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Banda Municipal do Barreiro
Filarmónicas do Barreiro

Bandas de Música, História e Atividades no Concelho

Banda Municipal do Barreiro

A Banda Municipal do Barreiro foi fundada em 1972 e teve origem num núcleo de executantes da extinta Banda da CUF (criada a 1 de Maio de 1911 por trabalhadores daquela empresa). A partir de 1975, deu-se uma profunda transformação na vida da Banda, com o apoio dado pelo Município à manutenção e desenvolvimento da sua atividade, passando de três ou quatro atuações anuais para uma média de vinte e cinco.

Banda Municipal do Barreiro

Banda Municipal do Barreiro

Com o funcionamento da Escola de Música que a Banda mantém, foi possível incentivar os jovens, havendo uma maior destes a integrar a Banda. A Banda tem realizado concertos por todo o país. São de salientar os ciclos de concertos efetuados nas freguesias do Concelho, integrados num programa de divulgação e motivação para a música. Composta por cerca de 40 instrumentistas, a Banda Municipal do Barreiro é dirigida pelo Maestro Rui Miguel Rosado Marques.

Maria de Lourdes Resende, cantora, do Barreiro
Músicos naturais do Concelho do Barreiro

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

Dulce Cabrita

Dulce Cabrita, cantora, do Barreiro

Dulce Cabrita, cantora, do Barreiro

Fernando Farinha

Fernando Farinha, fadista, do Barreiro

Fernando Farinha, fadista, do Barreiro

Ferrer Trindade

Ferrer Trindade, compositor de canções, do Barreiro

Ferrer Trindade, compositor de canções, do Barreiro

José Batata

José Batata, musicógrafo, do Barreiro

José Batata, musicógrafo, do Barreiro

Maria de Lourdes Resende

Maria de Lourdes Resende, cantora, do Barreiro

Maria de Lourdes Resende, cantora, do Barreiro

José Batata

Homem com vasta cultura e formação musical, José Batata foi o grande impulsionador da Escola de Jazz do Barreiro. O seu nome está ligado à formação da Camerata Musical do Barreiro, assim como à Big Band da Escola de Jazz ou à Banda Municipal do Barreiro. José Batata dinamizou o projeto Outubro – Mês da Música, na época iniciativa do género pioneira na Área Metropolitana de Lisboa, que era um desafio para abrir caminho e colocar o Barreiro, no plano musical, na rota de eventos de dimensão cosmopolita.

José Batata, foi o impulsionador, da criação das Bolsas de Estudo Fernando Lopes-Graça, um projeto pioneiro da Câmara Municipal do Barreiro que permitiu a diversos jovens ter condições de aprendizagem e conquistarem os seus sonhos de formação musical. Foi responsável pela elaboração e implementação do Projeto de Animação e Dinamização da Atividade Musical para o Concelho do Barreiro, em 1987.

Musicógrafo com diversas participações em projetos na RDP e na RTP, professor de Educação Musical, colaborador na edição de várias obras musicais quer para a Oficina Musical do Porto, ou no “Cancioneiro Popular Português” de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça editado pelo Círculo de Leitores. José Batata, faleceu em 11 de janeiro de 2019.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário
Órgãos de tubos do concelho do Barreiro [3]

De acordo com as informações de que dispomos, os órgãos de tubos existentes no Concelho são os seguintes:

Igreja Paroquial de Santa Margarida do Lavradio

Igreja Matriz do Lavradio

Igreja Paroquial do Lavradio

Igreja Paroquial do Lavradio possui um órgão histórico António Xavier Machado e Cerveira, opus s./n.º, s./d.

Igreja Paroquial de Santa Cruz

Igreja Matriz de Santa Cruz

Igreja Matriz de Santa Cruz

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário

[ Igreja Paroquial ]

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário

Nos séculos XV/XVI existia uma pequena ermida dedicada a S. Roque, onde hoje se situa a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Em data indeterminada a Confraria de S. Roque terá cedido a ermida à Irmandade de S. Pedro, constituída por marítimos e pescadores da Vila do Barreiro, a qual se encontra ali desde 1629. A partir de 1736, tem início a romaria à Senhora do Rosário, imagem venerada na velha ermida, transformando-se a partir dessa época num dos principais Círios da Margem Sul, à semelhança dos Círios da Atalaia (Montijo) e da Senhora do Cabo (Cabo Espichel). A Igreja começa a ganhar a atual designação. No final do séc. XVIII, a devoção à Senhora do Rosário atingira tal fama, que a velha ermida de S. Roque era já pequena para acolher todos os romeiros, em busca dos seus milagres. D. Maria I emitiu então um alvará régio autorizando os membros da Confraria dos Escravos de Nª Sª do Rosário, então instalada na igreja, para ampliarem a pequena ermida. Atualmente é uma igreja de corpo retangular, com uma fachada de linhas severas, onde sobressaem dois torreões, um dos quais (Norte) ostenta um carrilhão. No  interior, destaca-se o altar-mor em talha dourada, com uma imagem de roca da Senhora do Rosário. A sacristia está revestida com um silhar de azulejos do período final do Barroco. Referência ainda para o Lavatório em pedra lioz, ricamente lavrada, também deste período. A igreja situa-se no Largo Bento de Jesus Caraça.

Possui um órgão histórico [ I; (16+17) ], I teclado manual de 53 notas (Dó1 – Dó3 / Dó#3 – Mi5) e 33 meios registos, provavelmente de Joaquim António Peres Fontanes e seu filho, construído c. 1810, restaurado pela Oficina e Escola de Organaria em 2007, opus 50.

Montra

Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Consola

Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Consola

Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Teclado manual

Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Tubos

Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

“Desde a década de 50 do século XX, partindo dos ensinamentos do professor Karl Heinz Muller, que o nosso país vive num movimento de recuperação de órgãos, nomeadamente órgãos de tubos históricos. A igreja dos Mártires de Lisboa e a de Santo Amaro em Oeiras viram o desejo da recuperação dos seus órgãos tornar-se uma realidade. Nos anos 60 a 70, foi a vez do órgão da de Lamego, o órgão (do Evangelho) de Mafra e o da do Porto, entre outros exemplos, verem devolvida toda a beleza dos sons que ecoaram de novo pelo espaço sagrado.

Na nossa Diocese de Setúbal, possuímos alguns belos exemplares da organística, que merecem um trabalho de análise histórica aprofundado; são os casos dos órgãos da Igreja da Arrentela, Seixal; da Igreja de S. Sebastião, Setúbal; do Santuário de Nossa Senhora do Cabo, Sesimbra, e do recentemente restaurado Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário no Barreiro.

Este último órgão de tubos, depois de apurado restauro, teve o seu concerto inaugural no passado dia 8 de Dezembro.

É um instrumento de tipo ibérico, que tem características adquiridas principalmente a partir de modelos originários dos Países Baixos. A partir do século XIV, a construção de Órgãos na Península fez grandes progressos, mas é no século XVI, com a vinda de mestres organeiros flamencos e italianos, que a actividade ganha grande fôlego, atingindo pleno vigor no século XVIII.

O Órgão da Senhora do Rosário do Barreiro, dadas as suas características, é do primeiro quartel do século XIX, visto que de 1821 a 1826 foram entregues vários trabalhos de restauro a António José Fontanes. É neste argumento que reside a atribuição deste órgão ao pai deste mestre organeiro da Real Basílica de Santa Maria de Lisboa.
Os órgãos de Joaquim António Peres Fontanes são muito semelhantes aos de Machado Cerveira, contudo, os frontispícios elaborados por este chegaram a adquirir estatuto de verdadeiras obras-primas. O seu filho, António José Fontanes, dedicou-se essencialmente a restaurar órgãos fabricados pelo pai, mas existem alguns da sua lavra, como o da igreja matriz de Oeiras, que tem esta inscrição: «Antonio Joaquim Fontanes, o fez em Lisboa no anno de 1829».

Segundo o mestre-organeiro Pedro Guimarães von Rohden, este órgão seria construído por Fontanes (filho), a partir de um instrumento de seu pai. A data da construção seria entre 1797 – ano em que ainda se alugou um instrumento em Lisboa – e 1808, de que data a primeira referência a um órgão nesta igreja.

Diz a tradição que o órgão foi oferecido por D. Maria I à Capela Real de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro. Corroborando esta tese, está a coroa real presidindo ao frontispício do órgão; debaixo, inscrita sob uma forma ovalada, as siglas da Ave Maria, que alude à saudação do Anjo a Maria e, quem sabe, seja uma referência à ofertante?

É um órgão de características barroca-rocócó, com caixa pintada em parte com marmoreados. Possui 1515 tubos, sendo que os do frontispício dispõem-se de forma serpenteante de curva e contracurva, divididos em cinco corpos, definidos por estípites, cujos capitéis são rematados por jarros de flores. Ladeando as siglas marianas, colocadas no corpo central, há duas representações da ladainha mariana; nos corpos laterais, a lua do lado direito e o sol do lado esquerdo. Une as três formas ovais um elegante florão.

Casimiro Henriques, Diocese de Setúbal, 28 dezembro 2007