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Banda de Música de Sabrosa
Filarmónicas de Sabrosa

Bandas de Música, História e Atividades no Concelho

Banda de Música de Sabrosa

Segundo a tradição, a primeira Banda de Música de Sabrosa foi formada na segunda metade do séc. XIX. Nessa altura terá existido também uma tuna que se tornou célebre em todo o concelho e chegou mesmo a atuar em Vila Real. Tal tuna foi dirigida por Alfredo de Oliveira, proprietário da Farmácia Oliveira. Durante uma exaustiva investigação recolheram-se testemunhos valiosos a partir de dados obtidos em entrevistas com pessoas idosas.

Tanto Joaquim Peniche de 94 anos, como Manuel Soares da Silva de 82 anos, indicaram os anos de 1905 como data da primeira reorganização da Banda de Música. Reorganização iniciada por Luís Cabral, notário, Luís Teixeira Gomes, alfaiate e Sebastião Carvalho que viera de Lisboa onde tocara numa fanfarra militar. A Banda de Música contava então com vinte e cinco músicos que iam fazer as festas de São João da Pesqueira e de Ervedosa do Douro percorrendo a pé mais de 60 km, uma vez que os transportes motorizados eram desconhecidos.

Em 1919, aquando das invasões monárquicas, «os trauliteiros» chegaram a Sabrosa num veículo automóvel armados de carabinas dirigiram-se ao edifício da Câmara Municipal onde queimaram a Bandeira da República. Como pretendiam substituí-la pela Bandeira da Monarquia obrigaram o administrador do concelho, cujas funções correspondem as do atual Presidente da Câmara, a fazer comparecer os músicos com os respetivos instrumentos musicais no largo do município, onde iam executar o Hino da Monarquia. Os músicos foram-se concentrando, alguns com roupa do trabalho pois tinham saído das vinhas, mas nem todos compareceram, talvez porque fossem republicanos e não queriam tocar o Hino da Carta.

A tensão foi aumentando e os «trauliteiros» iam perdendo a paciência e os dedos já trocavam os gatilhos. Foi então que o administrador do concelho chamou os músicos mais renitentes à parte, e segredou-lhes: – «Oh rapazes! Hoje toca-se esta, amanhã toca-se a outra!» E foi assim que alguns músicos se livraram de ser fuzilados e os «trauliteiros» abandonaram a Vila e seguiram rumo ao Porto onde foi proclamada a efémera Monarquia do Norte.

Em 1920, os músicos foram de automóvel para Vilas Boas, dirigidos pelo Maestro Carvalho. Os contratos começaram a chegar, a Banda de Sabrosa começava a brilhar tocando nas novenas e nas representações teatrais. Nos anos 30, a Banda de Música era dirigida pelo Maestro Pontes, reformado do exército, e tinha como diretor Rodrigo Marques. As festas de Macedo de Cavaleiros de Vilarinho de Azenhas, os célebres Carnavais de Mirandela e ainda as festas de Nossa Senhora do Amparo foram abrilhantadas pelas exibições da Banda de Música de Sabrosa.

Banda de Música de Sabrosa

Banda de Música de Sabrosa

A partir de 1955, a Banda de Música começou a ser dirigida por um dos mais célebres maestros da sua história, o Maestro Esteves, cuja morte em 1960 levou de novo a Banda de Música a uma situação apagada. Alfredo Vasconcelos e Silvério Azevedo (Pai), faziam parte da direção durante o referido período, destacando-se dela Florindo Augusto Calhelha, cujos talentos de ator foram apreciados durante mais de meio século pelos sabrosenses.

Em 1962, tomou posse nova direção, constituída pelo Padre José Gil, António Rodrigues e Guilherme Marques Soares. Durante este período adquiriu-se um fardamento e instrumentos novos, assim como outros foram enviados para reparação. Foi então contratado o Maestro Laurentino Macedo que viria a reger a Banda de Música até 1968. Em 1964, a Banda de Música distinguiu-se nas Festas de Sanfins do Douro e nos dois anos seguintes em Macedo de Cavaleiros, Jevelim, Olmos, Santo Ambrósio, Murça. Em 1965, a Banda de Música foi distinguida nas festas de Vila Real pela qualidade da execução musical face a outras Bandas de Música. Em 1968, foi  formada nova Direção que, embora tivesse conseguido alguns contratos, não impediu a desorganização em setembro desse mesmo ano.

A Guerra Colonial e a Emigração causaram grandes danos à Banda de Música de Sabrosa, pois muitos dos seus elementos viram-se obrigados a partir. Alguns músicos, conservaram carinhosamente os instrumentos que ainda hoje existem. A maior parte do repertório e alguns instrumentos viriam a deteriorar-se ou desaparecer. Em 1973 gorou-se uma tentativa de reorganização iniciada em 1972 com a formação de uma escola de música dirigida por Germano Calhelha. A Banda de Música começou a morrer aos poucos.

Decorria o ano de 1979, quando um grupo de jovens Sabrosenses, organizou uma exposição sobre as atividades culturais que no passado tinham projetado o nome de Sabrosa. Tal exposição constituída por fotografias e programas de rádio esteve patente ao público na praça D. António Valente da Fonseca tendo sido vista por numerosos Sabrosenses. Paralelamente, foi lançada a ideia de recuperar a Banda de Música do estado lastimoso em que se encontrava, pois restavam apenas alguns velhos músicos instrumentos gastos. Parte do património da Banda já se encontrava disperso. A bandeira bordada a ouro e o respetivo mastro que tinha sido oferecida à banda nos anos 60, por Manuel Camposana Araújo, que angariou em Luanda fundos para a sua execução, já se encontrava a decorar uma parte de um apartamento em Setúbal.

Porém, a recuperação da Banda de Música só seria possível caso fosse criada uma associação de carácter cultural. Surgiu então a ideia, também da autoria daquele grupo de jovens, de criar uma associação que englobasse a recuperação da Banda de Música. Realizou-se uma assembleia-geral constituída pela Associação Recreativa Cultural Musical do Concelho de Sabrosa. Com a participação de muitos Sabrosenses o passo seguinte era a celebração da escritura no cartório notarial de Sabrosa, escritura feita em 1979.

A partir daqui, a Banda de Música de Sabrosa nunca mais ficou inativa. De direção em direção, de maestro em maestro, de músico em músico, a Banda ganhou prestigio.

Nesta altura quem passou a dirigir a Banda de Música foi o maestro e compositor Alexandre Fonseca. Iam surgindo cada vez mais contratos, a Banda de Música projetava cada vez mais o nome de Sabrosa por todas as terras onde atuava. Com a saída do maestro Alexandre Fonseca, foi chamado o maestro Lino Pinto que pela primeira vez dirigia uma Banda de Música. Sairia passado pouco tempo para dirigir outra banda. No ano seguinte surgiu por seis meses o maestro Amílcar, que tinha pouca experiência visto que era a primeira vez que dirigia uma Banda de Música. A falta de experiência levou-o a abandonar a Banda de Música de Sabrosa passado uns meses. A Banda de Música continuou e essa época foi completada pelo maestro Adão (este que já tinha dirigido a banda em 1979) e pelo Maestro Alexandre Fonseca. Neste ano, saíram alguns músicos mas entraram outros jovens que, hoje, são os pilares da Banda de Música de Sabrosa. Em 1993, foi integrado na Associação o Grupo de Cantares “Sons de Outrora”, que se manteve pouco tempo na Associação visto que se extinguiu.

Em 1999, uma nova direção assumiu os rumos da Associação. A partir de 2004, passou a dirigir a Banda o Maestro Carlos Jorge.

Casa onde nasceu Manassés de Lacerda, fadista, em Sabrosa

MÚSICA À VISTA

Música, iconografia e património edificado no Concelho

Casa onde nasceu Manassés de Lacerda

Casa onde nasceu Manassés de Lacerda, fadista, em Sabrosa

Casa onde nasceu Manassés de Lacerda, fadista, em Sabrosa

Casa onde nasceu Manassés de Lacerda

Casa onde nasceu Manassés de Lacerda, fadista, em Sabrosa

Casa onde nasceu Manassés de Lacerda, fadista, em Sabrosa

Emanuel, cantor, de Sabrosa
Músicos naturais do Concelho de Sabrosa

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Alexandre Fonseca (regente, m. 2013)
  • Emanuel (cantor, 1957)
  • Manassés de Lacerda (1885-1962)
Emanuel, cantor, de Sabrosa

Emanuel, cantor, de Sabrosa

HISTÓRIA DA MÚSICA

Alexandre Fonseca

Professor, músico, maestro, compositor, Alexandre Teixeira da Fonseca nasceu na freguesia de Covas do Douro, Sabrosa (distrito de Vila Real), em 1932, e desde muito cedo revelou gosto pela música. Recebeu os primeiros ensinamentos musicais em criança, do Mestre Laurentino Gonçalves Macedo. Formou-se em Trombone no Conservatório de Música do Porto. Estudou ainda Canto e Piano. Fez diversos cursos, o curso sobre a Moderna Pedagogia Musical, orientado pelos professores Edgar Williams e Jos Wuytack e o curso superior de Composição.

Estava igualmente habilitado como profissional Regente de Orquestra, Regente de Coros, Regente de Bandas Civis e Instrumentista.

Em 1951 foi incorporado na Banda do Regimento de Infantaria do Porto, mediante concurso público. Passado pouco tempo, ascendeu a músico de 1ª classe, como solista, e ao posto inerente. Fez parte integrante de várias orquestras, designadamente, Orquestra Sinfónica do Porto e dirigiu bandas e grupos corais.

Desde 1973 foi docente no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, nas disciplinas de Acústica/Organologia e Aerofones, e desde 1989 na Escola Profissional Artística do Vale do Ave (Artave).

Como compositor possui inúmeras obras, de géneros e características diferentes, entre elas: “Homenagem ao Dr. Manuel Vaz” – marcha de rua; “Viajante Selecto”- marcha de rua; “São Salvador” – marcha grave, entre muitas outras obras, executadas no nosso País e no estrangeiro. Foi premiado várias vezes. Em 1971 tornou-se membro da SPA, e cooperador em 1999. Alexandre Fonseca morreu a 27 de janeiro de 2013.

Manassés de Lacerda

Manassés Ferreira de Lacerda Botelho nasceu em Sabrosa (concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real, Trás-os-Montes, Portugal, a 6 de janeiro de 1885 e faleceu no Rio de Janeiro (Brasil), a 18 de maio de 1962. Manassés de Lacerda estudou em Coimbra entre 1900 e 1904, ano em que reprovou no lº ano do Liceu. Em 1905 chega ao Porto incorporado voluntariamente num regimento de cavalaria.

Compositor e cantor de fados, dono de uma bela voz de tenor, extensa e bem timbrada, gravou em 1905 ou 1906, para a Companhia Francesa do Gramophone alguns fados, com acompanhamento de piano, entre os quais o Fado das Lágrimas, o Fado dos Sonhos, o Fado Maria mais conhecido pelo Fado Manassés e o famoso Fado Hilário. Em 1908, casou-se e emigrou para o Brasil com a esposa. Voltou a Portugal em 1917 e tornou definitivamente ao Brasil em 1919.

Manassés de Lacerda

Manassés de Lacerda, fado, de Sabrosa

Manassés de Lacerda, fado, de Sabrosa

Órgãos de tubos do concelho de Sabrosa [3]

De acordo com as informações disponíveis, existem órgãos de tubos nas seguintes igrejas do Concelho:

Igreja Matriz de São Martinho de Anta

[ Igreja Paroquial ]

Igreja Matriz de São Martinho de Anta

Igreja Matriz de São Martinho de Anta

De planta poligonal, a Igreja Paroquial de São Martinho de Anta ostenta fachada principal delimitada por pilastras com cimalhas adinteladas, com linha da empena recortada, portal principal rasgado ao centro e encimado por janela que ilumina o coro e sobrepujada por nicho. Tem torre sineira à esquerda. No interior, tem cobertura da nave com tecto em caixotões retangulares; coro alto; arco triunfal em granito abre para a capela-mor com retábulo. Na nave, tem retábulos colaterais, sendo o da esquerda (séc. XVII/XVIII) de tipo plano, de quatro colunas torcidas, decorado com parras, e de dois arcos a ligá-las; o da direita, da primeira metade do séc. XVIII, apresenta nicho central para abrigar a escultura de Cristo crucificado, com decoração de ornatos diversos e tarjas curvas com acantos. As paredes são revestidas com silhar de azulejos modernos.

Fonte: Monumentos

Órgão da igreja matriz de São Martinho de Anta

“Um sonho tornado realidade”. Foram estas as palavras que Tadeu Filipe, organista, proferiu para transmitir a importância e o valor que o novo órgão de tubos representa para a paróquia de São Martinho de Anta, concelho de Sabrosa. – noticiava “A Voz de Trás-os-Montes”, a 04 de Julho de 2019.

Depois de vários anos a sonhar com a sua aquisição, foi agora finalmente possível trazer um órgão “real” para a igreja, de forma a ser um incentivo para toda a comunidade da vila. “É um órgão que terá como principal função sonorizar as eucaristias”, começou por dizer, adiantando que o mesmo trará uma nova dimensão não só religiosa, mas também cultural a todo o concelho.

Igreja Matriz de Provesende

[ Igreja Paroquial ] [ São João Batista ]

Igreja Matriz de Provesende

Igreja Matriz de Provesende

Construída em 1720, a Igreja Matriz de Provesende é um templo de estilo maneirista com rica decoração barroca em talha dourada. Possui um altar-mor e quatro altares laterais em talha dourada.  A igreja atual foi construída no local da anterior que era muito mais pequena. A construção (cantaria e coberturas) é maneirista (1721 a 1756), e a decoração interior é barroca (1757-1795), apresentando nas suas talhas e pintura do tecto, traços joaninos, josefinos e rococó. No remate cimeiro do altar-mor, junto a decorações rococó ostenta as insígnias dum arcebispo – infante (barrete e coroa), que remetem para D. Gaspar de Bragança (Lisboa, 8 outubro 1716 – Braga, 18 janeiro 1789), filho ilegítimo de D. João V (irmão natural de D. José I) que foi Arcebispo Primaz de Braga (1758 – 1789). Este mesmo arcebispo ordenou a construção da Casa do Pároco. A igreja pela sua monumentalidade e decoração está considerada como uma das joias do património religioso do Douro Vinhateiro.

No coro alto está localizado um órgão de tubos ibérico construído pelo Pe. Manuel Lourenço da Conceição (?), 1731(?), restaurado em 1800/30 por Manuel Sá Couto (?).

Fonte: CMS

Igreja Matriz de Sabrosa

[ Igreja Paroquial ]

Igreja Matriz de Sabrosa

Igreja Matriz de Sabrosa

Datada do século XVIII, em estilo barroco, a Igreja Matriz de Sabrosa foi erigida no lugar onde terá existido a Capela pertencente à Casa de Fernão Magalhães, demolida no século XVII. Esta mesma capela foi mencionada no testamento que o navegador fez antes da sua viagem de circum-navegação marítima. Destaca-se a torre sineira volumosa construída sobre o pano central da fachada frontal. A torre sineira mostra no terceiro registo as ventanas dos sinos e é terminada por um varandim com pináculos nos cantos e um coruchéu.

Fonte: CMS

Órgão no coro alto

Órgão da Igreja Matriz de Provesende

Órgão da Igreja Matriz de Provesende