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Igreja do Mosteiro de Arouca
Órgãos de tubos do concelho de Arouca [2]

Pelas informações disponíveis, no concelho de Arouca existem órgãos no Mosteiro de Arouca, um na Igreja, outro no Museu, em más condições.

Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Arouca

[ São Pedro e São Paulo ] [ mosteiro cisterciense feminino ]

Igreja do Mosteiro de Arouca

Igreja do Mosteiro de Arouca

De fundação pré-românica (século X), o Mosteiro recebeu Carta de Couto no século XII, momento que definiu o carácter de centralidade do cenóbio na vida política e administrativa da região. A sua importância revigorou-se com o padroado de D. Mafalda, filha de Sancho I e efémera rainha de Castela.

Foram muitas as dádivas do seu erário que transitaram para o domínio do convento e terá sido por sua vontade que a comunidade monástica adotou a regra de São Bernardo, já no século XIII, sendo como mosteiro cisterciense da ala feminina que se registaram os principais passos da sua história. A casa viveu períodos de grande desafogo económico que, de algum modo, se refletiram na procura de peças artísticas de grande qualidade, boa parte das quais ainda se mantêm.

Na época moderna o conjunto foi reconstruído e ampliado, desde o final do século XVII aos últimos anos do século XVIII, contando-se Diogo Teixeira, Carlos Gimac e Miguel Francisco da Silva entre os artistas que trabalharam nesta fase. Em 1886, com a morte da última freira, o Mosteiro foi extinto e todos os seus bens transitaram para a Fazenda Pública. Abriu-se, então, uma era de utilizações diversas para este amplo conjunto edificado, mantendo-se, contudo, o espólio artístico, recolhido no Museu de Arte Sacra, entretanto, aí instalado.

Fonte, DGPC, PAF

Órgão Manoel Benito Gomez

Órgão do Mosteiro de Arouca

Órgão do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca, trombetas

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca, teclas

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Órgão da Igreja do Mosteiro de Arouca

Mosteiro de Arouca

Cadeiral do Mosteiro de Arouca

Cadeiral do Mosteiro de Arouca

Cadeiral do Mosteiro de Arouca, Sónia Duarte

Positivo do Museu

Órgão do Mosteiro de Arouca (Museu)

Órgão do Mosteiro de Arouca (Museu)

Órgão ibérico

Segundo informação da Oficina e Escola de Organaria de Pedro Guimarães e Beate von Rohden, trata-se de um órgão com 1 manual (45 notas) construído por Don Manoel Benito Gomes entre 1739-1741.

A 30 de dezembro de 2006, a Câmara Municipal de Arouca noticiava:

“Depois da intervenção na talha dourada que o envolve, a máquina do Órgão de Tubos do Mosteiro de Arouca, um dos mais importantes da primeira metade do século XVIII em todo o mundo, vai ser alvo de um restauro. O investimento ronda os 380 mil euros, contando com 75% de comparticipação por parte do FEDER e 25% por parte da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda e do IPPAR. De salientar também o envolvimento da Câmara Municipal neste processo. A autarquia fez todos os esforços para que a comparticipação europeia fosse efectivamente investida nesta intervenção. Este restauro dará ao Órgão as suas características originais, contando para isso com uma intervenção minuciosa, sobretudo no que diz respeito aos tubos, que serão restaurados individualmente e com recurso ao material original.

O órgão de tubos do Mosteiro de Arouca data de 1743, construído pelo organeiro Manuel Bento Gomes. Tem 1352 vozes, alimentadas por 24 registos. Trata-se de um órgão ibérico, um instrumento muito apreciado pelos especialistas, que o consideram um dos mais importantes exemplares da organaria deste tipo no mundo. Concluído o restauro, a Real Irmandade planeia a organização de eventos musicais e publicações, que dêem a conhecer mais aprofundadamente o Órgão e a sua história. (Câmara Municipal de Arouca, 30 dezembro 2006

Segundo o Jornal de Arouca (30 de maio de 2009),  “Nicolas Roger, organista titular dos órgãos de tubos do Santuário de Fátima, esteve em Arouca para dar um Concerto, assinalando assim o último restauro do órgão de tubos do Mosteiro de Arouca, orçado em 380 mil euros.”

Uma peça excepcional

Exibindo a data de 1743 na sua fachada barroca, este órgão foi fabricado por Manuel Benito Gomez, e possui 1352 vozes, alimentadas por 24 registos, sendo considerado pelos especialistas um dos instrumentos mais importantes da escola de organaria ibérica em todo o mundo.

Tendo sido já objecto de obras de restauro há cerca de duas décadas, esta última intervenção foi feita em Barcelona, durante um ano e esteve a cargo da empresa Gerhard Grenzing, considerada líder na recuperação de órgãos. Graças a um cuidadoso trabalho foi possível recuperar-se a sonoridade original deste órgão, uma vez que restauros anteriores lhe haviam adulterado a sua identidade sonora. (…)

À noite, antes do concerto, teve lugar na sala do capítulo, uma sessão solene presidida pela Directora Regional de Cultura do Norte, aberta a convidados da Câmara e aos irmãos da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda. No final do concerto a Câmara ofereceu aos convidados, um porto de honra, no lado norte dos claustros.

O concerto

O concerto foi aberto com uma peça do séc. XVI de António Carreira interpretada por Ivo Brandão, arouquense e aluno de órgão do prof. Nicolas Roger.

Coube a este organista francês todo o restante programa do concerto, durante o qual foram interpretadas várias peças dos séculos XVI, XVII e XVIII.

Interpretadas num cenário magnífico, emoldurado por uma riquíssima talha dourada barroca, estas peças foram escutadas num religioso silêncio pelos numerosos ouvintes que enchiam, não só o coro baixo, como ainda o corpo da igreja conventual, espaços esses que se encheram com as múltiplas sonoridades que Nicolas Roger conseguiu fazer ecoar através dos tubos do órgão agora finalmente restaurado.

Refira-se que no dia seguinte, na Missa das 11.15h, a celebração dominical da Paróquia iniciou e terminou com a interpretação de uma peça de órgão, tocada por Nicolas Roger, para assinalar que, a partir desse dia, assumiria também o cargo de organista titular do órgão de tubos do Mosteiro de Arouca, em conjunto com os órgãos de tubos do Santuário de Fátima.

Ao serviço do culto religiosa e da cultura

Com o cuidadoso e dispendioso restauro desta rara peça de organaria, Arouca possui agora condições excepcionais para promover eventos culturais dedicados a este tipo de instrumentos.

Efectivamente, seria contraproducente e de consequências maléficas para esta peça, agora restaurada, se ela fosse abandonada ao esquecimento.

Construído essencialmente para o serviço do culto da comunidade religiosa do Mosteiro, este órgão, pelo valor artístico e histórico que detém, será certamente rentabilizado também ao serviço de eventos culturais de grande qualidade.

Fazendo Arouca agora parte da rede europeia de Geoparques, este tipo de eventos musicais terá não só grande oportunidade, como também um extraordinário interesse para o desenvolvimento cultural e turístico de Arouca.

José Cerca
Jornal de Arouca, nº 742, 30 de Maio 2009