Vila Real e as suas oficinas de instrumentos

Construtores de Instrumentos Musicais
Oficinas e construtores de Instrumentos

Construção artesanal, restauro, reparação e manutenção

  • António Santos Silva
  • Manuel Costa
  • Albertino Sousa

A 13 de julho de 2013, o Conservatório de Música de Vila Real acolheu o evento “Construtores de Instrumentos Musicais I”. No início, o Coro e Orquestra de Cordas do Conservatório RMVR interpretaram “Não quero que vás à monda” e “Os olhos da Marianita”.

O Prof. António Sérgio moderou a conversa com os construtores António Santos Silva, Manuel Costa e Albertino Sousa.

Albertino Sousa

Albertino Sousa, que em 2013 tinha 54 anos, professor de História e Filosofia na Escola Secundária, tocador de sanfona, falou sobre a história do instrumento, que desapareceu completamente de Portugal, tendo sido a sua 2ª baseada num modelo português do presépio da capela da adoração dos pastores da Senhora da Peneda (Melgaço) do séc. XIX. O ver uma sanfona a tocar e o querer fazer… O instrumento é quase “uma gaita de foles de cordas”, com os seus bordões e a escala cromática, a roda… As particularidades das suas sanfonas complexamente impostas pela sua formação nos teclados…

Manuel Costa

Manuel Costa, que em 2013 tinha 90 anos, Manuel marceneiro, “serralheiro de mil e uma coisas”, um faz tudo criativo, incluindo as próprias ferramentas. aprendeu música aos 12 anos. Aos 14 construiu o 1º violino e depois o rabecão que reparou 45 anos depois. O seu “único” instrumento é o violino, também porque foi exímio tocador em orquestra, rancho e tuna. Já usou pelo menos cerejeiras do seu quintal para fazer caixas de violino (a mais recente, há pouco tempo, por exemplo).

António Santos Silva

António Santos Silva, que em 2013 tinha 53 anos, António marceneiro e construtor de logotipo e marca, aos 6-7 já fazia “violas de catraios”, de lata. Tirou curso de marceneiro, primeiro foi empregado, depois patrão. Começou a construir pelos 16 anos iniciando-se pelas violas, convencido por guitarrista de Lisboa a fazer depois guitarras e depois o bandolim “para não se perder a tradição na terra”. O preferido é a guitarra. António fez um curso para senhoras que se entusiasmaram sobretudo pelas decorações e arranjos finais; neste momento orienta a aprendizagem de um “jovem” (o cavaquinho do Grupo de Britiande) que quer fazer um bandolim.

Todos aprenderam por modelo real ou publicado. Todos veriam grande utilidade numa escola de construção. No que toca à arte ninguém teve ascendência familiar ou mestre. Em relação à transmissão da arte e ensino, “os rapazes de agora não se interessam por isso”.

A encerrar, atuou o Grupo da Associação Juvenil de Britiande: duas concertinas, dois bandolins, uma viola, um cavaquinho. Depois, professores e alunos de violino e o público cercaram os construtores a querer acertar pormenores, esclarecer questões e chegar a negócios.

Fonte: Arquivo de Memórias

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