José Lopes e Silva, guitarrista e compositor, de Oliveira de Frades
Músicos naturais do Concelho de Oliveira de Frades

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis tem como objetivo aproximar dos munícipes os músicos e a música do Concelho.

José Lopes e Silva com Rogério Peixinho

José Lopes e Silva, guitarrista e compositor, de Oliveira de Frades

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José Lopes e Silva

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José Lopes e Silva

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José Lopes e Silva, guitarrista e compositor, de Oliveira de Frades

Nascido em 1937, numa aldeia do Concelho de Oliveira de Frades, distrito de Viseu, Lopes e Silva foi um compositor e guitarrista, pioneiro da música contemporânea em Portugal. Era “um dos mais destacados membros do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa”, desde a sua fundação, e foi autor de uma extensa obra instrumental, na qual as composições “para viola a solo ocupam um lugar preponderante”, como destacou o MPMP na sua revista, Glosas, sobre o compositor, recordando também as obras vocais, de eletroacústica e de teatro musical. Discípulo de Andrés Segovia, em Espanha, nos anos de 1959-1960, como bolseiro do Instituto Cultural de Madrid e da Fundação Calouste Gulbenkian, Lopes e Silva estudou viola com Emilio Pujol, no Conservatório Nacional de Lisboa, onde também trabalhou com Fernanda Chichorro.

Em 1962 fixou-se no Brasil, onde ensinou no Conservatório de São Paulo, até ao regresso a Portugal, em 1970, quando se entregou à música contemporânea e ao trabalho com os compositores Jorge Peixinho, Álvaro Salazar, Luís de Pablo e Filipe Pires. Fez parte do núcleo inicial do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa (GMCL) e, com alguns dos seus membros, como a compositora Clotilde Rosa e Carlos Franco, fundou o agrupamento Quadrifonia, que estreou em Portugal obras como as “Folksongs”, de Igor Stravinsky.

Fez ainda os cursos de música antiga, com o regente e musicólogo norte-americano Safford Cape, nos anos de 1960 e, na década seguinte, cursos de interpretação de música contemporânea para guitarra, além dos cursos de Darmstadt, sob orientação dos compositores Gyorgy Ligeti, Mauricio Kagel e Cristobal Halffter.

Em 1973, passou a lecionar no Conservatório Nacional, onde se manteve até 2000. Entre as obras de Lopes e Silva destacam-se “Epígono”, “Nocturnal I e II”, “Biálogo”, “No Jardim das Delícias” e “Sub-Memória”. De acordo com a revista Glosas, do MPMP, José Lopes e Silva gostava de se apresentar como “‘guitarrista’ e manipulador de som”. Em 2012, os seus cinquenta anos de carreira foram assinalados com as Guitarríadas XXI, ciclo de concertos que passou por Lisboa, Cascais, Estoril e Santarém.

Na altura, numa entrevista à Glosas, José Lopes e Silva explicou que o gosto pela música tinha vindo “com os pássaros numa quintarola, no Calvelo, na região de Lafões”, onde nascera: “Por todo o lado havia animais: patos, galinhas, pintassilgos, rouxinóis, cucos, rolas… À noite era outra sinfonia com grilos, corujas, mochos, cães… Havia sempre som, cânticos de toda a espécie, o vento, a chuva, as trovoadas de maio”. Por isso, a sua educação musical foi “a água, a luz, o som (…) tudo o que [o] rodeava”, confessou.

Lopes e Silva recordou igualmente os anos iniciais de divulgação da música contemporânea em Portugal, durante a ditadura: “Foi uma luta tremenda, de sobrevivência. E acabou por ser também um espaço de resistência, com os concertos, o Jorge Peixinho com aquela euforia toda, e todos nós a apoiá-lo, na mesma direção, até que chegou o 25 de abril. Mas de 1970 a 1974 foi duro, muito duro”.

As obras do compositor encontram-se parcialmente editadas em disco, na coleção Discoteca Básica Nacional da antiga PortugalSom (1995).

O velório de José Lopes e Silva realizou-se na Igreja de Santo Eugénio do Bairro da Encarnação, em Lisboa e o seu corpo foi sepultado no Cemitério dos Olivais. A sua morte foi noticiada na Glosas, na Meloteca e na TVI24.

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