João Carlos de Sousa Morais, compositor, de Valença
Músicos naturais do Concelho de Valença

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis tem como objetivo aproximar dos munícipes os músicos e a música do Concelho.

  • João Carlos de Sousa Morais (regente e compositor, Valença 1863-Porto, 1919)

João Carlos de Sousa Morais

João Carlos de Sousa Morais, compositor, de Valença

João Carlos de Sousa Morais, compositor, de Valença

Comemorações (1919-2019)

João Carlos de Sousa Morais, compositor, de Valença

João Carlos de Sousa Morais, compositor, de Valença

João Carlos de Sousa Morais “foi um importante regente e compositor para banda filarmónica, destacando-se o poema sinfónico Viagem do Gama que ele considerava a sua melhor obra. Durante a sua permanência em Braga, Sousa Morais dirigiu nos anos de 1907 a 1910, a Tuna do Seminário Conciliar de Braga e a Banda de Música da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso. Depois de fixar residência no Porto, dirigiu ainda a Banda de Música de São João da Madeira. As suas obras, espalhadas do norte ao sul do país, encontram-se em espólios das bandas que regeu, em bandas que ao longo de décadas interpretaram a sua música e em espólios particulares de músicos filarmónicos. (Elisa Lessa)

De um modo geral o seu legado revela grande mestria e criatividade, constituindo património musical filarmónico de relevo (1). A revista de costumes locais Nunca t’aflijas de Sousa Morais foi estreada a 12 de Julho de 1903 no Teatro D. Geraldo e levada várias vezes à cena sempre com enorme êxito. A peça em 3 actos e 16 quadros tem texto original de David Silva, jornalista e funcionário do Caminhos de Ferro e 16 números de música que Sousa Morais compôs. O Correio do Minho, de 2 de Junho de 1903, anunciou aos seus leitores a estreia desta obra.

Sousa Morais viria depois a compor um pot-pourri para banda filarmónica com as canções da revista Nunca t’aflijas. No Arquivo da Banda Musical de Cabreiros existem alguns fragmentos desta obra.

A 31 de Julho de 1927, o capitão chefe de música Joaquim Jacinto Figueiras, regente da Banda de infantaria 8 realizou um concerto na cidade em homenagem à memória do insigne compositor. O Correio do Minho publicou nesse dia um texto do Capitão Figueiras em que este enalteceu as qualidades do músico como compositor e regente de várias bandas e orquestras do país, afirmando ser Sousa Morais uma glória nacional no nosso meio artístico, tendo dado à cidade de Braga o melhor do seu esforço (2).

O concerto de homenagem dedicado à sua memória seria também, nas palavras do Capitão Figueiras, extensivo a todos os seus amigos bracarenses que souberam dar o devido apreço ao glorioso maestro. Mais tarde, em 1940, a Banda de Infantaria 8 com regência de António Maias Meira voltaria a prestar uma homenagem ao compositor-regente Sousa Morais, realizando um concerto em sua memória na Avenida com um programa inteiramente preenchido com obras suas. Homenagem a Braga e Pot-pourri da Revista Nunca t’ aflijas foram duas das obras interpretadas nessa ocasião. (3)

No ano em que se comemora o centenário da sua morte, fica o desejo de podermos ouvir de novo em Braga as obras de João Carlos de Sousa Morais dedicadas à cidade e, em particular, a sua Viagem do Gama. (Elisa Lessa, 27 de novembro de 2019)

(1) Eugénio Amorim, Manuel Ribeiro e Álvaro Carneiro escreveram notas biográficas sobre Sousa Morais. Sobre o compositor e a sua obra leia-se a Dissertação de Mestrado de Vítor Matos, A Sociedade Filarmónica Vimaranense e a Figura de Sousa Morais (1863-1919).

(2) Biblioteca Pública de Braga, Correio do Minho 31 de julho de 1927.

(3) Biblioteca Pública de Braga, O Minhoto, 30 de Junho e 7 de julho de 1940.

Elisa Lessa, Correio do Minho, 27 de novembro de 2019

Por opção da autora o texto está escrito segundo a norma ortográfica da Língua Portuguesa anterior ao Novo Acordo Ortográfico.

FOI NOTÍCIA

TV Alto Minho

Em 2019, o município de Valença comemorou, durante o mês de outubro, o centenário da morte do maestro Sousa Morais, com várias iniciativas.

As comemorações que recordam o chefe de banda militar e compositor nascido em Valença começaram no dia 4 de outubro, com a abertura da exposição “Centenário da Morte do Maestro Sousa Morais”, no Arquivo Municipal. O mesmo local acolheria, uma sessão solene, com atuação da Associação Musical de São Pedro da Torre, seguida de visita à Rua Maestro Sousa Morais. A Banda Sinfónica do Exército Português daria também um concerto de homenagem ao maestro, conhecido como “um dos maiores criadores de música para banda em Portugal”. O espetáculo decorreria no Teatro Municipal de Tui.

O Centro de Inovação e Logística de Valença, localizado na Escola Superior de Ciências Empresariais, foi o espaço escolhido para acolher mais três concertos. A Sociedade Filarmónica de Crestuma prestou homenagem ao maestro no dia 12 de outubro, a Banda de Música Popular de Tui a 19 de outubro, e, no dia 26, foi a vez da Banda da União Filarmónica de Troviscal.

João Carlos de Sousa Morais começou o seu percurso musical a 30 de setembro de 1872, no Batalhão de Caçadores N.º 7, aquartelado na Praça-Forte de Valença. Mais tarde, percorreu Portugal, de norte a sul, sempre ligado à música, como músico, maestro, professor e compositor. O seu legado é composto por um grande número de obras, das quais apenas cerca de 300 estão identificadas e localizadas. Valença está representada com a “Montanhesa”, obra evocativa da Romaria da Senhora do Faro, criada em 1909.