Mesão Frio e a sua música
Música em Mesão Frio
Musorbis, o portal que põe os concelhos no mapa da música
Acessível ao público enquanto sítio autónomo desde 2020, o Musorbis é o mapa da música em Portugal. O projeto é incrementado sempre que um Município contrata serviços Meloteca, designadamente a Reciclanda, música e reutilização para um mundo melhor.
Conheça o melhor da cultura musical do Concelho:
Ao longo do século XX, o concelho de Mesão Frio registou uma vibrante atividade cultural e recreativa, marcada pela fundação de diversos agrupamentos musicais, grupos de teatro e ranchos folclóricos. Compostos maioritariamente por gentes da terra, estes coletivos desempenharam um papel fundamental na animação das populações e na preservação das tradições durienses.
O segundo quartel do século XX foi particularmente profícuo, com o surgimento de tunas, orquestras e bandas que definiram a vida social do concelho. Contudo, a memória musical recua até ao final do século XIX: há registos de uma Banda Filarmónica que atuou a 14 de julho de 1879, aquando da inauguração do troço ferroviário entre o Juncal e a Régua. A chegada do comboio foi um marco decisivo, pois facilitou o intercâmbio cultural e a circulação de novas influências.
No que toca aos agrupamentos de cordas, destaca-se a Tuna de Silvares, fundada em Barqueiros por volta da década de 1930, que animava bailes dominicais e festividades. Mais tarde, a qualidade musical da região foi impulsionada pelas Orquestras dos Irmãos Manhas, lideradas por Miguel e Mário Barros, que herdaram o talento do pai. Barqueiros foi também palco de uma orquestra organizada por Mário Antunes, onde pontuou Bernardino Guedes de Oliveira, futuro regente da banda local.
A Banda Musical de Barqueiros viveu o seu apogeu nos anos 1950, gozando de grande prestígio nas redondezas, embora tenha cessado atividade em 1968. Outra formação emblemática foi a Banda Musical João Rodrigues de Sequeira, popularmente conhecida como “Banda do Milhões”. Esta nasceu do Orfeão Coral de Mesão Frio (fundado em 1943 para a formação de jovens), que se estreou nas missas de Páscoa das igrejas de Santa Cristina e São Nicolau. Graças ao mecenato de João Rodrigues de Sequeira, que ofereceu fardamentos e instrumentos, o Orfeão evoluiu para banda, embora vicissitudes políticas e dificuldades logísticas tenham ditado o seu fim.
A tradição teatral em Mesão Frio remonta também ao século XIX. Em 1874, por iniciativa do Padre Guilherme Dias, foi inaugurado um teatro que levou à cena obras de vulto, inclusive de Camilo Castelo Branco. Apesar de o edifício ter sido destruído por um incêndio em 1923, a arte dramática sobreviveu através de espetáculos ao ar livre, grupos amadores e, mais tarde, através de revistas musicais de grande sucesso regional.
O folclore encontra a sua máxima expressão em Barqueiros, numa simbiose perfeita com o rio Douro e a faina dos barcos rabelos. O que começou como cantares espontâneos transformou-se em folclore organizado, culminando na vitória de um grupo local nas Festas das Vindimas em Lisboa, em 1937, onde conquistaram o prestigiado “Cacho Dourado”. Já em Vila Marim, destaca-se o Rancho Folclórico da Casa do Povo, fundado em 1982 por Maria José Alves Guedes de Queirós. O grupo alcançou grande notoriedade, culminando no V Festival de Folclore Nacional em 1996. Todavia, com o falecimento inesperado da sua fundadora em 1998, o grupo perdeu o seu principal pilar dinâmico.
Em suma, estes agrupamentos foram cruciais para o fortalecimento da identidade e coesão da comunidade de Mesão Frio. Embora muitos tenham desaparecido devido à emigração e às mudanças sociais, o seu legado permanece como testemunho da riqueza etnográfica da região. É ainda provável que outras localidades do concelho tenham acolhido pequenos núcleos culturais que, embora menos documentados, contribuíram igualmente para o brilho cultural do Douro.

Mesão Frio, créditos José Teixeira
Localizado na Praça do Pelourinho, em pleno centro histórico de Mesão Frio, o Auditório Municipal é um equipamento, que pelas suas caraterísticas, é destinado ao acolhimento de eventos de pequenas dimensões. Tem a capacidade para 103 lugares sentados.

Auditório de Mesão Frio

Reciclanda, livros, instalações, formações e oficinas
A Reciclanda tem vindo a criar conteúdos de apoio a Educação para a Cidadania, Educação Ambiental e animação dos recreios. Promove a criação de objetos sonoros, brinquedos, jogos e instrumentos a partir de objetos em fim de ciclo. Desenvolve projetos que destacam a inclusão e a literacia, contribuindo para o sucesso escolar. O livro “Brincar Azul”, editado em 2026, contém 700 ideias de jogos divertidos e sustentáveis. Já a “Semana Azul” é um conceito de instalação promotora do brincar sustentável que envolve escolas de concelhos.





