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Rancho Folclórico da Associação Cultural da Casa do Povo da Livração
Folclore no Marco de Canaveses

Grupos etnográficos, tradições e atividades no Concelho

  • Rancho de Santo André de Vila Boa de Quires
  • Rancho Folclórico As Lavradeiras de São Martinho de Sande
  • Rancho Folclórico da Associação Cultural da Casa do Povo da Livração
  • Rancho Folclórico de Quintã – Soalhães
  • Rancho Folclórico de Santa Eulália de Constance
  • Rancho Folclórico de Maureles
Rancho de Santo André de Vila Boa de Quires

Vila Boa de Quires está inserida na Região Entre Douro e Minho, a norte do Concelho de Marco de Canaveses e na margem direita do Rio Tâmega. Criado para recolher, preservar e divulgar a tradição popular herdada dos antepassados, o Rancho tem procurado desde o início a autenticidade das recolhas e seriedade do espetáculo. O seu primeiro ensaio, realizou-se a 29 de junho de 1998 e sua primeira atuação aconteceu a 04 de agosto do mesmo ano, na Exposição de Artesanato, em Vila Boa de Quires, aquando da inauguração do Repositório de Arte Popular. O grande impulsionador para a criação do Rancho foi o pároco, Padre José António de Sousa Barros. Para além do objetivo da preservação e divulgação das suas raízes, o Rancho tinha como missão ocupar as crianças da freguesia nos seus tempos livres. Dado o êxito alcançado nas suas primeiras atuações, os incentivos foram inúmeros, pelo que, com coragem, determinação e poder de iniciativa nasceu a Associação Cultural e Recreativa de Santo André de Vila Boa de Quires. Santo André foi o nome escolhido pelo facto de aquele Santo ser o Padroeiro da Paróquia de Vila Boa de Quires (antiquíssimo concelho de Portocarreiro).

O principal objetivo desta Associação, é a Preservação e Divulgação do Folclore da Região na qual se encontra inserido e levar os seus usos e costumes a terras mais longínquas. Alguns elementos procuram recriar figuras do passado que desapareceram ou estão em vias de tal, assim como, os aguadeiros que percorriam diversas regiões onde existiam festas e romarias a vender a água doce, as sardinheiras que vendiam peixe porta a porta na freguesia, as galinheiras, a oveira que recolhia os ovos que depois iriam dar lugar aos tão famosos doces como são o exemplo as cavacas e o pão de ló, e os chapeleiros dos chapéus de palha. A tocata do grupo inclui concertinas, acordeões, violas, cavaquinhos, bombo e ferrinhos. As danças são numerosas mas destacam-se a tão famosa Chula que dava para antigamente presentear alguns proprietários de casas ricas de Vila Boa de Quires, assim como, uma dança de salão que é designada como a Quadrilha e também os ditos Fados dançados. Entre as danças das romarias refiram-se o Malhão, Cana Verde, o Verdegar, a Rusga, o Iscote, Alargai-vos raparigas, a Prima, ó Rica Prima, o Regadinho, o Senhor da Pedra, o Fado de Rusga.

Rancho de Santo André de Vila Boa de Quires

Rancho de Santo André de Vila Boa de Quires

Durante os seus anos de existência o Rancho de Santo André de Vila Boa de Quires organiza anualmente no mês de agosto o seu Festival Nacional e Internacional de Folclore. Participou em diversos eventos, salientando-se uma atuação para o então Presidente da República de Portugal, Dr. Jorge Sampaio aquando da visita a Marco de Canaveses em 2005. Participou em diversas festas e em festivais nacionais e internacionais de Folclore de Norte a Sul do País. Deslocou-se ao Arquipélago da Madeira, onde atuou em diversos festivais, destacando-se o Festival Internacional da Cidade do Funchal. Como património, o Rancho Folclórico conta com um palco para realizações de eventos e a sua sede, onde recria um espaço onde são demonstrados os usos e costumes dos antepassados, um verdadeiro repositório de arte popular, onde atuou em direto para o programa “Portugal no Coração” da RTP.

Rancho Folclórico da Associação Cultural da Casa do Povo da Livração

O Rancho Folclórico da Associação Cultural da Casa do Povo da Livração é uma associação de natureza etnográfica fundada em 18 de Setembro de 1977, o segundo Grupo Folclórico do Concelho, sendo o mais antigo o de Santa Maria de Maureles – 1960. Pertence à região Etnográfica do Douro Litoral.

Rancho Folclórico da Associação Cultural da Casa do Povo da Livração

Rancho Folclórico da Associação Cultural da Casa do Povo da Livração

Entre as suas danças tradicionais constam: Chula, Malhão, Verdegar, Cana Verde, Viras, Rusgas, Iscote. Apresenta trajes de Noiva, Domingar (de luxo), Festa, Trabalho (Aguadeiro, Moleiro, Chapeleiro e Trabalhador do Campo – o mais característico da região). Entre os usos e costumes, destacam-se as novenas à Nossa Senhora da Livração. Tem sede na Casa do Povo da Livração. Conta representações nacionais de Norte a Sul do País; e representações internacionais (Andorra).

Rancho Folclórico Santa Maria de Maureles

O Rancho Folclórico Santa Maria de Maureles é uma coletividade de natureza cultural e etnográfica sediada em Maureles, que foi uma freguesia portuguesa do concelho de Marco de Canaveses, extinta (agregada) pela reorganização administrativa de 2013, sendo o seu território integrado na freguesia de Vila Boa de Quires e Maureles. A associação anteriormente designada de Rancho Folclórico de Maureles, constituída a 15 de julho de 1985, tem atualmente a designação de Centro Cultural e Recreativo de Maureles. Realizou em 2019 o seu 51.° Festival de Folclore.

Banda de Música de Vila Boa de Quires

Filarmónicas do Marco de Canaveses

Bandas de Música, História e Atividades no Concelho

Associação Cultural, Artística e Desportiva de Vila Boa de Quires

A Banda de Música de Vila Boa de Quires terá começado com uma tuna coral, com o objetivo principal de fazer missas cantadas. Para que a agremiação pudesse ser identificada, construiu o seu símbolo alegórico, constituído por uma haste de madeira, na vertical, com dois metros de altura, e três hastes horizontais, também em madeira, mais pequenas, na horizontal. As peças horizontais tinham penduradas diversas campainhas as quais, com o movimento dos seus transportadores, emitiam variados sons, de acordo com a sua forma e tamanho.

O símbolo da tuna passou a ser utilizado como instrumento musical, parecido com o nosso conhecido “brinquinho da Madeira”, e no final das missas, devido à grande concentração de pessoas que nessa época se fazia nos adros das igrejas, as mulheres para comprarem os doces regionais e os homens para fazerem a barba, a tuna passou a ter, além do caracter religioso, atuações com cariz lúdico.

Assim, no dia 24 de novembro do ano de 1872, surgiu o primeiro regulamento oficial, que define os direitos e obrigações que todos os elementos da então chamada “Capela e Orquestra” tinham de cumprir, incluindo o regente e diretor Albano Gonçalves de Carvalho. Nesta altura a “capela e orquestra” era composta por dezasseis pessoas e, pelo indicado no referido documento, além das missas cantadas, já faziam festas e tocatas. As atuações eram encaradas com profissionalismo. Eram aplicadas penas aplicadas a quem não cumprisse o regulamento. Após muitos anos de aperfeiçoamento, a “capela e orquestra” de raízes populares, substituiu o seu símbolo por uma bandeira, em conformidade com o estatuto que estava a adquirir, passando a ser conhecida por Banda de Vila Boa.

ACADES

Banda de Música de Vila Boa de Quires

Banda de Música de Vila Boa de Quires

A sua elevada qualidade fez com que fosse solicitada a estar presente em diversas atividades culturais, nomeadamente, no ato de inauguração da linha do Tâmega, onde, por volta das onze horas tocou o “Hymno Nacional”, conforme prova a emissão do jornal “Flôr do Tâmega” de 28 de março de 1909. Por volta de 1955, por abandono do seu regente da altura, a “Banda de Vila Boa” passou por momentos difíceis, causados pela falta de um líder e de um espaço para realizar os ensaios, uma vez que os mesmos não podiam ser feitos, como até aí, na casa de S. Nicolau (junto ao Pelourinho) porque ela pertencia ao ex-regente e, com tal, não tinham autorização para isso. O povo de Vila Boa de Quires, com a intenção de reabilitar a Banda, fez um peditório e construiu, no lugar dos quatro irmãos, a “casa da música”, também conhecida por “casa dos ensaios”.

Já com novo regente, a banda começou a renascer e, de direção em direção, chegou até ao dia 2 de Junho de 1977, data em que foi feita a escritura de criação de uma Associação Cultural, Artística e Desportiva de Vila Boa de Quires (ACADES), que inclui a Banda de Música de Vila Boa de Quires e todo o seu património. Continua a ser conhecida por Banda de Música de Vila Boa de Quires, sendo composta por 55 elementos, na sua maioria filhos da freguesia, e, devido ao grande volume de atuações que faz ao longo do ano, continua a ser a principal atividade da associação.

Carmen Miranda, cantora, do Marco de Canaveses
Músicos naturais do Concelho de Marco de Canaveses

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis tem como objetivo aproximar dos munícipes os músicos e a música do Concelho.

Carmen Miranda

Carmen Miranda, cantora, do Marco de Canaveses

Carmen Miranda, cantora, do Marco de Canaveses

Monumento a Carmen Miranda no Marco de Canaveses

MÚSICA À VISTA

Sugestões de património edificado

para uma rota musicoturística no Concelho de Marco de Canaveses

Museu Municipal

Museu Municipal e busto de Carmen Miranda

Museu Municipal e busto de Carmen Miranda

Monumento a Carmen Miranda no Marco de Canaveses

Monumento a Carmen Miranda no Marco de Canaveses

O Museu Municipal do Marco de Canaveses foi criado por deliberação municipal de 8 de novembro de 1952 e instalado em 1963, nas arcadas do Jardim Municipal. De agosto de 1970 até 1981, ocupou três salas da antiga Escola Primária Conde de Ferreira, junto à Câmara Municipal. Em 1981, o acervo foi transferido para uma das antigas Casas dos Magistrados na Alameda Dr. Miranda da Rocha. Ainda nos anos 80, acolheu algumas ofertas da comunidade brasileira que depositaram peças alusivas a Carmen Miranda, passando, desde então, a adotar a designação Museu Municipal Carmen Miranda. Atualmente o Museu Municipal Carmen Miranda integra três espaços: um de acervo museológico composto por um conjunto de coleções (pintura, escultura, numismática, arte sacra, etnografia); o denominado Espaço Arte, vocacionado para exposições temporárias das mais variadas correntes artísticas, ou temáticas e a Sala Carmen Miranda, tomando como referência esta ilustre marcoense que marcou indelevelmente o nome do Marco de Canaveses e de Portugal, no panorama cinematográfico e musical. Esta sala reúne o espólio recolhido, até ao momento, alusivo a esta artista, que a Câmara Municipal tem procurado aumentar através da realização do Prémio Carmen Miranda e Concurso de Expressão Plástica Carmen Miranda, entre outras iniciativas.

Igreja Matriz de Vila Boa de Quires
Órgãos de tubos do concelho do Marco de Canaveses [1]

De acordo com as informações disponíveis, existem órgãos de tubos nas seguintes igrejas do Concelho:

Igreja Matriz de Vila Boa de Quires

[ Igreja Paroquial ] [ do antigo mosteiro ] [ de Santo André ]

Igreja Matriz de Vila Boa de Quires

Igreja Matriz de Vila Boa de Quires

A igreja fez parte de um antigo mosteiro masculino da Ordem Beneditina, desativado no séc. XIV. Sobreviveu a igreja, que funciona como igreja paroquial. Do templo românico tardio, sobrevive a estrutura, o portal axial e janelão, bem como a porta travessa e a capela-mor, com a sua fresta e a abóbada, sustentada por arco toral interno e por dois contrafortes, de que subsiste visível o do lado norte.

O portal principal de quatro arquivoltas, em arco quebrado, está assente em impostas com cabeças de bovídeos e capitéis muito decorados, com inspiração no de Paço de Sousa. A fresta mainelada sobre o portal principal e as siglas das paredes, algumas alfabéticas, são de modelo tardio, denotando a transição que se vivia durante a reconstrução do templo. Os capitéis da porta lateral sul, talvez anteriores, são idênticos aos de Boelhe. Sofreu obras de remodelação no séc. XVI, de que subsistem alguns azulejos hispano-mouriscos, bem como no séc. XVII, altura em que foram executados o campanário e as estruturas retabulares da nave, o primeiro desaparecido e estas muito alteradas pelas obras do séc. XIX, mas onde se mantêm as colunas e algumas tábuas pintadas. De destacar as obras barrocas, com a pintura da envolvente do arco triunfal, com um Calvário centrado por quadraturas, bem como os falsos caixotões pintados da capela-mor, compondo episódios da Paixão de Cristo, envolvidos por falsas molduras de acantos. O retábulo-mor é de talha mais tardia, tardo-barroco, de que subsiste a cornija e as colunas, adaptadas à nova estrutura. As obras do séc. XIX, ampliaram a igreja, fizeram o coro-alto e introduziram a torre sineira.

Fonte: Monumentos