Victor Costa, maestro, de Câmara de Lobos
Músicos naturais de Câmara de Lobos

Projeto em desenvolvimento, o Musorbis aproxima os munícipes e os cidadãos do património musical e dos músicos do Concelho.

Fernando Eldoro

Natural de Câmara de Lobos, Ilha da Madeira, Fernando Eldoro iniciou a formação artística na Academia de Música e Belas-Artes do Funchal, tendo concluído os seus estudos no Conservatório Nacional de Lisboa, onde se diplomou nos cursos superiores de violino, canto de concerto e composição, ao mesmo tempo que frequentou a classe de piano.

Foi aluno de Sandor Vegh e Margit Spirk (violino), Renate von Schenchendorff e Lisie Egger (canto), Jean-Françaix (música de câmara), Paul von Schillawsky (interpretação) e Michel Corboz e Kurt Prestel (direcção coral). Entre 1975 e 1982 foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, estudando direcção de orquestra com J. S. Béreau, Michel Tabachnik e John Nelson.

Dirigiu as seguintes orquestras: Orquestra Sinfónica da ORTF, Orquestra Filarmónica da Lorena Metz, Orquestra da Ópera de Lille, Orquestras de Avignon, Bordéus e Arhnen, Orquestra da Rádio de Basileia, Orquestra de Plovdiv, Orquestra da Rádio de Sófia, Kent County Orchestra, Junges Philharmonisches Niedersachsen, Junges Philhamonisches Nordhein Westfalen, Orquestra Nacional de Toulouse e Orquestra Nacional de Detmold.

Leia AQUI a biografia completa.

João Victor Costa

João Victor Costa nasceu a 24 de abril de 1939, na freguesia do Estreito de Câmara de Lobos, Madeira, e faleceu a 25 de outubro de 2018. Frequentou durante nove anos o Seminário Diocesano do Funchal, onde desenvolveu o gosto pela música, dedicando-se desde muito jovem à composição e estudo de instrumentos. Estudou canto, piano e composição na Academia de Música e Belas Artes da Madeira.

Concluídos esses estudos musicais, foi-lhe concedida uma bolsa de estudos pela Fundação Calouste Gulbenkian para cursos de aperfeiçoamento na Escola Superior de Música de Munique onde se especializou na interpretação de Lied, Oratória, Ópera e Composição.

Nos Festivais de Verão dessa mesma cidade, estreou-se como cantor na ópera Zaida de Mozart. Seguidamente integrou um quarteto vocal, contratado para uma digressão de concertos em Israel. Na ópera estadual de Augsburgo esteve contratado diversos anos consecutivos desempenhando papéis principais em óperas como A força do Destino, Il Trovatore de G. Verdi, La Bohéme e Tosca de Puccini.

Actuou como tenor convidado em Portugal, Áustria, Checoslováquia, Itália, entre outros países.

Nunca deixou de compor desenvolvendo um estilo muito próprio, sem sujeitar-se nunca aos ditames da moda. É o autor do Hino da Madeira, bem como de 2 oratórias em português, de mais de 100 canções eruditas para canto e piano, das quais se destacam 13 sonetos de Luís de Camões, já por ele mesmo gravados e editados em CD.

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João Victor Costa

Victor Costa, maestro, de Câmara de Lobos

Victor Costa, maestro, de Câmara de Lobos

João Atanásio

Músico, compositor, professor, fundador e diretor artístico de grupos musicais, João Atanásio é uma figura relevante no panorama musical. A sua relevância destaca-se a nível nacional devido às inúmeras composições que criou, sobretudo para diversos festivais. João Nunes Atanásio nasceu a 15 de maio de 1947 e é natural de Câmara de Lobos. Nasceu numa família de poucas posses e nenhum dos seus parentes esteve relacionado com o meio musical. Foi através do seu mestre, padrinho e mecenas, João Hermógenes de Barros, que iniciou o percurso musical. A filha de João Atanásio segue o percurso do pai e estuda música no Conservatório. Com cerca de sete anos João Atanásio integrou o coro dirigido por João Hermógenes de Barros. O maestro Hermógenes de Barros identificou de imediato o talento de Atanásio e aos onze anos encaminhou-o para a Academia de Música e Belas Artes da Madeira, matriculando-o no curso de piano.

Anos mais tarde, o músico foi para Lisboa e em 1973 concluiu o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional, com distinção. Também frequentou durante três anos um Curso de Aperfeiçoamento no Conservatório de Música, em Aveiro. João Atanásio teve a oportunidade de escolher entre continuar a sua formação académica em Aveiro ou no estrangeiro, porque ganhou uma bolsa para estudar em Paris. No entanto o diretor do Conservatório de Aveiro tinha ministrado o mesmo cargo na Academia de Música e Belas Artes madeirense e contava com a presença de João Atanásio em Aveiro. O fato de não saber francês, aliado à boa receção no Conservatório de Aveiro influenciou a decisão do músico, que escolheu permanecer em Portugal.

A par da formação musical na Madeira e no Conservatório de Aveiro, João Atanásio também frequentou, durante alguns anos um curso de Musicoterapia. Quanto à execução instrumental Atanásio destacou-se desde criança no Piano, embora a prática coral também tenha despertado o seu interesse, o que deu origem ao estudo de Canto, no Porto e à direção artística de alguns coros, atividade que ainda exerce.

João Atanásio destacou-se sempre como pianista na Academia de Música e Belas Artes da Madeira, como prova do seu talento a Fundação Calouste Gulbenkian atribuiu-lhe durante treze anos consecutivos uma bolsa. A duração deste subsídio colocou João Atanásio como um dos alunos, com mais anos de bolsa atribuída, pela Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1973 João Atanásio participou num concurso internacional no Estoril, classificando entre os 10 melhores de 150 participantes. O reconhecimento do seu talento a nível nacional aconteceu no Porto, enquanto cumpria o serviço militar na cidade do norte. Atanásio conseguiu a indulgência de ser dispensado duas vezes por semana, para frequentar o conservatório. O músico também foi dispensado da guerra do Ultramar, mas neste caso a decisão ocorreu devido ao fato de ser um excelente aluno na disciplina de Morse, uma qualidade que desenvolveu devido ao ritmo e reconhecimento apurado do som, noções adquiridas com a prática de música. Nos anos que esteve no Porto fez vários cursos: Pedagogia Musical com Jos Witack e Pierre Van Hauwe. A esta formação académica Atanásio adicionou um curso de Criatividade Musical realizado na Holanda. Quanto aos locais onde trabalhou João Atanásio lecionou no Conservatório em Aveiro, as disciplinas de Piano, Formação Musical e Composição. Dirigiu ainda o Grupo Coral do Conservatório de Aveiro.

Regressou à madeira em 1977, após concluir os estudos no continente, e foi convidado pela direção da antiga Academia de Música e das Belas Artes da Madeira para lecionar as disciplinas de Piano e Composição. Atividades que ainda hoje ministra. Em 1977 exerceu o ensino de música no Serviço Técnico de Educação de Deficiência Intelectual e formou em 1987, com Eleutério de Aguiar, uma orquestra constituída por músicos portadores de deficiência intelectual, visual, auditiva e motora. Esta orquestra representou Portugal em três eventos divulgados a nível internacional em Lisboa em 1987, na Dinamarca em 1989 e na Holanda em 1991.

A formação académica diversificada influenciou a forma de ensinar de João Atanásio e valeu-lhe um convite, entre 1988 e 1989, para ir à Holanda na qualidade de adjunto do mestre Pierre Van Hauwe. Quanto aos grupos musicais aos quais esteve ligado, evidencia-se a direção artística do Grupo Coral da Casa do Povo de Câmara de Lobos, em 1987; a direção artística do Orfeão Madeirense; a fundação da Turma do Funil e do Coro de Câmara de Câmara de Lobos, em 1989; a direção do Grupo Coral de Santana, em 1996. Dirigiu também alguns coros de igrejas e tocava em missas. Como pianista deu concertos de piano a solo e como acompanhante de orquestra, em várias cidades do país. Das composições da sua autoria existem mais de cem peças, mas a maioria não está arquivada nem inventariada.

João Atanásio destacou-se na composição temas infantis, que alcançaram enorme sucesso: Os Amiguinhos; Brinquedo; Cantiga do Mar; Minha Bola Linda; Porquê; Meus Olhos; O Grilo; As Abelhas; Tri-u-li-u-li; Peixinho Vermelho; A Lagartinha; A Chuva; Meu Ursinho; Carrocel; A Capoeira; O Galo; Lá Vai a Gaivota; Bichinho de conta; Arco-íris; Zic Tric-Zon; Ter Umas Asas Assim”; Sempre em Pé; O Eco; Dona Bússola; O Se…má…fo…ro; O Palhaço; Flor Borboleta; A Menina do Trapézio; A Sorte Macaca; A Chuva; O Meu Violino; Bailarina de Porcelana; Porquinho Mealheiro; Laranjinha Doce; A Praia; A Primavera Chegou; O Vento; A Escola; O Relógio Despertador; O Calhambeque; Parabéns; A Borboleta; Vou Ser Grande e Artista; O Sapo Trovador; Macaco de Imitação; Pauzinho de Giz; O Grilo Desafinado; Maria das Nuvens; Figura de Urso; Gota d’Água; A Um Peixinho; Coração, Meu Coração; Pinguim; Meu Avô, Meu Avozinho; A Mochila Cor-de-rosa; Aos Saltinhos na Canção; Minha Amiga Catarina; Eterna Ternura; Sou Menina Traquina; Um Tenor às Escondidas; Num Momento de Magia; Assim Brinquei Sonhando. A composição contribuiu para a consolidação da carreira de João Atanásio, principalmente pela sua participação em festivais infantis e juvenis, regionais e nacionais. O músico participou em dezanove edições do Festival da Canção Infantil da Madeira, nas quais apresentou um total de 63 canções e alcançou sete vezes o primeiro lugar, representando a Madeira em certames nacionais.

Em 1990, com a canção O Macaco de Imitação venceu o Festival da Canção Infantil na Figueira da Foz; em anos anteriores as canções O Palhaço e a Flor Borboleta foram consideradas as melhores músicas, no Festival da Canção Infantil da Madeira. João Atanásio também compôs para um festival no Curaçau uma música com letra de Maria Aurora, que alcançou o 3º lugar. O madeirense clarifica que sempre se dedicou à música por gosto e não por lucro. Em confissão pessoal, durante a entrevista realizada a João Atanásio, o músico revelou “quando morrer desejo que seja interpretada a minha composição La Stellina. João Atanásio ainda é uma figura relevante no panorama musical devido à sua atividade no Conservatório da Madeira e às inúmeras composições da sua autoria. Durante o seu percurso artístico não destaca nenhum mentor ou professor em particular exceto o seu padrinho, João Hermógenes, responsável pela sua dedicação à arte musical.

Fonte: Catarina Gomes (2011). “João Nunes Atanásio”. Realizado no âmbito da Disciplina Ciências Musicais VI, integrada no plano curricular da Licenciatura em Educação Musical, do Instituto Superior de Ciências Educativas, Universidade da Madeira. Atualização: Ventura, Ana (2011). “João Nunes Atanásio”. Dicionário Online de Músicos na Madeira. Funchal: Divisão de Investigação e Documentação, Gabinete Coordenador de Educação Artística, atualizado em 06/09/2011.

Rufino da Silva
Rufino da Silva, de nome completo João Arnaldo Rufino da Silva, nasceu em 1929 em Câmara de Lobos e morreu no dia 18 de julho de 2016. Iniciou a formação académica no Seminário Diocesano do Funchal no início da década de 1950, tendo sido ordenado sacerdote em 1953, situação em que se manteve durante 23 anos. Foi professor de música no Seminário Diocesano, onde dirigiu o coro durante 13 anos.

De 1958 a 1962 frequentou o Instituto Pontifício de Música Sacra em Roma, licenciando-se em Canto Gregoriano e Composição Sacra. Nos anos 60 diplomou-se em Paris no método Ward. Frequentou a academia de Música e Belas Artes da Madeira, como aluno e professor, onde se diplomou no Curso Superior de Canto de Concerto.

De 1973 a 1975 dirigiu o Coro de Câmara da Madeira. De 1977 a 1994 pertenceu ao Coro Gulbenkian e foi professor de Educação Musical na Escola Preparatória de São Julião da Barra, em Oeiras, de 1980 a 1994.

Durante 10 anos, de 1994 a 2004, fez parte do “Coro Paz e Bem”, de Oeiras e actualmente pertence ao “Coro Solemnis” de Lisboa, dedicado ao canto gregoriano.

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