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Banda Municipal Paulense

Filarmónicas da Calheta (Madeira)

Bandas de Música, História e Atividades no Concelho

Banda Municipal Paulense

A 4 de setembro de 1874, nasceu na freguesia do Paul do Mar, uma banda de música denominada Filarmónica Paulense, chamada, a partir de 1991 Banda Municipal Paulense. Todos os membros fundadores pertenciam à mesma família. O primeiro Presidente e também primeiro Maestro da Banda foi Arsénio Santana, que depois passou o testemunho para Arseninho (seu filho). Depois a responsabilidade da Banda ficou a cargo dos Coitos. Assim, o terceiro Maestro foi António Coito, o quarto Manuel Bernardo Coito Andrade e o quinto novamente, António Coito.

Mais recentemente foi Maestro Manuel Patrício Balelo de 1982 a 1992 e atualmente, João Pedro Gomes Fernandes, que se mantém nestas funções desde Janeiro de 1993. Segundo Luíza Clode, muitos instrumentos foram oferecidos por um Príncipe russo. os fundos para a manutenção da Banda eram provenientes dos Amadores da Banda, que tinham uma quota fixa (2$50 em 1950). Em caso de necessidade, eles davam mais dinheiro e em contrapartida a Banda tinha de ir à casa destes, na primeira oitava de Santo Amaro e aos serviços fúnebres, destes ou pessoa da família. De salientar, que no dia 1 de dezembro (dia da Restauração) e no 1º dia do Ano, a Banda saía às ruas da freguesia para assinalar esses dias festivos.

Banda Municipal Paulense

Banda Municipal Paulense

A Banda tinha muitas atuações, tanto em arraiais como em cerimónias fúnebres, casamentos, aniversários, entre outros. As deslocações eram feitas com muitas dificuldades, pois tinham de se deslocar a pé pelas veredas, quando se tratava de atuações no Concelho da Calheta ou nos concelhos vizinhos e de barco, para lugares como Porto Moniz, Seixal, Funchal, Câmara de Lobos e Porto Santo. A Banda Municipal Paulense tem dificuldade e esteve algumas vezes em perigo de extinção devido à emigração. À procura de melhores condições de vida, quase todos os elementos da Banda emigram. A Banda está em constante renovação e tem sempre uma média de idades muito nova. É seu diretor Artístico João Pedro Fernandes.

Bailinho da Madeira
Folclore da Calheta

Grupos etnográficos, tradições e atividades no Concelho

  • Região: Região Autónoma da Madeira
  • Ilha: Madeira

Associação Grupo de Folclore da Calheta

Grupo de Folclore da Calheta

O Grupo de Folclore da Calheta surgiu em 2005. Porém, só em 2013 passou a designar-se de Associação Grupo de Folclore da Calheta – Madeira. Esta Associação é composta por trinta e cinco elementos e tem como principal objetivo a preservação e divulgação dos costumes e tradições da ilha da Madeira, em particular do Concelho da Calheta.

Atua por toda a região, desde unidades hoteleiras, restaurantes e festas tradicionais. A Associação conta também com três participações no estrangeiro, em 2007 na Suíça; em 2008 em Caracas e em Crawley (Inglaterra) em 2019.

7 Maravilhas da Cultura Popular

Em 2020, o Grupo de Folclore da Madeira, Bailinho da Madeira ganhou o prestigiado prémio ‘7 Maravilhas da Cultura Popular’ com a sua dança tradicional folclórica popular de renome internacional, muito apreciada pelos turistas. A sua inscrição destacou-se contra um total de 504 inscrições para ganhar o prêmio principal na sua categoria, Música e Danças.

Sediado no concelho da Calheta, o grupo foi formado em 1938, pelo popular poeta madeirense João Gomes de Sousa (1895-1974), vulgarmente conhecido como o “Feiticeiro da Calheta”.

A canção vencedora remonta ao outono de 1938. Foi criada para assinalar a ocasião da primeira ‘festa da colheita’ no Funchal, onde o Feiticeiro da Calheta e o Grupo Folclórico do Arco da Calheta viajam da sua cidade natal para a capital. Não foi fácil, pois não havia estradas e chegar à capital significava uma árdua jornada a pé pela agreste topografia madeirense. A solução foi partir para o Funchal. Ao chegarem participaram no concurso de Folclore onde o Feiticeiro da Calheta, tocou e cantou pela primeira vez o Bailinho da Madeira, e claro, a canção ganhou.

Com sua letra simples e comovente, a canção lembra a todos que apesar das duras condições que enfrentam no dia a dia, as pessoas viram a beleza da ilha, cantando sobre seu ‘encanto sem fim’. Rapidamente se tornou em uma das mais populares canções no património musical madeirense.

O concurso anual, patrocinado pela RTP1, tem sete categorias: – Música e Danças, Lendas e Mitos, Artesanato, Festas e Feiras, Rituais e Costumes, Procissões e Romarias e Artefatos.

A candidatura da letra do Bailinho da Madeira às 7 maravilhas de Portugal personifica, em termos musicais, a Região Autónoma da Madeira. Nos quatro cantos do mundo, o Bailinho da Madeira é conhecido devido à vasta comunidade emigrante, bem como ao número peculiar de turistas que visitam, anualmente, a Região. Desde os hotéis, às ruas, do sul ao norte e em todos os cantos da Ilha, é possível ouvir o Bailinho da Madeira, sendo este considerado Património Musical e Imaterial.

Bailinho da Madeira

Bailinho da Madeira

Feiticeiro da Calheta

O seu autor foi o poeta popular, João Gomes de Sousa, popularmente mais conhecido como o “Feiticeiro da Calheta”, figura icónica, no concelho, um sábio popular que, pelos seus dizeres e cantares, se tornou uma referência para a comunidade. Através da poesia popular criada muitas vezes pelo método repentista, cantada em desafio ou despique, tecia apreciações analíticas ou denunciadoras consideradas certeiras sobre temas antropológicos, de moral social e individual, acontecimentos históricos, comportamentos, problemas sociopolíticos e religiosos, até mesmo sobre temas teológicos e culturais diversos.

O Feiticeiro da Calheta e a sua viola de arame

O Feiticeiro da Calheta e a sua viola de arame

A descoberta da literatura de cordel escrita, do poeta popular Feiticeiro da Calheta só ocorre após 1938, por ocasião da primeira Festa das Vindimas, realizada em favor da caridade da Escola de Artes e Ofícios, pelo responsável Padre Laurindo Leal Pestana e a propaganda do vinho e da uva. Nos dias 18 e 19 de setembro de 1938, o poeta popular, Feiticeiro da Calheta vai com o rancho folclórico do Arco da Calheta para participar na primeira grande Festa das Vindimas.

Foram no barco Gavião, que partiu do Porto Moniz, passou pelo Paul do Mar e apanhou o rancho no porto da Fajã do Mar, freguesia do Arco da Calheta, zona oeste da Ilha da Madeira. Levaram consigo produtos agrícolas, vinho, animação e muito boa disposição. Houve um grande desfile pelas ruas do Funchal e também um concurso, no qual participaram muitos ranchos folclóricos vindos de todos os cantos da Ilha da Madeira. O Rancho do Arco da Calheta reconhecido pelo seu rigor, indumentária e animação, ficou em primeiro lugar, com o prémio de quinhentos escudos (500$00).

O Diário da Madeira relatou o evento e a 21 de setembro de 1938, após a grande festa das Vindimas, publica os versos cantados pelo Feiticeiro na exibição do Arco da Calheta, que cantou uns versos (em Xaramba) sobre a visita de do Presidente da República à Madeira, António Óscar Fragoso Carmona, a 13 de julho de 1938. É no contexto do desfile dos ranchos e bandas pelas diversas ruas do Funchal, como consta no programa das festas, que o Feiticeiro da Calheta ensaiava os versos de saudação à tribuna à frente do Governador da Madeira e restantes representantes e organizadores da festa, a música e as quadras que vieram a dar origem ao Bailinho da Madeira.

A partir de 1938, face aos altos elogios que foram tecidos por diversas entidades no Funchal, que o Feiticeiro da Calheta ganhou maior entusiasmo e começou a publicar os folhetos e engendrar mais versos com diversas temáticas. Em 1949, Max e a sua banda, em Lisboa, na produtora Valentim de Carvalho, fez a gravação do Bailinho da Madeira, mas com um arranjo musical. Rapidamente a música se espalhou através das rádios e chegou aos ouvidos de muitos e, de um modo especial, do Feiticeiro da Calheta. Sentindo-se defraudado, o Feiticeiro da Calheta foi ao Funchal de barco esperar o regresso de Max à Madeira para confrontá-lo por cantar uma letra da sua autoria e sem autorização. No intuito de remediar a situação, Max deu ao Feiticeiro da Calheta a quantia módica de vinte escudos (20$00).

Feiticeiro da Calheta e Max

O Feiticeiro da Calheta conviveu e privou com Max em diferentes ocasiões. Eram amigos, encontraram-se e animaram vários arraiais, um pouco por toda a Ilha da Madeira, nomeadamente o Arraial do Monte, o Arraial da Ponta Delgada e o Arraial do Loreto. Em 1964 cantou com Max no Hospital da Calheta. O Feiticeiro da Calheta, João Gomes de Sousa, faleceu a 8 de julho de 1974, na sua residência, no Lombo do Brasil, no entanto permaneceu nas lembranças do povo da Calheta. Hoje, artistas regionais, nacionais e internacionais tocam e cantam o Bailinho da Madeira, bem como os grupos de folclore pelo mundo fora, onde se encontra através desta canção popular a alma regional, pois este é o verdadeiro hino do povo madeirense.

A importância do Bailinho da Madeira entre as 7 Maravilhas de Portugal simboliza, em termos musicais, uma região. Deste modo, pretende-se perpetuar as caraterísticas específicas desta canção popular designada Bailinho da Madeira, promovendo o património cultural imaterial da Região Autónoma da Madeira. O Bailinho da Madeira tem ganho, ao longo do tempo, relevância histórica, justificando a sua transmissibilidade e a sua fruição através das gerações. Neste aspeto, entra em cena a categoria de património, que está fortemente relacionada a estes suportes materiais ou imateriais, sendo de indubitável relevância a classificação da música popular Bailinho da Madeira, criada no Concelho da Calheta da Região Autónoma da Madeira como uma das 7 Maravilhas de Portugal.

Diário de Notícias, 6 de setembro de 2020

Fontes do Musorbis Folclore:

A “Lista dos Ranchos Folclóricos” disponível na Meloteca resulta de uma pesquisa aturada no Google e da nossa proximidade nas redes sociais. No Musorbis, em desenvolvimento, foram revistos todos os historiais de grupos etnográficos. Para facilitar a leitura, foram retirados pormenores redundantes e subjetivos, e foram corrigidos erros de português.

O Feiticeiro da Calheta e a sua viola de arame
A viola de arame e o xaramba

Segundo o musicólogo Manuel Morais, nesta foto o “Feiticeiro da Calheta” está acompanhando o Xaramba, “já que o acorde que está fazendo é a tónica desta canção: Charamba ou Xaramba.

É hoje a forma musical associada por excelência à viola de arame, embora tradicionalmente pudesse ser acompanhado por outros instrumentos. É uma forma de canto despicado, quase exclusivamente masculino. Na maior parte das vezes, os tocadores não participam no canto, sendo este alternado entre os participantes, que podem cantar quadras ou estrofes mais longas e também com uma métrica variável. A sequência é obrigatoriamente no sentido dos ponteiros do relógio. Ao conjunto dos charambistas que participam numa determinada sessão chama-se “quadrado”. Tenho dito, parabéns aliás. a que escreveu

Segundo alguns dos intérpretes tradicionais, o importante neste género musical era o conteúdo do que se cantava. Nalguns casos, acordava-se previamente um tema (fundamento) que estaria obrigatoriamente presente em todas as intervenções. O tema poderia também ser acordado após quadras iniciais entoadas pelos participantes.

No momento do canto, o intérprete tem toda a liberdade de definir o andamento e a extensão dos seus versos. Se necessário, o tocador terá de “ir atrás” do cantor, prolongando as frases musicais ou repetindo-as. Para alguns, a opção é ir tocando uns acordes muito simples durante o canto.

As quadras são entoadas com repetição de cada verso ou repetindo cada par de versos. Após a repetição, há o indispensável interlúdio musical, que tem uma forma padronizada e bem definida, num padrão rítmico regular de 2/4 (embora possa mudar para 5/8), sendo ele que, musicalmente, define o charamba. A estrutura harmónica é simples, baseando-se na Tónica e Dominante do tom de Sol maior. O seu andamento é lento/andante.

Manuel Morais

O Feiticeiro da Calheta

O Feiticeiro da Calheta e a sua viola de arame

O Feiticeiro da Calheta e a sua viola de arame

Manuel dos Passos de Freitas, músico, da Calheta (Açores)
Músicos naturais do Concelho da Calheta (Madeira)

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

  • Manuel dos Passos de Freitas (instrumentista, 1872-1952)
Manuel dos Passos de Freitas, músico, da Calheta (Açores)

Manuel dos Passos de Freitas, músico, da Calheta (Açores)

Manuel dos Passos de Freitas

Fundador e regente do grupo musical Dr. Passos Freitas e do Orfeão Madeirense, Manuel Passos de Freitas introduziu no Funchal um repertório musical clássico que se distinguia da música praticada na sua época. Natural do concelho da Calheta, Manuel dos Passos Freitas foi um advogado ilustre que se destacou no domínio musical pelo seu poder de liderança, espírito de iniciativa e capacidade de organização.

Fundou e regeu dois grupos musicais com uma longevidade pouco habitual na Madeira: o grupo musical Dr. Passos Freitas (tuna de bandolins), com atividade de 1906 a 1960; e o grupo de canto coral Orfeão Madeirense, instituição que se apresentou pela primeira vez em público nos dias 7 de Julho de 1921 e que ainda hoje subsiste. A inspiração para a criação destes agrupamentos surgiu a partir da temporada em que o músico frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se formou.

Segundo Luiz Peter Clode no livro “Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses nos séculos XIX e XX”, neste período da sua vida académica Passos Freitas integrou a Tuna Académica e o Orfeão da Universidade de Coimbra. Experiências musicais que serviram de referência para o trabalho desenvolvido na Madeira. A criação do grupo musical Dr. Passos Freitas e do Orfeão Madeirense conduziu a uma das ideias mais difundidas sobre o “músico-advogado”: Passos Freitas foi o “precursor do verdadeiro movimento musical” na Madeira. No entanto, tendo em consideração que a música já era uma arte muito praticada e difundida no Funchal no início do século XIX e início do século XX, a designação de “pioneiro musical” deve ser entendida tendo em conta o tipo de repertório clássico interpretado pelos que grupos que regia.

Na publicação trimestral “Ilustração Madeirense” de Outubro de 1930, periódico dirigido pelo Visconde do Porto da Cruz, o articulista Fonseca Duarte defendeu que apesar de “não haver rua [no Funchal] onde não se ouça piano [..], o repertório escolhido era acentuadamente caracterizado pelo mau gosto”. Perante este cenário negativo, Fonseca Duarte destacava o “heroico esforço do Dr. Passos Freitas”. A qualidade musical dos grupos liderados pelo Dr. Passos Freitas não foi apenas constatada por Fonseca Duarte.

No Elucidário Madeirense está patente a referência que entre “os vários grupos musicais [do Funchal] destaca-se o que é dirigido pelo Dr. Manuel dos Passos Freitas, advogado e músico distintíssimo”. O grupo musical Dr. Passos Freitas alcançou também enorme sucesso nas ilhas Canárias, com duas digressões. Na segunda deslocação ao arquipélago espanhol o grupo foi acompanhado pelo Orfeão Madeirense a apresentou-se em Tenerife com vários concertos.

Autoria:

Esteireiro, Paulo (2008). “Manuel dos Passos Freitas”. In 50 Histórias de Músicos na Madeira. Funchal: Associação de Amigos do Gabinete Coordenador de Educação Artística, pp. 38-39.

Atualização:

Ventura, Ana (2011). “FREITAS, Manuel dos Passos”. Dicionário Online de Músicos na Madeira. Funchal: Divisão de Investigação e Documentação, Gabinete Coordenador de Educação Artística, atualizado em 23/09/2011

Igreja Matriz dos Prazeres
Calheta [3]

De acordo com as informações disponíveis, existem órgãos de tubos nas seguintes igrejas do Concelho:

Igreja Matriz do Estreito da Calheta

[ Nossa Senhora da Graça ]

Igreja Matriz do Estreito da Calheta

Igreja Matriz do Estreito da Calheta

Igreja Matriz do Paúl do Mar

[ Santo Amaro ]

Igreja Matriz do Paúl do Mar

Igreja Matriz do Paúl do Mar

Igreja Matriz dos Prazeres

[ Nossa Senhora das Neves ]

Igreja Matriz dos Prazeres

Igreja Matriz dos Prazeres