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José Santos Rosa, maestro, de Santarém
Músicos do Concelho de Santarém

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Ana Deus (cantora, 1963)
  • Celestino Graça (etnógrafo, 1914-1975)
  • Fernando Ribeiro (acordeonista, 1935)
  • Filipe Rosa de Carvalho (organista)
  • Joaquim Luiz Gomes (diretor de orquestra, 1914-2009)
  • José Santos Rosa (compositor, 1931)
  • Leonardo Pereira (fado)

Joaquim Luiz Gomes

Joaquim Luiz Gomes, maestro, de Santarém

Joaquim Luiz Gomes, maestro, de Santarém

José Santos Rosa
José Santos Rosa, maestro, de Santarém

José Santos Rosa, maestro, de Santarém

José Santos Rosa, compositor e pedagogo musical, maestro e clarinetista, faleceu a 30 de dezembro de 2020 na sua terra natal, Pernes (Santarém), aos 89 anos de idade. Durante a sua carreira foi destacado instrumentista da orquestra da antiga Emissora Nacional, solista da Banda da GNR até formar a Grande Orquestra de José Santos Rosa que, durante largos anos, atuou no Casino da Figueira da Foz.

O Casino da Figueira, com uma fotografia na galeria do salão caffé, e a Assembleia Figueirense, como uma placa evocativa, homenagearam-no em vida.

José Santos Rosa compôs inúmeras obras e acompanhou nomes de primeiro plano da canção nacional, como Simone de Oliveira, Madalena Iglésias, entre outros, em programas televisivos e em vários palcos. A Câmara de Santarém emitiu uma nota de pesar onde lamenta profundamente a morte do músico e compositor, fundador da Orquestra Santos Rosa, um dos seus grandes legados. José Santos Rosa foi distinguido pela Câmara de Santarém como Scalabitano Ilustre, dedicou toda a sua vida à arte musical. “Promoveu o ensino da música com novos métodos de aprendizagem, criou escolas, bandas, orquestras infantis e juvenis no Centro de Iniciação Musical Pernense e foi diretor musical do Casino da Figueira da Foz”, lembrou o município. Em 2012, recebeu a medalha de mérito de Pernes.

Filipe Rosa de Carvalho (1892 – 1980) foi organista e compositor, professor de órgão, organista da Emissora Nacional e da Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Obteve o diploma da Academia Filarmónica de Bolonha em 1914, laureando-se em órgão com a mais alta classificação.

Em Portugal ocupou o cargo de professor de órgão no Conservatório Nacional entre 1935 e 1950, onde desenvolveu uma intensa atividade pedagógica que contribui para a formação de uma nova geração de organistas portugueses. Desenvolveu projetos para dotar as igrejas portuguesas de instrumentos modernos.

Em 1938 inaugurou o órgão da firma Tamburini da Igreja de Nossa Senhora de Fátima de Lisboa, onde desempenhou as funções de organista. Filipe Rosa de Carvalho inaugurou com um concerto a 11 de Outubro de 1952 o órgão Ruffatti da Basílica do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Fátima. Manteve uma intensa atividade como compositor e organista de concerto. (Rafael Reis)

Igreja de Nossa Senhora da Piedade
Órgãos de tubos do concelho de Santarém [8]

Santarém, cidade rica em história, cultura e arquitetura, é uma das cidades mais relevantes em termos de património organístico português, com a particularidade de todos os seus órgãos estarem em boas condições de funcionamento. De acordo com as informações de que dispomos, os órgãos de tubos existentes no Concelho são os seguintes:

Igreja da Misericórdia de Santarém

Igreja da Misericórdia

Igreja da Misericórdia

A Igreja da Misericórdia de Santarém possui no coro alto um órgão histórico de tipo ibérico da autoria de António Xavier Machado e Cerveira, opus 87, executado em 1818. Foi restaurado em 2008 por Dinarte Machado – Atelier Português de Organaria.

Montra do órgão

Órgão da Misericórdia de Santarém

Órgão da Misericórdia de Santarém

Igreja da Piedade

Igreja de Nossa Senhora da Piedade

Igreja de Nossa Senhora da Piedade

A Igreja de Nossa Senhora da Piedade possui um órgão de tubos histórico de tipo ibérico da autoria de Joaquim António Peres Fontanes, construído em 1795, restaurado em 2009 por Dinarte Machado – Atelier Português de Organaria.

Órgão positivo de armário

Órgão da Igreja da Piedade

Órgão da Igreja da Piedade

Igreja da Alcáçova

Igreja de Santa Maria da Alcáçova

Igreja de Santa Maria da Alcáçova

A Igreja de Santa Maria da Alcáçova possui um órgão histórico de tipo ibérico da autoria de António Xavier Machado e Cerveira, opus s/n.º, s./d. Foi restaurado por Dinarte Machado – Atelier Português de Organaria em 2015.

Montra do órgão

Órgão da Igreja de Alcáçova

Órgão da Igreja de Alcáçova

Igreja do Hospital

Igreja do Hospital

Igreja do Hospital

A Igreja do Hospital ou Igreja de Jesus Cristo possui o órgão positivo de armário que se encontrava na Igreja de Nossa Senhora do Monte.

Órgão da Igreja do Hospital

Órgão da Igreja do Hospital

Igreja de Marvila

A Igreja Paroquial de Santa Maria de Marvila possui um órgão de tubos histórico de tipo ibérico da autoria de órgão António Xavier Machado e Cerveira, opus 84, executado em 1817. Foi restaurado por António Simões em 1990. Foi novamente restaurado em 2009 por Dinarte Machado – Atelier Português de Organaria.

Montra do órgão

Órgão da Igreja de Marvila

Órgão da Igreja de Marvila

Igreja da Ribeira de Santarém

A Igreja de Santa Iria da Ribeira de Santarém possuía um órgão de tubos histórico de tipo ibérico. O órgão da igreja, sem uso, foi vandalizado e roubadas peças, segundo informação colhida na diocese de Santarém em 2017.

Igreja de São Nicolau

Igreja Matriz de São Nicolau

Igreja Matriz de São Nicolau

A Igreja Paroquial de São Nicolau possui um órgão histórico de tipo ibérico da autoria de órgão António Xavier Machado e Cerveira, opus 85, executado em 1818. Foi restaurado em 2009 por Dinarte Machado – Atelier Português de Organaria.

Montra do órgão

Órgão da Igreja de São Nicolau

Órgão da Igreja de São Nicolau

de Santarém

A de Santarém, também conhecida por Igreja do Seminário, possui um órgão de  tubos histórico no coro alto sobre a entrada.

Montra do órgão

Órgão da Sé de Santarém

Órgão da de Santarém

Na nave, do lado do Evangelho, a de Santarém, também conhecida por Igreja do Seminário, possui um órgão órgão portativo.

Órgão positivo na nave

Órgão da nave da Sé de Santarém

Órgão da nave da de Santarém

FOI NOTÍCIA

Órgãos de Santarém. Catálogo. Coord. Nuno Domingos e Luís Nazaré Ferreira. Câmara Municipal, 2009, ISBN 978-972-8491-35-2

Obra profusamente ilustrada, com fotos de Luís Moutinho e Dinarte Machado, e textos de Luís Nazaré Ferreira e Dinarte Machado, dá a conhecer os seis órgãos de tubos do centro histórico de Santarém, na sequência do seu restauro. Destinada ao público em geral, esta publicação apresenta, no entanto, um enquadramento histórico e musicológico rigoroso, a que se juntam as características técnicas de cada um dos instrumentos.

«O restauro de seis órgãos históricos na cidade de Santarém é, por diversos motivos, um processo notável ao nível nacional. Em primeiro lugar porque resulta da feliz conjugação de esforços de três entidades distintas: a Câmara Municipal (financiada neste projecto pelo POC), a Diocese e a Santa Casa da Misericórdia.

Em segundo lugar porque foi orientado desde a primeira hora por uma comissão técnica que acompanhou o desenrolar dos trabalhos, fazendo sugestões, dialogando com os organeiros responsáveis, tomando decisões acerca de aspectos específicos da realização de determinadas tarefas, servindo de interlocutora entre os organeiros e as entidades envolvidas no processo.

Finalmente, porque conduz a um enriquecimento da cidade de Santarém, valorizando o seu património sacro e musical e, em última análise, trazendo uma mais-valia artística ao País.

Até há bem pouco tempo, Santarém dispunha apenas de dois órgãos a funcionar em muito más condições (Igreja de Marvila e Episcopal). Agora passou a dispor de seis instrumentos aptos a trazer-nos de volta a beleza da música através dos seus timbres particulares.

Dos seis instrumentos restaurados, cinco pertencem à categoria geralmente designada por «órgão ibérico» e foram construídos em finais do séc. XVIII ou princípios do séc. XIX: três órgãos de António Xavier Machado Cerveira (dois datados de 1818 e um de 1817), um órgão de Joaquim António Peres Fontanes de 1795 e um órgão de autor desconhecido da mesma época. O órgão da Episcopal é um instrumento inglês construído em 1835 por James Chapman Bishop. […]

Santarém possui agora um conjunto de órgãos que passa a fazer parte da imagem musical da cidade. A melhor forma de manter estes instrumentos é dar-lhes vida, tocando-os e ouvindo-os. A sua participação no culto e na vida musical, o estímulo que possam trazer à formação séria de organistas é a nova etapa que deve unir as entidades que tão bem souberam levar este projecto por diante.» (do texto introdutório da Comissão de Acompanhamento do Restauro de seis Órgãos de Tubos de Santarém)

Igreja da Senhora do Monte

O órgão que se encontrava na igreja de Nossa Senhora do Monte foi mudado para a igreja do Hospital, onde foi restaurado.