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Património musical dos concelhos. Encontre rapidamente o que procura, digitando, por exemplo, “Lisboa e os seus órgãos de tubos”.

Órgão da Igreja de Nossa Senhora da Guia (Angra do Heroísmo)
Músicas no Concelho

Angra do Heroísmo: Órgão da Igreja de Nossa Senhora da Guia

Angra do Heroísmo: Órgão da Igreja de Nossa Senhora da Guia

Órgão da Igreja de Nossa Senhora da Guia

Órgão da Igreja de Nossa Senhora da Guia

O órgão da Igreja Nossa Senhora da Guia foi construído no ano de 1788, por António Xavier Machado e Cerveira, o mais conceituado organeiro português de todos os tempos, que construiu mais de cem instrumentos deste género. Este órgão, que ostenta o n.º 22, é um dos instrumentos mais antigos saídos de suas mãos e, destes, o mais antigo nos Açores, obedecendo a regras de construção muito próprias da escola de organaria portuguesa do Século XVIII, que caracterizam o órgão português e que permitem distingui-lo dos construídos por outras escolas.

A investigação efetuada por Dinarte Machado permite concluir que um número deveras elevado de órgãos foi criado por António Xavier Machado e Cerveira para os conventos franciscanos, destacando-se de entre eles o do convento de São Francisco de Angra do Heroísmo, propositadamente encomendado para este espaço, como testemunham as insígnias do florão sobre o castelo de tubos central.

Trata-se de um instrumento dos mais curiosos do ponto de vista da organização do seu plano tonal, pois a sua composição revela o que era solicitado a um instrumento do género naquela época. A registação proporciona acentuados registos de mutação e a existência de um pisante permite criar planos sonoros diferentes, o que era uma prática exigida pelo modelo da polifonia daquele tempo.

A colocação deste órgão junto ao coro, numa tribuna do lado do Evangelho (lado esquerdo dos fiéis), virado para a nave central, é também de realçar, dado que se trata atualmente do único órgão a permanecer no seu local original. Esta localização, além de permitir que os frades exercessem o seu dever de louvar a Deus pelo canto, sem se misturarem com os leigos ou frades menores, criava igualmente a aparência de um certo “mistério”, escondendo os intervenientes que não deviam aparecer, como é o caso dos foleiros.

A alimentação do vento era feita recorrendo à força humana. Um foleiro acionava três foles cuneiformes de ação suspensa, colocados no exterior do instrumento, num sótão construído para o efeito e localizado mais atrás, escondido da assistência e com acesso a partir de uma antecâmara do coro. Durante o Século XIX, essa plataforma foi desmantelada, colocando-se dois desses três foles, sobrepostos, no interior da caixa, o que implicou sacrificar alguns dos registos existentes, de forma a ganhar espaço para aqueles dispositivos.

FICHA TÉCNICA

Produção
Museu de Angra do Heroísmo
Coordenação
Helena Ormonde
Textos
Ana Lúcia Almeida
Dinarte Machado
Francisco Maduro-Dias

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

um só teclado manual cujo âmbito é: C ——— c3 c#3 ———– e5;
¬ um pisante para anular os registos de cheios e mutação;
¬ dois pisantes para fazer soar os tambores acústicos;
¬ diapasão encontrado e aplicado: 430 Hz;
¬ pressão do vento atual: 68 mm ca;
¬ temperamento desigual, próximo do utilizado na época da construção
do instrumento.

REGISTAÇÃO

MÃO ESQUERDA
¬ Trompa Real
¬ Resímbala de 3 vozes
¬ Símbala de 4 vozes
¬ Compostas de vinte dozena 5 v
¬ Compostas de 19ª de 3 vozes
¬ Dozena
¬ Quinzena
¬ Flautado de 6 tapado
¬ Flautado de 6 aberto
¬ Flautado de 12 tapado
¬ Flautado de 12 aberto

MÃO DIREITA
¬ Clarim
¬ Corneta de 5 vozes
¬ Resímbala de 3 vozes
¬ Símbala de 4 vozes
¬ Compostas de 19ª de 4 vozes
¬ Voz Humana
¬ Flauta em 12
¬ Flautim
¬ Oitava Real e 15ª de 3 vozes
¬ Flautado de 12 tapado
¬ Flautado de 12 aberto

Convento de São Francisco, Angra do Heroísmo, Açores

RUÍNA E RESTAURO

Este instrumento, que já se encontrava em muito mau estado desde os anos sessenta do Século XX, foi atingido, aquando do sismo de 80, pela derrocada parcial de um dos arcos da igreja de N.ª Sr.ª da Guia, sendo desmontado em 1981/2, por Luís Esteves Pereira, não tendo sido encontradas referências de desmontagem, o que levou a que a sua recuperação dentro dos traços originais se convertesse num processo moroso de investigação.

O que mais notabiliza o trabalho executado pelo mestre organeiro Dinarte Machado é a recuperação de 85% dos tubos sonoros originais, que, integrados no instrumento atualmente conservado e restaurado, garantem uma sonoridade muito próxima daquela para que foi construído.

Num universo de 1.174 tubos sonoros, labiais e palhetados, criaram-se apenas todos os tubos para os registos de Corneta de m.d., Símbala de m.e., Trompa Real de m.e. e alguns tubos intercalados, num total de 263 tubos novos.A decoração, a folha de oiro, dos tubos de fachada é a do Século XVIII.

Os dois foles originais existentes foram, também, reutilizados e procurou-se um compromisso para aproximar o mais possível este instrumento histórico das suas características iniciais, dado ter sido decidido que o sistema de sótão com três foles não seria reposto, aquando do restauro. Foram mantidos dentro da caixa, mas lado a lado e mais atrás, de modo a permitir a reposição dos tabuões e conjuntos de tubos dos registos que haviam sido suprimidos no Século XIX, a saber: Trompa Real m.e., parte dos tubos de flautado de 12 aberto m.e. e os tambores acústicos.

A nova disposição destes elementos e a nova colocação dos foles permite dizer que falta apenas o sótão para que todo o conjunto apresente a configuração arquitetónica e sonora originais.

A caixa foi igualmente alvo de intervenção paralela por parte dos técnicos da Direção Regional da Cultura, de modo a consolidá-la e a restitui-la à sua configuração original, retirando-lhe aberturas e funcionalidades introduzidas no Século XIX.

Em termos gerais, o restauro efetuado por Dinarte Machado e a sua equipa logrou recuperar mais de 80% do conteúdo histórico sonoro do instrumento, numa totalidade de mais de 1000 peças.

RELEVÂNCIA DOS AÇORES NA CERTIFICAÇÃO DA ESCOLA PORTUGUESA DE ORGANARIA

É através da ação das ordens monásticas que a música e nomeadamente os órgãos aportam aos Açores. Desde o povoamento que aqueles foram chegando, em forma de positivos ou portativos, pequenos instrumentos que integravam a bagagem dos missionários quer, fossem eles Franciscanos, Jesuítas, ou pertencentes a outras congregações, como é o caso das Clarissas.

A abordagem musical levada a cabo nas diferentes regiões ainda não se tinha particularizado. As solicitações feitas aos instrumentos eram basicamente as mesmas, pelo que estes não apresentavam características que os distinguissem e os constituíssem em escola.

Mais tarde, porém, a particularização das práticas musicais nos vários países vai determinar a construção de instrumentos com aspetos diferenciados, originando um formato cultural identificativo dos mesmos. À criação destas escolas, Dinarte Machado chama regionalização, uma vez que estes instrumentos não só se definem como sendo do país A ou B, mas também se diferenciam por cada região.

Em Portugal, até ao terramoto de 1755, não se faziam ainda sentir estas nuances, nem a nível dos instrumentos nem no modo de musicar, e assim coexistiam instrumentos de escola nórdica, incluindo a flamenga, com outros de origem ibérica. Todavia, por razões de natureza política e de transporte, no Século XVIII, a relação com o Sul de Itália, e
especialmente com Nápoles, estreita-se. Depois do terramoto, são muitos os artistas italianos em Portugal, entre os quais organeiros. Logo em 1756, são encomendados vários órgãos de armário, para colmatarem as faltas existentes. Desta maneira, as liturgias podiam ser musicadas, mesmo sem decorrerem em locais construídos para esse fim, já que, apesar das igrejas estarem na sua grande maioria destruídas, as cerimónias religiosas continuavam a realizar-se.

Com estes instrumentos criam-se modos de musicar, coincidentes com a escola de Roma e com a antiga Patriarcal (seminário) em Lisboa, adaptados aos mesmos, e levando a que os organistas se habituem a eles.

No último quartel do Século XVIII, começa a destacar-se a obra de uma família de organeiros portugueses, nomeadamente Bento Fontanes e Joaquim António Peres Fontanes, ambos filhos de Fontanes de Maquera, natural de Ponte Vedra, autores do antigo órgão grande da Sé de Angra, dos de São Gonçalo e St.ª Bárbara, na ilha Terceira, e dos de S. José e do Carmo, em S. Miguel. Por esta altura, surge também uma outra figura grande da organaria portuguesa, originária do norte de Portugal: Manuel Teixeira de Miranda, escultor e construtor de órgãos como os de Lorvão e Santa Maria de Belém, em Lisboa. O seu filho, António Xavier Machado e Cerveira, e Joaquim António Peres Fontanes são considerados os criadores da escola de organaria portuguesa.

Os dois inventaram um tipo de instrumento muito próprio, cujos aspetos técnicos e artísticos o diferenciam dos que particularizam outras escolas. Muito embora possam ter algumas semelhanças com os órgãos do país vizinho, hoje, perante o conhecimento que se tem destes instrumentos, torna-se errado continuar a generalizar, deixando de especificar as caraterísticas próprias da escola de organaria portuguesa do Século XVIII, que dão resposta e expressão ao gosto e forma de musicar nacionais. São, tal como acontece com este de N.ª Sr.ª da Guia do antigo convento de São Francisco de Angra, órgãos de organaria portuguesa.

A existência desta escola foi apresentada e justificada, internacionalmente, pela primeira vez, em intervenção feita por Dinarte Machado, no Congresso Internacional de Organaria, realizado em Mafra, em 1984. Para a sua certificação, contribuiu de forma decisiva o inusitado número de instrumentos provenientes dessa escola, existente nos Açores, cujas qualidades únicas, sobretudo graças ao restauro de que têm vindo a ser alvo, podem ser, hoje, devidamente apreciadas.

CONCERTO INAUGURAL APÓS O RESTAURO, 24 DE MARÇO DE 2012

Após o acurado trabalho de restauro efetuado por Dinarte Machado, o órgão histórico da igreja de N.ª Sr.ª da Guia voltou a fazer-se ouvir, a 24 de Março de 2012, pelas mãos do exímio organista João Vaz. A programação do recital foi por ele especialmente construída para evidenciar a capacidade, a riqueza e a variedade tímbricas deste instrumento e facultar uma breve panorâmica da produção organística na Europa, nos Séculos XVII e XVIII.

Quanto às particularidades do instrumento, há a assinalar a escolha de peças como Cuatro piezas de clarines (Anónimo, Espanha, Séc. XVII), que, no dizer de João Vaz, “exploram a sonoridade penetrante dos tubos de palheta dispostos horizontalmente na fachada do órgão, uma das características mais marcantes dos órgãos peninsulares seiscentistas e setecentistas”. Por seu turno, a Aria XXII (Giuseppe Paganelli, Nápoles, 1710/ca.1763) foi incluída por fazer “ouvir a sonoridade ondulante do registo de Voz humana, particularidade só encontrada nos órgãos italianos e portugueses do Século XVIII”. O Meio registo de 2.º tom (Diogo da Conceição, Portugal, Séc. XVII) foi igualmente selecionado por explorar “uma outra característica dos órgãos ibéricos: o teclado partido, (…) sistema que permite a coexistência de dois timbres diferentes num só manual.” Outras obras, como as variações sobre a ária Jesu du bist allzu schöne (Georg Böhm, Alemanha,1661/1733), apresentaram sucessivamente várias sonoridades contrastantes.

“A viagem pela história da produção organística”, ainda segundo João Vaz, incluiu a “audição de um repertório escrito ao longo de dois séculos”. Obras de Francisco Correa de Arauxo (Espanha, 1584/1654), Dietrich Buxtehude (Alemanha, 1637/1707), Joan Cabanilles (Espanha, 1644/1712) e Johann Sebastian Bach (Alemanha, 1685/1750) “testemunharam a diversidade da cultura organística europeia”. À severa estrutura polifónica de Frei Domingos de São José (Portugal, Séc. XVII) seguiu-se a audição de obras de Carlos Seixas (Portugal, 1704/1742) de “linguagem cravística e italianizante” e, finalmente, de Sonata para órgão em Ré maior, de Marcos Portugal (Portugal, 1762/1830), de forma a ilustrar diacronicamente a produção portuguesa para órgão.
Saliente-se que esta última obra “com as suas alternâncias entre o Cheio, Clarins e solos de Flauta, foi concebida tendo em mente o tipo de órgão produzido por Machado e Cerveira e, sendo praticamente contemporânea do instrumento da Igreja do Convento de São Francisco, encontra nele um meio de expressão ideal.”

Informação facultada pelo Museu de Angra do Heroísmo

https://www.musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/angra-do-heroismo-orgao-da-igreja-de-nossa-senhora-da-guia.jpg 400 400 António Ferreira http://musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/logo-musorbis-com-nome-300x300.png António Ferreira2020-11-24 00:13:352021-06-22 11:05:43Angra do Heroísmo: Órgão da Igreja de Nossa Senhora da Guia
Igreja de Alqueidão da Serra, Porto de Mós
Músicas no Concelho

Porto de Mós e os seus órgãos de tubos

Órgãos de tubos do concelho de Porto de Mós

Porto de Mós tem uma história riquíssima que remonta provavelmente à pré-História, apresenta vestígios da ocupação romana, foi conquistado pelos muçulmanos e reconquistado no tempo de D. Afonso I. “O Castelo de Porto de Mós, também referido como Castelo de D. Fuas Roupinho, localiza-se na freguesia de Porto de Mós – S. João Baptista e S. Pedro, concelho de Porto de Mós, distrito de Leiria, em Portugal.

Erguido sobre um outeiro, em posição dominante sobre a povoação, o seu nome está ligado ao de D. Fuas Roupinho, imortalizado nos versos de Luís de Camões e na lenda da Nazaré.”

Em 2023 foi noticiado que o órgão de tubos histórico (positivo) construído no século XVIII para a Igreja de Alqueidão da Serra iria voltar a tocar no final do ano após décadas de inactividade.

O mestre organeiro Dinarte Machado, responsável pela recuperação dos órgãos de tubos do Convento de Mafra, assumiu o restauro do órgão.

Referido também pela comissão de restauro, Dinarte Machado reconheceu que se trata de “um instrumento muito importante para a organaria histórica portuguesa, cujas características se assemelham à forma de construir do mestre português António Xavier e Cerveira, onde também não esconde aspectos relacionados com a Escola Italiana”.

A intervenção incide sobre “toda a estrutura de madeira e restauro da talha, tubos, os foles e teclado”, e está orçamentada em “cerca 40 mil euros, acrescidos de IVA”, suportados pelo apoio do Município de Porto de Mós e verbas a angariar junto de empresas e particulares.

Fonte: a Comissão para o Restauro do Órgão de Tubos de Alqueidão da Serra/Lusa

Igreja Matriz do Alqueidão da Serra

Igreja de Alqueidão da Serra, Porto de Mós

Igreja de Alqueidão da Serra, Porto de Mós

Construída no século XVIII, a Igreja Paroquial de Alqueidão da Serra tem sofrido várias intervenções de restauro nos últimos trinta anos. Ainda assim, dos cinco altares iniciais, construídos em pedra da região, restam apenas três. Destacam-se os dois símbolos de fogo na parte superior de cada lado, convergindo para o centro, e a imagem de S. Francisco, esculpida em madeira e datada do século XIX.

Fonte: CMPM

A Igreja Paroquial do Alqueidão da Serra dispõe de um órgão de tubos histórico de tipo ibérico (positivo de armário), com teclado de 45 notas, fole manual e florão ornamental em talha dourada. É uma peça valiosa e única no património histórico e cultural do Município. O órgão histórico do século XVIII é o mais antigo do Concelho de Porto de Mós.

Órgão de armário

Órgão de tubos da igreja de Alqueidão da Serra

Órgão de tubos da igreja de Alqueidão da Serra

Reciclanda

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António José Ferreira
962 942 759

https://www.musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/porto-de-mos-alqueidao-igreja.jpg 400 400 António Ferreira http://musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/logo-musorbis-com-nome-300x300.png António Ferreira2020-11-24 00:08:492026-07-05 11:45:13Porto de Mós e os seus órgãos de tubos
Igreja matriz de São Pedro, Peniche, templo com órgão de tubos
Músicas no Concelho

Peniche e os seus órgãos de tubos

Órgãos de tubos do concelho de Peniche [1]

Peniche é uma cidade e concelho indissociável do mar, “um dos maiores portos de pesca tradicional de Portugal e um grande centro atlântico de atividades marítimo-turísticas.” Merecem destaque o centro histórico, o “Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, as Igrejas de São Pedro e da Misericórdia, e o Forte de Peniche, construído no séc. XVI/XVII para a defesa da costa em cruzamento com o Forte da praia da Consolação e o forte na Ilha das Berlengas.” No que se refere a órgãos de tubos, de acordo com as informações de que dispomos, os órgãos de tubos existentes no Concelho são os seguintes:

Igreja de São Pedro

Em Peniche, “os primeiros templos terão sido edificados em meados do século XV, integrando-se neste conjunto possivelmente a Capela do Espírito Santo. Foi precisamente no local desta Capela que em 1589 se fundou a Igreja de São Pedro, cuja construção da estrutura estaria concluída cerca de 1593. O templo paroquial apresenta um corpo central retangular disposto longitudinalmente, que corresponde aos espaços da nave e da Capela-mor, ao qual foram adossados lateralmente a sacristia e uma sala de arrumações. A fachada principal apresenta um modelo de linhas robustas, dividido em três panos, que correspondem à disposição das naves.

Os panos laterais possuem dois torreões, o da direita com sineira. Ao centro foi aberto um nártex com duas colunas alteado ao centro. Sobre este foi rasgado um óculo, e o frontispício é terminado em empena. As fachadas laterais são marcadas pela disposição de portas no primeiro registo e cinco janelas retangulares de cada lado. O espaço interior divide-se por três naves cobertas por teto de madeira, marcadas por cinco tramos que assentam sobre colunas toscanas. No interior da torre do lado do Evangelho foi edificada uma Capela batismal, com cúpula, onde foi colocado um painel figurativo de azulejos azuis e brancos, de feitura setecentista, proveniente do Convento de São Bernardino. Na torre oposta foi construída a escada de acesso ao coro-alto.

A Capela-mor é coberta por abóbada, sendo esta decorada com pinturas de motivos de gosto Neoclássico que se estendem pelas paredes laterais. Aqui foi também disposto um cadeiral de madeira, da mesma proveniência dos azulejos do batistério. No programa decorativo do templo destacam-se as telas emolduradas por talha, que representam cenas da vida de São Pedro, estando uma assinada com a seguinte inscrição, PINTOR Pº PEIXOTO. E. DE 1711. Possui altares colaterais em talha dourada, com frontão em arco pleno, e altares laterais da mesma tipologia, com frontão triangular. Possui ainda uma imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, de grande devoção entre a comunidade piscatória da vila.

Cf. Catarina Oliveira, GIF/IPPAR/2006

Igreja matriz de São Pedro, Peniche, templo com órgão de tubos

Igreja Matriz de São Pedro, Peniche

A Igreja Paroquial de São Pedro de Peniche possui um órgão histórico de tipo ibérico (positivo de armário) [ I; 2 (4+5) ] construído por Pietro António Boni em 1771. Foi restaurado em 2015 pela Oficina e  Escola de Organaria (Esmoriz), de Pedro Guimarães e Beate von Rohden, opus 65.

Órgão de armário

Órgão de tubos da igreja Matriz de São Pedro

Órgão de tubos da Igreja Matriz de São Pedro

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FOI NOTÍCIA

A 08 de abril de 2015, o sítio do Município de Peniche, agendava para o fim-de-semana, dias 11 e 12, as celebrações de inauguração do órgão de tubos da Igreja de São Pedro, em Peniche. No sábado, dia 11, às 21.30 horas, realizar-se-ia um recital inaugural com os organistas internacionais Eva Brandazza e Marco Brandazza e o Coral Stella Maris de Peniche, por ocasião do seu 38º aniversário. No domingo, às 10-30 horas teria lugar uma eucaristia acompanhada pelo órgão de tubos e pelos grupos corais da Paróquia de Peniche.

O órgão de tubos da igreja de São Pedro, data do século XVIII e estava parado desde a década de 40 do século passado. A recuperação deste órgão secular esteve integrada no âmbito da parceria para a regeneração urbana na candidatura liderada pelo Município de Peniche ao Programa Operacional Centro, para as obras de reabilitação da Igreja de São Pedro, reaberta ao culto no mês de novembro passado.

De acordo com Fernando Engenheiro, em artigo publicado na edição nº 1192 da “Voz do Mar” de 24 de Outubro de 2006, “ desde os fins do século XVIII, mais propriamente na sua última década, a Igreja de São Pedro passou a ser possuidora de um grande órgão, instrumento musical de teclas com sons por tubos construídos em estanho. No interior daquele templo, ao levantarmos a vista para a altura do coro, na época também designado por coreto, os nossos olhos prendem-se, no seu velho órgão que, pela imponência, nos maravilha com a sua caixa, ensamblamento e toda a composição onde encerra os tubos e a sua maquinaria”.

Na altura, este instrumento musical foi adquirido com “a colaboração dada pelas Confrarias das Almas e de Nossa Senhora do Rosário, aprovadas pelos seus Juízes, Oficiais e Mordomos, com assento na Igreja de S. Pedro, sendo assim possível ajudar a compartilhar nas despesas da sua aquisição, a cargo da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Igreja de S. Pedro”, pode ler-se no artigo.

O novo órgão teve “a sua solene inauguração na festa anual que se fazia naquele templo em louvor de Nossa Senhora do Rosário, a cargo da sua Confraria, cuja imagem se venerava no altar onde hoje se rende o culto a Nossa Senhora da Boa Viagem. A partir de então e até à abolição das Ordens Religiosas (que ocorreu a partir de 1834), foi a manutenção do órgão entregue aos cuidados do Convento do Bom Jesus de Peniche até porque ali existiam elementos competentes para o desempenho de funções de organista.

Nessa época “aqui vivia José Leal Moreira, mestre da música da então Vila de Peniche, com o partido de quarenta mil réis em cada um ano pagos pelo “Cofre dos Sobejos das Sisas” da mesma Vila sendo o dito mestre obrigado a ensinar de graça os moradores de Peniche por provisão da Rainha D. Maria I, de 5 de Dezembro de 1778. Pensa-se que, talvez a ideia da aquisição do órgão para a Igreja de São Pedro se deva ainda que de uma forma indirecta àquele professor de música, habilitado a formar alunos organistas”, explica o historiador.

Desde então, por longos anos ecoaram naquele templo os sons do velho órgão, “enchendo a alma” e acompanhando celebrações solenes como “Te Deum Laudamos”, ou Acções de graças a Deus, especialmente cantados quando em Peniche eram recebidos membros da realeza, altos eclesiásticos e militares de alta patente. Fernando Engenheiro acrescenta ainda que “outros organistas exploraram as capacidades deste majestoso órgão de tubos, mas não há memórias da sua actuação até aos primeiros anos do século XX, aquando das solenidades litúrgicas que assinalavam os dias do corpo de Deus, de S. Pedro, orago do templo, da Cadeira de S. Pedro, de Nossa Senhora do Rosário, ou ainda o Domingo de Páscoa e o Natal”.

Mais tarde, já em pleno século XX e já depois da Implantação da República, pela mão do mestre José Cândido de Azevedo Mello, o velho órgão continuou a encher de sonoridade musical a Igreja de São Pedro. José Cândido de Azevedo Mello, figura ímpar na arte musical em Peniche, fez realçar aquele instrumento em momentos litúrgicos de grande esplendor. Alguns alunos seus também o usaram, como os organistas Joaquim Desidério Júnior e sua nora D. Romana Ester Caldas Pereira Fausto de Mello”, explica o artigo de Fernando Engenheiro.

No entanto, alguns anos antes da morte do mestre José Cândido, ocorrida a 1 de outubro de 1950, mergulhou aquele grande instrumento musical num silêncio profundo, até aos dias de hoje. Sessenta e cinco anos depois, esta verdadeira jóia do património religioso e cultural de Peniche voltou a fazer-se ouvir, num recital que marca oficialmente a inauguração deste histórico instrumento musical.

De acordo com o Correio da Manhã, 11 abril 2015, Pedro Silva, pároco de Peniche, afirmou: “é uma alegria para a igreja, mas também para o concelho voltar a ouvir o órgão”, não só pelo acompanhamento litúrgico que vai permitir fazer, mas sobretudo pela importância patrimonial e artística.

O restauro custou cerca de 40 mil euros e foi feito pelo organeiro Pedro Guimarães.

O órgão foi construído em 1771 pelo italiano Pietro Antonio Boni, responsável pela manutenção de instrumentos da Sé Patriarcal de Lisboa a partir de 1758, ano em que aí vendeu e montou um órgão, na sequência da destruição provocada pelo terramoto de 1755, vindo a falecer poucos anos depois, em 1774.

Pelo estado gasto das teclas e outros mecanismos, terá tido muito uso durante 160 anos, estimou a paróquia.

O blogue Terra de Mar e Sol noticiava também a 12 de abril de 2015:

Acontecimento há muito esperado teve ontem o seu desfecho na Igreja de São Pedro com a inauguração do seu Órgão de Tubos. Antes do Recital, o nosso Prior, Padre Pedro procedeu à Bênção do Órgão. O Recital Inaugural teve a participação dos organistas internacionais Eva e Marco Brandazza e o Coral Stella Maris de Peniche, dirigido pelo Maestro João Sebastião, no dia em que este Coro comemorou o seu 38º aniversário.

https://www.musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/peniche-matriz-sao-pedro-igreja.jpg 400 400 António Ferreira http://musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/logo-musorbis-com-nome-300x300.png António Ferreira2020-11-24 00:06:202024-11-10 12:00:54Peniche e os seus órgãos de tubos
Igreja Matriz de ÓbidosRotas Turísticas
Músicas no Concelho

Óbidos e os seus órgãos de tubos

Óbidos e os seus órgãos de tubos [4]

De acordo com as informações de que dispomos, os órgãos de tubos existentes no Concelho são os seguintes:

Igreja Matriz de Óbidos

Igreja Matriz de Óbidos

Igreja Matriz de Óbidos

A origem desta igreja remontaria ao período visigótico, tendo sido convertida em mesquita durante a época muçulmana e reconvertida para o cristianismo após D. Afonso Henriques ter conquistado a vila, em 1148, consagrando-a ao culto mariano. A partir de 1210, a vila de Óbidos passou a pertencer à Casa das Rainhas, tendo beneficiado do mecenato artístico e religioso da Coroa nos seiscentos anos seguintes. As várias intervenções na Igreja de Santa Maria são um testemunho desse facto. O templo que hoje se ergue na Praça de Santa Maria, ao fundo da Rua Direita, data do século XVI e foi construído por iniciativa da rainha D. Leonor, esposa de D. João II. Nesta igreja se casou em 1441, o infante D. Afonso (mais tarde rei D. Afonso V de Portugal) com sua prima D. Isabel, tendo ele dez e ela oito anos de idade. A partir de 1571, dado o seu estado de ruína, foi profundamente remodelada, sob ordem da rainha D. Catarina de Áustria, passando a ter a configuração atual. À entrada, sobre o portal maneirista, vê-se uma imagem de N.S. da Assunção, padroeira da paróquia. Junto ao altar, há o túmulo renascentista de D. João de Noronha, que foi alcaide-mor de Óbidos no século XVI, obra-prima da escultura tumular renascentista, atribuída ao francês Nicolau Chanterenne. Podem contemplar-se pinturas de Baltazar Gomes Figueira e da célebre Josefa de Óbidos (1634-1684), que combinou o profano e o sagrado em atmosferas de suave sensualidade e misticismo, como no retábulo datado de 1611, que representa o Casamento Místico de Santa Catarina, e está exposto na sacristia. Grande parte da obra desta notável pintora (e do acervo da igreja) está conservada em museus, nomeadamente no de Óbidos. As paredes, revestidas de alto a baixo com azulejos setecentistas, e a cobertura de madeira pintada produzem um belo efeito decorativo, concebido por Francisco de Azevedo Caminha, também no século XVII.

No largo fronteiro à igreja, o pelourinho de pedra está decorado com uma rede de pesca. D. Leonor quis, assim, prestar homenagem aos pescadores que recolheram numa rede o corpo de seu filho D. Afonso, falecido na sequência de uma queda de cavalo junto à margem do Tejo.

A Igreja Paroquial de Santa Maria de Óbidos possui um órgão histórico da autoria de Joaquim António Peres Fontanes, construído no século XVIII, reparado por António Simões em 1994.

Fachada do órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

fachada do órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

Consola do órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

consola do órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

Órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

Órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

Manúbrios do órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

Manúbrios do órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

Manúbrios do órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

Manúbrios do órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

Fole do órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

Fole do órgão da igreja de Santa Maria, Óbidos, 2025

Igreja da Misericórdia  de Óbidos

Igreja da Misericórdia, Óbidos

Igreja da Misericórdia, Óbidos

Erigida na segunda metade do séc. XVI no lugar da primitiva Capela do Espírito Santo a Igreja da Misericórdia possui um importante recheio artístico, destacando-se o portal e púlpito (ambos de 1596), o retábulo da Capela mor com pinturas de André Reinoso (de 1628), o revestimento azulejar e Virgem com o Menino em cerâmica (ambos de cerca de 1630). A Igreja da Misericórdia é a sede da Santa Casa, instituição de solidariedade fundada em Óbidos pela rainha D. Leonor, mulher de D. João II, na primeira década do século XVI.

A Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos possui um órgão de tubos construído por João da Cunha em 1755, restaurado por Dinarte Machado em 2026.

Órgão da Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos

Órgão da Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos

Igreja de São Pedro

Igreja de São Pedro, Óbidos

Consagrada ao apóstolo S. Pedro, afetada pelo terramoto de 1755, na fachada a igreja conserva apenas vestígios do antigo portal gótico. No interior, merecem destaque imagens setecentistas que se referem a Santa Barbara, S. Pedro e S. Paulo. A abobadada Capela-mor possui um aparatoso retábulo em talha dourada enquadrando uma tela de João da Costa (artista obidense) que representa S. Pedro a receber as chaves do céu. Aqui se encontra o famoso túmulo de Josefa de Óbidos. A talentosa artista foi aqui sepultada, a seu pedido, com o intuito ficar perto da sua madrinha mística, Nossa Senhora do Rosário.

A Igreja de São Pedro possui um órgão histórico.

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025, pormenor

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025, pormenor

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025, manúbrios

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025, manúbrios

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025, manúbrios

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025, manúbrios

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025, pisantes

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025, pisantes

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025, alavanca

Órgão da igreja de São Pedro, Óbidos, 2025, alavanca

Santuário do Senhor Jesus da Pedra

Igreja do Senhor Jesus da Pedra, templo com órgão de tubos

Igreja do Senhor Jesus da Pedra

Localizado à entrada da Vila de Óbidos, na estrada que liga à cidade de Caldas da Rainha, o Santuário do Senhor Jesus da Pedra está repleto de particulares arquitetónicas nomeadamente as janelas invertidas e uma planta que conjuga planos cilíndricos no seu exterior como hexagonais no seu interior. Foi construído em 1747 e tem como arquiteto o Capitão Rodrigo Franco. O interior é composto por 3 capelas, uma dedicada ao calvário (Capela-mor) onde se destaca a pintura de André Gonçalves e as suas outras 2 capelas laterais devotas à Nossa Senhora da Conceição e à Morte de São José com pinturas de José da Costa Negreiros. Um dos pontos altos da visita é a imagem de pedra de Cristo crucificado, em maquineta própria no altar-mor, figura essa que se encontrava numa ermida junto à estrada que liga a Vila de Óbidos à cidade de Caldas da Rainha.

A Igreja do Senhor Jesus da Pedra possui um órgão histórico.

Órgão da Igreja do Senhor Jesus da Pedra, Óbidos, 2025, fachada

Órgão da Igreja do Senhor Jesus da Pedra, Óbidos, fachada, 2025

Órgão da Igreja do Senhor Jesus da Pedra, Óbidos, 2025

Órgão da Igreja do Senhor Jesus da Pedra, Óbidos, 2025

Órgão da Igreja do Senhor Jesus da Pedra, Óbidos, 2025

Órgão da Igreja do Senhor Jesus da Pedra, Óbidos, pormenor, 2025

https://www.musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/obidos-matriz-igreja_rotas-turisticas.jpg 400 400 António Ferreira http://musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/logo-musorbis-com-nome-300x300.png António Ferreira2020-11-24 00:05:532026-07-04 13:03:17Óbidos e os seus órgãos de tubos
Santuário da Nazaré, templo com órgão de tubos
Músicas no Concelho

Nazaré e os seus órgãos de tubos

Órgãos de tubos do concelho da Nazaré [2]

De acordo com as informações de que dispomos, os órgãos de tubos existentes no Concelho são os seguintes:

Igreja Matriz da Pederneira

[ Igreja Paroquial ] [  Nossa Senhora das Areias e de S. Pedro ]

Igreja matriz da Pederneira

Igreja Matriz da Pederneira

A Igreja da Fábrica Paroquial de Nossa Senhora das Areias e de S. Pedro da Pederneira é um edifício cuja construção decorreu entre os séculos XVI e XIX. Na opinião do padre António Carvalho da Costa, a atual Igreja Matriz terá sido construída pela população de Paredes, vila que no século XVI ficou completamente soterrada. Por este facto, muitos investigadores, dão como certa a fundação do aglomerado urbano da Pederneira pelas gentes da extinta vila de Paredes. Segundo José D’Almeida Salazar, Ermitão da Real Capela de Nossa Senhora da Nazaré, a Matriz da Pederneira, terá sido palácio ou casa de recreio do Cardeal Rei, D. Henrique, quando foi Abade d’Alcobaça, onde quase todos os anos passava o verão. De uma só nave, a igreja é composta por uma Capela-mor com altar de talha dourada do século XVII. A grande bancada da Irmandade é ornada de talha dourada setecentista. As paredes da nave e da Capela-mor são revestidas por um silhar de azulejos tipo “padrão”, verdes, azuis e amarelos, do século XVII, rematados por azulejos tipo “tapete”. Na Capela-mor, sobre duas portas, quadros cerâmicos embutidos com a cruz dos Bulhões, ostentam a seguinte inscrição: “Os devotos de Santo António mandaram azulejar esta Capela. Ano de 1637”.

Fonte: CMN

Santuário de Nossa Senhora da Nazaré

Santuário da Nazaré, templo com órgão de tubos

Santuário da Nazaré, templo com órgão

A imagem de Nossa Senhora da Nazaré é a de uma virgem negra. Esculpida em madeira, foi trazida de Mérida para este promontório oceânico, no ano de 711, por Frei Romano, que fugiu dos invasores muçulmanos na companhia de D. Rodrigo, o último rei visigodo, após a derrota dos exércitos cristãos na batalha de Guadalete. No Sítio da Nazaré ainda se podem observar os três santuários em que a imagem foi venerada ao longo dos tempos: uma pequena gruta junto à arriba, onde Frei Romano viveu como eremita e foi sepultado; a Capela da Memória, construída por D. Fuas Roupinho, à beira da falésia, sobre a gruta, onde a imagem foi venerada entre 1182 e 1377; e o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, fundado pelo rei D. Fernando I, em 1377, que começou a ser reconstruído no início do século XVII até adquirir a sua forma atual. A fachada de grandes dimensões ergue-se acima de um terreiro espaçoso para acomodar os peregrinos e os romeiros. É dominada por duas torres sineiras e está ladeada por dois edifícios: o do hospital e o antigo paço real, onde se alojavam os reis e outros altos dignitários, quando ali se deslocavam. No interior, destacam-se os azulejos holandeses do início do século XVIII que cobrem a nave, bem como as pinturas da sacristia que descrevem a história do milagre que salvou a vida a D. Fuas Roupinho, alcaide-mor do Castelo de Porto de Mós, que tinha por hábito caçar nesta região. De acordo com a lenda, numa manhã de nevoeiro, decorria o ano de 1182, D. Fuas Roupinho perseguia um veado quando o viu desaparecer no precipício. Alarmado pelo perigo, pediu ajuda à Virgem e logo o cavalo estacou, salvando a sua vida. Em ação de graças, D. Fuas Roupinho mandou construir a Capela da Memória. A imagem de Nossa Senhora da Nazaré que, segundo se crê, é a original, encontra-se no altar da igreja e atrai grandes romarias anuais, que decorrem a 8 de setembro.

Fonte: Monumentos

Órgão histórico

Órgão de tubos do santuário da Nazaré

Órgão de tubos do Santuário da Nazaré

https://www.musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/nazare-santuario.jpg 400 400 António Ferreira http://musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/logo-musorbis-com-nome-300x300.png António Ferreira2020-11-24 00:05:272021-06-22 11:06:34Nazaré e os seus órgãos de tubos
Sé de Leiria, templo com órgãos
Músicas no Concelho

Leiria e os seus órgãos de tubos

Órgãos de tubos do concelho de Leiria [4]

De acordo com as informações de que dispomos, os órgãos de tubos existentes no Concelho são os seguintes:

Igreja de Nossa Senhora da Encarnação

No lado Este da cidade de Leiria, dominando a paisagem a partir do Monte de São Gabriel, está o Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, com acesso por um grande escadaria.

Igreja da Encarnação, Leiria

Igreja da Encarnação, Leiria

Esta igreja de peregrinação foi edificada em 1588 no local da antiga ermida de São Gabriel por iniciativa de D. Pedro de Castilho. A escadaria foi mandada construir durante o séc. XVIII, pelo bispo D. Frei Miguel de Bolhões, cujo brasão encontramos num dos lanços. A galilé, galeria que antecede a entrada, é marcada por sete arcos sendo o central mais elevado e sobreposto por um frontão trabalhado, onde se pode ver uma estátua do arcanjo São Gabriel, em justa homenagem ao antigo culto. A imagem de Nossa Senhora da Encarnação, o atual orago, encontra-se no altar-mor. A igreja é revestida por painéis de azulejo policromos do séc. XVII, em muito bom estado de conservação, sobrepostos por pinturas alusivas à vida da Nossa Senhora. No coro alto e sobre a Capela-mor, algumas pinturas de sabor popular alusivas aos milagres de Nossa Senhora animam o espaço.

Fonte: Monumentos

A Igreja de Nossa Senhora da Encarnação possui um órgão da autoria de Joaquim António Peres Fontanes, construído em 1812, restaurado em 1994 por António Simões.

Órgão de armário

Órgão histórico da Igreja da Encarnação

Órgão histórico da Igreja da Encarnação

João Santos e o órgão da Igreja de Nossa Senhora da Encarnação

Orfeão de Leiria – Conservatório de Artes

O Orfeão de Leiria possui um órgão Hofmann/Röhn, 1960, de dois manuais e pedaleira com acoplamentos. Foi originalmente construído para a Igreja Católica de Neuses (Alemanha) e adquirido pelo Orfeão de Leiria. Foi instalado na igreja de São Pedro em 2008 pela firma Nuno Rigaud Orgelbau e transferido mais tarde para instalações do Orfeão de Leiria.

Rute Martins e o órgão do Orfeão de Leiria

Sé de Leiria

A Sé de Leiria foi construída em 1559. As obras ficaram concluídas em 1574. Apresentando uma arquitetura algo severa, de estilo maneirista e Barroco, este imponente templo filia-se nas igrejas-de-salão como as sés de Portalegre e Miranda do Douro.

Sé de Leiria, templo com órgãos

Sé de Leiria, templo com órgão

A Sé de Leiria possui na nave central um órgão de três teclados manuais e pedaleira, com acoplamentos, construído por Georges Heintz em 1997.

Órgão moderno

Órgão moderno da Sé de Leiria

Órgão Heintz da Sé de Leiria, de 1997

João Santos e o órgão da Sé de Leiria

Seminário de Leiria

De acordo com informação do organista João Santos, o Seminário de Leiria possui um órgão Ruffatti.

Órgão de palhetas livres

Igreja do Barracão

A Igreja de Barracão, terra do organista João Santos, na freguesia de Colmeias e concelho de Leiria, tem um “Pedalion” construído na década de 1930 em Amersfoort (Holanda) pela casa R. Van den Burg. Trata-se de um instrumento vivo, pois o som é produzido por palhetas (do tipo harmónio ou acordeão) e o ar é obtido por meio de um motor elétrico que ativa um fole por meio de sucção. O instrumento encontra-se em estado impecável, afinado e poderoso. Uma curiosidade interessante é a presença de persianas na parte de trás do órgão, aumentando a sua capacidade expressiva (crescendos e diminuendos), à semelhança do que acontece nos órgãos de tubos. (publicação de João Santos no seu perfil do Facebook, a 12 de outubro de 2021)

Órgão da igreja de Barracão, Colmeias, Leiria

Órgão da igreja de Barracão, Colmeias, Leiria

FOI NOTÍCIA

O órgão de tubos existente na igreja de Nossa Senhora da Encarnação, Leiria, é o antigo órgão que esteve ao serviço da Sé e se encontrava instalado na tribuna da Capela-mor do lado da Epístola.

Em 1995, ao celebrar os 450 anos da criação da Diocese de Leiria, o Cabido resolveu adquirir um grande órgão adaptado à grandiosidade da Catedral que pudesse contribuir para a dignidade do culto. O velho órgão encontrava-se desativado devido ao seu estado de degradação, e há muito que não se ouvia.

Em tal situação, prevendo-se que, vindo o novo grande órgão jamais se pensasse no antigo e este acabasse por degradar-se completamente, um membro do Cabido que simultaneamente era membro da Mesa da Confraria de Nossa Senhora da Encarnação, propôs para o salvar, que fosse cedido gratuitamente à igreja de Nossa Senhora da Encarnação para seu uso, ficando a Confraria responsável pela sua total recuperação.

O cabido aceitou a proposta e com a anuência do Senhor Bispo sendo feitas as devidas diligências. Ficou o restauro, no valor de 5.000.000$00 (cinco mil contos, ou cerca de 25.000€ em moeda atual), confiado ao organeiro António Simões, com oficina em Condeixa.

Trata-se de um órgão tipo ibérico e embora de modestos recursos dispõe de uma boa sonoridade. Foi construído em 1813 na cidade de Lisboa por Joaquim Perez Fontanes, membro de uma família espanhola de afamados organeiros. Sendo as suas dimensões exíguas para a amplitude da Catedral, já na igreja de Nossa Senhora da Encarnação elas se revelaram bem proporcionadas.

Ao longo dos tempos, o órgão foi objeto de várias intervenções de conservação. Na da década de 40 do século XX, Manuel Reis realizou no Porto uma intervenção profunda que se por um lado lhe conferiu o benefício de ordem prática de o equipar com motor elétrico para substituir o sistema de foles e de renovar o velho teclado desgastado, por outro ao colocar-lhe uma caixa de expressão e eliminando um “cheio” criando um “jogo de dois pés” conseguiu adulterar as características do órgão.

Na última recuperação realizada pelo já referido organeiro António Simões, foi tido em mente por ele repor as características originais do instrumento musical, bem assim, no seu aspeto exterior ao serem recolocadas as portas de resguardo que tinham sido retiradas na anterior intervenção.

Foi beneficiada a pintura externa, considerando o novo ambiente onde iria ser inserido e foi construído um estrado próprio para o receber. Todo o conjunto colocado no transepto do lado direito adapta-se bem ao local e serve bem o grupo coral, o seu diretor e o organista.

Desde o início desta sua nova vida o órgão tem estado ao serviço nos atos de culto dos dias festivos. Igualmente se têm realizado concertos culturais cujo contexto se integra no local.

FONTE:

(Notas coligidas pelo secretário da Confraria na base de informação deixada pelo Padre Rosa)

portal da Confraria de Nossa Senhora da Encarnação, inserido nesta página a 29 de fevereiro de 2016.

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https://www.musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/leiria-se.jpg 400 400 António Ferreira http://musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/logo-musorbis-com-nome-300x300.png António Ferreira2020-11-24 00:04:592026-07-06 13:45:59Leiria e os seus órgãos de tubos
Igreja Matriz de São João Baptista, Figueiró dos Vinhos
Músicas no Concelho

Figueiró dos Vinhos e os seus órgãos de tubos

Órgãos de tubos do concelho de Figueiró dos Vinhos [1]

De acordo com as informações de que dispomos, os órgãos de tubos existentes no Concelho são os seguintes:

Igreja Matriz de Figueiró dos Vinhos

[ Igreja Paroquial ] [ São João Baptista ]

Igreja Matriz de São João Baptista, Figueiró dos Vinhos

Igreja Matriz de São João Baptista

nave da igreja

Igreja Matriz de São João Baptista

Igreja Matriz de São João Baptista

Originária do século XIII sob a evocação de Santa Maria, a Igreja Matriz de Figueiró dos Vinhos surgiu no século XIV com a designação de S. João Batista. Foi reconstruída nos séculos XVI e XVII, possuindo características arquitetónicas semelhantes a outras igrejas da região. No interior destaca-se o altar-mor, de talha dourada estilo D. João V, a tela “O Batismo de Cristo”, do pintor José Malhoa, e os painéis de azulejos, de Teotónio dos Santos, datados de 1716, representando cenas da vida de S. João Batista. No corpo da Igreja é ainda possível admirar uma imagem da Santíssima Trindade de finais do século XV, a imagem do Senhor dos Aflitos de autoria do mestre Simões de Almeida (Tio), assim como pinturas dos séculos XVI a XVIII, e uma arca tumular onde repousam Rui Vasques Ribeiro e Dona Violante de Sousa, senhores de Figueiró e Pedrógão, entre muitas outras obras de arte. A igreja sofreu obras de remodelação entre 1898 e 1904, sob a direção do arquiteto Luiz Ernesto Reynaud, contratado pelo escultor Simões de Almeida (Tio) e a convite do pintor José Malhoa, tendo sido reformulada a fachada, com exceção do pórtico, da Renascença.

Montra do órgão

Órgão de tubos da igreja matriz de Figueiró dos Vinhos

Órgão da Igreja Matriz de Figueiró dos Vinhos

Reciclanda

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

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Órgão António Joaquim Fontanes, Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, restauro por António Simões em 2023, créditos Daniel Oliveira
Músicas no Concelho

Caldas da Rainha e os seus órgãos de tubos

Órgãos de tubos das Caldas da Rainha [1]

De acordo com as informações de que dispomos, os órgãos de tubos existentes no Concelho são os seguintes:

Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, Caldas da Rainha

Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, Caldas da Rainha

Igreja de Nossa Senhora do Pópulo

Classificada como Monumento Nacional desde 1911, a Igreja Nossa Senhora do Pópulo é uma das mais emblemáticas atrações de Caldas da Rainha. Construída inicialmente como Capela privada do Hospital Termal, foi elevada a Igreja Matriz devido ao rápido crescimento da localidade. Da autoria do Mestre Mateus Fernandes, um dos responsáveis pelas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, a igreja data do inicio do século XVI e tem a particularidade da Capela-mor ter sido erguida sobre uma das nascentes termais. De pequenas dimensões, a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo revela-se enorme pela conjugação de estilos que abarca, sendo referenciada como um dos primeiros edifícios onde se pode encontrar indícios do estilo manuelino. Para melhor se perceber o legado da cidade das artes e da cultura, em 1504 a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo foi palco de uma das mais emblemáticas obras de um dos grandes nomes da literatura portuguesa, o Auto de São Martinho de Gil Vicente, de quem a Rainha Dona Leonor, grande impulsionadora das artes e da cultura, era mecenas.

Órgão de tubos da igreja de Nossa Senhora do Pópulo

Em 2020, Dinarte Machado publicava no Facebook:

“Este é o estudo prévio, de um órgão histórico, em estado de degradação acentuado, cujo estudo é o que vem publicado num caderno para concurso público.

Órgão

No coro-alto encontra-se o órgão com caixa em madeira de estrutura simples e sem grandes ornamentos. Este não é o órgão original da igreja. O órgão inicial deveria ser um órgão “realejo”, ou seja, um órgão mecânico com um ou mais foles e teclado, o qual terá sofrido vários consertos no final do séc. XVI, inícios do séc. XVII. Em 1825 sabe-se da doação de um novo órgão pelo Rei D. João VI e em 1880 do restauro e afinação do órgão por Paul Lê Gros. Este será o órgão atual uma vez que ainda se pode ler na caixa do órgão junto ao teclado “António Joaquim Fontanes o fez no anno de 1826”.

O órgão é uma peça simples apresentando caixa ao nível inferior onde se encontra teclado e pedaleira e caixa ao nível superior tripartida onde se encontram os tubos do órgão com decoração ao nível do remate superior em talha dourada. O órgão encontra-se em mau estado de conservação com tubos ausentes e grande parte deles tombados e fora do sítio original.

O órgão apresenta-se em mau estado de conservação, não estando funcional. Ao nível da caixa de madeira verificam-se pequenas fissuras e desligamento entre elementos estruturais, com presença de lacunas de pequena dimensão. É admissível a presença de elementos em falta e/ou soltos armazenados no interior da caixa, carecendo toda a estrutura de revisão. São visíveis elementos metálicos oxidados. A superfície apresenta lacunas com deposição de sujidade generalizada em todo o conjunto.

No que diz respeito ao mecanismo é visível a presença de tubos em mau estado de conservação, alguns dos quais armazenados no interior da caixa, não se sabendo se o conjunto se encontra completo. A este nível também se salienta o mau estado de conservação do teclado e pedaleira, necessitando todo o mecanismo de uma intervenção de fundo.

Dinarte Machado, 2020

Órgão António Joaquim Fontanes, Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, restauro por António Simões em 2023, créditos Daniel Oliveira

Órgão António Joaquim Fontanes, Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, restauro por António Simões em 2023, créditos Daniel Oliveira

Órgão António Joaquim Fontanes, Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, restauro por António Simões em 2023, créditos Daniel Oliveira

Órgão António Joaquim Fontanes, Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, restauro por António Simões em 2023, créditos Daniel Oliveira

Reciclanda

Reciclanda

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Igreja Matriz de Reguengo do FetalVictor Henriques
Músicas no Concelho

Batalha e os seus órgãos de tubos

Órgãos de tubos do concelho da Batalha [1]

De acordo com as informações de que dispomos, os órgãos de tubos existentes no Concelho são os seguintes:

Igreja Matriz de Reguengo do Fetal

[ Igreja Paroquial ] [ Nossa Senhora dos Remédios ]

Igreja Matriz de Reguengo do Fetal

Igreja Matriz de Reguengo do Fetal

Terá sido na sequência da construção da atual Igreja Paroquial que o orago da freguesia foi definitivamente estabelecido e dedicado a Nossa Senhora dos Remédios. Assim, o templo principal é uma edificação quinhentista, muito remodelada nos séculos posteriores, mas que conserva ainda alguns vestígios da arquitetura original, nomeadamente as molduras de arcos de cantaria nas paredes da igreja.

A grande reforma terá ocorrido na centúria de Setecentos, mas o revivalismo de determinadas soluções arquitetónicas deixa adivinhar uma intervenção posterior, de cariz romântico, ocorrida, com certeza, no século XIX. Esta incidiu mais fortemente no interior da igreja, onde se pode observar a linguagem neogótica que presidiu à reforma do teto, cujos ornatos em estuque desenham uma cruzaria de ogivas, e os remates das capelas laterais, todas elas separadas da nave por arcos flamejantes. O retábulo-mor, de linguagem Rocaille polícroma, é ladeado por duas colunas com capitéis coríntios que rematam em frontão contracurvado. Ao centro, a tribuna, de arco de volta perfeita, exibe uma tela com a representação de Nossa Senhora dos Remédios.

A fachada principal, ladeada por duas torres sineiras, revela uma composição de inspiração barroca, sendo o portal principal encimado por uma janela de sacada com balaustrada e frontão. Em consequência do terramoto de 1969, a igreja sofreu fortes danos pelo que data dessa época a reorganização do terreiro fronteiro e da entrada a Sul.

Fonte: DGPC, Rosário Carvalho

Igreja do Mosteiro da Batalha

Órgão desaparecido

Manuel Benito Gomes, séc. XVIII (Tratado 2 de Geometria Practica, de Antonio Pedro de Mello)

Reciclanda

Reciclanda, música e poesia para um mundo melhor

Com municípios e entidades diversas,  a Reciclanda promove a reutilização musical desde idade precoce, faz capacitação de docentes, contribui para a qualidade de vida dos seniores.

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Igreja de São Tiago, Tavira
Músicas no Concelho

Tavira e os seus órgãos de tubos

Órgãos de tubos do concelho de Tavira

De acordo com as informações disponíveis, existem no Concelho os seguintes órgãos de tubos.

Igreja da Misericórdia

A Igreja da Misericórdia de Tavira fica situada na freguesia de Santa Maria (Tavira). Mandada construir pela Misericórdia de Tavira, a sua construção (1541-1551), é da autoria de André Pilarte (que participou na construção do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa). A igreja, de estilo renascentista, é constituída por três naves, sem Capela-mor. O teto é sustentado por oito colunas rematadas por capitéis renascentistas. A decoração apresenta um conjunto de painéis de azulejos azuis e brancos, do século XVIII, que mostram as 18 Obras de Misericórdia (Obras Espirituais, Obras Corporais e vida de Cristo).

A fachada principal é considerada um dos melhores testemunhos da Renascença portuguesa no Algarve. O pórtico principal, um arco de volta perfeita com ampla decoração all’antico procedente de gravados italianos, sendo encimado pela imagem de Nossa Senhora da Misericórdia. Esta imagem, recolhida sob um dossel e ladeada por dois anjos esvoaçantes, encontra-se no meio das figuras de São Pedro e São Paulo, sendo visível ainda o brasão da cidade de Tavira.

A Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Tavira possui um órgão positivo de armário da autoria de Leandro José da Cunha, construído em 1785, restaurado em 2004 por Dinarte Machado – Atelier Português de Organaria.

Órgão de armário com portadas abertas

Igreja da Misericórdia de Tavira

Igreja da Misericórdia de Tavira

Recital de canto e órgão

Órgão de tubos da Igreja da Misericórdia de Tavira

Órgão da Igreja da Misericórdia de Tavira

Órgão da Igreja da Misericórdia de Tavira

Órgão da Igreja da Misericórdia de Tavira

Igreja de Nossa Senhora das Ondas

A igreja tem por orago S. Pedro Gonçalves, mas é vulgarmente denominada por Igreja das Ondas por pertencer aos mareantes e nela se venerar a imagem de Nossa Senhora das Ondas. As origens do edifício remontam provavelmente ao reinado de D. Manuel.

A sua planta é de forma trapezoidal e a cobertura em madeira, ornada de pinturas decorativas setecentistas, figurando ao centro as armas de D. João V. É provável que no séc. XVIII o templo tenha sofrido grandes obras, devendo datar dessa época o retábulo da Capela-mor, peça que se destaca pela sua tribuna, onde se enquadra um nicho com a imagem do padroeiro. Uma escultura do séc. XVII representando a Senhora das Ondas está colocada sobre o altar que lhe é dedicado. Na Casa dos Pescadores, contígua à igreja, conserva-se o estandarte da Associação dos Mareantes, sumptuosa peça de lhama de ouro vermelha, bordada a fios de ouro e prata e lantejoulas.

Fonte: ECultura

Igreja de Nossa Senhora das Ondas, Tavira

Igreja de Nossa Senhora das Ondas, Tavira

A Igreja de Nossa Senhora das Ondas, também designada dos Mareantes, ou de São Pedro Gonçalves Telmo, possui órgão de tubos.

Reciclanda

Reciclanda

O projeto Reciclanda promove a reutilização, reciclagem e sustentabilidade desde idade precoce.

Com música, instrumentos reutilizados, poesia e literaturas de tradição oral, contribui para o desenvolvimento global da criança e o bem estar dos idosos. Faz ACD e ALD (formações de curta e longa duração) e dinamiza atividades em colónias de férias com crianças. Municípios, Escolas, Agrupamentos, Colégios, Festivais, Bibliotecas, CERCI, Centros de Formação, Centros de Relação Comunitária, podem contratar serviços Reciclanda.

Contacte-nos:

António José Ferreira:
962 942 759

Igreja de Santa Maria do Castelo

Igreja de Santa Maria, Tavira

Igreja de Santa Maria, Tavira

Construída na segunda metade do século XIII, no local onde anteriormente se situara a mesquita de Tavira, a Igreja de Santa Maria do Castelo foi construída segundo o estilo gótico, como comprova o seu portal ogival. Sofreu estragos consideráveis aquando do terramoto de 1755, pelo que foi necessário proceder à sua reconstrução. O projeto ficou a cargo do arquiteto italiano Francisco Xavier Fabri que teve a preocupação de manter a estrutura original da igreja – três naves e quatro tramos – tendo aproveitado a cabeceira e algumas capelas laterais, caso da Capela do Evangelho, de estilo gótico, e da Capela do Senhor dos Passos, de estilo manuelino mas revestida com azulejos do século XVII.

Relativamente à ornamentação interior, merece destaque a Capela-mor, onde se vê um retábulo do início do século XIX de arquitetura simulada (pintada). Nas paredes laterais da Capela-mor observam-se duas inscrições medievais que assinalam a presença do túmulo de D. Paio Peres Correia e dos seis cavaleiros que morreram na reconquista cristã de Tavira. Igualmente interessantes são o retábulo da Paixão, de estilo Rococó, e o retábulo Neoclássico do batistério, que incorpora uma bonita pintura do final do século XVIII representando a assunção da Virgem Nossa Senhora, e cuja autoria se atribui ao italiano Corrado Guiaquinto. Visite a exposição de arte sacra com imagens e pinturas dos séculos XV a XIX.

Fonte: VisitAlgarve

A Igreja de Santa Maria do Castelo possui órgão de tubos de armário.

Órgão e armário

Igreja de Santa Maria, Tavira

Igreja de Santa Maria, Tavira

Igreja de Santo António dos Capuchos

Igreja de Santo António, Tavira

Igreja de Santo António, Tavira

Os frades capuchos da Província da Piedade chegaram a Tavira em 1607 e ocuparam provisoriamente a ermida de Nossa Senhora da Esperança, enquanto decidiam o local exato para construir o convento. O sítio escolhido acabou por ser o mesmo local onde se encontravam, iniciando-se a construção em 1612, abrangendo parte de uma fazenda suburbana e de um terreiro público. A fachada, único elemento que se relacionava com o exterior, ficou orientada o campo da Atalaia, ficando as restantes instalações conventuais no interior da cerca.

A igreja é um exemplo da austeridade da arquitetura “chã” seiscentista e da sobriedade característica dos franciscanos capuchos. Possui uma planta retangular simples, com endonártex, nave única e Capela-mor. Durante a segunda metade do século XVIII foi remodelada a fachada principal, introduzindo-se um frontão e um janelão barrocos. No interior é possível admirar o Trânsito de Santo António, curioso conjunto escultórico setecentista, em barro, integrado numa tipologia vulgar noutros conventos capuchos (casos de Vila Viçosa e Portalegre). É constituído por três grupos, de tamanho quase natural, representando o episódio em que o Santo salva o pai da forca, o milagre da mula do herético e a morte do Santo em Pádua. No interior há retábulos em talha e exemplares de pintura e de imaginária religiosa dos séculos XVI a XIX. Na abóbada da Capela-mor saliente-se a pintura mural de perspetiva ilusionista, integrando cenas da vida do padroeiro. Das antigas instalações conventuais destaca-se o claustro, de grande sobriedade, com três arcos por banda assentes em pilares de secção quadrada. Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o convento foi vendido em hasta pública, tendo a igreja sido adquirida pela confraria de Santo António, em 1856, até então sediada na Igreja do Convento de São Francisco.

Fonte: CMT

A Igreja de Santo António dos Capuchos possui órgão de tubos.

Igreja de São José

Igreja de São José, Tavira

Igreja de São José, Tavira

Construída na segunda metade do século XV, a Igreja de São José do Hospital foi originalmente um templo de estilo gótico, do qual não resta hoje mais do que uma Capela lateral tardo-medieval. Como consequência dos terramotos de 1722 e de 1755, esta igreja sofreu danos irreparáveis que levaram à construção de um novo templo. As obras duraram uma década, ficando concluídas em 1768.

A reconstrução originou uma igreja com corpo de nave única, planta octogonal e Capela-mor. A fachada apresenta um frontão decorado com trabalhos de massa tardo-barrocos, sendo os vãos de estilo Rocaille. Na decoração interior destaca-se o altar da Capela-mor, um dos poucos exemplares da região executados em “trompe l’oeil”, atribuído ao pintor algarvio Joaquim José Rasquinho. Frisa-se ainda a beleza dos quatro altares laterais da igreja, dois de estilo Rococó e dois de estilo Neoclássico, e da imagem em roca de São José, de estilo Barroco, tida como miraculosa desde 1721.

A Igreja de São José de Tavira possui órgão de tubos.

Fonte: VisitAlgarve

Igreja do Carmo

Igreja do Carmo, Tavira

Igreja do Carmo, Tavira

A Igreja da Ordem Terceira do Carmo é um edifício de arquitetura religiosa construído entre 1747 e 1789 que obedece à tipologia característica da época: nave única com planta de cruz latina coberta por abóbada de berço. A fachada, claramente tardo-barroca, apresenta um grande janelão sobre o vão da entrada principal e um frontão típico deste período.

No interior, há um magnificente conjunto de altares em talha, entre os quais o exemplar colocado na Capela-mor, considerado o mais interessante retábulo Rococó do Algarve. Neste altar, além da qualidade da talha, observam-se diversas imagens em nichos, um cadeiral, quatro telas e uma cúpula pintada em perspetiva com a representação de Nossa Senhora do Carmo no centro.

Fonte: VisitAlgarve

A Igreja da Ordem Terceira do Carmo possui órgão de tubos.

Montra do órgão

Órgão de tubos da Igreja do Carmo, Tavira

Órgão de tubos da Igreja do Carmo, Tavira

Igreja Matriz de Santiago

Igreja de São Tiago, Tavira

Igreja Paroquial de Santiago, Tavira

Situada na zona antiga, a Igreja de são Tiago é um edifício religioso medieval, construído na segunda metade do século XIII. templo de nave única com Capela-mor e várias capelas laterais, a igreja possui um conjunto de retábulos em talha de boa qualidade e quatro tábuas de pintura quatrocentista e quinhentista que representam São João Batista e São Pedro, e São Vicente e São Brás. A fachada principal denota a campanha de obras da segunda metade do século XVIII, consequência direta do terramoto de 1755, tendo especial interesse o medalhão com trabalhos de massa em que surge representado São Tiago a cavalo.

Em 2020, 13ª Edição do Festival de Órgão Algarve ’20, organização da Associação Música XXI, decorreu em igrejas de Faro (Sé, e Igreja do Carmo), Portimão (Igreja Matriz), Loulé (Igreja Paroquial de Boliqueime) e Tavira (Igreja de Santiago).

A Igreja Paroquial de Santiago possui um órgão de tubos histórico (positivo de armário).

Órgão de armário no coro alto

Órgão da Igreja de Santiago de Tavira

coro alto e órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Vista lateral e fole

Órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Montra

Órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Montra do órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Estante e manual

Órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Manual do órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Portada

Portada e manúbrios do órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Portada e manúbrios do órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Portada

Órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Pedais

Órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Pedais do órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Fole

Órgão da Igreja de Santiago de Tavira

Fole do órgão da Igreja de Santiago de Tavira

FOI NOTÍCIA

No Algarve Digital lia-se a 28 setembro 2006, que a 1 de outubro, domingo, Dia Mundial da Música, pelas 21h30, a Igreja de São Tiago, em Tavira, inauguraria o novo órgão com um concerto pelo organista Gyula Szilágyi, acompanhado por Teresa Matias em flauta e tambor renascentista.

Trata-se de um órgão de armário construído por Joaquim Peres Fontanes, em Lisboa, na segunda metade do século XVIII, recuperado pelo mestre-organeiro Dinarte Machado. Era o segundo órgão restaurado, recentemente, na cidade de Tavira, após a concretização da intervenção no órgão da Igreja da Misericórdia.

Foi feito um investimento de €61.451,90, o qual foi suportado pela Câmara Municipal de Tavira e pelo IPPAR, em partes iguais (€30.725,96). A par disso, foram, ainda, gastos com a firma K4-Conservação e Restauro (para restauro da caixa do órgão) €7.425,60.

Festival de Órgão do Algarve

As igrejas de Santiago e da Misericórdia de Tavira estão incluídas entre os espaços que acolhem o Festival de Órgão do Algarve.

Festival de Órgão do Algarve

Festival de Órgão do Algarve

https://www.musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/tavira-sao-tiago-igreja.jpg 400 400 António Ferreira http://musorbis.com/wp-content/uploads/2020/11/logo-musorbis-com-nome-300x300.png António Ferreira2020-11-24 00:02:092024-11-10 11:58:07Tavira e os seus órgãos de tubos
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