Artigos

Chocalhos, créditos PCI
Património Cultural Imaterial de Viana do Alentejo

A Arte Chocalheira

A 1 de dezembro de 2015, na 10.ª sessão do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, realizada em Windhoek, na Namíbia, foi aprovada a integração do “Fabrico de Chocalhos” na Lista do Património Cultural Imaterial que necessita de Salvaguarda Urgente, o que aconteceu pela primeira vez em Portugal.

A candidatura foi desenvolvida pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo, em colaboração com a Câmara Municipal de Viana do Alentejo e a Junta de Freguesia de Alcáçovas. Visou evitar o desaparecimento deste ofício, dado o escasso número de mestres chocalheiros existentes no país (cerca de uma dezena, distribuídos, principalmente, pelo Alentejo: Viana do Alentejo, Reguengos de Monsaraz e Estremoz).

Com esta decisão, perspetiva-se agora o incremento desta atividade, nomeadamente através da promoção do ensino deste «saber-fazer» e da criação de um centro de interpretação da pastorícia e da metalurgia tradicional.

Chocalhos, créditos PCI

Chocalhos, créditos PCI

Banda Filarmónica da Sociedade União Alcaçovense
Filarmónicas de Viana do Alentejo

Bandas de Música, História e Atividades no Concelho

Banda Filarmónica da Sociedade União Alcaçovense

Data de 1850 a fundação, pela família dos Cabrais, da 1ª Banda de Música da Vila das Alcáçovas, popularmente denominada de Os Nalgueiros, pelo facto de os seus elementos serem indivíduos obesos e de fartas nádegas. Mais tarde, em 1855, foi fundada a Banda dos Pés Frescos (cujos músicos andavam descalços).

Existia grande rivalidade entre os dois agrupamentos. A partir de 1880 começou a nascer a ideia da fusão das duas bandas, o que viria a concretizar-se em 1885, quando um grupo de alcaçovenses, liderado pelo Padre Joaquim Pedro de Alcântara, elaboraram os Estatutos da que viria a ser a Sociedade União Alcaçovense.

A seguir à fusão das duas Bandas, a Banda da Sociedade União Alcaçovense teve como regentes conceituados maestros, como o maestro Joaquim Magalhães nos anos 30 e 40, e a partir de 1944 até 1959 foi dirigida pelo Maestro Doménico da Silva Maia, natural de Alcáçovas, o qual comemorou as suas Bodas de Ouro como músico ao serviço da nossa Banda.

Em 1935, foi galardoada com a Medalha de Prata, em 1948 recebeu a Medalha de Reconhecimento, Mérito e Homenagem e em 1956, o Diploma e Medalha de Ouro de Instrução e Arte, pela Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio.

Participou em 1950, na Inauguração da Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira. No período entre 1959 e 1984, tal como no presente, tanto a Coletividade como a sua Banda de Música continuaram a ser um dos maiores, senão o maior Cartão de Visita da Vila Alentejana.

Em 1983, a S. U. A. realizou o seu I Encontro de Bandas Civis, iniciativa que reuniu cerca de 10 bandas e mais de 400 músicos. Em 1985, a Coletividade comemorou o seu I Centenário, através de diversas iniciativas de cariz cultural e recreativo. Em 1988, a Banda dispunha de cerca de 56 elementos e sob a regência de José André Pires Florindo, representou o Distrito de Évora num Festival de Bandas de Música, em Coimbra.

Em 1994, depois de um período de 3/4 anos de algumas dificuldades, realizou-se o V Encontro de Bandas Civis, iniciativa de grande envergadura e sucesso que contou com a presença da Banda Principal do Exército. Em 1997, marcou presença na Cerimónia do lançamento da 1ª pedra da nova Fábrica da Siemens, em Évora. O ano de 1998 ficou também marcado pelo facto da Coletividade ter conseguido obter o Estatuto de Utilidade Pública.

Em 2000 ficou para sempre assinalado o Intercâmbio Luso – Espanhol, onde aconteceu a 1ª Internacionalização da Banda de Música, em Monesterio – Badajoz, num concerto a que assistiram mais de 500 pessoas e também pela atuação da Banda de Música de Monesterio, em Alcáçovas, no mesmo ano.

No ano de 2002 atuou no Programa Rádio da Antena 1, “Feira Franca”. No ano de 2004, foi gravado o CD “Reflexo de uma Vida”. Além disso, a Banda de Música realizou o concerto do lançamento do 1º CD da Banda e a recepção ao Presidente da República Jorge Sampaio.

Desde 1983 a 2005 realizou e organizou 10 Encontros de Bandas Civis, onde conseguiu reunir cerca de 2600 Músicos, 54 maestros no total de 54 bandas.

Efetuou nos últimos 20 – 25 anos mais de 500 atuações de Norte a Sul do País e no Estrangeiro. Foi galardoada pela Câmara Municipal de Viana do Alentejo com a Medalha de Honra do Município, em 2005. A Banda de Música é constituída por 43 músicos e fruto do trabalho conjunto entre a Direção, o seu Maestro Eduardo Pires Fernandes e o esforço dos seus executantes, atravessa um momento de alguma estabilidade artística.

Banda Filarmónica da Sociedade União Alcaçovense

Banda Filarmónica da Sociedade União Alcaçovense

Cante, Viana do Alentejo, créditos Hardmúsica
Viana do Alentejo e o seu folclore

Ranchos folclóricos, grupos corais etnográficos e atividade no Concelho

  • Alentejo (Alto Alentejo)
  • Distrito: Évora
  • Concelho: Viana do Alentejo

10 grupos

  • Grupo Coral de Aguiar
  • Grupo Coral Feminino de Viana do Alentejo
  • Grupo Coral e Etnográfico de Viana do Alentejo
  • Grupo Coral “Velha Guarda” de Viana do Alentejo
  • Grupo Coral dos Trabalhadores de Alcáçovas
  • Grupo Coral Cantares de Alcáçovas
  • Grupo Coral Feminino e Etnográfico “Paz e Unidade” de Alcáçovas
  • Grupo Coral “Tertúlia dos Amigos do Cante” de Alcáçovas
  • Grupo Coral Juvenil dos Trabalhadores de Alcáçovas
  • Rancho Folclórico Pérola do Alentejo
Rancho Folclórico Pérola do Alentejo

Sediado na Rua Eusébio Leão, nº 18, na freguesia e concelho de Viana do Alentejo, o Rancho Folclórico Pérola do Alentejo é uma associação de natureza cultural e etnográfica constituída a 15 de junho de 1993.

CANTE ALENTEJANO

No dia 27 de novembro de 2020, o cante alentejano assinalou 6 anos como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Para assinalar a data e prestar homenagem aos homens e mulheres que no concelho perpetuam a essência do Alentejo ao longo de gerações, e levam o seu nome por esse país fora, o Município de Viana do Alentejo publicou nas suas redes sociais vídeos de atuações dos 9 grupos corais.

Ciente da importância desta manifestação cultural, o Município de Viana, a par de outras entidades, está desde a primeira hora empenhado na sua preservação. Exemplo disso, foi a realização no Cineteatro Vianense, em 2012, do XIV Encontro da MODA – Associação do Cante Alentejano e o patrocínio do livro “Os grupos corais, o cante alentejano e a sua salvaguarda”, editado pela associação.

Já em 2013, numa altura em que se registava uma forte mobilização em torno do cante alentejano, o Município entendeu reconhecer a sua importância, classificando-o como Património de Interesse Municipal. Uma importância que vai muito para além da sua natureza cultural, manifestando-se também ao nível social, juntando gerações em torno de uma “marca” identitária, caraterística do Alentejo.

O Município de Viana, ciente da importância que os grupos corais têm no Concelho e na promoção do mesmo, continua a apoiar a atividade com os meios necessários para que a sua continuidade não seja comprometida. – referiu o Município.

Cante

Cante, Viana do Alentejo, créditos Hardmúsica

Cante, Viana do Alentejo, créditos Hardmúsica

Grupo Coral Feminino e Etnográfico “Paz e Unidade”

O Grupo Coral Feminino e Etnográfico “Paz e Unidade”, de Alcáçovas, inserido na Associação Cultural e Recreativa Alcaçovense, surgiu com a finalidade de participar num espetáculo de comemoração do Ano Santo, em 2000, no Santuário de Nossa Senhora d’Aires, em representação da Paróquia de Alcáçovas, por sugestão do pároco de então.

Como a experiência se revelou estimulante, os elementos quiseram levar por diante a iniciativa e constituíram o grupo coral. É composto por 25 elementos, com idades compreendidas entre os 14 e os 85 anos. Os seus trajes pretendem recriar os que eram usados pela mulher e todas as atividades que lhe estavam associadas, em meados do século XX: ceifeira, mondadeira, azeitoneira, mulher que planta o arroz, padeira, queijeira, costureira, bordadeira, aguadeira, cozinheira, criada de servir e traje domingueiro.

Tem participado em encontros de cante alentejano, festas populares, festas particulares, cante ao Menino, reis e janeiras, feiras de turismo e de artesanato.

Organiza atualmente um encontro de grupos corais, por ocasião do seu aniversário.

Tomás Ribas, folclorista, de Viana do Alentejo
Músicos naturais do Concelho de Viana do Alentejo

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Tomás Ribas (folclorista, 1918-1999)
Tomás Emílio Leopoldo de Carvalho Cavalcanti de Albuquerque Schiappa Pectra Sousa Ribas nasceu em Alcáçovas, Viana do Alentejo, a 20 de junho de 1918 e morreu em Lisboa, a 21 de março de 1999.

Frequentou o liceu e depois a Faculdade de Letras de Lisboa, no curso de Histórico-Filosóficas, que não chegou a concluir.

Esteve depois no Conservatório Nacional, onde tirou o curso especial de Dança e Coreografia.

Viajou pela Europa e pelos Estados Unidos da América como bolseiro do Instituto de Alta Cultura e da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo trabalhado na Ópera de Paris e nos arquivos dos teatros líricos italianos, e fequentado vários cursos no Actors Studio de Nova Iorque, onde também participou num seminário da Universidade de Columbia sobre antropologia cultural.

Na área do teatro, foi encenador e coreografista. Trabalhou como conservador arquivista no Teatro Nacional de São Carlos durante vários anos.

Trabalhou como docente na Escola Superior de Dança do Instituto Politécnico de Lisboa, onde também fez parte do conselho científico, no Instituto de Novas Profissões, e no Conservatório, onde deu aulas de dança, encenação e estética.

Como jornalista, escreveu para vários jornais diários de Lisboa e revistas, incluindo O Século Ilustrado, Vértice, Vida Mundial e Mundo Literário, tendo-se destacado principalmente como crítico de bailado.

Esteve igualmente no Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres, como chefe da divisão de Etnografia e Folclore.

Ocupou a posição de delegado da Secretaria de Estado da Cultura, na cidade de Faro, e fez parte do Conselho da Região de Turismo do Algarve entre 1977 e 1986, tendo-se destacado pelo impulso que deu à etnografia e cultura da região.

Deixou uma vasta obra literária, tendo publicado o seu primeiro livro, Monotonia, aos vinte e cinco anos, que foi a sua única obra de poesia. Em prosa, escreveu sobre vários temas, destacando-se as obras Pavlova, sobre a bailarina russa Anna Pavlova, O Primeiro Negócio, de ficção, Cláudia e as Vozes do Mar, sobre teatro, e o ensaio Etnografia, Ballet, Danças Populares e Teatro. Escreveu igualmente vários roteiros sobre Portugal, incluindo Guia de Recolha de Danças, Portugal Turístico, Guia Turístico de Faro (1987), e Beja à Descoberta de um Passado (1995). Também redigiu o prefácio para a segunda edição do livro Um Algarve Outro – contado de boca em boca. Em 1999, publicou a sua última obra, O Teatro Trindade – Cento e Vinte Anos de Vida, da editora Lello e Irmãos. Tomás Ribas faleceu em 21 de março de 1999, na cidade de Lisboa.

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Tomaz Ribas

Tomás Ribas, folclorista, de Viana do Alentejo

Tomás Ribas, folclorista, de Viana do Alentejo