de 170 lugares, uma ampla sala polivalente. Espaços de gestão, produção e administração, garantem uma enorme flexibilidade na adaptação das atividades agendadas (espetáculos, seminários, debates, serviço educativo) aos espaços mais indicados para a sua realização, maximizando desta forma recursos humanos e energéticos. É dotado do equipamento técnico fundamental para exibição de cinema, a produção artística (áreas de teatro, dança e música) e para acolhimento, com um palco de 12×12 metros no Grande auditório, suficiente para acolher qualquer tipo de espetáculo, nas diversas vertentes das artes do espetáculo. Tem equipamento de som e luz auto-suficiente para acolher qualquer tipo de espetáculo. Desde a sua abertura dispõe de bilheteira eletrónica, permitindo desta forma uma gestão, controlo e acompanhamento de dados de afluência ao recinto. Em suma, uma infraestrutura capaz de responder em qualidade quer ao significativo aumento dos públicos consumidores de cultura da cidade, quer num âmbito geográfico mais vasto à região e ao país.

CONTACTOS

ANTIGO TEATRO PORTALEGRENSE

O edifício do antigo Teatro Portalegrense foi inaugurado no início da segunda metade do século XIX. Encontra-se em contexto urbano, integrando-se na malha antiga da cidade, numa área de transição entre a zona alta e a zona baixa, local onde se consolidou o designado Rossio. A área apresenta quarteirões irregulares onde o eixo central corresponde ao Largo do Visconde de Cidrais local onde se situa também a Igreja de São Lourenço. O edifício do Teatro implanta-se num terreno de configuração retangular, correspondendo ao gaveto de um quarteirão que se situa junto da referida igreja. O edifício do Teatro, de volumetria quadrangular, apresenta três pisos onde sobressai uma fachada rematada por frontão triangular e janelas de sacada com verga de arco perfeito no andar nobre. O interior, para além da sala de espetáculos, inclui um bar, um restaurante, uma cozinha e alguns compartimentos destinados a jogos. A sala tem três registos de camarotes corridos no terceiro piso, teto pintado e estuques dourados. Em 1850 foi constituída uma sociedade por ações com o objetivo de construir e gerir um teatro em Portalegre, o primeiro da cidade, iniciando-se a sua obra em junho de 1854. A direção do projeto, que ficou a cargo do arquiteto José de Sousa Larcher, integrou espaços cénicos, técnicos e públicos. A construção, que terminou em 1858, segue o espírito da época muito influenciado pela política de Almeida Garrett que pretendia dotar todas as cidades importantes do país com uma sala de espetáculos condigna. Foi com o drama histórico de Garrett “O Alfageme de Santarém”, que a sala foi inaugurada a 20 de junho de 1858. Em 1886 o teatro foi alvo de obras de beneficiação, demonstrando o interesse da população por este espaço. O investimento foi feito sobretudo ao nível dos interiores, nomeadamente no auditório, tendo sido acrescentadas três frisas, substituída parcialmente a pintura ornamental do teto, o revestimento de papel dos camarotes e o estofo da guarda dos camarotes de 1.ª ordem. Durante os anos 40 do século XX o Teatro Portalegrense encontrava-se em muito mau estado de conservação levando a que Inspeção-Geral dos Espetáculos autorizasse o seu funcionamento mas com grandes limitações. Hoje o Teatro Portalegrense, um dos edifícios mais representativos do que foi a atividade cultural da cidade, encontra-se fechado e sem uso.

Maria Ramalho/DGPC/2016

Sé de Portalegre
Portalegre [2]

De acordo com as informações disponíveis, existem órgãos de tubos nas seguintes igrejas do Concelho:

Igreja Paroquial de São Lourenço

Igreja Matriz de São Lourenço

Igreja Paroquial de São Lourenço

A Igreja Paroquial de São Lourenço é um edifício de arquitetura religiosa, maneirista e barroca, de uma nave e capela-mor totalmente abobadada. Apresenta-se com uma fachada harmónica, com o corpo central enquadrado por duas torres sineiras. O corpo central remata em empena contracurva. O retábulo-mor e os retábulos da nave são quase todos em estilo nacional, com colunas torsas e arquivoltas no remate.

Fonte: Monumentos

[ Catedral ] de Portalegre

[ Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção ]

Sé de Portalegre

de Portalegre

As obras de construção da de Portalegre foram iniciadas em 1556 e a última pedra, o remate da abóbada, foi colocada em 1575. Criado num estilo renascentista tardio, o templo sofreu alterações entre 1737 e 1798, já em estilo barroco, como se observa no trabalho da pedra dos pórticos na fachada e nas torres sineiras. No interior, iluminado por 28 janelas, há painéis de azulejo seiscentistas e um notável conjunto de pinturas maneiristas, único no país. Os retábulos do altar-mor e das capelas laterais integram noventa e seis pinturas e neles participaram vários artistas portugueses durante os séculos XVI e XVII. À direita do altar fica a Capela do Santíssimo e à esquerda a de São Pedro. Os púlpitos são em mármore, bem como as grades postadas diante da capela-mor, onde pode admirar-se o trabalho do escultor e entalhador Gaspar Coelho e dos pintores Francisco Venegas, Fernão Gomes e Simão Rodrigues. As restantes pinturas da igreja estão atribuídas à Oficina de Portalegre. Nas abóbadas podem admirar-se diversos motivos grotescos maneiristas, cartelas, mascarões, florões e seres híbridos. Pode ainda visitar-se a sacristia revestida a azulejos setecentistas (que representam a «Fuga para o Egipto») e o claustro, concluído no século XVIII. Do lado norte, encontra-se o antigo Paço Episcopal, que foi residência dos Bispos até 1910 e comunicava interiormente com a .

Fonte: VisitPortugal

Possui um órgão histórico da autoria de D. Pascoal Caetano Oldovini (Oldoni, Oldovino ou Olduvini), de data desconhecida.